terça-feira, 18 de junho de 2019

Prefeito de Forianopólis é preso em operação da Polícia Federal


O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, foi preso na manhã desta terça-feira (18) como parte da Operação Chabu, da Polícia Federal. A operação visa combater a prática de uma organização que violava o sigílo de o sigílo de operaçãoes policiais em Santa Catarina

Painel de abertura com debates e participação do prefeito, Gean Loureiro

247 - Às 10h20, assessores e servidores do governo municipal permaneciam reunidos na sede da Prefeitura de Florianópolis, no Centro. A informação é do Portal ND Mais.

Entre os detidos como parte da operação está o delegado Fernando Caieron, da Polícia Federal em Florianópolis. Segundo a Polícia Federal, ele é suspeito de atrapalhar a investigação contra uma organização criminosa.

Os agentes federais prenderam, também durante a manhã, o ex-secretário da Casa Civil, Luciano Veloso Lima. Entre os 30 mandados expedidos pelo TRF 4 em Porto Alegre há 23 de busca e apreensão.

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/sul/prefeito-de-forianopolis-e-preso-em-operacao-da-policia-federal

Empresário confirma disparos em massa de whatsapp na campanha de Bolsonaro


Durante a campanha eleitoral de 2018, empresas brasileiras contrataram uma agência de marketing na Espanha para fazer, pelo WhatsApp, disparos em massa de mensagens políticas a favor do então candidato a presidente Jair Bolsonaro, que foi eleito à base de manipulações e fake news

18 de junho de 2019, 07:30 h Atualizado em 18 de junho de 2019, 12:25


Sócio de agência investigada por fake news pelo WhatsApp integra time de Bolsonaro

247 – "Durante a campanha eleitoral de 2018, empresas brasileiras contrataram uma agência de marketing na Espanha para fazer, pelo WhatsApp, disparos em massa de mensagens políticas a favor do então candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL)", informa a jornalista Patrícia Campos Mello, em reportagem publicada na Folha de S. Paulo desta terça-feira. A informação é do espanhol Luis Novoa, dono da Enviawhatsapps.

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"Nos áudios, ele diz que “empresas, açougues, lavadoras de carros e fábricas” brasileiros compraram seu software para mandar mensagens em massa a favor de Bolsonaro. De acordo com Novoa, ele não sabia que seu software estava sendo usado para campanhas políticas no Brasil e só tomou conhecimento quando o WhatsApp cortou, sob a alegação de mau uso, as linhas telefônicas de sua empresa", aponta ainda o texto.

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/brasilia/empresario-confirma-disparos-em-massa-de-whatsapp-na-campanha-de-bolsonaro

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Gustavo Montezano é escolhido para assumir o BNDES com a tarefa de privatizar tudo

 

247 - Após a saída humilhante de Joaquim Levy, o anunciado como novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é Gustavo Montezano. Segundo o G1, sua tarefa na presidência é acelerar as privatizações.

Já o presidente Jair Bolsonaro quer que o novo presidente do banco identifique onde foi investido o dinheiro enviado a obras de infraestrutura em Cuba e na Venezuela.

Montezano era secretário especial adjunto de Desestatização do governo e foi sócio do Banco BTG. De acordo com o colunista Lauro Jardim, Montezano teve o apoio do senador Flávio Bolosnaro (PL-RJ) e dp vereador Carlos Bolsonaro, ambos filhos do presidente Jair Bolsonaro. O jornalista disse que Carlos conhece Montezano há mais de 20 anos. Ele é filho de Roberto Montezano, que trabalhou com o Paulo Guedes anos atrás no Ibmec.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, quer acelerar o programa de privatizações que, segundo ele, estavam em "ritmo lento". Guedes quer divulgar o roteiro das privatizações, assim que for aprovada a reforma da Previdência. Ele diz que a estraga das estatais brasileira para o mercado deve gerar US$ 20 bilhões.

Fonte : https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/397032/Gustavo-Montezano-%C3%A9-escolhido-para-assumir-o-BNDES-com-a-tarefa-de-privatizar-tudo.htm

Editor do Intercept aponta contradição dos procuradores da Lava Jato

 

247 - Editor do site The Intercept, responsável pelos vazamentos das conversas entre Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato, o jornalista Leandro Demori apontou a contradição de procuradores da Lava Jato ao comentar os diálogos divulgados. "Não reconhecem os diálogos, mas dizem que não tem nada de mais nos diálogos. Apostam em dois cavalos ao mesmo tempo", postou no Twitter.

Nesta segunda-feira 17, o procurador o Carlos Fernando dos Santos Lima, em entrevista ao Estado de S.Paulo, disse inicialmente que as conversas entre o ex-juiz e integrantes da força-tarefa eram uma "prática da Justiça", mas depois alertou para a hipótese de que "essas conversas não tenham sido editadas".

"A relação entre juiz e procuradores, juiz e delegados, juiz e advogados se dá diuturnamente. Questões procedimentais, exposição de pontos de vista e explicação de futuros pedidos são comuns. Somos todos conhecidos, não amigos, de mais de 20 anos. Não há nada de irregular nas conversas. Essa é a prática judiciária. Observo, novamente, que não se pode atestar que essas conversas não tenham sido editadas, motivo pelo qual nada disso significa qualquer coisa relevante", declarou Lima.

"O Carlos Fernando, que hoje usa aspas pra se referir ao nosso "jornalismo", não usou aspas quando nos concedeu uma entrevista para falar bem da Lava Jato", postou ainda Demori, compartilhando uma entrevista concedida pelo procurador ao Intercept em setembro de 2018.


Leandro Demori

@demori

Não reconhecem os diálogos, mas dizem que não tem nada de mais nos diálogos. Apostam em dois cavalos ao mesmo tempo.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/397041/Editor-do-Intercept-aponta-contradi%C3%A7%C3%A3o-dos-procuradores-da-Lava-Jato.htm

Procurador da Lava Jato diz que parceria Moro-MPF é 'prática judiciária'


247 - O procurador aposentado Carlos Fernando dos Santos Lima, que foi o decano da força-tarefa da Lava Jato, classificou como "comuns" as conversas de membros do Ministério Público Federal com o então juiz Sérgio Moro na construção da farsa jurídica que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá.

Em entrevista ao jornalista Fausto Macêdo, publicada nesta segunda-feria, 17, no jornal O Estado de S. Paulo, Santos Lima disse acreditar que a divulgação das ilegalidades da Lava Jato pelo site The Intercept Brasil sejam parte de "uma campanha orquestrada", com "objetivo claro de libertar Lula.

Questionado pelo jornal se houve relação ilegal entre o juiz da Lava Jato e a acusação, Santos Lima reagiu com naturalidade. "Essa é uma discussão sem sentido. A relação entre juiz e procuradores, juiz e delegados, juiz e advogados se dá diuturnamente. Questões procedimentais, exposição de pontos de vista e explicação de futuros pedidos são comuns. Somos todos conhecidos, não amigos, de mais de 20 anos. Não há nada de irregular nas conversas. Essa é a prática judiciária. Observo, novamente, que não se pode atestar que essas conversas não tenham sido editadas, motivo pelo qual nada disso significa qualquer coisa relevante", diz ele em um trecho da entrevista.

No trecho mais recente de conversas divulgado pelo Intercept, Carlos dos Santos Lima aparece atendendo a um pedido do então juiz Sérgio Moro para editarem uma nota atacando o ex-presidente Lula e sua defesa na imprensa. Segundo os diálogos, o procurador defendeu "ir direto na jugular" ao construir a falsa narrativa, comprada pela mídia, de que Lula teria coloca a culpa de seu suposto crime na esposa falecida, Marisa Letícia (leia mais no Brasil 247).

Fonte:  https://www.brasil247.com/pt/247/sul/397021/Procurador-da-Lava-Jato-diz-que-parceria-Moro-MPF-%C3%A9-'pr%C3%A1tica-judici%C3%A1ria'.htm

Senadores aprovam convite a Glenn Greenwald

247 - O Conselho de Comunicação Social (CCS) aprovou na tarde desta segunda-feira, 17, convite ao jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept, que tem publicado conversas entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol.

O jornalista irá falar sobre o escândalo da Vza Jato, que revelou que o ex-juiz Sérgio Moro atuou como coordenador do Ministério Público na construção da ação que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso triplex.

A audiência será em 1º de julho.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, irá ao Senado nesta quarta-feira (19) depor sobre as manipulações que fez na condução da Operação Lava Jato, reveladas pelo site The Intercept.

Ele vai tentar se defender da evidência de que cometeu atos ilícitos ao fazer conluio com a Promotoria, prática vedada pela lei e pela ética aos juízes.https://www.brasil247.com/pt/247/brasilia/397010/Senadores-aprovam-convite-a-Glenn-Greenwald.htm

Fonte:

TRF-4 já usou mensagens do Telegram para reforçar condenações


247 - O aplicativo de mensagens Telegram não foi usado apenas pelo ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, para orientar integrantes da Força tarefa da Operação Lava Jato. O aplicativo Telegram já foi utilizado em diversas ocasiões para reforçar condenações aplicadas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), segunda instância da Lava Jato.

Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, em uma de suas decisões, 'o desembargador Thompson Flores integrou à sua sentença o argumento de que o réu mantinha "intensa comunicação por meio de aplicativos velados, a exemplo do Telegram"'.

O desembargador Leandro Pausen também afirmou, durante um julgamento sobre tráfico de drogas, que o réu, processado por tráfico de drogas, se comunicava com os cúmplices diversos meios eletrônicos — o Telegram entre eles — "com o objetivo de "dificultar o rastreamento".

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/sul/396999/TRF-4-j%C3%A1-usou-mensagens-do-Telegram-para-refor%C3%A7ar-condena%C3%A7%C3%B5es.htm

França, Suíça e Bélgica receberão Caravana por Lula Livre Europa

 

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França, Suíça e Bélgica serão os países visitados entre os próximos dias 25 e 28 pela Caravana Lula Livre Europa; a iniciativa, de comitês Lula Livre distribuídos por diversas cidades do mundo, pretende amplificar as denúncias sobre a prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

17 de Junho de 2019 às 14:25

Cláudia Motta (Rede Brasil Atual) - França, Suíça e Bélgica serão os países visitados entre os próximos dias 25 e 28 pela Caravana Lula Livre Europa. A iniciativa, de comitês Lula Livre distribuídos por diversas cidades do mundo, pretende amplificar as denúncias sobre a prisão política do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que em junho completou um ano e dois meses.

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"A Caravana Lula Livre Europa tem o objetivo de fazer um movimento na França e países próximos sobre o que está acontecendo no Brasil. Ao mesmo tempo que falaremos de Lula e de sua perseguição política, abordaremos a fragilidade das instituições brasileiras", afirma a jornalista Maria Luísa Souto Maior, uma das organizadoras do evento. "Desde 2013, o Brasil vem sendo sacudido por uma série de eventos que nos levou até a eleição de Bolsonaro. Achamos que os jornais franceses ficaram, muitas vezes, a reboque da imprensa nacional (Estadão, Globo e Folha principalmente) e não fizeram um trabalho mais elaborado para explicar ao seu leitor como funcionam as instituições brasileiras", avalia Maria Luísa.

"Então começamos a pensar em divulgar ao cidadão francês e europeu a questão do lawfare (guerra jurídica) no caso Lula e de como o Judiciário brasileiro não é uma instituição que respeita a Constituição Federal, não está funcionando de acordo com o Estado democrático de direito", explica a jornalista.

"Lula é corrupto ou não? Essa é a pergunta que mais nos fazem, quando sabem que somos brasileiros", conta a jornalista que vive há 18 anos em Paris. "Por isso estamos organizando a Caravana Lula Livre Europa: para que se discuta o que e como foi criada a operação Lava Jato, seus reais interesses, com quem eles têm relação e ao mesmo tempo falar da perseguição política-jurídica que sofre o ex-presidente Lula."

Caravana cobra respeito à justiça

As informações que vêm sendo veiculadas pelo The Intercept Brasil corroboram a importância da caravana, avalia o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim, um dos responsáveis pela campanha Lula Livre internacional. "Até pouco tempo atrás havia muitas dúvidas na grande mídia europeia e mesmo entre personalidades sobre a questão da condenação injusta, porque há uma tendência natural, e explicável, no mundo inteiro de respeito à Justiça", diz Amorim, lembrando que o primeiro baque real que essa visão sofreu foi o fato de o juiz que julgou e condenou ter sido nomeado ministro.

"Mas com essas revelações feitas pelo Intercept – veículo jornalístico de alta credibilidade –, não há uma peça de mídia internacional que pelo menos não coloque em dúvida, a maioria dizendo que foram cometidas injustiças, que houve uma instrumentação política da Justiça para condenar o presidente Lula", relata o ex-ministro.

"É muito importante esse movimento de solidariedade internacional ao presidente Lula e à defesa da democracia no Brasil", afirma Amorim, destacando que essas duas coisas caminham sempre juntas. "A libertação de Lula é uma questão de justiça, um condenado inocente que foi perseguido e agora está mais claro ainda que isso é fato. Mas também a necessidade do Brasil de manter-se no rumo do diálogo, da democracia em que o povo possa ser representando efetivamente e ter sua voz refletida na voz do presidente Lula."

Para o ex-chanceler, tudo que está ocorrendo no Brasil, torna ainda mais urgente a libertação de Lula para que ele volte a poder participar plenamente da vida política nacional. "Só assim o Brasil pode retomar o caminho de uma verdadeira democracia e evitar muitas dessas barbaridades de absurdos que têm sido cometidos."

Acompanhe a caravana

No dia 25, a Caravana Lula Livre Europa visita a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Paris, para entregar um documento feito por juristas em português, espanhol, francês e inglês, com uma análise da sentença de Sergio Moro e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) nas condenações de Lula. As violações do princípio de presunção da inocência, prevista pela Constituição Federal, fazem parte desse documento que, na manhã seguinte, já em Genebra, na Suíça, será apresentado à alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet.

Enquanto a delegação é recebida pela ONU, nos arredores haverá uma manifestação com batucada, faixas, panfletos. "Em Genebra iremos também à Organização Internacional do Trabalho (OIT), pois Lula foi um trabalhador e sindicalista, e ao Conselho Mundial das Igrejas, visto que o ex-presidente é também um homem de fé e que deseja a conciliação. Entregaremos o mesmo documento a essas entidades", descreve Maria Luísa.

De Genebra a caravana parte para Bruxelas, na Bélgica, para visitar o Parlamento Europeu na manhã do dia 27. Lá também será entregue o documento jurídico e haverá manifestação nas ruas. "A data de 27 de junho não é uma escolha ao acaso, é o dia de reabertura do Parlamento após as últimas eleições europeias", relata a jornalista.

De Bruxelas a caravana parte para Estrasburgo, na fronteira entre França e Alemanha, no dia 28. Lá, o documento será entregue, ainda, à Secretaria Geral do Conselho da Europa. À tarde retornam a Paris.

Teatro parisiense terá cartas a Lula

Além do debate político e jurídico, a Caravana Lula Livre Europa vai contar com eventos culturais.

Para esquentar, um sarau ocorrerá no dia 19, com músicos, cantores, declamações de poesia e venda de comidas e bebidas brasileiras. Será na sede do Partido Comunista Francês, a partir das 19h.

“Uma celebração ecumênica vai reunir todas as religiões e os ateus em torno da questão dos direitos humanos, precário no Brasil e mais ainda no Brasil dessa ultradireita”, critica Maria Augusta. Será no dia 23, às 15h, na Chapelle Saint Dominique-Saint Mathieu, na capital francesa.

No dia 25, início da Caravana Lula Livre Europa, um grande teatro municipal, o Monfort de Paris, receberá o espetáculo Avril-Avril/Lettres à Lula (Abril-Abril/ Cartas à Lula), dirigido pelo dramaturgo Thomas Quillardet com o criador Calixto Neto.

“Vamos contar o ano da história do Brasil que se seguiu à prisão do ex-presidente Lula, a partir de algumas das milhares de cartas que ele recebeu”, relata a historiadora francesa Maud Chirio Zahar. “As cartas são relatos desse ano trágico, mas também histórias de vida, testemunhos de solidariedade, afeto, coragem.”

As cartas serão lidas por cerca de 40 pessoas, a maioria atores profissionais, brasileiros e franceses, mas também músicos ou figuras públicas exiladas do Brasil de Bolsonaro, como Jean Wyllys e Marcia Tiburi. “Além dessas pessoas, que lerão as cartas, o show conta com a participação de dezenas de voluntários: historiadores que contribuíram para selecionar as cartas – no âmbito do projeto Linhas de Luta – cineastas e técnicos que vão filmar, tradutores.”

Muitos artistas participarão do espetáculo, como o cantor Chico Buarque, os atores Antonio Pitanga, Camila Pitanga, Marieta Severo, Renata Sorrah, Inez Viana, os coreógrafos Volmir Cordeiro, Wagner Schwartz, a atriz, cineasta e cantora portuguesa Maria de Medeiros.

“A recepção está sendo muito boa”, conta Maud. “O teatro abre a bilheteria aos poucos, porque todos os bilhetes são reservados em poucas horas após sua disponibilização. A sala de 400 lugares já está quase lotada”, comemora.

Também há grande interessa da mídia, afirma a historiadora. “Haverá uma filmagem do canal público franco-alemão Arte, e jornalistas representando todos os principais jornais franceses estarão presentes.”

Maud ressalta, ainda, a mobilização do mundo da cultura, que pela primeira vez na Europa demonstra num grande evento que está muito preocupado com a situação no Brasil. “O desmantelamento do Estado de Direito, a prisão do Lula, os ataques contra a cultura, os intelectuais, a educação. Através dessa expressão forte e linda que são as cartas pro Lula, toda essa solidariedade está se manifestando.”

Morte de Arthur tirou da inércia

Maria Luísa Souto Maior considera que a morte do neto de Lula, Arthur, aos 7 anos de idade, em março passado, foi a propulsora desse grande movimento.

“A ideia da Caravana germinou durante um bom tempo no Comitê Lula Livre de Paris a partir de pessoas como a militante Suzete de Paiva Lima. No entanto, como é um projeto custoso e que demanda enorme organização, ia sendo protelado”, lembra. “O falecimento do netinho do presidente Lula foi o que nos fez sair da inércia e realizar essa caravana custasse o que custasse.”

A questão do financiamento é um dos principais problemas enfrentados. “Estamos nos autofinanciando e é o que dificulta a divulgação e a realização de mais eventos e a compra de material. Tivemos uma doação de mil euros da Fondation Jean Jaurès na França e a ajuda de alguns simpatizantes da caravana”, explica Maria Luísa. “Também estamos vendendo bolsas e camisetas, mas não é o suficiente para financiar um projeto dessa envergadura. Por enquanto, todos que irão, terão de pagar seu lugar no ônibus e sua estadia. O objetivo é conseguir cobrir o valor total do ônibus que ficou em quatro mil novecentos e sessenta euros. E, para isso, necessitamos urgentemente da ajuda de partidos, simpatizantes, organizações etc.”

Há um site para financiamento participativo e doações são recebidas pela conta da associação Almaa – Action dans le Monde pour l’Amérique Latine et l’Afrique (Ação Global pela América Latina e África) n° 66 143 48 P 020 – La Banque Postale RIB bancário: FR12 2004 1000 0166 1434 8P02 041).

“Estamos convencidos, há bastante tempo, que Lula foi preso exclusivamente por razões políticas. Se trata de um caso de instrumentalização do direito no contexto de uma guerra política”, avalia a professora Maud. “Uma questão muito grave que teve consequências catastróficas para o destino político do Brasil, levando a extrema direita ao poder e ameaçando de morte a Nova República.”

A historiadora ressalta, ainda, a importância de as pessoas tomarem consciência e considerar a prisão de Lula como a do líder africano Nelson Mandela acabou sendo vista nos anos 1980. “E levem a sério essa nova técnica dos ultraconservadores na escala global, que estão numa postura muito ofensiva em muitos países”, alerta.

O que move essas pessoas a, mesmo de tão longe, lutar pela liberdade de Lula? “Não conhecemos pessoalmente o presidente Lula”, relata Maria Luísa. “Uma pessoa da organização o conheceu pessoalmente em Belo Horizonte na época em que se criava o PT e, segundo ela, já era um homem carismático e educado, mas ainda longe de ser o estadista que é hoje.”

Uma carta, assinada pelos participantes da Caravana Lula Livre Europa, será enviada ao ex-presidente. “Com todo nosso carinho, agradecendo a ele por não desistir do projeto de construir uma verdadeira nação no Brasil, apesar de estar em uma situação de sofrimento. E para dizer que apoiamos sua luta por justiça, pois um país sem justiça é um país sem paz social”, diz a jornalista brasileira.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/396998/Fran%C3%A7a-Su%C3%AD%C3%A7a-e-B%C3%A9lgica-receber%C3%A3o-Caravana-por-Lula-Livre-Europa.htm

Economia parada deixa brasileiro refém das dívidas


Inadimplência teve recorde em abril; segundo a Serasa Experian, 63,2 milhões de brasileiros estavam com débito em atraso no mês

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2019 | 04h00

A vendedora autônoma de maquiagem Adriana Barbosa, de 45 anos, conseguiu sair da lista de inadimplentes no ano passado. Mas no início deste ano teve uma recaída. Não pagou a fatura do cartão de crédito, usado na compra de materiais de construção para erguer mais um cômodo da sua casa. Com renda mensal de cerca de R$ 1 mil, Adriana ficou novamente inadimplente. As vendas de maquiagem caíram mais de 50% este ano e a ela também levou o calote. “Meus clientes não me pagaram porque perderam o emprego e isso atrapalhou a minha vida.”


Adriana

A vendedora autônoma Adriana Barbosa voltou a ficar inadimplente este ano, depois de ter limpado o nome em 2018 Foto: JF DIORIO/ESTADÃO

Adriana e outros milhões de brasileiros que conseguiram pagar as dívidas atrasadas nos últimos 12 meses e voltaram a ficar com o nome sujo neste ano são considerados “novos reincidentes” da inadimplência pelos birôs de crédito. Esse é o grupo que tem ampliado a participação no calote neste ano. Entre janeiro e maio, eles eram, em média, 27% do total de inadimplentes. No mesmo período de 2018, essa fatia estava menor, representava 24,9% do total de pessoas com dívidas vencidas e não pagas, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil.

Já o “reincidente velho”, aquele inadimplente que continuou na lista de devedores, deixou de pagar mais uma dívida no período e que responde pela maior parte do calote, reduziu sua participação. Entre janeiro e maio deste ano, esse grupo era 52,2% dos inadimplentes, em comparação a 54,4% no mesmo período de 2018. Enquanto isso, a participação dos inadimplentes que pela primeira vez ingressaram nessa lista ficou estável em 20,6%.

“Sentimos neste começo de ano um aumento mais acentuado desse movimento de pessoas que tinham conseguido sair da lista de inadimplentes e voltaram a não pagar em dia as dívidas”, diz Mariane Schettert, presidente do Igeoc, associação que reúne as 16 maiores empresas de telecobrança, que respondem por 20% do mercado. 

Zigue-zague. Além de todo início de ano ser um período de aperto no orçamento por causa do acúmulo de contas a pagar, o que leva normalmente mais pessoas a se tornarem inadimplentes, neste ano esse movimento está mais forte por causa da estagnação da economia. O zigue-zague de quem conseguiu sair do sufoco em 2018 mas voltou a ficar inadimplente neste ano reflete também os altos e baixos da economia. Após crescer 1,1% em 2018, o Produto Interno Bruto caiu 0,2% no primeiro trimestre e frustrou as expectativas de empresários e consumidores.

A falta de reação da economia neste início de ano é nítida no desemprego, que se mantém em níveis elevados. São 13,2 milhões de trabalhadores fora do mercado. “A inadimplência anda de mãos dadas com o desemprego”, diz Mariane.

Genaro Silva Pimentel, 47 anos, ex-caixa de supermercado, é um exemplo dessa relação Após um ano no emprego, ele foi demitido no mês passado. Pimentel estava há algum tempo no cadastro de inadimplentes. “Ia até acertar as cotas, mas não deu tempo.” Agora, novamente desempregado e com uma rescisão de R$ 2,7 mil no bolso, ele acredita que vai conseguir bancar as suas despesas por mais dois meses, se não conseguir trabalho. “Devo ficar inadimplente mais ainda, não tem como.”

genaro

Genaro Silva Pimentel, que já estava inadimplente, foi demitido no mês passado e acredita que deve atrasar mais contas se não conseguir um novo emprego Foto: JF DIORIO/ESTADÃO

A renda estagnada, a perda de confiança da população e o aumento da inflação, especialmente de alimentos, que atingiu a maior marca em três anos no início de 2019, também contribuíram para o avanço do calote.

“O que mais afetou a inadimplência no início deste ano foi a inflação”, avalia o economista Luiz Rabi, da Serasa Experian, empresa especializada em informações financeiras. “A inflação dos alimentos, que atingiu 3,7% de janeiro a abril, bateu na baixa renda, que é mais vulnerável quando se fala de inadimplência.”

Entre janeiro e maio deste ano, 238 mil famílias engrossaram o grupo dos 3,8 milhões de domicílios que estavam com contas atrasadas ao final de maio, destaca o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Fabio Bentes. No ano inteiro de 2018, 291 mil famílias se tornaram se tornaram inadimplentes.

Recorde. O aumento neste ano do número de consumidores inadimplentes e de dívidas em atraso é apontado por dois birôs de crédito. Em abril, 63,2 milhões de brasileiros estavam com dívidas atrasadas, segundo a Serasa Experian. É o maior contingente de inadimplentes desde o início da série iniciada em março de 2016. São 2 milhões a mais de inadimplentes em relação a abril de 2018.

Segundo a Boa Vista, em maio, o volume de dívidas não pagas aumentou 4,8% em relação a abril, descontados os efeitos típicos do período. Foi a maior alta mensal do número de dívidas não pagas desde maio de 2018 e a terceira elevação mensal seguida.

“Começamos a observar uma mudança de tendência da trajetória da inadimplência”, alerta o economista Flávio Calife, da Boa Vista.

Desde meados de 2018 as pessoas começaram a tomar mais crédito e o endividamento aumentou. Mas a situação financeira do consumidor não está melhorando. Por causa desse descompasso, deve crescer o número de inadimplentes e a recuperação do crédito pode piorar, prevê o economista.

Fonte: https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,economia-parada-deixa-brasileiro-refem-das-dividas,70002876562

Bolsonaro dá mais sinais de que aposta na ruptura, diz jornalista

 

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Rodrigo Vianna - O escândalo da #VazaJato não foi o único movimento importante a mostrar o rearranjo das forças que apoiam o governo de Jair Bolsonaro. Na mesma semana, o presidente fritou Santos Cruz (representante da ala militar não extremista, o general foi demitido da Secretaria Geral de Governo por se recusar a abrir os cofres estatais pra financiar o olavismo) e humilhou Joaquim Levy (liberal e privatista, o economista foi afastado do BNDES por não instalar uma caça às bruxas no banco, como pedem os bolsonaristas radicais, incluindo Paulo Guedes).

Os dois últimos episódios indicam que Bolsonaro caminha para se "encastelar" num governo minoritário (com apoio de 25% ou 30% do eleitorado), que prioriza o discurso do "contra tudo e contra todos" e do combate ao "sistema" e aos "políticos". Um governo que não vê problemas em criar arestas com militares e empresários, acreditando que a postura beligerante o credencia como único representante orgânico da direita.

Fica evidente que o fim desse processo é crise institucional grave. Todos sinais apontam nesse sentido.

Importante também é notar que Sergio Moro, que tinha agenda própria e imagem até mais ampla do que a de Bolsonaro (o ex-juiz dialogava com o centro liberal e até com setores da esquerda udenista), passa agora a ser sócio da mesma lógica anti-sistema.

Moro se desmoralizou de forma definitiva entre formuladores e operadores do Direito. Perdeu apoio também na mídia (com exceção da Globo, temerosa pelo que os vazamentos possam revelar sobre os intestinos da empresa). E, para sobreviver, dependerá cada vez mais de um subtexto extremista e cínico que se espalha nas redes: "ah, dane-se a Constituição; o objetivo era destruir PT e Lula, então o juiz não podia seguir as regras normais".

Moro passa a depender também da rede subterrânea de apoios de Bolsonaro, que produz um discurso infantilizado e violento no Twitter e no Whatapp. É isso que permite ao ex-juiz trocar de justificativa diante das evidências claras de que manipulou a Lava-Jato: primeiro, disse que não havia "nada demais ali" nos vazamentos (reconhecendo autenticidade do material); depois, encampou a tese da Globo dos "hackers" a adulterar mensagens; agora, simplesmente afirma que não reconhece as mensagens vazadas.

A oscilação discursiva faz com que Moro mude de posição no debate: de juiz "correto" e sóbrio, passa a um político sócio do discurso da extrema-direita no Brasil. Isso, talvez, lhe dê força para sobreviver ao escândalo, fabricando uma realidade paralela sob a lógica de que "ninguém prova que escrevi nada para os procuradores". E mesmo que fique essa dúvida, Moro se refugia na ideia de que estava cumprindo o que o antipetismo queria, ou seja, abrindo caminho para a derrota de Lula. Bolsonaro mesmo já disse isso, que Moro foi decisivo pra barrar o PT.

O ex-juiz, portanto, deixa de ser o "superministro" que legitima Bolsonaro. E vira um político legitimado pelo bolsonarismo.

O mesmo ocorre com Paulo Guedes. No dia em que o relator Samuel Moreira (PSDB) leu seu texto para a Previdência (mudando vários pontos da proposta original do governo, mas articulando os votos necessários pra fazer a reforma andar), o ministro da Economia partiu pra cima do Congresso. Muita gente viu na ação de Guedes um movimento desastrado. Parece-me que não se trata disso.

O ataque ao Congresso e, ao mesmo tempo, a fritura de Levy jogam na linha do governo "encastelado". A Capitalização pretendida por Guedes na Previdência (e enterrada no relatório de Moreira) é mudança tão radical e perigosa que só seria possível sob a égide de rompimento ou de "refundação" institucional. E isso hoje no Brasil só se faz à força.

Moro e Guedes passam a atuar nessa trincheira. O general Heleno, com seus murros na mesa, indica o mesmo caminho. O quadro é grave e perigoso. E se aprofunda quando o presidente vai a um evento militar no sul do país e defende "o povo armado" (milícias?)...

A essa altura, já está claro que Bolsonaro não será capaz de entregar o que a maior parte do eleitorado esperava dele: um país mais seguro, com empregos de volta e serviços de mais qualidade na saúde e educação. Diante disso, só resta ao capitão fabricar inimigos, culpar o "sistema" e apostar no confronto.

Conta, pra isso, com o porão das Forças Armadas e das polícias, com os setores extremistas das igrejas evangélicas e com um lúmpen empobrecido nas grandes cidades que segue a acreditar no discurso fácil do bolsonarismo.

A economia não vai melhorar. No curto prazo, Bolsonaro tende a perder mais apoio... mas parece apostar nesse núcleo radicalizado que permitirá, logo mais à frente, partir para um tudo ou nada: ou Bolsonaro cai, ou fecha o regime e aprofunda o autoritarismo. É isso o que indicam os movimentos aparentemente desconexos da semana que passou.

Do "lado de cá", ou seja, entre os setores democráticos, há dois movimentos em paralelo:

– a centro-direita, liderada por Rodrigo Maia, rompeu qualquer ilusão de "pacto" e tenta avançar a agenda da Previdência (o que tira parte do discurso de Bolsonaro, de que o "sistema" não lhe deixa governar);

– a centro-esquerda segue a ampliar apoios nas ruas, incorporando setores moderados que parecem já enxergar o risco de Bolsonaro para a Democracia, para o bolso dos aposentados e para o futuro dos estudantes.

Esse duplo movimento indica que Bolsonaro chegará ao momento do "tudo ou nada" mais isolado do que a centro-esquerda. Se minha aposta estiver correta, em seis meses ou um ano, viveremos uma grave crise institucional. E, para derrotar o campo extremista, será necessário construir uma ampla frente democrática.

O "Lula Livre" (ilude-se quem pensa diferente) só poderá se completar quando esse momento chegar, ampliando essa frente até setores da direita (no STF, no Congresso e na mídia) que em 2016 jogaram no golpe...

Há seis meses, eu diria que a extrema-direita teria mais chances de se impor num confronto assim. Hoje, parece-me que a balança já pende – ainda que de forma leve – para o lado das forças democráticas. Será preciso luta, sabedoria e amplitude pra evitar o pior.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/397001/Bolsonaro-d%C3%A1-mais-sinais-de-que-aposta-na-ruptura-diz-jornalista.htm