sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Após cinco leilões, multinacionais já são donas de 75% do pré-sal


Estudo da FUP (Federação Única dos Trabalhadores) após a 5ª Rodada de Licitação do Pré-Sal revela que as petrolíferas estrangeiras fizeram a festa e arremataram mais de 90% dos barris de petróleo leiloados; "Fazendo a equivalência entre os R$ 6,82 bilhões que o governo arrecadou em bônus de assinatura e o valor atual do barril de petróleo, chegaremos à bagatela de R$ 0,34 o preço médio pago por cada barril do Pré-Sal leiloado", conclui a entidade, que organiza, com seus sindicatos, mobilizações no Rio de Janeiro e em São Paulo

28 de Setembro de 2018 às 17:45 // Inscreva-se na TV 247 Youtube

247 - A FUP (Federação Única dos Trabalhadores) divulgou um estudo após a 5ª Rodada de Licitação do Pré-Sal, realizada nesta sexta-feira 28, e concluiu que as petrolíferas estrangeiras já são donas de 75% do pré-sal brasileiro. No leilão, foram arrematados por essas empresas mais de 90% dos 17,39 bilhões de barris de petróleo à venda. Leia abaixo o comunicado da FUP, que organiza protestos contra a entrega do petróleo brasileiro:

Após cinco leilões, multinacionais já são donas de 75% das reservas do pré-sal

Como já era previsto, as petrolíferas estrangeiras fizeram a festa durante a 5ª Rodada de Licitação do Pré-Sal, onde arremataram mais de 90% dos 17,39 bilhões de barris de petróleo que foram leiloados. Fazendo a equivalência entre os R$ 6,82 bilhões que o governo arrecadou em bônus de assinatura e o valor atual do barril de petróleo, chegaremos a bagatela de R$ 0,34 o preço médio pago por cada barril do Pré-Sal leiloado.

Para protestar contra mais esse crime de lesa pátria, a FUP e seus sindicatos realizaram manifestações em frente às sedes da Agência Nacional do Petróleo (ANP), no Rio de Janeiro, e da Petrobrás, na Avenida Paulista (SP), além de atos e mobilizações nas bases da petrolífera brasileira. Na terça-feira (25), a FUP também ingressou com uma Ação Civil Pública, cobrando a suspensão da 5ª Rodada.

Todos os quatro blocos ofertados pela ANP no leilão desta sexta-feira, 28, foram arrematados em questão de minutos. A britânica Shell e a norte-americana Chevron levaram sozinhas o bloco de Saturno, na Bacia de Santos, o mais valioso, com reservas estimadas em 8,3 bilhões de barris de petróleo. A ExxonMobil (EUA), a BP (Reino Unido), a CNOOC (China), a QPI (Catar) e a Ecopetrol (Colômbia) dividiram os outros dois blocos da Bacia de Santos (Titã e Pau Brasil), enquanto a Petrobrás se contentou com o bloco de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos, o menos disputado.

Esse foi o quarto leilão de campos do Pré-Sal, no Regime de Partilha de Produção, que o governo Temer, sem a legitimidade das urnas, realizou em dois anos de golpe. Neste curto espaço de tempo, as petrolíferas estrangeiras abocanharam a maior parte das reservas do Pré-Sal brasileiro que foram licitadas.

Ao todo, 13 multinacionais já se apropriaram de reservas equivalentes a 38,8 bilhões de barris de petróleo, de um total de 51,83 bilhões de barris que foram leiloados. Juntas, essas empresas concentram 75% das reservas, onde são operadoras em seis dos 14 blocos licitados.

As britânicas Shell e BP já acumulam 13,5 bilhões de barris de petróleo em reservas do Pré-Sal. Mais do que a própria Petrobrás, que detém 13,03 bilhões de barris em campos leiloados nas cinco rodadas da ANP. "É o pagamento do golpe. Ou alguém ainda tem alguma dúvida?", indaga o coordenador em exercício da FUP, Simão Zanardi Filho, lembrando que, assim que o impeachment da presidenta Dilma Rousseff foi aprovado no Senado, o Congresso aprovou imediatamente o projeto do senador José Serra (PSDB/SP), que, atendendo à promessa feita às petrolíferas estrangeiras, tirou da Petrobrás a exclusividade na operação do Pré-Sal e acabou com a obrigatoriedade da estatal ter participação mínima de 30% nos leilões.

"Essa foi a primeira de várias outras contas do golpe que foram pagas pelo povo brasileiro. Por isso, é fundamental elegermos um governo e um Congresso comprometidos com os interesses nacionais . Só assim, conseguiremos deter a entrega do Pré-Sal", afirma Simão.

Federação Única dos Petroleiros – FUP

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/economia/370416/Ap%C3%B3s-cinco-leil%C3%B5es-multinacionais-j%C3%A1-s%C3%A3o-donas-de-75-do-pr%C3%A9-sal.htm

Datafolha: Haddad abre seis pontos no 2º turno e seria eleito se a eleição fosse hoje


Ricardo Stuckert | Reuters

Pesquisa Datafolha divulgada na noite desta sexta-feira (28) mostra que o candidato Fernando Haddad foi de 16% para 22%; Jair Bolsonaro manteve os 28%; Ciro Gomes oscilou de 13% para 11%; Geraldo Alckmin oscilou de 9% para 10% e Marina Silva variou de 7% para 5%; no segundo turno, Haddad vence Bolsonaro pela primeira vez fora da margem de erro por 45% a 39%

28 de Setembro de 2018 às 21:05 // Inscreva-se na TV 247 Youtube

247 - Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (28) mostra que oi candidato Fernando Haddad cresceu seis pontos e chegou a 22%. Jair Bolsonaro estagnou em 28%.

Confira os números:

Jair Bolsonaro (PSL): 28%
Fernando Haddad (PT): 22%
Ciro Gomes (PDT): 11%
Geraldo Alckmin (PSDB): 10%
Marina Silva (Rede): 5%
João Amoêdo (Novo): 3%
Henrique Meirelles (MDB): 2%
Alvaro Dias (Podemos): 2%
Cabo Daciolo (Patriota): 1%
Vera Lúcia (PSTU): 1%
Guilherme Boulos (PSOL): 1%
João Goulart Filho (PPL): 0%
Eymael (DC): 0%
Branco/nulos: 10%
Não sabe/não respondeu: 5%

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/370439/Datafolha-Haddad-abre-seis-pontos-no-2%C2%BA-turno-e-seria-eleito-se-a-elei%C3%A7%C3%A3o-fosse-hoje.htm

Bolsonaro assume postura antidemocrática e diz que não aceitará derrota


REUTERS

O Brasil tem um problema sério a resolver: o representante da extrema direita, Jair Bolsonaro, que aparece atrás de Fernando Haddad em todas as simulações de segundo turno, mandou avisar que não aceitará sua provável derrota nas urnas; "Não posso falar pelos comandantes [militares]. Pelo que vejo nas ruas, não aceito resultado diferente da minha eleição", disse ele; neste fim de semana, foi revelado o processo em que sua ex-mulher o acusa de ocultação de patrimônio, de receber mais de R$ 100 mil por fora e até de roubar um cofre

28 de Setembro de 2018 às 19:30 // Inscreva-se na TV 247 Youtube

247 – O representante do neofascismo no Brasil, Jair Bolsonaro, que aparece atrás de Fernando Haddad em todas as simulações de segundo turno, mandou avisar que não aceitará sua provável derrota nas24 urnas. "Não posso falar pelos comandantes [militares]. Pelo que vejo nas ruas, não aceito resultado diferente da minha eleição", disse ele ao programa Brasil Urgente, da Band.

Neste fim de semana, foi revelado o processo em que sua ex-mulher o acusa de ocultação de patrimônio, de receber mais de R$ 100 mil por fora e até de roubar um cofre (leia mais aqui).

"Em 2015, eu aprovei o voto impresso, mas o Supremo derrubou. Não temos como auditar o resultado disso. A suspeição estará no ar. Se você ver como eu sou tratado na rua e como os outros são tratados, você não vai acreditar. A diferença é enorme", completou.

No entanto, em todas as pesquisas ele aparece atrás de Haddad nas simulações de segundo turno.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/poder/370430/Bolsonaro-assume-postura-antidemocr%C3%A1tica-e-diz-que-n%C3%A3o-aceitar%C3%A1-derrota.htm

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO ENCERRA CURSO EM JIJOCA


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Jijoca de Jericoacoara. Domingo, 16 de setembro, na Pousada Jincoara, foi realizada a entrega dos certificados aos concluintes do Curso de Difusão “Gestão e resistência de Organizações Populares que teve início dia 24 de março de 2018 com carga horária de 110 horas, nas modalidades a distância/presencial e contou com a participação de cursistas dos municípios de Bela Cruz, Cruz, Granja e Jijoca de Jericoacoara com 32 concluintes certificados. Além da entrega dos certificados, houve um momento de confraternização entre os participantes do curso. O Professor José Osmar Fonteles foi o coordenador do curso e um grande incentivador para que o curso alcançasse os seus objetivos.

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Na solenidade de entrega dos certificados, cada cursista fez uma breve avaliação sobre a importância e conteúdo do curso, que foi avaliado como de excelente qualidade, de um conteúdo muito rico e que muito contribuiu para a formação de uma consciência diferenciada sobre a Política Nacional e os movimentos sociais no Brasil.

Quem não compareceu à entrega dos certificados, deve comparecer à Pousada Jincoara, em Jijoca de Jericoacoara, para receber seu certificado. Mas deve comparecer o mais breve possível para evitar a devolução.

A Fundação Perseu Abramo (FPA) foi criada em 5 de maio de 1996 pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para desenvolver projetos de caráter político-cultural. Nomeada em homenagem ao jornalista Perseu Abramo, a fundação se auto define como um espaço para o desenvolvimento de atividades de reflexão político-ideológica, estudos e pesquisas, destacando a pluralidade de opiniões.

Dr. Lima

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Judiciário atrasa julgamento de 31 acusados de corrupção que poderão se candidatar


A Lava Jato, o STF e o TSE, composto por juízes privilegiados pelos quais ninguém votou, vêm mostrando cada vez mais que não vieram para combater a corrupção. Escolhem os prazos, os métodos e os acordos (inclusive com a ONU) que irão acatar a cada momento para botar sua marca no resultado das eleições, impedindo que Lula se candidate. Aos corruptos do golpe, suas leis são mais generosas e poderão se candidatar.

A Lava Jato, o STF e o TSE, composto por juízes privilegiados pelos quais ninguém votou, vêm mostrando cada vez mais que não vieram para combater a corrupção. Escolhem os prazos, os métodos e os acordos (inclusive com a ONU) que irão acatar a cada momento para botar sua marca no resultado das eleições, impedindo que Lula se candidate. Aos corruptos do golpe, suas leis são mais generosas e poderão se candidatar.

A lista e denunciados inclui lideranças do congresso que tentam renovar seus mandatos, como Edson Lobão (MDB-MA) e Valdir Raupp (MDP-RO). Em Alagoas, Renan Calheiros e Benedito de Lira estão liderando as pesquisas para o Senado, de acordo com dados divulgados pelo Ibope. Ambos os candidatos são acusados pela Procuradoria Geral como integrantes do “quadrilhão” ligado ao MDB e ao PP, respectivamente.

Para governo de Estado, os principais candidatos são o ex-presidente e senador Fernando Collor (PTC), réu acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, e Renan Filho (MDB), foco de um inquérito no Superior Tribunal de Justiça derivado da delação da Odebrecht.

Entre os presidenciáveis, Geraldo Alckmin (PSDB), que é acusado de ação de improbidade pelo Ministério Publico de São Paulo e que é considerado como “O Santo” no departamento de propinas da Odebrecht, está com seu caso arquivado e pode se candidatar sem problemas. Enquanto isso, os juízes do Supremo Tribunal Federal impedem arbitrariamente a candidatura de Lula, que detém a maior parte das intenções de voto, tirando um direito básico do povo que é o direito de decidir em quem votar e dando continuidade a mais um capítulo do golpe institucional.

A atuação arbitrária do judiciário é a maior expressão de que a Lava Jato não veio pra combater a corrupção, e sim para manipular as eleições e garantir que seja eleito o candidato escolhido pela burguesia para aplicar melhor os ataques do que o PT vinha fazendo. Os juízes que aumentam seus salários em meio a crise ao mesmo tempo que aprovam a absurda lei de terceirização irrestrita não foram eleitos por ninguém e só servem para garantir os interesses dos empresários e do imperialismo.

A justiça nunca será pela via da Lava Jato ou qualquer órgão da polícia e do poder Judiciário, que sequer é eleito por voto popular. Para que ela exista de fato, precisamos exigir que os casos de corrupção, ao invés de serem julgados por esse judiciário golpista, sejam julgados por júri popular. Os juízes privilegiados que hoje servem para garantir o lucro dos patrões deveriam ser eleitos pelo povo com mandatos revogáveis.

Para que isso aconteça, não podemos ter nenhuma confiança no PT, que sempre acreditou no judiciário do jeito que ele é hoje, foi quem abriu espaço pro Golpe se aliando com partidos burgueses, adotando os métodos corruptos dos capitalista e fortalecendo o Judiciário e a PF. Não atoa, em seu governo, o PT aprovou a Lei Ficha Limpa que hoje se volta contra Lula, mas se voltará decisivamente contra o resto de influência das massas nas eleições.

Fonte: http://esquerdadiario.com.br/Judiciario-atrasa-julgamento-de-31-acusados-de-corrupcao-que-poderao-se-candidatar

Haddad cresce 11 pontos e se consolida no 2º turno, mostra Ibope


Ricardo Stuckert | Reuters


247 - Pesquisa divulgada nesta noite confirma crescimento de 11 pontos de do candidato do PT e presidente, Fernando Haddad, que se consolida no segundo turno, contra o candidato da extrema-direita.

Confira os números: Jair Bolsonaro (PSL): 28%, Fernando Haddad (PT): 19%, Ciro Gomes (PDT): 11%, Geraldo Alckmin (PSDB): 7%, Marina Silva (Rede): 6%, Alvaro Dias (Podemos): 2%, João Amoêdo (Novo): 2%, Henrique Meirelles (MDB): 2%, Cabo Daciolo (Patriota): 1%, Vera Lúcia (PSTU): 0%, Guilherme Boulos (PSOL): 0%, João Goulart Filho (PPL): 0% e Eymael (DC): 0%.

Votos bancos e nulos somam 14% e indecisos, 7%.

Na simulação de segundo turno, Fernando Haddad aparece exatamente empatado com Jair Bolsonaro, com 40% para cada. Ciro Gomes aparece empatado com Bolsonaro na margem de erro. Ciro 40% x 39% Bolsonaro (branco/nulo: 15%; não sabe: 6%). Já contra Alckmin o quadro também é de empate. Alckmin 38% x 38% Bolsonaro (branco/nulo: 18%; não sabe: 6%).

A pesquisa ouviu 2.506 eleitores entre domingo (16) e terça-feira (18). O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/369213/Haddad-cresce-11-pontos-e-se-consolida-no-2%C2%BA-turno-mostra-Ibope.htm

Ibope atesta que Lula, preso político, comanda eleição da cadeia

Ricardo Stuckert

O que é o Ibope desta terça? É a pesquisa da fulminante arrancada de Haddad de 8% para 19% das intenções de voto em uma semana? Não! Porque Fernando Haddad não teria pernas nem fôlego para uma arrancada destas. Nem ele nem ninguém. Esta pesquisa é a consagração de Lula e sua tática para as eleições. É a arrancada da chapa Lula-Haddad-Manuela num feito que já pode ser considerado histórico no Brasil. É mais que isso: é o atestado de que Lula comanda as eleições de 2018 mesmo encarcerado e amordaçado como preso político.

É a vitória de Lula e do povo brasileiro e a derrota do golpe. Uma lição para todo o país: só Getúlio aproximou-se de Lula em sua ligação visceral, racional e emotiva com o povo brasileiro; ambos geniais em sua intuição para saber a "direção do vento".

Perderam os que apostaram que a prisão levaria Lula ao ostracismo, como a direita cantou em prosa em verso em abril. Perderam os que apostaram que o lulismo estava em declínio, como alguns setores da própria esquerda anunciaram meses a fio. Perderam os que consideraram que Lula estava numa "egotrip" e conduzindo o PT para uma aventura tresloucada.

Lula esteve e está no comando. Sem ele, não há o candidato Haddad -com o próprio o reconhece, com humildade e admiração.

Sem ele, a esperança fenece, a perspectiva de volta dos bons tempos fenece, as elites de agigantam.

Houve desprezo e desespero. "O timing!", gritavam, como se a tática do PT de esticar a corda ao limite para viabilizar a candidatura de Lula e deixar para fazer a passagem do bastão na undécima hora fosse rematada loucura.

Lula acertou, quem apostou contra ele está derrotado.

Isso quer dizer que as eleições estão decididas,que Haddad pode considerar-se presidente? Longe disso. Bolsonaro, o candidato fascista, movimenta inseguranças e medos de amplas parcelas da população brasileira que serão manipuladas em larga escala pela mídia de massas conservadora sob a liderança da Globo; o mercado, mais uma vez, anunciará o armagedom, semeará o pânico para chantagear o povo brasileiro. Será uma batalha épica.

Mas as forças democráticas têm seu grande comandante e ele de fato comanda, da prisão. A pesquisa do Ibope é uma enorme injeção de ânimo das pessoas que se levantam contra o fascismo e a destruição do país. Mas ela tem uma mensagem muito específica: confiem em Lula.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/blog/91/369217/Ibope-atesta-que-Lula-preso-pol%C3%ADtico-comanda-elei%C3%A7%C3%A3o-da-cadeia.htm

sábado, 15 de setembro de 2018

Jean Wyllys: Globo tratou Haddad como inimigo, não entrevistado


Ag. Câmara/Ricardo Stuckert


Por Jean Wyllys, em seu Facebook - Eu sou jornalista e trabalhei durante quase dez anos em jornal impresso, de modo que já realizei muitas entrevistas na minha vida. Posso explicar a vocês algumas noções básicas do ofício?

Numa entrevista, você, jornalista, começa fazendo uma pergunta — e a palavra "pergunta" significa aqui pergunta mesmo, e não uma longa exposição da sua opinião, porque numa entrevista, a opinião que interessa e a do entrevistado, não a do jornalista. Depois de fazer a pergunta, você deixa o entrevistado responder.

Se você considerar que a resposta foi insuficiente, não respondeu ou incorreu em falsidade ou contradição, voce faz uma re-pergunta, ou duas, ou mais, podendo confrontar o entrevistado com informações e dados verificáveis, mas sempre, depois, deixa ele responder. A proporção do tempo de fala numa entrevista é um elemento fundamental e fica muito evidente numa revista ou jornal impresso. Peguem algum jornal e confiram: as perguntas, geralmente em negrito ou itálico, são MUITO mais breves que as respostas. Se essa proporção ficar invertida, isso não foi uma entrevista!

A entrevista não é um debate de opinião entre dois adversários, entrevistador e entrevistado. Se você tem muita vontade de debater com o candidato, então deixe o jornalismo e entre na política. Aí você pode ser candidato também. Aliás, entre candidatos, num debate, não há tantas interrupções.

O que o Jornal Nacional fez hoje com Fernando Haddad deveria ser estudado nas faculdades de jornalismo para ensinar como não se faz uma entrevista:

1) As perguntas não eram perguntas, mas longas afirmações que expressavam a opinião política dos entrevistadores, e o que se pedia ao entrevistado, mais do que responder sobre algum assunto, era algo que poderia se resumir na frase: "Depois de ouvir tudo o que eu expliquei, candidato, o senhor não acha que eu estou absolutamente certo?".

2) Os entrevistadores não permitiam que Haddad respondesse ou falasse nada. Segundo levantamento feito pela Revista Fórum, ele foi interrompido 62 vezes em 27 minutos de entrevista, durante os quais conseguiu falar por apenas 16:05. Isso dá uma média de uma interrupção a cada 15 segundos e meio. Imaginem vocês mesmos tentando responder a alguma coisa dessa forma. Mesmo assim, Haddad se saiu muito bem!

3) Cada vez que o candidato não respondia o que eles queriam (ou seja, todas as vezes), além de interrompê-lo, os entrevistadores usavam "perguntas" do tipo: "Então o senhor não vai pedir desculpas ao povo brasileiro?", ou "Então o senhor subestima os eleitores e acha que não sabem votar?". Outra vez, isso não é uma pergunta!

4) Em nenhum momento da entrevista foi feita uma única pergunta sobre o programa de governo e as propostas do candidato; afinal, o que mais interessa! E todas as vezes que Haddad tentou falar de propostas, a interrupção era mais agressiva e insistente, até ele se calar. Dava a impressão que a única forma que Haddad teria de dizer algo seria gritando.

Isso não é jornalismo.

Agora procurem a entrevista de Geraldo Alckmin ao JN; está no YouTube. Assistam e comparem. Houve perguntas difíceis? Claro, mas ele teve tempo para responder a todas elas e foi tratado com respeito. Procurem entrevistas a candidatos em outros países e percebam a diferença.

A TV Globo não tratou Haddad como entrevistado, mas como inimigo a ser derrotado. É uma vergonha que isso seja o melhor que o principal telejornal do país possa oferecer à sua audiência. E faz muito mal à democracia.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/rio247/368891/Jean-Wyllys-Globo-tratou-Haddad-como-inimigo-n%C3%A3o-entrevistado.htm

Bonner fez 53 interrupções, tentou debochar de Haddad e foi derrotado



Por Ricardo Miranda, em seu blog Não sei qual é o Brasil que William Bonner quer ver, mas certamente não é um em que Fernando Haddad possa responder às suas perguntas. A última da série de entrevistas com presidenciáveis feitas pelo Jornal Nacional (Assista aqui) – abrindo o telejornal e antes que fosse mostrada a pesquisa Datafolha que confirmou o candidato do PT em forte ascensão, já empatado em segundo lugar com Ciro Gomes (mais que triplicando suas intenções de voto de 4% em 22/08 para 13% em 14/09) -, teve jeito de interrogatório. Pior. Dos 27 minutos de entrevista – assisti diversas vezes para cronometrar -, 16 minutos foram com perguntas e interrupções de William e Renata Vasconcellos, sua parceira de palco. 16 minutos! Ou seja, Haddad teve 11 minutos. Em outras palavras, as perguntas e interrupções tomaram 60% do tempo. William Bonner fez 53 interrupções. Renata outras 19. Em diversos momentos falaram ao mesmo tempo que o candidato, impedindo seu raciocínio.

Mas não eram só perguntas. Bonner e sua coadjuvante de bancada no JN fizeram ilações, deram opiniões, citaram números contestáveis, ocuparam o tempo que podiam. Sempre com ar de deboche e colocando-se como porta-voz da verdade, Bonner indignou-se quando, quase perdendo a paciência, Haddad tentou diferenciar denunciado de réu, citando as Organizações Globo e, por exemplo, seus problemas com a Receita Federal.

Leia a íntegra no blog de Ricardo Miranda e confira o momento em que Haddad enquadra Bonner:

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/368854/Bonner-fez-53-interrup%C3%A7%C3%B5es-tentou-debochar-de-Haddad-e-foi-derrotado.htm

Haddad enfrenta Globo e sai maior na campanha

 


247 - O candidato do PT à presidência da República, Fernando Haddad, rebateu, um a um, os sucessivos ataques que recebeu na bancada do Jornal Nacional na noite desta sexta-feira 14, pelos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos. Sem falar de propostas, por não ter sido questionado sequer uma vez a respeito delas, respondeu às acusações que recebia e lembrou, dentro da Globo, que a própria emissora é investigada por fraude fiscal. Haddad citou o nome do ex-presidente Lula logo no início de sua fala: "Boa noite, presidente Lula. Milhões de brasileiros gostariam de vê-lo nesta cadeira aqui no Jornal Nacional".

Em meio às agressões, Bonner citou nomes do PT que são investigados ou réus na Justiça pela Operação Lava Jato, entre eles o de Dilma Rousseff. Haddad rebateu: "Eu desconheço um processo em que a Dilma seja investigada. Se formos discutir investigação, a Rede Globo é investigada". O ex-prefeito de São Paulo também disse que "a Rede Globo condena por antecipação". "Vocês não tratariam os problemas da Rede Globo como tratam os problemas da administração pública, mesmo se tratando de uma concessão", declarou.

Fernando Haddad também denunciou a "indústria" das delações premiadas, em que "todo mundo quer reduzir sua pena e gozar de sua liberdade", ao ser indagado sobre os citados do partido em investigações. Lembrado que é alvo de uma denúncia recente do Ministério Público Federal, Haddad trouxe a informação de que os promotores que lhe denunciaram estão sendo investigados pelo Conselho Nacional do Ministério Público por supostas irregularidades ao mover ações faltando 30 dias para a eleição, sendo que poderiam ter tomado decisões há três anos.

Bonner culpou o PT pela "crise em que o país mergulhou" e ouviu de Haddad que as "pautas-bomba" contra o governo Dilma, praticadas pelos partidos que deram o golpe parlamentar em 2016, tiveram mais influência na crise do que os próprios erros do partido. O candidato destacou que o tucano Tasso Jereissati admitiu recentemente o erro de seu partido, o PSDB. "Espero que o PSDB não vá sabotar o governo eleito como fez em 2014. O presidente do PSDB assumiu essa culpa ontem. Admitiu um crime contra a democracia, admitiu aprovar uma pauta contra o país", afirmou.

Ao longo de 30 minutos de entrevista, os jornalistas não perguntaram sobre nenhuma proposta do candidato. Em sua mensagem final, Haddad lembrou aos eleitores dos "12 anos de normalidade democrática em que vivíamos", com programas como Luz Para Todos, Universidade Para Todos, ProUni, escolas técnicas e universidades no interior, transposição do São Francisco, Transnordestina e empregos. "A partir do momento em que a oposição contestou o resultado das urnas em 2014, mergulhamos nessa crise da qual podemos sair em outubro".

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/368849/Haddad-enfrenta-Globo-e-sai-maior-na-campanha.htm

No Jornal Nacional, Haddad foi interrompido 62 vezes, Alckmin 17


Revista Fórum- O ex-prefeito Fernando Haddad, candidato do PT à presidência, foi entrevistado nesta sexta-feira (14) pelos jornalistas do 'Jornal Nacional', da Globo. Apesar de suas respostas incisivas, o petista foi o candidato que mais sofreu interrupções entre todos os candidatos entrevistados por William Bonner e Renata Vasconcellos.

Ao todo, Haddad sofreu 62 interrupções dos jornalistas. Mais que o triplo de interrupções sofridas por Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano teve sua resposta cortada pelos apresentadores 17 vezes.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/poder/368855/No-Jornal-Nacional-Haddad-foi-interrompido-62-vezes-Alckmin-17.htm

Uma revolução silenciosa


Os mentores e executores do golpe de 2016 - tramado por elites econômicas (locais e internacionais) em complô com elites políticas, sociais e do sistema de justiça brasileiro - apostavam:

1. No sucesso e consolidação das reformas neoliberais: tiveram força suficiente para aprovar a famigerada emenda constitucional que limita os gastos públicos por 20 anos e a reforma trabalhista, juntamente com a terceirização de mão de obra e o enfraquecimento da justiça do trabalho. Mas, já na terceira empreitada, a reforma previdenciária, enfrentaram colossal resistência da sociedade e dos setores democráticos e não lograram êxito.

2. Eliminação das esquerdas e, em especial, do PT: em conluio com a mídia empresarial e segmentos justiceiros e antidemocráticos do sistema de justiça, envidaram imenso e articulado esforço para eliminar as esquerdas e o principal partido desse campo. Numa espetacular reação dos movimentos sociais, da mídia alternativa, dos coletivos identitários e de segmentos democráticos de vários espectros sociais amargam fragorosa derrota: as esquerdas retomaram parte do protagonismo na cena política brasileira; o PT voltou a ter crescimento no número de filiados, simpatizantes e militantes; as armações contra o campo popular e democrático foram explicitadas, inclusive pela mídia internacional e Lula, para o desespero de feitores e tutores da Casa Grande (nos tribunais e nas casernas) se consolidou como o principal agente político e personagem central na disputa eleitoral.

3. Legitimação do golpe via crescimento econômico: os golpistas apostaram muitas fichas na retomada do crescimento econômico como principal álibi à consolidação do neoliberalismo. Com esse pretenso trunfo, conseguiriam apresentar à nação um nome forte à disputa eleitoral de 2018. Ao contrário do planejado, a economia está em frangalhos; o desemprego aumenta assustadoramente; a miséria voltou à cena; a credibilidade internacional do país está no fundo do poço. E de resto não há nenhum nome da coalizão golpista que apresente, sequer, um resultado econômico convincente à população. Alckmin e Meireles, que disputam os despojos da coalizão golpista, são um fiasco na disputa eleitoral.

4. Entrega da soberania e privatização de bens públicos: a política externa subserviente aos interesses norte-americanos somada a uma nova onda de entreguismo do patrimônio público também foi colapsada devido ao total descrédito do governo atual. O país continental se transformou num anão diplomático, ridicularizado no concerto das Nações. Por outro lado, nenhum agente do conglomerado financeiro-econômico internacional que se preza deseja fazer negócios com um governo sem nenhuma legitimidade e odiado pelo seu povo. É um risco alto demais para o deus-mercado.

Como podemos observar nesse pequeno inventário, as apostas do condomínio golpista e seus poderosíssimos atores nacionais são como um gigante de pé de barro e terminam esse período pós-impeachment fajuto com um estrondoso fracasso e evidentes derrotas.

Porém, a mais espetacular derrota se apresenta na desobediência civil silenciosa, que já é captada nas pesquisas de intenção de votos à presidência, no atual momento: os candidatos golpistas, são um fracasso.

Do outro lado, aqueles candidatos que denunciam o golpe e seus atores são os que, juntos, têm a preferência da maioria do eleitorado.

Se somarmos as intenções de votos atribuída a Lula (sendo que boa parte será transferida para Haddad), Ciro Gomes e Boulos temos um percentual duas vezes maior que a soma de todos os demais concorrentes (da coalizão golpista e daqueles cujos discursos dúbios, como o caso de Marina Silva, parecem não convencer o eleitor).

Fala-se que o povo está ausente e apático da disputa política. Trata-se, mais uma vez, desses despautérios produzidos por intelectuais conservadores, analistas de botequim da mídia empresarial e por incautos do campo progressista para criminalizar, ainda mais, os setores populares.

A bem da verdade, as significativas intenções de voto nos candidatos do campo democrático-popular são a mais contundente revolução silenciosa do povo que - não obstante o massacre midiático, a seletividade da justiça da Casa Grande, o autoritarismo que ecoa da caserna, os discursos violentos e de ódio dos setores ultraconservadores e antidemocráticos - não se curvou à narrativa golpista e resiste bravamente contrariando os podres e poderosos poderes.

Agora resta saber se o pleito, que é a última e frágil casca da fajuta democracia tupiniquim, será respeitado.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/robsonsavioreissouza/368581/Uma-revolu%C3%A7%C3%A3o-silenciosa.htm

Datafolha: PT é o partido preferido de 21%; PSDB, 3%


Ricardo Stuckert

247 - Em um recorte pouco destacado na pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira 14, a preferência partidária dos eleitores confirma-se disparada no Partido dos Trabalhadores, que tem Fernando Haddad como candidato à presidência da República, representando o ex-presidente Lula.

A maioria dos eleitores, de acordo com a pesquisa, "não tem" um partido de preferência (58%). Entre os que citam uma legenda, no entanto, 21% mencionam o PT, contra apenas 3% do segundo colocado, o PSDB. A seguir vem MDB, de Temer, e PSL, de Bolsonaro, com 2% cada, enquanto PDT e PSOL têm 1% cada.

Os números apenas confirmam a falência tucana após o golpe. Nesta semana, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) foi o primeiro tucano de peso a admitir o erro histórico do partido de apoiar o golpe e embarcar no governo golpista de Michel Temer (leia mais).

Confira aqui o relatório da pesquisa Datafolha - os dados sobre a preferência partidária estão na página 19. O instituto foi às ruas nesta quinta (13) e sexta-feira (14), quando entrevistou 2.820 eleitores em 197 cidades, com uma margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/poder/368892/Datafolha-PT-%

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Líderes internacionais chamam prisão de Lula de monstruosidade


Foto: Joka Madruga

Ainda que grande parte da imprensa brasileira tente minimizar ou até mesmo esconder a enorme repercussão internacional causada pela prisão política de Lula, a cada dia mais e mais líderes internacionais se juntam ao coro dos que clamam por sua libertação. Nesta quinta-feira (13), foi a vez do ex-primeiro-ministro italiano Massimo D’Alema e do ex-governador do Distrito Federal do México Cuauhtémoc Cárdenas visitarem em Curitiba aquele que chamam de “o maior presidente que o Brasil já teve”.

Mais do que prestar solidariedade a Lula, ambos também vieram ao País com a missão de deixar claro que, a exemplo do que pensa a maior parte do povo brasileiro, a condenação que culminou em sua prisão política no dia 7 de abril é uma aberração jurídica. Ou, nas palavras de D’Alema, “uma monstruosidade”.

“Esta é a opinião de grande parte do pensamento jurídico europeu. A repercussão na Europa não atingiu a imagem o ex-presidente. Pelo contrário. Grande parte dos juristas europeus examinou o processo e constatou que a condenação foi determinada sem a garantia dos direitos do acusado. E ainda sem nenhuma prova”, critica.

Para Cárdenas, que também sofreu com a perseguição jurídica e política no México, é impressionante ver Lula com a disposição intacta para manter a resistência mesmo do cárcere. “Lula está com o mesmo espírito combativo de sempre. Isso nos fez sair de lá com grande otimismo, ainda que a situação que se encontre no momento seja de extrema injustiça”, afirma.

O ex-governador do DF mexicano também aproveitou para deixar recado a todos os brasileiros e brasileiras que torcem para que a Justiça seja feita: “Temos confiança que a luta que acontece a partir daqui e que se propaga para todo o Brasil brasileiro culminará no reconhecimento da vontade do próprio povo, que é ver Lula livre”.

D’Alema tem opinião semelhante. “Eu encontrei Lula muitas vezes na minha vida e jamais imaginei encontrá-lo como prisioneiro político. Mas eu o encontrei hoje aqui como o encontrei há alguns anos no planalto como presidente: o mesmo espírito, a mesma coragem, a mesma visão e a mesma vontade de servir ao povo brasileiro”, reitera.

O ex-primeiro ministro italiano também acredita que Lula ainda seguirá como uma das mais importantes lideranças políticas da história da democracia na América Latina. Apesar da injustiça que sofreu é um homem sereno que continuará a ser muito precioso para o País. Tudo isso depois de ter sido o maior presidente que o país já teve. Isso explica a enorme solidariedade que todos têm por ele em várias partes do mundo, inclusive por pessoas que não são necessariamente de esquerda”, conclui.

Da Agência PT de Notícias

Fonte: https://ptnacamara.org.br/portal/2018/09/13/lideres-internacionais-chamam-prisao-de-lula-de-monstruosidade/

“Nós provamos a inocência de Lula”, afirmam advogados na ONU


Filipe Araújo Fotos Públicas

“O Brasil tem de fazer uma reflexão se quer participar da comunidade internacional ou usar mais uma vez o escudo da soberania para deixar de cumprir essa obrigação”, afirmou hoje (13) o advogado de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin, em coletiva de imprensa na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra. Ele falou sobre a decisão do país de não cumprir a liminar do Comitê de Direitos Humanos da ONU, concedida em 17 de agosto, que preserva o direito do ex-presidente participar das eleições.

Antes de Zanin, a também advogada de defesa Valeska Teixeira explicou como todo o processo que levou Lula a ser preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, em 7 de abril, tem sido marcado por ilegalidades, incluindo uma escuta telefônica de conversa entre o ex-presidente e a então presidenta Dilma Rousseff vazada para a imprensa no início de 2016. “Nós denunciamos que Lula não teve seus direitos políticos respeitados; ele não pode votar e nem ser votado”, disse Valeska.

“A suposta corrupção não pode ser um motivo para promover a perseguição política”, afirmou ainda a advogada de defesa. A coletiva contou com a participação diplomata Paulo Sérgio Pinheiro, ex-secretário de Estado de Direitos Humanos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e atual presidente da Comissão de Investigação sobre a Síria na ONU.

Valeska caracterizou o processo que levou Lula à prisão como um abuso dentro do processo judicial, com objetivos políticos. “Não foi um julgamento, não tem nada a ver com corrupção. Nós provamos a inocência dele. Lula está arbitrariamente na prisão, não foi encontrada sua culpa”, afirmou.

A defesa do ex-presidente ainda acrescentou que amanhã, em Genebra, o Comitê de Direitos Humanos da ONU realizará um debate, às 16h, sobre o processo que levou Lula à prisão.

Da Rede Brasil Atual

https://ptnacamara.org.br/portal/2018/09/13/nos-provamos-a-inocencia-de-lula-afirmam-advogados-na-onu/

Coronel da reserva acusa general Mourão de favorecer empresa em contrato do Exército

Brasil


Suspeitas de irregularidades em contrato envolvem militares, uma companhia da Espanha e um lobista.

Oficial da reserva questiona atuação do atual vice de Bolsonaro no negócio entre 2012 e 2016

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General Mourao Soldados com um obuseiro, que lança granadas de artilharia. Exército Brasileiro

Marina Rossi Felipe Betim

São Paulo / Rio de Janeiro 8 AGO 2018 - 07:50 BRT

“A corrupção nem sempre acontece com mala de dinheiro. Ela acontece também no Diário Oficial, disfarçada de atos oficiais”. As palavras são do coronel da reserva Rubens Pierrotti Junior, de 49 anos. Ele foi supervisor operacional durante o desenvolvimento do Simulador de Apoio de Fogo (SAFO) do Exército Brasileiro, elaborado pela empresa espanhola Tecnobit para projetar cenários e missões virtuais para treinamentos de militares a custos mais enxutos. Inaugurado em 2016, seis anos depois da licitação, o Exército garante que o simulador gera hoje uma economia de 50 milhões de reais por ano, mas o projeto acabou se tornando o epicentro de uma batalha na corporação: gerou resistência entre oficiais, demorou mais do que deveria para ser entregue e se tornou a razão de uma briga entre Pierrotti e o então general quatro estrelas Antonio Hamilton Martins Mourão, atual candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro.

MAIS INFORMAÇÕES

A história do simulador ainda envolve relações estreitas demais entre oficiais da alta patente e executivos da empresa e até a suposta dívida por um favor prestado por um membro da maçonaria espanhola a um general brasileiro, segundo documentos reunidos em um dossiê de 1.300 páginas ao qual o EL PAÍS teve acesso através da BrasiLeaks, uma plataforma on-line de denúncias anônimas ao estilo da WikiLeaks. A partir da documentação, a reportagem conseguiu contactar Pierrotti, que era um dos mencionados nos documentos e aceitou relatar com detalhes o desenrolar do projeto.

Ao longo do desenvolvimento do simulador, a Tecnobit recebeu um total de oito reprovações do corpo técnico do Exército de etapas que eram dadas como concluídas. Mais de dez oficiais foram afastados ou pediram para deixar o projeto. Pierrotti foi um deles: ele pediu seu afastamento em março de 2014, após ele mesmo reprovar sete vezes o simulador. Depois de deixar o projeto, Pierrotti comandou um quartel paraquedista no Rio de Janeiro e passou para a reserva em setembro de 2016, após quase 32 anos de serviço. Hoje ele atua como advogado. Já o general Mourão, que a partir de 2012 passou a se envolver mais na coordenação do projeto, fazendo a interface entre o Exército e a Tecnobit, ficou conhecido por suas manifestações a favor de uma intervenção militar como forma de resolver a crise política brasileira. Desde que entrou na reserva, em fevereiro deste ano, vem se envolvendo mais ainda em assuntos políticos e promovendo candidatos militares nas eleições de outubro de 2018.

A origem da relação entre a Tecnobit e oficiais do Exército brasileiro é alvo de diversas especulações e teorias. Um delas, relatada por uma das fontes consultadas por este jornal e que pediu anonimato, diz respeito a uma suposta relação de proximidade entre o Departamento de Educação e Cultura do Exército, comandado pelo general Rui Monarca da Silveira, quando o contrato com a Tecnobit foi assinado, e membros do Partido dos Trabalhadores (PT), que governava o país na época. Segundo essa teoria, havia um interesse do governo em estreitar os laços militares com a Espanha — algo que de fato se concretizou em acordos assinados entre ambos os países — ao mesmo tempo em que se garantia vantagens indevidas para os envolvidos, sejam eles militares ou membros do partido, a partir da assinatura do contrato.

A segunda teoria, relatada pelo próprio Pierrotti, diz respeito ao papel desempenhado por Tomas Sarobe Piñero, conhecido como Tom Sarobe, junto a oficiais do Exército. Ele é um engenheiro e conhecido membro da maçonaria espanhola que fazia as vezes de representante comercial da Tencnobit por meio de sua empresa, a Semit Continental. "Ele é um mercador da morte", reconheceu Mourão a este jornal. "Atua no mercado internacional de produtos de defesa", explicou, para na sequência dizer que Sarobe era um "lobista" e, em seguida, "relações públicas", para então finalizar com "representante comercial" da Tecnobit. A empresa afirma que Sarobe "formava parte de uma agência comercial que deu efetivamente respaldo [ao projeto]". Em fevereiro de 2008, dois anos antes da assinatura do contrato com a Tecnobit, um decreto do Ministério da Defesa concedia a medalha do mérito militar, no grau de cavaleiro, a Sarobe, sem nenhuma justificativa aparente.

Suspeitas de fraude na licitação

Pierrotti conta que as conversas e os problemas sobre o projeto SAFO começaram no primeiro semestre de 2010, meses antes da contratação da empresa que o desenvolveria. Um processo que, segundo garante, foi "moldado" para favorecer a Tecnobit. “A Diretoria de Educação Superior Militar, chefiada na época pelo general Marco Aurélio Costa Vieira e subordinada ao Departamento de Educação e Cultura do Exército, resolveu encampar essa ideia e comprar o simulador da Tecnobit a qualquer custo”. Pierrotti narra que antes mesmo de a licitação ser aberta, “todo mundo já sabia” que haveria “uma missão para a Espanha”. Outra fonte próxima ao projeto, que não quis se identificar, confirmou o conhecimento prévio da empresa que ganharia o contrato e contou que o então chefe do Departamento, o general Rui Monarca da Silveira, chefe de Marco Aurélio, "deu total apoio" à empreitada.

Parte do documento que trata da necessidade de um simulador de artilharia brasileiro, e a menção à visita ao simulador espanhol. Parte do documento que trata da necessidade de um simulador de artilharia brasileiro, e a menção à visita ao simulador espanhol.

O caminho começou a ser traçado em março de 2010, quando o Exército encomendou um estudo para justificar a necessidade de um simulador de apoio de fogo. Nele, é mencionado como exemplo somente o simulador do Exército espanhol, projetado pela Tecnobit e inaugurado em 2002 com o nome de SIMACA (Simulador de Artilharia de Campanha). O documento ainda revela que foi feita uma visita de oficiais brasileiros à Academia de Artilharia do Exército da Espanha, o que “acrescentou algumas ideias-força relevantes que fazem parte da solução proposta” (veja na imagem ao lado). Não menciona nenhuma visita a outro simulador desenvolvido por outra empresa.

Com o estudo pronto, a portaria que oficializava a necessidade de um simulador para o Brasil fora publicada poucos meses depois, já em junho de 2010. O organismo responsável por promover uma licitação é a Comissão do Exército Brasileiro em Washington (CEBW), que fez então uma primeira tentativa em agosto, segundo conta Pierrotti. Três empresas, todas espanholas, incluindo a Tecnobit, teriam participado do processo, segundo o coronel, que garante que o edital dificultou a participação de outras companhias, o que teria gerado suspeitas de fraude e anulado todo o processo. Não há rastros documentais sobre a licitação em si, mas portarias publicadas pelo comando do Exército autorizavam a viagem de oficiais ao exterior para acompanhar o processo licitatório. Cerca de um mês e meio depois, uma nova licitação foi aberta e cinco empresas concorreram, incluindo, novamente, a Tecnobit. “Empresas com reconhecida capacidade tecnológica ficaram de fora”, conta Pierrotti. Ele menciona o ranking Simulation and Training Companies feito pela revista Military Simulation & Training Magazine, que lista anualmente as melhores empresas no ramo de tecnologia militar. A Tecnobit não estava no ranking em 2010, quando ganhou a licitação brasileira, nem no ano anterior, 2009, ou no ano seguinte, 2011.

Parte da portaria que oficializa a necessidade de um simulador para o Brasil, de junho de 2010. Parte da portaria que oficializa a necessidade de um simulador para o Brasil, de junho de 2010.

Como um ranking não tem nenhuma interferência em uma licitação, a Tecnobit se saiu vencedora do processo. Em 22 de outubro de 2010, o contrato entre o Exército e a empresa espanhola era assinado, com a promessa de entregar um simulador em Resende (RJ) e outro em Santa Maria (RS), além de equipamentos como biblioteca, e o estabelecimento de uma filial brasileira da Tecnobit até outubro de 2013. Tudo isso a custo de 13,98 milhões de euros — pela cotação ao longo de outubro de 2010, esta cifra equivalia a cerca de 32 milhões de reais.

Por meio de nota, o Exército afirmou ao EL PAÍS que a decisão para a aquisição do simulador partiu da necessidade de adestramento das tropas por meios "auxiliares de instrução que minorem gastos e otimizem o emprego judicioso dos recurso públicos". Também disse que foram feitos estudos sobre a necessidade do simulador e que hoje ele "vem cumprindo de forma satisfatória os objetivos para os quais foi desenvolvido".

"Proposta indecente"

Não demorou para que os primeiros problemas entre a Tecnobit e o Exército aparecessem. Em abril de 2011, estava prevista a entrega da primeira das quatro fases do desenvolvimento do simulador, que consistia em detalhar e analisar os requisitos técnicos e operacionais da empresa. Foi quando o então major Renato Carvalho de Oliveira, do escritório de gerenciamento do projeto, enviou um e-mail a generais afirmando que existia uma “falta de capacidade técnica por parte da Tecnobit”, fazendo com que a empresa quisesse “tomar atalhos para se livrar de algumas responsabilidades previstas em contratos ou acertos”. O conteúdo do e-mail foi redigido após uma conversa com o então fiscal do contrato, o tenente coronel Eric Julius Wurts, e o supervisor técnico, na época major André Gustavo Monteiro Lima.

E-mail do major Carvalho tratando da “falta de capacidade técnica por parte da Tecnobit” (grifos da fonte). E-mail do major Carvalho tratando da “falta de capacidade técnica por parte da Tecnobit” (grifos da fonte).

Na segunda fase, na qual um protótipo deveria ser apresentado, o constrangimento ficou maior. No dia de sua apresentação, o simulador ainda não conseguia realizar o cálculo da trajetória balística, como se esperava, lembra Pierrotti. “A proposta da Tecnobit foi indecente”, diz ele. “Eles pegaram um programa executável do simulador de artilharia de campanha da Espanha, o Simaca, e apresentaram como se fosse um protótipo do simulador brasileiro”. Fontes militares que participaram desta etapa contam que os executivos da Tecnobit entregaram um CD com uma cópia do simulador espanhol sem levar em conta as especificidades do armamento e da geografia brasileira e já defasado. “A apresentação do protótipo já foi fake”.

Mesmo com claros problemas na apresentação do protótipo, a empresa recebeu quase 5 milhões de euros pela conclusão da segunda fase do projeto. As demais fases foram todas parecidas em termos de atrasos e desentendimentos. Com o tempo, os próprios engenheiros militares brasileiros, que já trabalhavam lado a lado com os engenheiros espanhóis, passaram a solucionar os problemas da empresa. A transferência tecnológica acabou ocorrendo ao contrário, o que levantou a suspeita de que o projeto poderia ter sido desenvolvido dentro do Brasil com um custo menor, segundo Pierrotti.

Informe do Exército de julho de 2012 com a nomeação do coronel Wurts para o Curso de Política e Estratégia Aeroespaciais, afastando-o, portanto, do projeto SAFO. Informe do Exército de julho de 2012 com a nomeação do coronel Wurts para o Curso de Política e Estratégia Aeroespaciais, afastando-o, portanto, do projeto SAFO.

Por meio de nota, a Tecnobit diz que o projeto atrasou mais do que o previsto porque, de acordo com o contrato, ele era, inicialmente, uma "colaboração" entre a empresa espanhola e o Exército Brasileiro para o desenvolvimento do simulador "baseado em uma evolução e modernização do Simaca espanhol". Mas que, ao longo do desenvolvimento do projeto, "o cliente brasileiro fez pedidos que superavam amplamente os requisitos estabelecidos no contrato". O documento, ao qual o EL PAÍS também teve acesso, previa que o equipamento seria desenvolvido juntamente com engenheiros militares brasileiros para garantir a transferência tecnológica. Este era inclusive o item mais caro do acordo.

Mourão surge para "destravar" o projeto

General Mourão (no centro da foto) ao lado de Tom Sarobe (de gravata listrada), na Espanha. General Mourão (no centro da foto) ao lado de Tom Sarobe (de gravata listrada), na Espanha.

Diante de sucessivos atrasos e constrangimentos, o Exército Brasileiro designou em julho de 2012 o general Antonio Hamilton Martins Mourão, que já participava do projeto de forma discreta como vice-chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército, para sua primeira missão na Espanha com o objetivo de acompanhar e, nas palavras de Pierrotti, "destravar o andamento do projeto". "Existe uma grande maioria no Exército que trabalha bem e que é honesta. Mas existe uma parcela, que não é pequena, que sob uma falsa justificativa moral, é conhecida como a tropa que resolve problema, ainda que ilegalmente ou de qualquer maneira", explica. "Ninguém vai sair com uma mala de dinheiro, mas o camarada pode sair promovido a general ou receber uma missão no exterior como prêmio".

Nessa viagem, Mourão e outros militares levaram suas respectivas esposas. Uma programação especial fora elaborada pelo adido militar brasileiro na Espanha para elas durante a missão de uma semana. No primeiro dia, um jantar foi oferecido para todos da missão pelo representante comercial da Tecnobit, Tomas Sarobe Piñeiro. Traje: esporte fino, previa o convite. A prática de oferecer jantares pelos executivos da empresa aos oficiais seria recorrente durante todo o processo. “Eu mesmo presenciei atitudes estranhas envolvendo viagens, jantares e pagamentos nesse projeto”, diz Pierrotti. “Em dezembro de 2013, depois que eu reprovei pela sexta vez o simulador, escrevi um relatório para o comando do Exército e disse que um dos diretores da Tecnobit me chamou para um jantar para resolver todos os problemas. Eu suspeitava que ele ia me oferecer alguma coisa durante o encontro e não aceitei o convite”.

Em uma reunião posterior a esse relatório, em janeiro de 2014, Pierrotti conta ter dito a Mourão que estava preocupado e que poderia assessorá-lo tanto na parte técnica como na parte jurídica, já que é formado em direito. "Mas ele ameaçou me mandar para a prisão". Dois meses depois, em março de 2014, o general assinou um certificado de que a empresa havia terminado seu trabalho, apesar de mais um parecer negativo de Pierrotti, do fiscal do contrato e de outros militares envolvidos no projeto. "Entramos em uma reunião na AMAN [Academia Militar das Agulhas Negras] com Mourão para prepará-lo para um encontro com representantes da Tecnobit. Ficamos ali conjecturando ideias e propostas para dar continuidade ao projeto. Uns vinte minutos depois, ele se encontrou com o Tom Sarobe no corredor e disse tudo o que a gente tinha falado pra ele", relata Pierrotti. "Isso pode se enquadrar em quebra de sigilo profissional. Ele entregou de bandeja todos os nossos argumentos para o representante da empresa. De que lado ele estava nisso?".

Informe do Exército de maio de 2013 anunciando a mudança de posto de alguns oficiais. Informe do Exército de maio de 2013 anunciando a mudança de posto de alguns oficiais.

À reportagem, o general Mourão, que hoje está na reserva, admite que os atrasos ocorreram porque a empresa não "conseguia atingir aquilo que havia sido acordado no contrato", mas justifica dizendo que se tratava do desenvolvimento de um "software difícil". Ele nega que a empresa não tivesse capacidade técnica para realizar o trabalho, mas afirma que o processo ocorreu com certa dificuldade. "Tivemos várias discussões com a empresa, muita briga em determinado momento, mas ela cumpriu com o que foi contratado", disse. "Mas foi debaixo de muita pressão".

Com o afastamento do tenente-coronel André Gustavo Monteiro Lima. Com o afastamento do tenente-coronel André Gustavo Monteiro Lima.

Em referência a Pierrotti, ao qual não chega a citar nominalmente, taxa o coronel da reserva de "psicopata" e "ressentido". "Esse camarada depois vai ser pego. Eu sei quem ele é", diz. "Ele vem divulgando coisas que não poderia divulgar. Por isso está cometendo um crime. Tomem cuidado onde vocês vão se meter. Há um crime em andamento". O general menciona que Pierrotti poderia responder pela quebra de acordo de confidencialidade, mas não diz se as revelações de Pierrotti poderiam se tratar de injúrias ou difamações.

Sobre os jantares que frequentava com representantes da Tecnobit, afirma que eram "normais". "Você está visitando um país, visitando uma empresa, o camarada convida para jantar na casa dele", argumenta. "É uma coisa normal, ué. Quando ele [Tom Sarobe] veio ao Brasil, eu o convidei para jantar na minha casa". A passagem aérea para a sua esposa foi paga pela Tecnobit, segundo documentos. Mourão confirma. "Eu tinha direito a uma passagem de primeira classe. Troquei por duas de classe econômica", explica. Ele também garante que os gastos com a esposa dele nas viagens foram cobertos com a diária que recebia do Exército. "Eu recebia as diárias e pagava as minhas despesas. Quem pagava [pelos passeios] era a diária que eu recebi". Mas Pierrotti contesta, ao dizer que a aditância militar brasileira na Espanha colocou à disposição da esposa de Mourão carro, motorista e secretária. O EL PAÍS teve acesso a documentos do Exército com uma programação montada especialmente para ela à cargo da aditância. Já a Tecnobit nega que tenha dado qualquer tipo de presente ou oferecido jantares a oficiais do Exército. A reportagem não conseguiu contato com Tom Sarobe.

Programação feita pela aditância do Exército na Espanha para as esposas de oficiais. Programação feita pela aditância do Exército na Espanha para as esposas de oficiais.

Sobre o oferecimento de vantagens ou favorecimentos por parte da empresa a ele, o general é taxativo: "Jamais [recebi]. Até porque, se houvesse alguma coisa dessa natureza, o cara levava um murro na cara, né?", diz. "É desse jeito que funciona. A não ser [com] político, né? Eu sou soldado. Se fosse político, aí eu teria uma boa conta no exterior", afirmou ele à reportagem, em entrevista feita antes de ele ser escolhido como vice de Bolsonaro. Ele afirmou ainda "ter a consciência tranquila".

De SAFO a SIMAF

O equipamento deveria ter sido entregue em outubro de 2013, mas acabou sendo inaugurado apenas em 2016. A Tecnobit afirma se considerar "altamente prejudicada", e buscou uma corte internacional para resolver as questões e traçar um novo calendário de entrega. O novo acordo, diz a empresa, permitiu que o projeto fosse concluído "com êxito". A companhia assegura ainda que, exceto pela biblioteca — que o Exército ainda não teria definido sua localização — todos os itens do contrato foram cumpridos. Incluindo a abertura de filial no Brasil — que hoje, diz, conta com apenas dois funcionários — e de um laboratório de simulação. A reportagem esteve no endereço da suposta filial brasileira, em um prédio comercial na Barra, no Rio de Janeiro, e a sala está vazia e trancada. Depois de confirmar que a sede estava no Rio, a companhia voltou atrás e informou que, na verdade, havia se mudado para São Paulo.

Para dissociar o simulador de apoio de fogo da má fama que o nome do projeto já estava evocando em alguns círculos, o SAFO (Simulador de Apoio de Fogo) mudou de nome. Passou a ser chamado de SIMAF (Sistema de Simulação de Apoio de Fogo). Com isso, em uma cerimônia realizada em 19 de fevereiro de 2016, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas inaugurava, finalmente, o primeiro simulador na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ). Quatro meses depois, em 11 de junho, era inaugurado o simulador em Santa Maria (RS).

Em 2017, foram realizados 20 exercícios pelos cursos de formação de militares com os simuladores nas duas unidades, segundo o Exército. A previsão para este ano é que sejam realizados 23 exercícios, ainda segundo o Exército, que ressalta ainda que o simulador economiza 50 milhões de reais em munição ao ano, "valor que ultrapassa a quantia paga pelo simulador, comprovando a viabilidade econômica do projeto". Pierrotti contesta esta afirmação. "O Exército não deixou de gastar nenhum centavo de munição de artilharia por conta do simulador. A economia é virtual".

Todos os demais questionamentos da reportagem feitos ao Exército sobre atrasos, o processo de licitação, custos com viagens, cláusulas do contrato que a Tecnobit não teria cumprido e a possível relação de executivos da empresa com oficiais do Exército antes mesmo de aberta a licitação não foram respondidos ou foram negados.

Mourão reage à reportagem e garante que irá processar o coronel Pierrotti por difamação

Nesta quarta-feira, 8 de agosto, um dia após a publicação desta reportagem, o general da reserva Antonio Hamilton Mourão disse por meio de nota à imprensa que "irá processar por difamação o coronel da reserva Rubens Pierrotti Junior". Ele também afirma que a denúncia feita pelo militar, "sem qualquer comprovação, foi devidamente arquivado pelo Ministério Público do Exército". Assim, continua, "não faz sentido trazer o assunto a público novamente, a não ser por interesses excusos". Ele garante ainda que no processo "todos os documentos comprobatórios serão apresentados à Justiça".

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