sexta-feira, 22 de março de 2019

A base parlamentar natimorta de Bolsonaro


Marcos Corrêa/PR

Por Helena Chagas, no Divergentes e para o Jornalistas pela Democracia

Não se pode destruir o que nunca existiu, caso da base parlamentar do governo Bolsonaro. Mas, ainda que Michel Temer seja solto nas próximas horas, e que a pirotecnia das prisões desta quinta tenha feito sombra sobre as más notícias que atingiram o Planalto na semana, está claro que o episódio deixa Jair Bolsonaro muito mais distante das condições de governabilidade necessárias para seguir em frente. Antes de tudo, pela reação do próprio presidente, que aproveitou o momento para achincalhar a própria governabilidade.

Governabilidade é uma palavra gasta, usada predominantemente pelos políticos que querem obter concessões em troca de seus votos no Congresso, que evoca toma-lá-dá-cá e outros hábitos ruins. Mas não inventaram outra melhor para definir a capacidade do presidente da República de reunir apoio no Legislativo para aprovar sua agenda, governar e, sobretudo, sobreviver nos seus quatro ou até oito anos de mandato. A história recente do presidencialismo à brasileira, com dois impeachment presidenciais em menos de 25 anos, não deixa dúvidas.

Bolsonaro poderia ter saído pela tangente no episódio Temer. Mas Bolsonaro é Bolsonaro. Num momento para lá de complicado, em que o conjunto da obra das ações políticas do Planalto já desenhava uma situação preocupante em relação à Previdência, ele mostrou que tudo sempre pode piorar. Atribuiu a prisão de Temer a atitudes relacionadas aos "acordos pela governabilidade" da velha política, disse uma obviedade ("a Justiça é para todos") e reafirmou sua intenção de não fazer os tais acordos pela governabilidade.

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Bolsonaro errou, porque a investigação que levou o ex-presidente para a cadeia não parece ter uma relação tão direta com acordos pela governabilidade, mas sim com propina e corrupção. E chutou o pau da barraca, já meio despencada, atingindo os únicos que poderiam ajudá-lo a formar uma base de apoio: fustigou o DEM de Rodrigo Maia – que passou recibo imediato de sua irritação por essas e outras ofensas -, o MDB de Michel Temer e Moreira Franco, o Centrão de tanta gente que já está presa e etc.

Juntando-se a esse pessoal o PT de Lula, o PDT de Ciro Gomes e o PSDB de Tasso Jereissati – eles se manifestaram considerando a prisão do adversário arbitrária – tem-se um caldo grosso de animosidade no Legislativo. O PSL de Bolsonaro festejou a prisão de Temer, mas não gostou do projeto da Previdência dos militares, cheio de concessões, e nem está gostando de não ter os ministérios, cargos e vantagens que esperava. Problema, aliás, que atinge praticamente todos os partidos da base potencial de Bolsonaro.

Soma daqui, puxa dali, noves fora, e se conclui que Bolsonaro, que já tinha um governo de base zero, pode acabar agora com base parlamentar negativa – algo extremamente grave para quem não completou ainda três meses de governo. O que vai acontecer ninguém sabe, mas já dá para arriscar no que não vai acontecer: a reforma da Previdência de Paulo Guedes tomou o rumo da lata de lixo, e o que sair dali, se sair, vai estar bem distante dos R$ 1 trilhão sonhados pelo ministro da Economia.

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Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/helenachagas/387783/A-base-parlamentar-natimorta-de-Bolsonaro.htm

ÁGUA INVADE CASAS NA PRAIA DO PREÁ - CRUZ/CE


Cruz. Com as fortes chuvas que veem se intensificando na Praia do Preá, Distrito de Caiçara, Município de Cruz, Região Litoral Norte do Ceará, há 300km de Fortaleza, muitas residências estão sendo invadidas pelas águas, deixando as famílias em desespero sem terem para aonde se deslocarem, fazendo com que muitas permaneçam em casa, mesmo estando rodeada de água ou totalmente alagada.As pessoas, na tentativa de se livrarem da água, fazem aterros, abrem canais, constroem paredes de alvenaria, mas, não passam de medidas paliativas, pois, quando chove intensamente, têm suas casas invadidas pelas águas.

Este fenômeno é recorrente, pois, todas as vezes que é registrada uma boa quadra invernosa, na região, a comunidade é atingida pelas águas, devido a sua localização em uma área de inundações, com muitos córregos e lagoas. Este ano, tem um diferencial há mais, pois, os córregos e lagoas foram aterrados e feitas muitas construções que impedem a passagem da água que se acumula e invade áreas nunca atingidas antes.

Um motorista da Cidade de Pau dos Ferros/RN perdeu a placa do veículo ao passar ou um trecho de rua alagado com água profunda e por muita sorte, conseguiu localizar a placa através de um morador local que conseguiu recuperar a placa adentrando na água. A última alagação ocorreu em 2009, quando 60% da área ficou inundada. Naquele ano, havia poucas construções, mesmo assim, centenas de casas foram invadidas pelas águas. 

Não há controle por parte das autoridades e cada um constrói como lhe convém. Como terreno é muito caro, cada pedaço é aproveitado sem que haja preocupação com as consequências. Com as inundações, aumentam os ricos de contrair doenças como leptospirose e doenças de pele causadas pela água contaminada. Com as previsões meteorológicas de que teremos uma ocorrência de chuvas mais intensas para os próximos dias, a situação tende a se agravar a cada chuva que é registrada. Só nos resta indagar por quem serão os responsáveis, ou melhor, responsabilizados.

Dr. Lima