segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Madeireiros cercam ativistas do Greenpeace no oeste do Pará

Sete ativistas do Greenpeace foram cercados nesta terça-feira por
aproximadamente 300 pessoas no município de Castelo dos Sonhos, no oeste
do Pará e estão impedidos de sair da cidade. Dezenas de madeireiros, com
oito caminhões, 10 caminhonetes e mais de 15 motos se reuniram em frente
à base do Ibama, onde os ativistas do Greenpeace se refugiaram, e tentam
impedir que o grupo deixe a cidade com uma tora de castanheira
(Bertholletia excelsa), que está sendo transportada para uma exposição
da ONG no sudeste do país.

A tora de cerca de 13 metros é parte da exposição itinerante
"Aquecimento Global: Apague essa Idéia", organizada pelo Greenpeace,
para aproximar a realidade da Amazônia de milhares de brasileiros que
nunca tiveram a oportunidade de ver a floresta de perto. A árvore,
queimada ilegalmente em terras públicas no oeste do Pará, simboliza a
rápida destruição da Amazônia e seria exibida em locais de grande
visitação pública em São Paulo e no Rio de Janeiro para chamar a atenção
da população sobre a necessidade urgente de zerar o desmatamento na
Amazônia e, assim, contribuir para reduzir as emissões brasileiras de
gases que provocam o aquecimento global. Os governadores de São Paulo,
José Serra (PSDB), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), já
confirmaram presença quando a exposição chegar em seus estados.

O Ibama concedeu a autorização para a coleta, transporte e exposição da
castanheira, por entender que se trata de um trabalho com finalidade
cultural e educativa, importante para proteger a maior floresta tropical
do mundo.

No início da tarde, cerca de trinta madeireiros e dois caminhões
cercaram a carreta que transportava a castanheira, tão logo o grupo
chegou à cidade. Os ativistas do Greenpeace conseguiram se refugiar na
base do Ibama, onde se encontram protegidos por dois policiais civis,
três soldados e um sargento da Polícia Militar e 12 soldados do Exército
(incluindo um sargento e um tenente), além de sete agentes do Ibama. Os
ativistas estão sem comida e vários caminhões estão bloqueando a saída
do local.

"Esse incidente prova que a presença do Estado na região amazônica é
débil e não consegue sequer garantir direitos constitucionais básicos,
como a segurança e a locomoção das pessoas. Sem governança, a floresta
Amazônica continua vulnerável à destruição", afirmou Marcelo Marquesini,
do Greenpeace, coordenador da expedição, que está no grupo cercado em
Castelo dos Sonhos.

Há duas semanas, o Greenpeace e outras oito organizações
não-governamentais apresentaram, em Brasília, um plano de sete anos para
zerar o desmatamento na Amazônia.
André Muggiati
Grrenpeace - Campanha Amazônia

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