quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Erika: PF diz não ter condições para transportar Lula, mas teve para extraditar Battisti


LUIS MACEDO - CÂMARA

247 - A deputada federal reeleita Erika Kokay (PT-DF) criticou as alegações da Polícia Federal para não deixar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ir ao velório do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, morto, aos 79 anos, vítima de um câncer de pulmão.

"Cabe aqui lembrar que a mesma PF que diz não ter condições de conduzir Lula ao velório de seu irmão, deslocou avião para extraditar Battisti da Bolívia para a Itália. Quanto custou a operação? O povo brasileiro quer saber. Tudo para exibi-lo como troféu aos bolsonaristas!", escreveu a parlamentar no Twitter.

Em ofício, o superintendente Luciano Flores alegou "indisponibilidade de transporte aéreo em tempo hábil" para a chegada de Lula a tempo da cerimônia.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasilia/382301/Erika-PF-diz-n%C3%A3o-ter-condi%C3%A7%C3%B5es-para-transportar-Lula-mas-teve-para-extraditar-Battisti.htm

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Lenio Streck: “Lula teve negado um direito que não se nega a ninguém há 2000 anos”


247 - O jurista Lenio Streck disse que a decisão do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, sobre a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no velório e sepultamento do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, não deve ser comemorada.

"O Toffoli concedeu aquilo que há 2000 anos não se nega a ninguém, que é o direito de velar nossos mortos", disse Streck ao DCM. "Na democracia, Lula foi impedido por Vara de Execução e Tribunal Regional de ir ao velório do irmão", ressaltou.

"A Lei de Execução Penal, quando autoriza a visitar o irmão ou o parente, ela não especifica nada quanto à logística, isso não é um problema. Ou o sujeito tem ou não tem o direito", observou, antes de destacar que houve dois pesos e duas medidas.

"Quando foram fazer a condução coercitiva do Lula, tinha contingente, não tinha? Para ele ver o irmão, não tem? Quando alguém quer ser consequencialista, tem que ser sempre, e não só quando lhe interessa", completou o jurista.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/382192/Lenio-Streck-%E2%80%9CLula-teve-negado-um-direito-que-n%C3%A3o-se-nega-a-ningu%C3%A9m-h%C3%A1-2000-anos%E2%80%9D.htm

Lula decide não ir ao 'circo' armado por Moro e o Judiciário

 

 247 - Lula decidiu não compactuar com o circo armado por Sérgio Moro e o Poder Judiciário e não irá a São Bernardo do Campo para encontrar seus familiares. O deputado Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, anunciou a decisão de Lula, que será detalhada ainda na tarde desta quarta-feira (30): "O presidente Lula não vai para São Bernardo do Campo porque ele não irá se submeter ao circo que Sérgio Moro armou. Lula não tem motivos para se encontrar às escondidas com a família como se isso fosse um favor do MPF e do Judiciário da turma da Lava Jato".

Paulo Pimenta

@DeputadoFederal

O presidente Lula não vai para São Bernardo do Campo porque ele não irá se submeter ao circo que Sérgio Moro armou.
Lula não tem motivos para se encontrar às escondidas com a família como se isso fosse um favor do MPF e do Judiciário da turma da #LavaJato #LulaPresoPolitico

2.790

12:58 - 30 de jan de 2019

O verdadeiro circo armado por Moro e o Judiciário terminou com a decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, autorizando que Lula fosse até São Bernardo do Campo para um encontro fechado com familiares, numa decisão tomada 15 minutos antes do enterro de seu irmão Vavá.

O ex-ministro Gilberto Carvalho comentou a decisão de Toffoli, dessa forma, segundo o site G1: "É lamentável que a decisão só tenha saído a essa hora. É totalmente inviável. O Lula com muita dignidade agradeceu, mas não vem, não faz sentido mais". Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula, afirmou: "Eu acho mais um absurdo. O Lula é tratado com excepcionalidade pela Justiça, de forma seletiva. Então, infelizmente, esse é o enfrentamento que nós temos que fazer: mostrar que o Lula, em muitos direitos, ele está sendo prejudicado, em muitas discussões ele está sendo prejudicado porque sempre há um julgamento político sobre as atitudes dele".

Edson Inácio da Silva, filho de Vavá, considerou todo o episódio uma "piada" e afirmou: "Eu preciso dar risada. A lei disse que pode vir. No regime militar, minha vó morreu e foi enterrado nesse cemitério, e ele veio. Agora, que vivemos em uma democracia, a Justiça não permite por 'N' motivos. Criaram uma série de motivos. É uma piada".

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/382184/Lula-decide-n%C3%A3o-ir-ao-'circo'-armado-por-Moro-e-o-Judici%C3%A1rio.htm

Deltan disse que conceder direito a Lula poderia afetar buscas em Brumadinho



247 - O pânico do Ministério Público com a possível ida do ex-presidente Lula ao enterro de seu irmão Vavá ficou patente na própria redação e velocidade do parecer assinado por Deltan Dallagnol (a decisão do MPF saiu minutos depois do parecer da PF). O que fundamenta o não deferimento do pedido da defesa é, em linhas gerais, o poder popular de Lula (que põe em risco a 'segurança'). Mas, o que chama mais a atenção é a associação do pedido ao crime-catástrofe da Vale em Brumadinho. O texto diz: "consultada a Coordenação de Aviação Operacional da PF, sobreveio a informação de que no momento os helicópteros que não estão em manutenção estão sendo utilizados para apoio aos resgates das vítimas de Brumadinho."

O parecer de Deltan Dallagnol e da Lava Jato insere a discussão no seguinte viés: "conforme a mencionada decisão, a permissão de saída pretendida esbarra em insuperável obstáculo técnico: a impossibilidade de, ao tempo e modo, conduzir o custodiado mediante escolta e com as salvaguardas devidas, aos atos fúnebres de seu irmão."

E complementa: "no tocante à logística necessária para sua retirada da cela em Curitiba com trajeto passando pelo aeroporto de São José dos Pinhais/PR, aeroporto de São Paulo e Cemitério de São Bernardo do Campo/SP, para que tudo fosse feito em tempo oportuno e com a devida segurança, seria necessário um transporte de helicóptero da sede da Superintendência da PF em Curitiba até o primeiro aeroporto, uma aeronave da PF – com a devida segurança e piloto próprio – para o transporte entre Curitiba e São Paulo/SP e outro helicóptero até o cemitério. Consultada a Coordenação de Aviação Operacional da PF, sobreveio a informação de que no momento os helicópteros que não estão em manutenção estão sendo utilizados para apoio aos resgates das vítimas de Brumadinho. Além disso, a aeronave de asa fixa, disponível no momento, por questões de segurança poderia voar somente a partir das 6:00 de 30/01/2019, cujo tempo estimado entre a vinda da aeronave de Brasília, chegada em Curitiba e deste local para o Aeroporto de Congonhas, demandaria no mínimo 6 (seis) horas, considerando o tempo dos vôos, movimentação em pista e abastecimento em Curitiba/PR. Sobre o deslocamento do aeroporto de Congonhas ao Cemitério de São Bernardo do Campo/SP seriam necessárias mais 2 (duas) horas. Feitas as considerações no tocante ao meio de deslocamento, o que por si só resta inviabilizado o atendimento ao pedido, seja porque os helicópteros da PF estão sendo utilizados no momento em Minas Gerais, para auxiliar nos resgastes de Brumadinho, seja pela ausência de tempo hábil para o deslocamento da única aeronave da PF disponível no momento, restam as ponderações relativas às análises de risco e do efetivo policial que seria necessário empregar para uma escolta como esta."

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/382123/Deltan-disse-que-conceder-direito-a-Lula-poderia-afetar-buscas-em-Brumadinho.htm

Juíza nega pedido de Lula para ir ao velório do irmão


Agência Brasil com 247 - A juíza federal Carolina Lebbos, da 12ª Vara Criminal em Curitiba, negou pedido para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político, deixe a prisão para comparecer ao velório do irmão, Genival Inácio da Silva, conhecido como Vavá, que morreu ontem (29), em decorrência de câncer no pulmão.

Na despacho, a juíza entendeu que a decisão final cabe à Polícia Federal (PF), que alegou dificuldades logísticas para realizar a viagem da superintendência da corporação em Curitiba, onde Lula está preso, até o Cemitério Pauliceia, em São Bernardo do Campo (SP). O sepultamento está previsto para hoje (30), às 13h.

A PF também alegou que a presença do ex-presidente poderia tumultuar a ordem pública, em razão de manifestações de simpatizantes.

"Este Juízo não é insensível à natureza do pedido formulado pela defesa. Todavia, ponderando-se os interesses envolvidos no quadro apresentado, a par da concreta impossibilidade logística de proceder-se ao deslocamento, impõe-se a preservação da segurança pública e da integridade física do próprio preso", decidiu a juíza.

A defesa de Lula alegou que a Lei de Execução Penal (LEP) prevê que presos possam deixar as unidades para comparecer ao velório de um parente próximo.

Lula está preso desde 7 de abril do ano passado, arbitrariamente, por ter sua condenação no caso confirmada pelo Tribunal Regional Federal 4ª Região (TRF4), que impôs pena de 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP). As condenações, sem provas, foram baseadas apenas em delações premiadas.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/382130/Ju%C3%ADza-nega-pedido-de-Lula-para-ir-ao-vel%C3%B3rio-do-irm%C3%A3o.htm

sábado, 26 de janeiro de 2019

REUNIÃO DA COMISSÃO ORGANIZADORA DOS 15 ANOS DO CBH-Acaraú/CE


Cruz. Aconteceu, na manhã de quinta-feira, 24, na sede da COGEH, em Sobral, a primeira reunião dos membros da Comissão Organizadora das comemorações alusivas as Bodas de Cristal do Comitê da Bacia Hidrográfica do Acaraú que foi criado pelo Decreto estadual nº 27.647, de dezembro de 2004 e instalado em 18 de fevereiro de 2005. Trata-se de um órgão colegiado, de caráter consultivo e deliberativo. É constituído por 40 instituições membros, estando estas distribuídas nos seguintes segmentos: Poder Público Municipal – 8, Poder Público Estadual e Federal – 8, Usuários – 12, e Sociedade Civil – 12 instituições. “O cristal é algo valorizado e que enfeita o ambiente. A transparência e o brilho são suas características principais. Entretanto, quando cai e quebra não há como reparar” diz a Psicóloga Marina Lima.

O evento demarca a trajetória do CBH-Acaraú desde sua instituição, destacando suas conquistas e avanços, lutando por uma causa nobre, até os dias atuais. Oportuniza um momento de reflexão sobre a história do Comitê construída junto a sociedade e fortalecida pela convivência de 15 anos junto aos seus membros da COGERH e do Comitê. Os Comitês de Bacia Hidrográfica são organismos colegiados que fazem parte do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e existem no Brasil desde 1988. A composição diversificada e democrática dos Comitês contribui para que todos os setores da sociedade com interesse sobre a água na bacia tenham representação e poder de decisão sobre sua gestão.

A reunião contou com a participação de membros importantes do Comitê e da COGERH: José Maria, Dr. Lima, Mayara Costa, Kamylle Prado, Adalberto e Sr. Expedito Torres.

Alguns pontos já ficaram definidos: Abertura do evento, dia 12 de junho, às 15h; Comendas para homenagear 15 personalidades ainda não definidas; Exposição itinerante de fotos históricas; produção da arte gráfica para as camisas e a próxima reunião da Comissão Organizadora para o dia 7 de fevereiro no Escritório da COGERH.

Dr. Lima

CBH-Acaraú

Radialista

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Por que a petição para Lula ganhar o Nobel já tem 500 mil assinaturas?



Foto: Ricardo Stuckert

Em artigo publicado na Carta Capital, o professor Carlos Enrique Ruiz Ferreira escreve sobre o prestígio e da luta do ex-presidente no combate à fome

Em seu testamento, Alfred Nobel estabeleceu um fundo com vistas a premiar, anualmente, as pessoas que se notabilizassem por promover grandes benefícios para a humanidade. Nobel estabeleceu 5 prêmios, dentre eles o da Paz. Este prêmio deveria ser outorgado “à pessoa que fez mais ou melhor na promoção da comunhão entre as nações, para a abolição ou redução de exércitos permanentes, e para o estabelecimento e promoção de processos de paz”.

Desde 1901 o Nobel da Paz foi concedido 99 vezes para 106 pessoas e 27 organizações. Dentre alguns personagens políticos premiados estão Woodrow Wilson (1919), Martin Luther King (1964), Adolfo Pérez Esquivel (1980), Nelson Mandela (1993), Jimmy Carter (2002) e Barack Obama (2009). Todos estes não apenas empreenderam esforços significativos, alcançando altos impactos para a paz e prosperidade mundiais mas, de igual forma, inspiraram milhares de pessoas aos sentimentos de solidariedade, esperança e perseverança por um mundo melhor.

Luiz Inácio Lula da Silva está sendo alçado a candidato ao Nobel da Paz em 2019 por intermédio do já agraciado Nobel Adolfo Pérez Esquivel. Esquivel é ativista dos direitos humanos e da não violência, e notabilizou-se por seus trabalhos no enfrentamento dos crimes de direitos humanos – assassinatos, torturas e desaparecimentos – ocorridos durante as ditaduras militares na América Latina.

A campanha iniciada por Pérez Esquivel conta atualmente com a adesão de quase 500 mil pessoas (abaixo-assinadas). Pudera, Lula modificou drasticamente a vida de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, tornando-se um símbolo político de esperança pela paz e desenvolvimento dos povos.

Ainda que os elementos técnicos que fazem jus a Lula receber o prêmio sejam inúmeros, restringimo-nos aqui a ressaltar alguns daqueles que adquiriram notoriedade internacional. Em primeiro lugar está a contribuição de Lula no combate à fome e à pobreza, tema caro ao candidato por conhecer na pele o drama de milhares de pessoas que ainda passam fome e morrem por desnutrição. O segundo argumento centra-se nas contribuições para a segurança mundial e a democratização das relações internacionais. Em suma: Lula honra a conquista do Nobel seja por suas contribuições na seara da Paz e Desenvolvimento mas, também, no campo da Paz e Segurança Internacional.

Paz e Desenvolvimento

Retirante nordestino, Lula fez de sua experiência uma potência de luta e esperança. Reescreveu sua história, reinventando uma narrativa triste e recorrente na vida de milhares de brasileiros. Quem o conhece sabe que este tema é sua preocupação desde os primórdios do Partido dos Trabalhadores e tornou-se uma pedra de abóboda do conjunto das políticas públicas de seus dois mandatos presidenciais.

A revolução social promovida por Lula no Brasil foi composta, principalmente, por três políticas conjugadas: o Programa Bolsa Família, a valorização do salário mínimo e a introdução de créditos bancários (para programas de habitação, mas também para os mais variados negócios ou necessidades dos mais pobres).

Neste âmbito, e do ponto de vista de seu reconhecimento internacional, o Programa Bolsa Família é o destaque principal. Esquivel em sua Carta lembra as palavras engajadas de Lula, que se tornaram célebres no mundo todo: “Precisamos superar a fome, a pobreza e a exclusão social. Nossa guerra não é para matar ninguém: é para salvar vidas”. Foi essa a mensagem mundial que Lula tornou um mantra nos mais variados espaços institucionais internacionais, da ONU ao Fórum Econômico de Davos e à OMC.

A convicção, o talento e a desenvoltura do ex-presidente Lula foram responsáveis pelo que a ONU considerou “um dos maiores programas de transferência de renda do mundo”, que abrangeu 26% da população em 2012, reduzindo a taxa de pobreza em 8 pontos percentuais (desde o início do programa até 2009). Ademais, o Programa teve impactos significativos na matrícula escolar e na diminuição do índice de Gini. O êxito do Programa foi tamanho que conseguiu retirar o país, em 2014, do Mapa da Fome, índice produzido pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação).

Mas, para além do Bolsa Família, as políticas públicas de Lula, seja na valorização do salário mínimo (entre 2002 e 2010 o aumento cumulativo foi de 57% em termos reais), seja nos programas de infraestrutura e incentivo à indústria (em especial o Programa de Aceleração do Crescimento), fizeram o país crescer economicamente de uma forma ímpar na história. O crescimento anual do PIB foi considerável e o país, na balança comercial, de um déficit médio de US$ 1,1 bilhão na Era Cardoso, alçou superávit acima de US$ 30 bilhões por ano, nos anos Lula. Se o desenvolvimento é conditio sine qua non para alcançar a Paz, Lula talvez tenha sido o maior líder, exemplo e expoente mundial desde, pelo menos, a segunda guerra mundial.

O fato é que Lula conseguiu materializar direitos há muito tempo consagrados internacionalmente. Estes direitos humanos foram expressos na esfera internacional a partir das declarações e tratados emanados da ONU, em especial a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional de Direitos Sociais, Econômicos e Culturais.

Paz, Democracia e Segurança Internacional

Apesar de invariavelmente figurar entre as 10 maiores economias do mundo, foi apenas durante os governos de Lula da Silva que o país foi reconhecido internacionalmente por suas potencialidades e protagonismo na busca da paz e da democracia na sociedade global. Provas desse prestígio são as expressões de legitimação e reconhecimento: Lula foi chamado de “o cara” pelo presidente da superpotência mundial Barack Obama; o país teve o seu Ministro de Relações Exteriores, o embaixador Celso Amorim, considerado como o “melhor chanceler do mundo” em 2009 pela prestigiosa revista Foreign Policy. Em primeiro lugar o Brasil contribuiu para a democratização das relações internacionais em diversos cenários.

Na ONU, por exemplo, o país se aliou à Alemanha, Japão e Índia (no chamado G-4) propondo uma reforma do Conselho de Segurança (CS) que contemplasse novos membros permanentes oriundos de países subdesenvolvidos. Ainda, na construção de uma agenda de paz nas relações internacionais, a UNASUL e a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS) somaram esforços para um mundo mais pacífico. A ZOPACAS foi criada em 1986 mas foi durante o governo Lula que o Fórum ganhou maior organicidade e atuação. Já a UNASUL foi criada em 2008, com liderança e apoio insigne do Brasil. Lula mostrou ao mundo que quando se trata de cooperação entre os povos, do combate à pobreza, promoção de bem-estar e aliança regional pela paz não importam os matizes políticos dos governos, é fundamental transcendê-los em prol de objetivos comuns.

A UNASUL inovou juridicamente e praticamente em relação a todos os mecanismos de integração até então já vistos no continente americano. Em seu tratado objetiva a construção de uma “cidadania sul-americana”, buscando “uma cultura de paz em um mundo livre de armas nucleares e de destruição em massa” (esta uma das maiores preocupações de Alfred Nobel quando criou o prêmio para a Paz). Do ponto de vista operacional, foi a partir do Conselho de Defesa da UNASUL (e outros órgãos) que a organização atuou pela solução pacífica de controversas em episódios de desestabilização na Bolívia (na região de Pando em 2008) e entre a Colômbia e Venezuela (2010), no Equador (na sublevação da Polícia Nacional em 2010) e no Paraguai (com a deposição do presidente Fernando Lugo em 2012), além de promover uma cooperação imediata, multidimensional, quando do terremoto do Haiti em 2010.

A criação do BRICS, seu Banco de Desenvolvimento (que superou paradigmas da cooperação vertical) e do Fórum IBAS são algumas outras façanhas em que o Brasil teve papel singular. A construção de um mundo mais igualitário, democrático em suas relações, com o cuidado devido aos povos mais pobres e ao desenvolvimento, sem dúvida foram marcas indeléveis deste retirante nordestino, metalúrgico, ex-presidente da República Federativa do Brasil e um grande cidadão do mundo. Reconhecemos Lula como um líder mundial de grande envergadura, daqueles que surgem uma vez ou outra na História da Humanidade. Seu Nobel significa reconhecer essa grandeza e enaltecê-la, seu Nobel representaria um prêmio para a luta dos povos em busca do desenvolvimento, de uma sociedade mais justa e igualitária, e de um mundo mais seguro e democrático internacionalmente. Seria e será uma verdadeira celebração da Paz.

  • Carlos Enrique Ruiz Ferreira é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e pós doutor em Filosofia pela mesma casa.

Por Carta Capital

Fonte: https://ptnacamara.org.br/portal/2019/01/23/por-que-a-peticao-para-lula-ganhar-o-nobel-ja-tem-500-mil-assinaturas/

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Carlos Bolsonaro diz que toda a imprensa do Brasil e do mundo é formada por bandidos


247 - O vereador Carlos Bolsonaro, que é "carinhosamente" chamado pelo pai de "pitbull", disparou ataques à imprensa nesta quarta-feira (23) e classificou como "bandidos" todos os críticos realizado pelo presidente Jair Bolsonaro, durante a abertura Fórum de Davos, nesta terça-feira (22). A fala de Bolsonaro, de apenas oito minutos, foi amplamente criticada nacionalmente e internacionalmente por jornalistas como Guga Chacra, Reinaldo Azevedo, Martin Wolff, Jamil Chade, Heather Long e Sylvie Kauffmann, além dos Jornalistas pela Democracia, entre outros.

"A narrativa dos bandidos agora é que o discurso do Presidente Bolsonaro em Davos foi um fiasco. É inacreditável!! Eu imagino o Brasil governado mais 4 anos pelos amigos PT, PSOL e PCdoB. Acabaríamos! A começar pela representação física à posse do ditador venezuelano!", disparou o vereador.

Carlos Bolsonaro

@CarlosBolsonaro

A narrativa dos bandidos agora é que o discurso do Presidente Bolsonaro em Davos foi um fiasco. É inacreditável! ! Eu imagino o Brasil governado mais 4 anos pelos amigos PT, PSOL e PCdoB. Acabaríamos! A começar pela representação física à posse do ditador venezuelano!

17,6 mil

07:56 - 23 de jan de 2019

Apesar do tom elevado, Carlos Bolsonaro não entrou do mérito do escândalo que veio à tona nesta terça envolvendo seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, que contratou a esposa e mãe do chefe do "escritório do crime", Adriano Magalhães da Nobrega, para trabalhar em seu gabinete. O miliciano, que está foragido, é um dos investigados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/381266/Carlos-Bolsonaro-diz-que-toda-a-imprensa-do-Brasil-e-do-mundo-%C3%A9-formada-por-bandidos.htm

O Brasil não pode ser governado por um miliciano. Por Joaquim de Carvalho


Bolsonaro em Davos

Um presidente que vivia no meio de marginais. A frase, dita pelo jurista Afrânio Silva Jardim, ecoa quando se assiste ao vídeo com o discurso de Jair Bolsonaro em Davos.

Olhos congelados, expressão de um homem frio, repetindo frases de efeito, para uma plateia mundial.

“Ele me dá medo”, resumiu o Prêmio de Economia (2013) Roberto Shiller. “O Brasil é um grande país e merece alguém melhor”, disse também. “Eu terei que ficar longe do Brasil”, acrescentou.

Ao mesmo tempo em que formadores de opinião como Shiller e a imprensa internacional definiam Bolsonaro exatamente como ele é — sinistro —, no Brasil as notícias colocavam não só Flávio, mas também o pai, alguns palmos abaixo na lama.

A família Bolsonaro enriqueceu na política com um discurso em que elogiava a ditadura e torturadores, e, ao mesmo tempo, abrigava criminosos em gabinetes públicos.

Um abrigo que não se resumia a homenagens ou discursos, mas envolvia dinheiro público também.

A mãe e a mulher de Adriano Magalhães, ex-capitão do Bope e suspeito de liderar o “Escritório do Crime”, eram assessoras de Flávio Bolsonaro.

Também a irmã de dois PMs presos sob a acusação de darem cobertura a extorsionários, recebiam do orçamento público, por nomeação do filho do presidente, na época deputado estadual.

Ao mesmo tempo, Flávio e o pai defendiam  de suas tribunas os milicianos, que, ao contrário do que ele dizem, não são bem-vistos nas comunidades, pela truculência e por cobrar por serviços que deveriam ser públicos.

No passado recente, o Brasil teve um sociólogo e um torneiro mecânico na presidência.

Agora, quando se olha para a figura de Bolsonaro discursando para a elite econômica do planeta, o que se vê é a imagem de um miliciano.

Um miliciano que tem respaldo do Exército e do juiz Sergio Moro, como muito bem definiu o ator José de Abreu.

Pode-se dizer muita coisa sobre isso, exceto que não se sabia que seria assim.

Na última eleição, o confronto era entre civilização e barbárie.

A velha imprensa sabia quem era Bolsonaro, mas preferiu não aprofundar questões delicadas, como a relação com as milícias.

Mostrar Bolsonaro exatamente como ele é significava jogar água para o moinho de Fernando Haddad, o candidato do Lula.

A figura de Bolsonaro evoca gritos de dor, gemidos, sangue, cadáveres encontrados na periferia ou em vielas de comunidade, no rastro deixado por homens que servem a uma organização que aceita receber dinheiro para matar seres humanos.

O “Escritório do Crime” desmontado ontem pelo Ministério Público fica na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Mas há outros escritórios do crime em pleno funcionando, nos palácios mais bem protegidos.

Urge desmontar estes também, para que o Brasil possa voltar a receber personalidades como o Prêmio Nobel de Economia de 2013.

Um presidente brasileiro não pode despertar medo.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-brasil-nao-pode-ser-governado-por-um-miliciano-por-joaquim-de-carvalho/

A verdade bate à porta, quer iluminar, romper trevas


Até as "lágrimas amargas" de Flavio Bolsonaro, enxugadas com a bandeira do Brasil, no momento em que o pai sofreu o atentado, foram usadas e abusadas por gente da família na manipulação da opinião pública, na campanha eleitoral, enquanto agia sorrateiramente nos subterrâneos da política em tenebrosas transações.

Nos últimos dias, a derrocada moral e o medo parecem ter acossado a família Bolsonaro. Um silêncio aziago baixou sobre as redes sociais dos filhos mais fervorosos.

Paralisados, de máscaras no chão, não sabem, por exemplo, se o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), antes de ser transferido do Ministério da Fazenda para debaixo das asas do ministro da justiça, Sérgio Moro, fez uma devassa na movimentação financeira dos Bolsonaro e dos seus mais próximos, e se cópias dos relatórios estão em mãos de autoridades e de pessoas da imprensa para serem divulgados aos poucos, em momentos oportunos. Não se sabe também qual a dimensão do escândalo e quem mais está envolvido na teia de mal feitos.

A liminar do ministro amigo, Luiz Fux, do STF, para estancar as investigações, é vergonhosa e temporária. O ministro Marco Aurélio de Melo vem aí, deve manter a continuidade das investigações na primeira instância, no Rio de Janeiro, tendo em vista a ocorrência dos fatos quando Flavio Bolsonaro era deputado estadual.

O mesmo deve acontecer com Jair Bolsonaro e a primeira dama, Michele Bolsonaro, também envolvidos nas transações do motorista Fabrício Queiroz, consideradas fatos anteriores à posse do presidente.

O problema é que o desdobramento do caso tem apresentado surpresas cada vez mais graves, principalmente suspeição de proximidade da família Bolsonaro com o crime organizado.

Fabrício Queiroz, além de movimentar vultosas quantias em contas bancárias com a família Bolsonaro, tem registrado em seu currículo pelo menos dez autos de resistência (assassinato de pessoas sob alegação de resistência à prisão ou legítima defesa). Um homem cujas transações com dinheiro, apontadas no relatório do COAF, mostrou ter agido na clandestinidade, como agente de atos escusos de pessoas da família Bolsonaro.

As investigações sobre a morte da socióloga e vereadora Marielle Franco e de seu assessor Anderson Gomes não estão concluídas, nem as circunstâncias da morte esclarecidas.

As autoridades têm o dever de investigar e prestar contas à sociedade, apresentar provas se esse crime tem relação com a disputa eleitoral no Rio de Janeiro ou não, para que não pairem dúvidas.

Marielle era um nome forte na disputa por uma vaga no Senado, para a qual Flávio Bolsonaro foi eleito. Ela era também um nome consistente para o governo do Estado do Rio de Janeiro e para a Presidência da República. Uma liderança de alto quilate, de formação intelectual e acadêmica sólida, que encaixava perfeitamente no momento político do país.

A apresentação do ministro Sérgio Moro, por Jair Bolsonaro, em Davos, como a cereja amarela do bolo do governo, no combate à corrupção, na segurança pública, e o cancelamento da coletiva que o presidente daria, são os mais recentes sintomas de um governo que até o momento tenta se equilibrar sobre bases construídas com mentiras. Um governo que não governa. Defende-se.

A farsa da Lava-Jato, armada para prender o ex-presidente Lula e retira-lo das eleições de 2018, está exposta na praça, ao sol do meio dia, é de conhecimento público internacional.

O medo da imprensa é o medo das perguntas sobre os acontecimentos no Brasil, que estão escandalizando o mundo.

A verdade bate à porta, quer entrar, iluminar, romper trevas.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/laurezcerqueira/381117/A-verdade-bate-%C3%A0-porta-quer-iluminar-romper-trevas.htm

Haddad: ligação da família Bolsonaro com as milícias é antiga


Ricardo Stuckert

247 - O candidato que recebeu 47 milhões de votos no segundo turno das eleições presidenciais de 2018, Fernando Haddad, partiu para cima dos Bolsonaros e afirmou que a ligação da família com as milícias é 'antiga'. Haddad disse: "tem uma matéria da Folha do ano passado que fala que a evolução patrimonial da família Bolsonaro não foi explicada. Tem aquisição de imóveis por valores muito abaixo do mercado. Em 2008 a própria esposa dele deu declarações que a renda dele superava R$ 100 mil à época."

A reportagem do jornal Folha de S. Paulo atualiza o escândalo que toma conta da cena política brasileira: "foi revelado nesta terça (22) que um dos filhos do presidente —o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ)— empregou em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio a mãe e a mulher de um ex-policial suspeito de comandar milícias no Rio."

O jornal destaca a fala do ex-prefeito Fernando Haddad: "o ex-prefeito de São Paulo aproveitou para ironizar a falta de explicações de Flávio Bolsonaro quanto às movimentações atípicas de dinheiro em sua conta. 'Se o filho [Flávio Bolsonaro] conseguir explicar essa evolução patrimonial ele deveria substituir o Paulo Guedes, porque ele seria um gênio. Fica aqui o compromisso de que nós não o acusaríamos de nepotismo', disse Haddad."

Haddad ainda indagou: "como é que alguém consegue tudo isso com salário de deputado?

O ex-candidato à presidência afirmou que a presença de Bolsonaro em Davos foi constrangedora: "em Davos, o presidente sequer conseguiu falar o que queria. [...] O sujeito teve 30 anos para se preparar e faz um discurso daquele em seis minutos".

O também ex-ministro da educação disparou contra Bolsonaro no quesito proficiência: "quem é o Bolsonaro para julgar o trabalho de um educador? Uma pessoa que não consegue articular dez palavras."

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/381221/Haddad-liga%C3%A7%C3%A3o-da-fam%C3%ADlia-Bolsonaro-com-as-mil%C3%ADcias-%C3%A9-antiga.htm

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Sem prestígio e sem agenda, Bolsonaro almoça sozinho em Davos


247 - Evidenciado e desprestígio do governo de Jair Bolsonaro (PSL), o presidente foi flagrado almoçando no bandejão de um supermercado no centro de Davos, onde está para particicipar do Fórum Mundial.

"3,5 mil participantes e 70 chefes de estado e governo. Mas Bolsonaro almoçando sozinho em Davos", afirmou o correspondente do jornal O Estado de S. Paulo, Jamil Chade, em sua página nas redes sociais.

Segundo fontes, Bolsonaro estava com um pequeno grupo de seguranças. Foi até o self-service do supermercado Migros, uma rede popular na Suíça, para almoçar. De acordo com relatos de brasileiros que estavam no local, ele comeu um sanduíche e tomou um refrigerante.
Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/381167/Sem-prest%C3%ADgio-e-sem-agenda-Bolsonaro-almo%C3%A7a-sozinho-em-Davos.htm

Boulos: homenagem de Flávio a miliciano preso é escandaloso


247 - O coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, criticou mais uma série de relações escusas ligadas ao clã Bolsonaro que viera à tona nesta terça-feira (22). Um dos alvos da Operação Intocáveis, que prendeu nesta terça-feira (22) suspeitos de integrarem uma milícia que age em grilagem de terras no Rio de Janeiro, o major da Polícia Militar do Ronald Paulo Alves Pereira, foi homenageado pelo senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) em 2004. Na época, o filho mais velho do presidente Jair era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Além disso, Flávio Bolsonaro empregou a mãe do miliciano foragido em seu gabinete.

"Escandaloso! Flávio Bolsonaro homenageou por "dedicação e brilhantismo" miliciano preso hoje em operação policial. Cada vez mais, o escândalo das laranjas se aproxima perigosamente das milícias. Lavagem de dinheiro?", ressaltou Boulos.

Guilherme Boulos

@GuilhermeBoulos

Escandaloso! Flávio Bolsonaro homenageou por "dedicação e brilhantismo" miliciano preso hoje em operação policial. Cada vez mais, o escândalo das laranjas se aproxima perigosamente das milícias. Lavagem de dinheiro?

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10:13 - 22 de jan de 2019

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/381142/Boulos-homenagem-de-Fl%C3%A1vio-a-miliciano-preso-%C3%A9-escandaloso.htm

Presos milicianos suspeitos de matar Marielle e homenageados por Flávio Bolsonaro


Mídia NINJA | Reprodução/Globo | Reuters

247 – "O Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), com o apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, desencadeou na manhã desta terça-feira a Operação Os Intocáveis, em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, e outras localidades da cidade, que prendeu ao menos cinco suspeitos de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Os presos são integrantes da milícia mais antiga e perigosa do estado", informam os jornalistas Chico Otávio, Vera Araújo, Arthur Leal, Gustavo Goulart, Rafael Soares e Pedro Zuazo, em reportagem publicada no jornal O Globo. "Para a ação, que mobiliza cerca de 140 policiais, a Justiça expediu 13 mandados de prisão preventiva contra a organização criminosa. Os principais alvos da operação são o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira, o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe da milícia de Rio das Pedras; e o subtenente reformado da PM Maurício Silvada Costa, o Maurição."

Segundo a reportagem, o major Ronald Paulo Alves Pereira, de 43 anos, é investigado por integrar a cúpula do Escritório do Crime. Em outro texto, Chico Otávio e Vera Araújo dizem que os principais suspeitos do assassinato de Marielle Franco foram homenageados pelo senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). "Os dois principais alvos da Operação Intocáveis , o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega e o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, foram homenageados, em 2003 e 2004, na Assembleia Legislativa do Rio por indicação do deputado estadual Flávio Bolsonaro. O parlamentar sempre teve ligação estreita com policiais militares. Adriano, que ainda não foi encontrado pela polícia, chegou a receber a medalha Tiradentes, a mais alta honraria do Legislativo fluminense. Ronald, um dos presos na manhã desta terça-feira, ganhou a moção honrosa quando já era investigado como um dos autores de uma chacina de cinco jovens na antiga boate Via Show, em 2003, na Baixada Fluminense. Os dois são suspeitos de integrar o Escritório do Crime, um grupo de extermínio que estaria envolvido no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL)", informam os jornalistas.

Leia, abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre o caso:

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) desencadeou na manhã de hoje (22) uma operação para prender 13 integrantes de organização criminosa que atua em Rio das Pedras, Muzema e adjacências, todas no Rio de Janeiro.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) conta com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência, da Draco e da Core/Polícia Civil. Estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão.

Já foram presos pelo menos cinco dos integrantes da organização, entre eles um major da Polícia Militar; o tenente reformado também da PM Maurício Silva da Costa, o Maurição, que seria o chefe do grupo de milicianos, posto que dividia com o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Adriano Magalhães.

Segundo nota do MPRJ, as investigações, realizadas por meio de escutas telefônicas e notícias de crimes, recebidas pelo canal Disque Denúncia, “evidenciam que os denunciados estão envolvidos em atividades de grilagem, construção, venda e locação ilegais de imóveis; receptação de carga roubada; posse e porte ilegal de arma; e extorsão de moradores e comerciantes, mediante cobrança de taxas referentes a ‘serviços’ prestados.

Eles são acusados, ainda, de ocultação de bens adquiridos com os proventos das atividades ilícitas, por meio de ‘laranjas’; falsificação de documentos; pagamento de propina a agentes públicos; agiotagem; utilização de ligações clandestinas de água e energia; uso da força como meio de intimidação e demonstração de poder, para manutenção do domínio territorial na região de Jacarepaguá.

Segundo ainda o Ministério Público, foram denunciados Ronald Paulo Alves Pereira (conhecido como major Ronald); Marcus Vinicius Reis dos Santos (Fininho); Manoel de Brito Batista (o Cabelo); Júlio Cesar Veloso Serra; Daniel Alves de Souza; Laerte Silva de Lima; Gerardo Alves Mascarenhas (conhecido como Pirata); Benedito Aurélio Ferreira Carvalho (o Aurélio); Jorge Alberto Moreth (Beto Bomba), Fabiano Cordeiro Ferreira (Mágico) e Fábio Campelo Lima.

Apuração

O MPRJ informou que “as relações estabelecidas entre os criminosos e a natureza das funções desempenhadas por cada um deles na hierarquia da organização, tais como segurança (ou braço armado), agente de cobrança de taxas, lavagem de dinheiro (na figura de laranjas), agiotagem e forte atuação no ramo ilegal imobiliário”.

A denúncia indica que o Capitão Adriano, o Major Ronald e o tenente reformado da PM Maurício Silva da Costa são os líderes da organização. Já Jorge Alberto Moreth (o Beto Bomba) é presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, cargo que, segundo o MP, “foi conquistado a partir de ameaças e uso de força, sendo exatamente nesta organização social onde se consolidam as transações de compra e venda dos imóveis construídos ilegalmente e a manipulação de documentos necessários à concretização de operações ilícitas”.

Homicídios

As informações divulgadas pelo Ministério Público sustentam que alguns dos integrantes do grupo também respondem pelo homicídio de Júlio de Araújo, em 24 de setembro de 2015. Araújo foi executado a queima roupa com disparos de arma de fogo desferido em sua cabeça, no que o MP acredita ter sido um crime de queima de arquivo.

Na denúncia, o MPRJ requer a condenação dos denunciados, incursos, com variações conforme a atuação de cada um, em penas que vão desde acusações de promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa, com pena de reclusão de três a oito anos, e multa; até acusações de assassinatos.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/sudeste/381128/Presos-milicianos-suspeitos-de-matar-Marielle-e-homenageados-por-Fl%C3%A1vio-Bolsonaro.htm

Flávio Bolsonaro empregou a mãe do chefe do Escritório do Crime


247 - Raimunda Veras Magalhães, mãe do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, neste momento foragido da Operação "Os Intocáveis" e suspeito de envolvimento com o assassinato da ex-vereadora do Rio Marielle Franco (Psol), foi funcionária do gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL) e aparece em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras como uma das remetentes de depósitos para Fabrício Queiroz, ex-assessor do parlamentar. O filho dela, o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, homenageado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) por Flávio Bolsonaro, já foi preso duas vezes, suspeito de ligações com a máfia de caça-níqueis.

Segundo o Coaf, Raimunda depositou R$ 4,6 mil na conta de Fabrício Queiroz. Ela aparece na folha da Assembleia Legislativa do Rio com salário líquido de R$ 5.124,62.

O curioso é que o filho presidente Jair Bolsonaro também homenageou o filho dela, Adriano Magalhães da Nóbrega, que está foragido. Em 2003, o então deputado estadual propôs moção de louvor e congratulações a Adriano por prestar "serviços à sociedade com absoluta presteza e excepcional comportamento nas suas atividades".

Adriano foi preso duas vezes, suspeito de ligações com a máfia de caça-níqueis. Em 2011 ele foi capturado na Operação Tempestade no Deserto, que mirou o jogo do bicho.

Ele também era tido pelo Ministério Público do Rio como o homem-forte do Escritório do Crime, uma organização suspeita do assassinato de Marielle Franco e que nasceu da exploração imobiliária ilegal nas mãos de milicianos. Era formada pistoleiros da cidade e foi alvo da Operação Os Intocáveis, nesta terça-feira (22), no Rio. Suspeitos de matarem a ex-parlamentar e homenageados por Flávio Bolsonaro foram presos (veja aqui).

O policial é acusado há mais de uma década por envolvimento em homicídios. Adriano e outro integrante da quadrilha foram homenageados por Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/sudeste/381132/Fl%C3%A1vio-Bolsonaro-empregou-a-m%C3%A3e-do-chefe-do-Escrit%C3%B3rio-do-Crime.htm

domingo, 20 de janeiro de 2019

Procurado, Sergio Moro se cala sobre Bolsogate: sem comentários


Marcello Casal jr/Agência Brasil

O juiz que prendeu Lula por fatos indeterminados e agora se nega a comentar as provas sobre Flavio Bolsonaro foi procurado pelo jornal O Globo neste domingo e respondeu "sem comentários"; atual ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Moro já não faz há dias comentários em público sobre o escândalo, o que vem sendo criticado por figuras públicas como Leo Jaime e Felipe Neto

20 de Janeiro de 2019 às 18:47 // Inscreva-se na TV 247 Youtube

247 - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que já não fazia comentários em público sobre o escândalo envolvendo a família Bolsonaro, foi procurado neste domingo 20 pelo jornal O Globo para dar sua opinião sobre o caso, mas respondeu "sem comentários".

Ele segue a lei do silêncio baixada no Planalto para tentar blindar o Bolsonaro pai, num momento em que o filho mais velho, o senador eleito Flávio Bolsonaro, não dá explicações sobre as transações suspeitas de seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

Seu silêncio vem sendo criticado por figuras públicas como Leo Jaime e o Youtuber Felipe Neto, além de políticos como Cristovam Buarque e o cientista político Luis Felipe Miguel.

O caso tomou uma proporção muito maior neste fim de semana, com a entrada da Globo na guerra contra o clã que governa o País e a revelação de que as transações suspeitas de Queiroz não se limitam ao valor de R$ 1,2 milhão em um ano, mas sim R$ 7 milhões em três anos, além de 48 depósitos fracionados na conta de Flávio Bolsonaro.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasilia/380964/Procurado-Sergio-Moro-se-cala-sobre-Bolsogate-sem-coment%C3%A1rios.htm

General começa a enquadrar os filhos de Bolsonaro


Num tuíte publicado na noite deste domingo 20, o general Paulo Chagas, que disputou o governo do Distrito Federal, começou a vocalizar a crescente insatisfação dos militares com a conduta dos filhos do presidente Jair Bolsonaro; "O Brasil não é uma Monarquia e a Família Bolsonaro não é a Família Imperial. Os filhos do Presidente não são Príncipes Herdeiros. Temos que separar as coisas. Filhos são filhos, políticos são políticos. Não são herdeiros da "Cadeira Presidencial", nem membros do governo", disparou

20 de Janeiro de 2019 às 21:15 // Inscreva-se na TV 247 Youtube

247 - Num tuíte publicado na noite deste domingo 20, o general Paulo Chagas, que disputou o governo do Distrito Federal, começou a vocalizar a crescente insatisfação dos militares com a conduta dos filhos do presidente Jair Bolsonaro.

"O Brasil não é uma Monarquia e a Família Bolsonaro não é a Família Imperial. Os filhos do Presidente não são Príncipes Herdeiros. Temos que separar as coisas. Filhos são filhos, políticos são políticos. Não são herdeiros da "Cadeira Presidencial", nem membros do governo", disparou.


General Paulo Chagas @GenPauloChagas

O Brasil não é uma Monarquia e a Familia Bolsonaro não é a Família Imperial. Os filhos do Presidente não são Príncipes Herdeiros.
Temos que separar as coisas. Filhos são filhos, políticos são políticos. Não são herdeiros da "Cadeira Presidencial", nem membros do governo.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/380967/General-come%C3%A7a-a-enquadrar-os-filhos-de-Bolsonaro.htm

Militares colocaram a quadrilha no poder; só Lula resolve a crise


Por Mauro Lopes, editor do 247 e dos Jornalistas pela Democracia - Durou 20 dias o governo Bolsonaro. A revelação de que em apenas três anos o esquema do clã girou, só nas mãos do caixa-PM Fabrício Queiroz, R$ 7 milhões para sustentar o clã Bolsonaro liquidou com tudo. A questão é: foram os militares que colocaram a quadrilha no poder e eles -os militares- sabiam muito bem o que estavam fazendo. Eles são parte do problema e não solução. O país precisa de iniciar um caminho de reconciliação nacional, de um novo pacto orientado pelos interesses da maioria. Só uma pessoa no Brasil pode fazer isso, e ele está na cadeia. Lula, como Mandela, precisa ser libertado para impedir que o país entre em convulsão.

A quadrilha Bolsonaro atua em duas dimensões, como começa a ficar claro agora -e, repita-se, os militares já sabiam.

A primeira é a da gatunagem mais rasteira, o que não quer dizer que os valores sejam irrisórios. R$ 7 milhões é ainda pouco, como os R$ 1,2 milhão o eram. Trata-se de dinheiro de apenas três anos de um esquema que funciona há pelo menos 20 anos, desde meados-fim da década de 1990. E o que se apurou até o momento é apenas o caixa automático de Queiroz. Tem mais, muito mais, e os militares sabiam.

A segunda é o envolvimento visceral dos Bolsonaro com as milícias -os bandos paramilitares que atuam no Rio de Janeiro debaixo dos olhos das autoridades. O jornalista Luís Nassif avançou um pouco neste domingo nas revelações sobre a articulação do clã com os milicianos no Rio (aqui). Hoje já está patente que o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, há 10 meses foi obra de milicianos. Não é por outro motivo que funcionários federais que postaram nas redes sociais mensagens a favor da apuração do crime estão na lista de demissões do bolsonarismo. Os militares sabiam e sabem da articulação política do clã com os milicianos e, depois da intervenção fardada no Rio, nada fizeram para desarticular o esquema. 

A responsabilidade dos militares não se limita ao conhecimento que tinham e têm sobre a quadrilha. Seus maiores líderes foram protagonistas diretos da chegada de Bolsonaro ao poder. Foi uma intervenção direta e pública do comandante do Exército, general Villas-Bôas na noite de 3 de abril de 2018, que selou a sorte de Lula, levando o STF a negar-lhe um habeas corpus que mudaria o destino político do país (aqui). Não é por outro motivo que, de maneira escancarada, escandalosa, no dia seguinte à sua posse, Bolsonaro, responsabilizou Villas-Bôas diretamente por sua condução à Presidência: "General Villas Bôas, o que já conversamos ficará entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui", disse Bolsonaro em discurso na na posse do novo ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva (aqui).

Outro general que foi decisivo para a que Bolsonaro empalmasse o poder foi o general Sergio Etchegoyen, antecessor do general Augusto Heleno como ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Etchegoyen, da chamada "linha dura" militar, insubordinou-se, na condição de general da ativa, contra a Comissão Nacional da Verdade que apontou seu pai, Leo, e seu tio Cyro, como envolvidos diretamente com torturas durante o regime militar (aqui), Ele tornou-se um inimigo declarado do PT e, nesta condição, foi alçado por Temer a ministro-chefe do GSI, de onde atuou decididamente a favor de Bolsonaro -não é irrelevante dizer que foi ele, em nome do governo Temer, quem visitou Bolsonaro depois da facada, ainda no hospital de Juiz de Fora, numa operação de segurança que não se via desde o fim da ditadura e, na sequência, tornou-se corriqueira com o novo regime. Pois Etchegoyen já está arrumando sua boquinha no governo Bolsonaro (aqui), que tem sido publicamente grato a quem o conduziu ao poder.

No novo regime, os militares detêm postos estratégicos. São fiadores e e árbitros. Mandam e desmandam. Já são 45 militares nomeados para postos-chave no governo Bolsonaro (aqui) e o número aumenta a cada dia. Seis deles são ministros. Nem no regime militar havia tantos militares nos governos.

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, que tem procurado se apresentar como alternativa a Bolsonaro, integra o clube dos generais que empalmaram o poder. Sua contribuição mais destacada no início do governo foi a vitória numa batalha decisiva: garantiu a seu filho Antônio Hamilton uma promoção a assessor da presidência do Banco do Brasil, com um salário de R$ 36,3 mil, o triplo do atual (aqui).

O país está imerso numa onda de ódio, às voltas com uma quadrilha desqualificada na Presidência. Aos poucos, os fardados tentam se insinuar como solução. Mas os militares criaram o problema e são parte dele.

O país precisa reconciliar-se consigo próprio, necessita de um pacto nacional orientado pelos interesses da maioria. Um homem é a personificação desta possibilidade, e está na cadeia, feito prisioneiro político. É Lula. Seus mandatos como presidente foram orientados por essa direção. Por isso, colocou-se como presidente "paz e amor", ao contrário do atual, um nome de guerra e ódio.

Em seu tweet ao país na manhã deste domingo (20), Lula sinalizou que há solução para o fim do governo Bolsonaro. "O Brasil ainda vai voltar a ser feliz!" -escreveu Lula. Para isso é necessário que ele deixe a cadeia e assuma o comando das negociações para um novo pacto. 

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/blog/91/380951/Militares-colocaram-a-quadrilha-no-poder;-s%C3%B3-Lula-resolve-a-crise.htm

sábado, 19 de janeiro de 2019

Relatório do Coaf sobre Flávio Bolsonaro: pagamento de título de R$ 1 milhão sem indicar favorecido



Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução/YouTube

Do G1:

Um novo trecho do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), sobre movimentações bancárias atípicas de Flávio Bolsonaro, aponta um pagamento de R$ 1.016.839 de um título bancário da Caixa Econômica Federal. O Coaf diz que não conseguiu identificar o favorecido. Também não há data, e nenhum outro detalhe do pagamento.

O documento, obtido com exclusividade pelo Jornal Nacional, cita que o senador eleito tem operações muito parecidas com as feitas por Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito, apesar das datas serem diferentes.

Em comum nos dois relatórios do Coaf:

  • os depósitos e saques eram feitos em caixas de autoatendimento dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj);
  • as operações eram em espécie;
  • os valores era fracionados.

O novo relatório do Coaf analisa movimentações de Flávio Bolsonaro entre junho e julho de 2017. Foram 48 depósitos na conta do então deputados estadual, agora senador eleito pelo PSL do Rio.

Todos os depósitos foram no mesmo valor: R$ 2 mil – o limite permitido em dinheiro nos caixas automáticos da Alerj. No total, foram R$ 96 mil em cinco datas:

  • 9 de junho de 2017: 10 depósitos no intervalo de 5 minutos, entre 11h02 e 11h07;
  • 15 de junho de 2017: mais 5 depósitos, feitos em 2 minutos, das 16h58 às 17h;
  • 27 de junho de 2017: outros 10 depósitos, em 3 minutos, das 12h21 às 12h24;
  • 28 de junho de 2017: mais 8 depósitos, em 4 minutos, entre 10h52 e 10h56;
  • 13 de julho de 2017: 15 depósitos, em 6 minutos

O relatório que analisou as operações na conta de Flávio Bolsonaro foi um desdobramento do primeiro documento do Coaf. Nesse levantamento apareciam as movimentações do ex-assessor de Flavio, Fabrício Queiroz.

Queiroz movimentou, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, R$ 1,2 milhão. Ele recebeu 59 depósitos em dinheiro em valores fracionados que somavam R$ 216 mil. Entravam na conta dele no mesmo dia ou pouco dias depois do pagamento dos salários dos servidores. Queiroz também sacou R$ 159 mil em caixas automáticos dentro da Alerj. (…)

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/relatorio-do-coaf-sobre-flavio-bolsonaro-pagamento-de-titulo-de-r-1-milhao-sem-indicar-favorecido/

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Queiroz complica de vez Flavio Bolsonaro: 48 depósitos suspeitos, no valor de R$ 98 mil


247 - Um trecho do Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgado na noite desta sesta-feira, 18, pelo Jornal Nacional, complica de vez a situação do deputado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

O relatório do Coaf traz informações sobre movimentações financeiras de uma conta corrente de Flávio Bolsonaro, entre junho e julho de 2017. Neste período, o Coaf registrou 48 depósitos em espécie na conta do senador eleito, concentrados no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Assembleia Legistativa do Rio (Alerj), e sempre no mesmo valor: R$ 2 mil.

O Coaf diz que não foi possível identificar quem fez os depósitos. O relatório afirma que o fato de terem sido feitos de forma fracionada desperta suspeita de ocultação da origem do dinheiro. O Coaf classifica que tipo de ocorrência pode ter havido com base numa circular do Banco Central que trata da lavagem de dinheiro.

A revelação foi feita um dia depois que Flávio Bolsonaro pediu e o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a investigação. Ele foi citado no procedimento aberto pelo Ministério Público do Rio contra Fabrício Queiroz. O ex-assessor de Flávio Bolsonaro é investigado por movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão durante um ano.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/sudeste/380850/Queiroz-complica-de-vez-Flavio-Bolsonaro-48-dep%C3%B3sitos-suspeitos-no-valor-de-R$-98-mil.htm

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Partido governista: Síria não vai tolerar terroristas e base dos EUA em seu território


Soldados da artilharia do exército sírio na província de Idlib, no noroeste da Síria (foto de arquivo)

© Sputnik / Iliya Pitalev

Oriente Médio e África

13:36 17.01.2019URL curta

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A Síria não vai tolerar a presença de forças invasoras e de ocupação em seu território, o que compreende tanto a presença de terroristas na província de Idlib, como a base norte-americana em Al-Tanf, afirmou nesta quinta-feira (17) aos jornalistas o vice-secretário-geral do partido governista Baath, Hilal Hilal.

"Não é de todo culpa nossa que eles [terroristas] estejam aqui. Será que devemos tolerar sua presença na nossa terra? Eles podem abandonar o nosso território e ir para qualquer outro território do mundo. É problema deles. Isso não tem nada a ver conosco. Mas estes grupos têm duas opções: ou abandonar a terra síria, ou enfrentar a força do Exército Árabe Sírio", apontou Hilal.

Militar norte-americano na cidade de Manbij, Síria

© AP Photo/ Hussein Malla

'Esta não é uma luta dos EUA': forças americanas precisam deixar a Síria, diz repórter

De acordo com ele, esse território agora está controlado por organizações extremistas, como a Frente al-Nusra (proibida na Rússia e em vários outros países), apoiadas do exterior.

"Acreditamos que o nosso direito natural é conseguir que todos os grupos terroristas abandonem Idlib, bem como todas as outras partes da Síria", frisou o vice-secretário-geral.

O político apontou que o mesmo se passa com a base norte-americana em Al-Tanf, quando perguntado sobre as intenções de impedir os EUA de preservarem a base no território da Síria.

"A Síria tem o direito natural de defender cada pedaço de sua terra de uma ocupação estrangeira. Isso foi sempre dito pelo presidente sírio, Bashar Assad. E nós acreditamos que qualquer base militar criada em terra síria sem autorização do presidente e do governo sírio é uma presença de forças invasoras e de ocupação", afirmou.

"Nós, sem dúvidas, iremos lutar contra a presença de tais bases em nosso território. Trata-se não somente de bases militares, mas também de indivíduos particulares que estão envolvidos nessa atividade, de formações armadas e de Estados inteiros", ressaltou Hilal Hilal.

Fonte: https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019011713128855-siria-terroristas-eua-base-partido-baath/

Gisele Bündchen, brasileira mais conhecida no planeta, pressiona Bolsonaro e ruralistas

 

Fotos: Reuters

247 - Depois de responder indiretamente nas redes sociais aos ataques que sofreu da ministra da Agricultura, Gisele Bündchen, a brasileira mais conhecida e prestigiada no mundo (ao lado de Lula) mandou uma carta nesta quarta-feira (16) para Tereza Cristina (DEM) na qual  responde às críticas. Na segunda-feira, a ministra atacara Gisele, acusando-a criticar o Brasil "sem conhecimento de causa" e dizendo que ela integra o grupo de "maus brasileiros" que se insurgem contra a política ambiental que prevalece no país desde o golpe. Embaixadora da Boa Vontade da ONU para o Meio Ambiente, indicou na carta que a ministra não tem a menor ideia de seu conhecimento e importância no cenário global. O texto é desmoralizante para Tereza Cristina e o bolsonarismo, pois revela que o atual governo está completamente alheio ao que acontece no mundo.

Escreveu Gisele: "Desde 2006 venho apoiando projetos e me envolvendo com causas socioambientais no Brasil (através da doação de parte da renda da venda de produtos licenciados com meu nome a diversos projetos relacionados à água e florestas até o apoio e realização de projeto de reflorestamento de mata ciliar na minha cidade natal). Já visitei a Amazônia algumas vezes e conheci de perto a realidade da região norte de nosso país. Em decorrência do meu trabalho relacionado ao meio ambiente fui convidada para ser Embaixadora da Boa Vontade da ONU para o Meio Ambiente e também pelo presidente da França para participar do lançamento do Pacto Global para o Meio Ambiente na Assembleia Geral da ONU nos Estados Unidos, além de ter participado de inúmeros encontros com presidentes de empresas, universidades, cientistas, pesquisadores, agricultores e organizações do meio ambiente, onde pude trocar informações e aprender cada vez mais sobre como cuidar do nosso planeta."

No texto, Gisele demarca distância com os interesses representados pela ministra, os dos ruralistas, grande proprietários de terras, e sua trajetória pessoal e familiar: "Sou uma apaixonada pela natureza e tenho uma conexão muito forte com a terra. Nasci no interior do Brasil, onde a agricultura sempre foi fundamental para a economia e desenvolvimento de todos os municípios do entorno. Meus avós também praticavam agricultura familiar".

Leia a íntegra da carta de Gisele Bündchen

Excelentíssima Senhora Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina

Escrevo respeitosamente à senhora para me manifestar em relação a alguns comentários que foram feitos e que dizem respeito à minha pessoa em sua entrevista no dia 14 de janeiro ao veículo Jovem Pan. Causaram-me surpresa as referências negativas ao meu nome, pois tenho orgulho de ser brasileira e sempre representei meu país da melhor forma que pude.

Primeiramente, gostaria de dividir com a senhora um pouquinho da minha trajetória. Sou uma apaixonada pela natureza e tenho uma conexão muito forte com a terra. Nasci no interior do Brasil, onde a agricultura sempre foi fundamental para a economia e desenvolvimento de todos os municípios do entorno. Meus avós também praticavam agricultura familiar.

Valorizo e prezo muito o papel tão importante que a agricultura e os agricultores têm para o nosso país e nosso povo, mas ao mesmo tempo acredito que a produção agropecuária e a conservação ambiental precisam andar juntas, para que nosso desenvolvimento possa ser sustentável e longevo.

Desde 2006 venho apoiando projetos e me envolvendo com causas socioambientais no Brasil (através da doação de parte da renda da venda de produtos licenciados com meu nome a diversos projetos relacionados à água e florestas até o apoio e realização de projeto de reflorestamento de mata ciliar na minha cidade natal). Já visitei a Amazônia algumas vezes e conheci de perto a realidade da região norte de nosso país. Em decorrência do meu trabalho relacionado ao meio ambiente fui convidada para ser Embaixadora da Boa Vontade da ONU para o Meio Ambiente e também pelo presidente da França para participar do lançamento do Pacto Global para o Meio Ambiente na Assembleia Geral da ONU nos Estados Unidos, além de ter participado de inúmeros encontros com presidentes de empresas, universidades, cientistas, pesquisadores, agricultores e organizações do meio ambiente, onde pude trocar informações e aprender cada vez mais sobre como cuidar do nosso planeta.

Tendo ciência, através de diferentes fontes de informação, do alto grau de comprometimento e irreversibilidade que algumas ações governamentais poderiam trazer ao meio ambiente, como cidadã brasileira preocupada com os rumos da minha nação resolvi, em algumas oportunidades que entendi críticas e merecedoras de atenção, me manifestar.

A Senhora mencionou a grande quantidade de áreas protegidas no Brasil. Lamento, no entanto, ver notícias, como a do final do ano de 2018, com dados do Governo Federal divulgados amplamente na imprensa, que o desmatamento na Amazônia havia crescido mais de 13%, o que representava a pior marca em 10 anos. Um patrimônio inestimável ameaçado pelo desmatamento ilegal e a grilagem de terras públicas. Estes sim são os “maus brasileiros”.

Precisamos usar a tecnologia e todo conhecimento científico a favor da agricultura e da produtividade para que evitemos que novos desmatamentos possam ultrapassar o ponto de não retorno em que a degradação em curso do clima ameno se tornará irreversível.

Vejo a preservação da natureza não somente como um dever ambiental legal, mas também como uma forma de assegurar água, biodiversidade e condições climáticas essenciais para a produção agrícola.

Cara Ministra Teresa Cristina, seu papel como ministra da Agricultura – em um país onde clima, agricultura e floresta têm papel chave para nossa economia – é fundamental. Sei do desafio que tem pela frente e torço para que em seu mandato possam ser celebradas ações concretas que resultem em um Brasil mais sustentável, justo e próspero.

Ficarei muito feliz em poder divulgar ações positivas que forem tomadas neste sentido.

Com respeito,

Gisele Bündchen

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/380636/Gisele-B%C3%BCndchen-brasileira-mais-conhecida-no-planeta-pressiona-Bolsonaro-e-ruralistas.htm

Fux mata no peito e suspende investigação sobre Queiroz


247 - Foi o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) quem mandou parar nesta quarta-feira (16) o procedimento investigatório instaurado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro para apurar movimentações financeiras de Fabrício Queiroz consideradas "atípicas" pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ele atendeu pedido de Flávio Bolsonaro, deputado estadual e senador eleito pelo Rio, de quem Queiroz foi assessor. As investigações até o momento apontam para Queiroz como caixa do clã Bolsonaro, ao estilo de PC Farias para Collor e do coronel Lima para Temer. Uma filha de Queiroz, Nathalia, trabalhava no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados e participava do esquema investigado.

O Coaf apontou movimentação de R$ 1,2 milhão em uma conta bancária de Queiroz durante um ano sem que houvesse esclarecimento. Queiroz foi convocado duas vezes a depor pelo Ministério Público do Rio, mas não compareceu, sob o argumento de que tem problemas de saúde. Flavio Bolsonaro foi chamado, mas também não foi.

A decisão de Fux foi assinada nesta quarta-feira (16). O relator do caso, por sorteio, é o ministro Marco Aurélio Mello, mas, em razão do recesso do Judiciário, Fux, ministro de plantão, decidiu. Curiosamente, Fux, que é vice-presidente do Tribunal, assumiu o plantão durante o recesso judiciário no último dia 14 -e tomou a decisão dois dias depois. Durante o plantão, geralmente são decididos apenas casos urgentes. O STF retorna aos trabalhos em 1º de fevereiro, quando o processo deverá ser analisado pelo ministro Marco Aurélio Mello, que foi sorteado relator para o caso.

O ministro Fux tem se notabilizado por agir com enorme presteza contra o ex-presidente Lula. Foi ele quem em setembro cassou decisão do ministro Ricardo Lewandowski que autorizara entrevistas de Lula à imprensa. O presidente do STF, Antonio Dias Toffoli, em vez de sustentar a decisão original de Lewandowski, correu em apoio de Fux, numa sequência de decisões que surpreenderam o mundo jurídico.

No exercício da Presidência do Tribunal Superior Eleitoral tomou decisão em 1º de agosto na qual afirmava haver uma "inelegibilidade chapada" na candidatura do ex-presidente Lula, antes de qualquer julgamento no TSE ou STF. A candidatura de Lula sequer havia sido lançada, o que aconteceu apenas em 4 de agosto.

A mesma velocidade que Fux demonstrou contra Lula demonstra agora na defesa do clã Bolsonaro.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/380671/Fux-mata-no-peito-e-suspende-investiga%C3%A7%C3%A3o-sobre-Queiroz.htm

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

New York Times: leis afrouxadas na capital mundial do assassinato


247 - A repercussão sobre a liberação da posse de armas no Brasil teve impacto negativo no mundo. O jornal americano New York Times escreveu que as leis foram afrouxadas na "capital mundial do assassinato". Já o Financial Times lembrou que 61% dos entrevistados pelo Datafolha em dezembro no país afirmaram ser contra a liberação da posse de armas de fogo. O britânico The Guardian afirmou, com base em um estudo da ONG Sou da Paz, que o volume de registro de novas armas no Brasil aumentou de 3.900 para 33 mil em dez anos.

A reportagem do jornal Folha de S. Paulo sublinha ainda que "os jornais argentinos La Nación e Clarín foram outros que destacaram a medida. ​A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na tarde desta terça e tem efeito imediato. O texto (...) estende o prazo de validade do registro de armas de 5 para 10 anos e cria pré-requisitos objetivos que precisam ser apresentados a um delegado da Polícia Federal para autorização da posse."

"Também limita para quatro a quantidade de armas que uma pessoa pode comprar, com exceção daqueles que comprovarem a necessidade de ter mais do que isso, e exige que aqueles que vivam com crianças, adolescentes ou pessoas com deficiência apresentem uma declaração de que a residência possui cofre ou local seguro com tranca para guardar o armamento."

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/380481/New-York-Times-leis-afrouxadas-na-capital-mundial-do-assassinato.htm

Gleisi defendeu a paz


Ricardo Stuckert

É tocante ver a preocupação da mídia oligopolizada e da direita brasileira com a democracia .........na Venezuela.

Segundo tais forças, Maduro seria um "terrível ditador", mesmo tendo sido eleito em pleito limpo, porque o judiciário daquele país seria parcial e teria prendido o principal opositor político ao governo.

Isso me soa vagamente familiar. Não sei bem o porquê.

Mas voltemos à Venezuela.

Antes da chegada dos "terríveis bolivarianos" ao poder, não havia democracia alguma na Venezuela. O que havia era mero simulacro de democracia.

O que havia era o Pacto de Punto Fijo. Um pacto oligárquico articulado pelos EUA, pelo qual os partidos tradicionais e conservadores aceitaram alternar-se no poder, sem permitir a entrada de novos partidos. O objetivo, para os EUA, era garantir alguma estabilidade política na Venezuela, diante de sua importância como fornecedora de petróleo.

A realização de eleições presidenciais periódicas apenas entre os dois partidos conservadores (Ação Democrática-AD, de orientação socialdemocrata, e o Comitê de Organização Política Eleitoral Independente-COPEI, de tendência democrata-cristã), fez com que a Venezuela fosse apresentada como um exemplo raro de "democracia na América do Sul".

Tratava-se, é claro, de uma grosseira falácia. A bem da verdade, o sistema político gerado pelo Pacto de Punto Fijo era muito semelhante à política do "café-com-leite" da República Velha brasileira: por trás de uma fachada de democracia, escondia-se um sistema fortemente oligárquico e excludente.

Avalia-se que cerca de 50% da população teria sido excluída do exercício do voto desde os anos 60. Como o registro eleitoral era facultativo e como as zonas de inscrição estavam situadas apenas nas zonas mais prósperas do país, a população mais pobre não participava, na prática, de quaisquer decisões eleitorais. Além disso, o federalismo venezuelano era profundamente autoritário. Cabia ao Presidente da República nomear todos os governadores e prefeitos biônicos, muitos dos quais hoje militam na oposição venezuelana. Apenas em 1989 foram realizadas as primeiras eleições para prefeitos e governadores. Não bastasse, eram comuns as prisões de jornalistas, em razão da publicação de matérias que desgostassem o governo de plantão.

À exclusão política, somava-se a exclusão social e econômica da maior parte da população.

Antes do "cruel e ditatorial" governo bolivariano, a Venezuela, o país com a maior reserva de óleo do mundo, tinha 70% de sua população abaixo da linha da pobreza e 40% do seu povo na pobreza extrema. Isso diz tudo sobre os governos anteriores.

Antes do governo de Chávez, em 1998, 21% da população estavam subnutridos. É isso mesmo. No país que, como Celso Furtado escreveu em 1974, tinha tudo para se tornar a primeira nação latino-americana realmente desenvolvida, 1 em cada 5 habitantes passava fome. Essa era a Venezuela dos "capriles", dos "lópez" e da "oposição democrática".

O principal mérito do chavismo foi ter implodido o conservador e excludente modelo político venezuelano, baseado no Pacto de Punto Fijo. Com Chávez, assim como com Lula, Morales, Rafael Correa e outros, aqueles que não tinham voz e vez passaram a se fazer ouvir e a se fazer cidadãos. Passaram a comer, a se educar, a morar. Deixaram de ser invisíveis, miseráveis anônimos, e passaram a ser sujeitos de direitos.

Para a ONU, a Venezuela passou a ser modelo no cumprimento dos Objetivos do Milênio.

O chavismo, entretanto, foi além e organizou e mobilizou as massas destituídas da Venezuela, bem como passou a dominar setores importantes do aparelho de Estado, como as Forças Armadas e o poder judiciário. Isso acabou privando as oligarquias venezuelanas de seus principais instrumentos de intervenção política. São esses fatores que ajudam explicar a radicalidade do atual processo político venezuelano.

No entanto, o principal fator que induz a radicalidade do conflito da Venezuela é geopolítico.

A Venezuela está sentada na maior reserva provada de petróleo do mundo. São 298,3 bilhões de barris, ou 17,5% de todo o petróleo do mundo. Este petróleo está a apenas 4 ou 5 dias de navio das grandes refinarias do Texas. Em comparação, o petróleo do Oriente Médio está entre 35 a 40 dias de navio dos EUA, maior consumidor de óleo do planeta.

A própria formação do Estado venezuelano deu-se num contexto de estreita dependência econômica e política dos EUA. Com efeito, a consolidação do Estado Nacional venezuelano embasou-se na exportação de petróleo para o mercado norte-americano, o que levou à Venezuela a desenvolver "relações privilegiadas" com os EUA. Tal dependência estreita econômica e política marcou profundamente a política externa da Venezuela, bem como sua política interna.

Durante praticamente toda história venezuelana pré-Chávez, a Venezuela praticou uma política externa fortemente isolacionista, concentrada nas relações bilaterais com os EUA.

Esse isolacionismo da Venezuela, que privilegiava somente suas relações bilaterais com os EUA, fez até que aquele país aderisse tardiamente ao GATT, à Comunidade Andina e a outros organismos regionais e multilaterais, numa demonstração de total falta de iniciativa própria no cenário mundial.

Pois bem, Chávez implodiu não apenas o Pacto de Punto Fijo. Implodiu também essa política externa extremamente dependente.

De fato, no campo da política externa, Chávez rompeu com o paradigma anterior de país periférico e dependente e investiu na integração regional e no eixo estratégico da geoeconomia e geopolítica Sul-Sul, com destaque para as relações bilaterais com o Brasil, o que acabou conduzindo à adesão da Venezuela como membro pleno do Mercosul, algo que nos beneficia muito.

Ademais, Chávez estabeleceu relações próximas com Rússia, China e Cuba e passou a apoiar experiências políticas que divergiam da ordem mundial dominada pelos interesses dos EUA. Em contraste com o isolacionismo anterior, Chávez fundou a ALBA e criou a Petrocaribe, objetivando fornecer petróleo a preços convidativos para os países daquela região.

Mais recentemente, a Venezuela bolivariana, até mesmo em função do terrível bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA, está passando a exportar mais óleo para a China que para o mercado norte-americano.

Assim, no primeiro semestre do ano passado a Venezuela exportou, em média, 566 mil barris por dia para os EUA, a mais baixa exportação média dos últimos 60 anos, ao passo que as exportações para a China, no mesmo período, se situaram em 640 mil barris/dia.

Observe-se que o governo Maduro já acertou com a China um empréstimo de US$ 5 bilhões para aumentar sua exportação em 500 mil barris /dia. Na realidade, a Venezuela, em razão de seguidos empréstimo tomados à China e à Rússia, está comprometendo as sua reservas de óleo àqueles países.

Os EUA, que substituíram o terrorismo pela grande luta pelo "poder mundial" com a China e a Rússia como sua grande prioridade geoestratégica, não estão gostando nada desse cenário que ameaça privá-los da maior fonte de energia do planeta, situada em seu "quintal".

É dentro desse contexto geopolítico que deve ser entendida a hipócrita "preocupação" dos EUA, do Grupo de Lima e do grande democrata Bolsonaro com a democracia venezuelana.

Essa "preocupação com a democracia" levou os EUA a apoiarem o golpe de Estado contra Chávez, em 2002, que quase resultou em sua execução sumária, o "paro petrolero" do período 2002-2003, que, com a suspensão das atividades da PDVSA, controlada então pelas oligarquias venezuelanas, resultou numa contração do PIB de 18%, o processo violento do "la salida", que levou a oposição venezuelana a introduzir uma guerra civil surda na Venezuela e, mais recentemente, um bloqueio econômico e financeiro brutal, somado à promessa de uma intervenção militar naquele país. Tudo muito democrático.

Na realidade, os EUA, seus aliados e a direita latino-americana de um modo geral nunca tiveram e não têm qualquer compromisso histórico com a democracia. Sempre que quiseram, jogaram às favas todos os seus supostos "compromissos" democráticos e promoveram quarteladas e golpes à larga. Apoiaram e apoiam as piores ditaduras, desde que atendam a seus interesses.

Em tempos recentes, tais forças vêm se empenhando na desestabilização de todos os governos e regimes progressistas da região, mediante guerras híbridas, que muitas vezes resultam em "golpes brancos", tal como aconteceu no Brasil.

Nesse cenário, não resulta difícil entender porque a Venezuela não está em situação de normalidade democrática, embora o governo atual esteja muito longe de ser uma ditadura, como apregoam os desinformados. Também não resulta difícil entender porque há uma crise econômica grave naquele país, que penaliza muito seu povo.

A situação, evidentemente, é séria.

Mas o que os EUA e aliados vêm fazendo é apostar no acirramento do conflito, com vistas à derrubada pela força do regime bolivariano.

Trata-se de aposta de alto risco.

O conflito venezuelano tem tudo para se internacionalizar, com os EUA e seus satélites apoiando uma oposição de extrema direita e China e Rússia apoiando os bolivarianos. Teríamos, assim, uma situação de instabilidade crônica muito parecida como a que se desenvolve, há décadas, no Oriente Médio.

Obviamente, isso não é do interesse do Brasil, principal beneficiário da integração regional e do entorno de paz e prosperidade que ela trouxe.

Muitos reclamam da imigração de venezuelanos. Mas tal imigração seria multiplicada, caso ocorra um conflito mais sério.

Por isso, os governos do PT vinham investindo no estímulo à negociação e à solução pacífica das controvérsias, até mesmo em obediência aos princípios constitucionais da nossa política externa. Atuávamos, na Venezuela, como mediadores e facilitadores do diálogo. O próprio Capriles, principal líder da oposição, reconhecia o papel positivo do Brasil, na época. Dizia que só participava das negociações por causa do Brasil.

Nesse sentido, a ida de Gleisi à Venezuela deve ser entendida como uma visita de apoio não propriamente a Maduro, mas à paz e ao diálogo. Ela fez um contraponto à atitude irresponsável e belicista do governo Bolsonaro, que, em obediência cega ao Império, quer incendiar a Venezuela, com consequências desastrosas para o povo venezuelano e para os interesses objetivos do Brasil.

A direita não está preocupada com democracia. Também não está preocupada com o povo venezuelano. Está preocupada com o petróleo e os lucros que ele pode trazer. Se, para isso, tiver que destruir a democracia e provocar uma guerra, que seja.

É muito difícil defender a paz e o diálogo nesse cenário de belicismo e desinformação. Mas Gleisi Hoffmann teve a coragem de fazê-lo.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/marcelozero/380305/Gleisi-defendeu-a-paz.htm

Temer, Moreira Franco, Padilha, Queiróz, Lorenzoni. Cadê o Moro?


Por Ricardo Melo, do Jornalistas pela Democracia

O ministro da Justiça Sérgio Moro é o típico personagem deste governo que espanta o país e o mundo. Quando juiz de Curitiba, posou de valentão e vestiu a fantasia de Torquemada. Um artigo de jornal, um pedalinho e um roupão com iniciais eram suficientes para incriminar o ex-presidente Lula. Em nome de indícios tão "robustos", humilhou o maior líder popular da história do país. Terminou por confinar Lula a uma solitária com base num processo fraudulento, enquanto combinava sua indicação para o gabinete de Jair Bolsonaro. Cometeu uma sucessão de crimes funcionais deliberadamente abafados pela corporação judiciária.

Moro agora está nu. Suas pretensas convicções de limpar o país, como se vê nos dias atuais, não passavam de parolagem para integrar o esquema destinado a destruir a oposição, o PT em particular.

Michel Temer, Moreira Franco, Eliseu Padilha, para não falar de outros, hoje são cidadãos comuns. Perderam o foro privilegiado que os mantinha a salvo da avalanche de processos de que são alvos. A somar as roubalheiras de que são acusados, a quantia supera em muito os supostos valores de que Lula é acusado, sem provas, de se beneficiar. Deveriam estar respondendo à Justiça a partir de primeiro de janeiro. Mas estão aí, livres, leves e soltos.

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

O caso do laranja Fabrício Queiróz é ainda mais escabroso. As evidências de que o cidadão manipulava verbas do povo em favor da famiglia Bolsonaro são claras como a luz solar. Após o vídeo em que o "brother" do clã contracena saltitante com uma haste de soro, embora alegue enfermidades para não depor, a situação dispensa maiores comentários. A título de comparação: quem não se lembra, por exemplo, de que o ex-ministro Guido Mantega foi preso no mesmo hospital Albert Einstein num momento em que sua mulher passava por uma cirurgia de risco? Precisa desenhar?

Do ministério atual nem é preciso se estender. O chefe do meio ambiente é acusado de intermediário em transações irregulares de licenças ambientais. A ministra veneno, da Agricultura, está encrencada com negociatas com a JBS. E o Lorenzoni? Acusado de caixa-dois, foi perdoado por Moro porque "reconheceu" o erro. A sentença mais rápida do oeste. Mas aí apareceu outra denúncia contra o mesmo Lorenzoni. O ministro da Justiça deve achar que "não vem ao caso", como dizia diante dos argumentos da defesa do ex-presidente Lula.

Sérgio Moro desmoraliza-se ainda mais rápido do que quando foi ungido a "faxineiro" de improbidades. Em dobradinha com a procuradora Raquel Dodge e o STF, constitui a turma do abafa o caso. Quando interpelado, ou foge dos jornalistas ou muda de assunto: manda meia dúzia de soldados para o Ceará e não consegue conter o ataque de facções do crime organizado.

Demite funcionários que não podia e que continuam trabalhando pouco se lixando para seus decretos. Passa um vexame internacional no caso Cesare Battisti. Só lhe resta encarregar a mulher de postar twitters para defender as prevaricações do marido.

Quando o próprio ministro da Justiça é o primeiro a encobrir as aberrações e roubalheiras à sua volta, é impossível esperar qualquer coisa de positiva neste governo. Como, aliás, era de se prever. É daí para pior.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/ricardomelo/380378/Temer-Moreira-Franco-Padilha-Queir%C3%B3z-Lorenzoni-Cad%C3%AA-o-Moro.htm

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

PROBLEMAS NO ABASTECIMENTO DE ÁGUA DA PRAIA DO PREÁ


Cruz. Há meses que a população e visitantes da Praia do Preá, situada no Município de Cruz, há 300 Km de Fortaleza, Litoral Norte do Ceará, vem sofrendo com as constantes interrupções no fornecimento de água da comunidade, que é administrado pela Associação Comunitária do Preá. As donas de casas reclamam que a falta de água é uma constante, havendo período em que há falta de água várias vezes ao dia e quem mora mais distante da caixa d'água diz que são obrigados a conviverem com esta situação diariamente. Os que moram em partes mais elevadas da comunidade ou em apartamentos, são quem mais sofrem com esta situação.

A população reclama que, além das constantes interrupções no fornecimento de água, a cobrança pelo consumo da água é exorbitante. Feito um levantamento, para comparação com os preços cobrados nas comunidades vizinhas, a diferença é astronômica. É comum, consumidores pagarem um determinado valor por um certo período, e de repente chaga uma cobrança com preços altíssimos sem explicações. Quando há reclamação, a explicação é sempre a mesma: "Tem que pagar". É comum contas de R$ 80,00, 200,00, 400,00 Reais ou mais. Há aqueles que consomem mais e pagam menos e vice-versa. Casas fechadas recebem contas altíssimas. Há, até casos de pessoas que não pagam pelo uso da água, conforme podemos constatar em algumas visitas domiciliares que fizemos.

O Sistema de Abastecimento tem mais de 20 anos e foi feito para abastecer 200 famílias, mas, está se aproximando das 2.000 ligações e, diariamente, novas ligações são feitas para atender pousadas, restaurantes e o setor de construção civil. Cada nova ligação que é feita, a situação agrava-se mais

ainda.

As ligações são feitas sem nenhum critério técnico, agravando ainda mais a situação.

Na tentativa de amenizar a situação, a população recorre a prática clandestina de perfuração de poços, pondo em risco a contaminação do lençol freático, pois, estima-se que mais de 100 poços já tenham sido perfurados na comunidade e circunvizinhança.

A vizinha comunidade de Formosa, foi comtemplada com um sistema de abastecimento para atender a 74 famílias, mas houve uma intervenção da diretoria da Associação do Preá e sustou o projeto no valor de R$ 217.000,00, dizendo que ia executar o projeto para beneficiar a comunidade de Formosa e Praia do Preá e apresentou uma dívida de R$ 300.000,00, embora, não tenha sido autorizada pela Comunidade do Preá, pois, se quer foi consultada e jamais concordou com esta despesa.
Mas, vivemos uma realidade bem diferente. Esta água nunca resolveu o problema do Preá, passaram a cobrar pelo uso da água aos consumidores da Formosa, que passaram a pagar valores incompatíveis com as condições de vida das famílias daquela comunidade, além de serem prejudicadas por ficarem sem a reserva de caixa, pois, logo que falte energia, ou que as bombas deixem de funcionar, falta água nas torneiras. Isto não vem agradando a estes consumidores que estão sentindo-se enganados.

Um outro poço foi perfurado dentro da área de rebaixamento do lençol freático do poço já existente, que havia sido purado pelo Governo do Estado em Parceria com a Prefeitura de Cruz para abastecer a comunidade de Formosa,mas como não tinha outorga, nem autorização do proprietário e nem aprovação das comunidades, o serviço foi embargado.

A situação agrava-se mais ainda, porque a diretoria teve seu mandado encerrado em 31 de janeiro do ano passado, sem que houvesse eleição para renovação da diretoria. Fizeram uma simulação de eleição sem o devido comprimento das normas estatutárias. A Federação das Associações Comunitárias do Município de Cruz, não foi informada sobre esta eleição, e ao tomar conhecimento de que havia sido constituída uma comissão eleitoral sem aprovação em Assembleia Geral, conforme determina a Estatuto Social da associação, logo intimou o presidente da referida comissão para fazer os devidos esclarecimentos, mas, ao atender a convocação não comprovou a legalidade da constituição desta comissão.
A Federação emitiu uma nota esclarecendo a população sobre a ilegalidade desta eleição e aguardou o termino do mandado da diretoria para que fosse anunciada a vacância do cargo, mas, como não aconteceu, foi endereçado um oficio ao Presidente da Associação Senhor José Ivan Felix, solicitando a documentação referente a realização da eleição, mas, o mesmo não atendeu ao ofício e nem se manifestou. Isto comprova que, de fato e de direito não houve eleição, tratando-se de uma diretoria ilegítima, sem poderes legais para administrar a associação, embora continue no poder.
Outros problemas agravam mais ainda a situação da associação: Um terreno que havia sido doado pelo Senhor Tarcísio Irapuã Sales para construção de uma escola de artes e ofícios, foi vendido sem o conhecimento dos associados por um valor muito abaixo do preço de mercado, causando indignação entre os associados e a comunidade em geral, embora seja propagado que a venda foi autorizada pela população e de acordo com os doadores, afirmando que o referido terreno não tinha documento. Na verdade, não era de conhecimento dos associados, o terreno tinha documento de doação e os doadores discordaram desta venda. Outro agravante é que, como o imóvel foi doado com uma finalidade de uso, não poderia ter sido vendido. Ao tomarem conhecimento deste fato, os doadores do terreno tentaram contato com o presidente, mas, este não se apresentou e, o caso foi levado para ajustiça.

O sistema de esgotamento sanitário foi destruído e está totalmente abandonado.
Uma quadra de esporte da associação foi abandonada, a ferrugem destruiu os portões, o lixo tomou conta do local que está servindo para criação de animais.

A sede da associação está quase abandonada e cheia de lixo, pois não há serviços de limpeza e conservação de forma regular. Há mais de ano que não se faz uma reunião.

Os associados ou qualquer outro cidadão que precisar de uma informação é negada, inclusive, se souberem que alguém irá a sede para solicitar documentos ou informações, vai encontrá-la fechada. Fato que já se repetiu por várias vezes.

A Federação está ouvindo a população, que vem demonstrando insatisfação com esta situação e querem que haja o afastamento desta diretoria. A Federação está analisando a situação e logo tomará as medidas cabíveis.

Dr. Lima
Presidente da FAC