sábado, 17 de novembro de 2018

Desdolarização a todo vapor: como Rússia 'obriga' Europa a desistir da moeda americana


Dólar investimento


Marcello Casal/Agência Brasil

Economia

10:04 17.11.2018(atualizado 10:15 17.11.2018) URL curta

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As últimas informações da mídia sinalizam que a Rússia se dedicou a sério a eliminar o dólar da sua economia. Cada vez mais países e empresas estão se envolvendo no processo, o que ameaça o dólar americano, opina o colunista Ivan Danilov.

O mais importante é que, desta vez, a Rússia decidiu promover a desdolarização nos setores mais sensíveis do comércio mundial: os hidrocarbonetos e as armas, destaca o analista.

Instalação de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Yamal, na Rússia

© Sputnik / Mikhail Voskresensky

Inverno nos EUA pode levar o país a importar gás liquefeito da Rússia?

Danilov lembra que o presidente russo se expressou a favor do processo em várias ocasiões frisando que o "quando as empresas russas encontrarem instrumentos que as ajudem a substituir o dólar no comércio, virão maus tempos para a moeda norte-americana".

O analista considera que hoje já podem ser vistos os primeiros sinais do trabalho que as grandes empresas russas estatais ou apoiados pelo Estado estão realizando para resolver o problema.

Assim, a agência Reuters escreveu que os gigantes energéticos russos "estão pressionando seus parceiros ocidentais" para que paguem em euros em vez de dólares e tentam introduzir nos contratos condições que permitam sancionar os compradores que decidam não pagar pelo petróleo ou não aceitar o fornecimento por medo das sanções americanas.

Ou seja, as empresas russas seguem o princípio take or pay (tome ou pague), segundo o qual, um comprador deve ou comprar e pagar o produto ou pagar uma multa pelas remessas que recusou, quaisquer que sejam as condições.

Trabalhador soldando tubos do gasoduto TurkStream (imagem de arquivo)

© Foto: TurkStream

EUA perdem disputa no setor energético para a Rússia?

Para Danilov, o mais interessante é o fato de as previsões pessimistas de muitos analistas e economistas sobre os danos que a desdolorização poderia causar à Rússia não se concretizarem.

O colunista acha que os parceiros ocidentais não têm outro remédio senão aceitar as condições dos exportadores russos de combustíveis por uma razão:

"Mesmo que não a Rússia não tenha o monopólio no mercado de petróleo, é muito caro ou muito difícil substituir a quantidade de combustíveis fornecida pela Rússia, ou seja, é mais difícil do que aceitar as condições russas. Por vezes, [essa substituição] é praticamente impossível, especialmente quando uma parte significativa da indústria de refinação petroleira europeia está condicionada a trabalhar com o petróleo russo", explicou Danilov à Sputnik.

Obstáculos no caminho

Porém, assinala o autor, o bom início não significa que a desdolarização seja um processo fácil e avance sem obstáculos.

Para se proteger do possível impacto das novas sanções dos EUA e de outros riscos, o gigante russo Gazprom tomou uma medida de precaução.

Segundo a Reuters, a empresa conseguiu emitir títulos internacionais eurobonds, em um valor de mais de um bilhão de dólares, que podem ser pagos em euros e outras moedas alternativas ao dólar.

"Agora, mesmo que neguem à Gazprom o acesso ao sistema de dólares, o gigante poderá reembolsar a dívida em euros, rublos ou outra moeda", detalhou o colunista.

Quando a Índia firmou o contrato de compra dos sistemas antiaéreos russos S-400 em rublos, o passo foi considerado um duplo fracasso para a diplomacia norte-americana, opina Danilov.

"Por um lado, a ameaça de sanções americanas pela compra de armas russas não deu certo, por outro lado os indianos ainda 'deitaram mais lenha na fogueira' ao firmar um contrato em outra moeda" frisa o autor.

Notas e cartões de crédito russos (foto referencial)

© Sputnik / Vladimir Trefilov

Jornal americano destaca sucesso da Rússia na redução da dependência do dólar

Estas movimentações são apenas o início. O canal CNBC informou que outros 13 países estão interessados em comprar os sistemas de defesa antiaérea russos S-400, apesar das restrições estadunidenses, entre eles a Arábia saudita, Qatar, Argélia, Marrocos, Egito e Vietnã.

O maior problema para os EUA neste caso, ressalta Danilov, é que não poderão impedir a compra já que, em caso de serem ameaçados, os países poderão seguir o exemplo da Índia e firmar o contrato em rublos.

"Se estes países estão prontos a arriscar e a provocar a fúria de Washington para comprar armas russas (até em rublos), então os EUA de fato têm sérios problemas em preservar a hegemonia financeira e militar no mundo", concluiu.

Fonte: https://br.sputniknews.com/economia/2018111712697100-desdolarizacao-russia-europa-petroleo-dolar/

Autoridades dos EUA confirmam Putin que Trump está se preparando para a tomada militar dos Estados Unidos


Um impressionante novo relatório do Conselho de Segurança (CS)  afirma que a breve reunião do Presidente Putin com o vice-presidente americano Mike Pence e com o conselheiro de segurança nacional dos EUA John Bolton confirmam os piores receios da Rússia de que o presidente Trump está em preparação  uma tomada de poder brutal dos Estados Unidos como, de acordo com esses altos funcionários dos EUA, o único juramento de Trump é "preservar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos" - um documento chamado "Alma da América" ​​que está sob ataque de Forças esquerdistas radicais tentando destruir Trump - e cuja ameaça contra ele se tornou terrível depois das eleições de 2018, revelou que a América está em uma guerra civil fria, e agora é um país fundamentalmente dividido em dois, sem espaço real para qualquer diálogo.

O presidente russo, Vladimir Putin (à esquerda) recebe a confirmação, em 15 de novembro de 2018, do conselheiro de segurança nacional dos EUA John Bolton (centro) e do vice-presidente dos EUA, Mike Pence (à direita) que o presidente Donald Trump está se preparando para a tomada de poder militar dos Estados Unidos.



De acordo com este relatório, em uma reunião anterior com o vice-presidente Pence e o conselheiro de segurança nacional Bolton antes da Cúpula do Leste Asiático, o presidente Putin desconsiderou essas altas autoridades americanas a respeito de por que os Estados Unidos estavam repatriando enormes quantidades de equipamentos e armas militares. Europa, e se esta ação inexplicável estava relacionada com o Presidente Trump se retirando misteriosamente do mundo na semana passada.


Em silêncio, este relatório continua, essas duas altas autoridades americanas confidenciaram ao presidente Putin que o presidente Trump está agora focado apenas em manter seu juramento de proteger a Constituição dos EUA - e embora suas palavras exatas permaneçam mais altamente classificadas do que este relatório geral permite ser ao escrevermos abertamente, uma pista sobre o que eles revelaram transpareceu (deliberadamente, pensamos) por este relatório, observando que o vice-presidente Pence disse as palavras para Putin: "Donny sabe o que está acontecendo também".

Apesar de virtualmente despercebido pelas massas de cidadãos americanos, este relatório detalhava, durante a semana anterior às eleições de 2018, um evento desconhecido quando as forças militares da Reserva do Exército dos EUA se uniram ao departamento de polícia de Arlington Heights-Illinois nos arredores de Chicago a realizar um exercício de guerra urbana - uma violação da Lei Posse Comitatus que proíbe as forças militares dos EUA de realizar operações policiais civis nos Estados Unidos.

O único porta-voz da mídia que notou este exercício de treinamento de guerra, observou o relatório, foi um convidado frequente do programa noticioso Morning News chamado Joe Donny Deutsch - um multi-milionário ex-executivo de publicidade judeu-americano que foi a Down pela Morning Joe receber Joe Scarborough por seu apoio a Israel, e uma vez chegou perto de lutar contra Scarborough no ar.

Mais crítico para saber sobre Donny Deutsch, no entanto, detalhes deste relatório, é que ele é um dos mais conhecidos amigos do presidente Trump, com sua aparição na série de reality show de Trump The Apprentice por três temporadas - é freqüentemente visto na companhia da ex-esposa de Trump Marla Maples (a mãe da filha de Trump, Tiffany) - e que, ontem, declarou na televisão nacional que Trump chamaria os militares para manter o poder afirmando que “nós temos que olhar para esse homem… ele realmente faria isso… ele diria, não não não. Eu ainda estou aqui ... ele se voltaria para 50 milhões de americanos e diria que eu ainda sou seu presidente e este é o meu novo governo ”- para o qual Trump respondeu imediatamente por enigmática Tweeting:“ Essas pessoas, como o Antifa - é melhor esperar que a oposição a Antifa decide não se mobilizar. Porque se o fizerem, são muito mais difíceis. Muito mais fortes. Potencialmente muito mais violento. E Antifa vai estar em apuros ”.

Embora as palavras sozinhas, é claro, não justifiquem a preparação do presidente Trump para a tomada da América pelos EUA, continua o relatório, suas ações certamente o fazem - como se preparar para sacudir toda a estrutura de comando de seus principais generais - como a demissão do general Joseph Votel, do Exército dos EUA, que comanda as forças militares americanas no Afeganistão, Iraque e Síria - a Rússia criticou Trump e não obedecer a ordens - e com quem Trump não fala mais.

A razão pela qual o presidente Trump está eviscerando seu comando de liderança militar total, explica o relatório, pode ser encontrada em dois relatórios recém publicados - um do Instituto Watson para Assuntos Internacionais e Públicos da Universidade Brown intitulado “Custos Orçamentários dos Estados Unidos de 11 guerras até o ano fiscal de 2019: US $ 5,9 trilhões gastos e obrigados ”- e a outra da Comissão Nacional de Estratégia de Defesa, um grupo de 12 ex-oficiais de segurança republicanos, democratas e nacionais, escrito para o Congresso dos EUA intitulado“ Providing for the Common Defense: The Assessments e Recomendações da Comissão de Estratégia de Defesa Nacional ”.

Combinados, este relatório aponta que esses chocantes documentos oficiais de segurança nacional dos EUA mostram que os EUA gastaram ou são obrigados a gastar US $ 5,9 trilhões em guerras no Afeganistão, Iraque e em outros lugares desde 2001, mas cujo único benefício são os Estados falidos em todos os países que os EUA invadiram deixaram mais de 480.000 mortos como resultado direto dessas guerras nas quais os EUA estiveram envolvidos, além de mais de 10 milhões de civis que foram deslocados em seus países de origem ou se tornaram refugiados no exterior - e com os EUA hoje conduzindo operações de contraterrorismo em 76 países ao redor do mundo, agora esses especialistas alertam que os EUA poderiam potencialmente perder uma guerra com a Rússia ou a China - uma situação perigosa que não deve melhorar, como o Exército dos EUA acaba de reportar. não cumpriu suas metas de recrutamento.

Com Trump tendo declarado corretamente antes de se tornar presidente que os US $ 6 trilhões gastos nessas guerras desnecessárias poderiam ter reconstruído a América duas vezes, este relatório continua, não demorou muito para os especialistas militares russos perceberem que após sua posse, Trump começou a implementar o plano militar total de seu Exército - que forçou as forças da Reserva do Exército dos EUA, do Active Duty e da Guarda Nacional a lutarem juntas como “uma máquina bem lubrificada” - e que agora são colocadas nas chamadas Unidades Ready Force X que podem ser rapidamente implantadas aos milhares, ou dezenas de milhares, a qualquer momento.

O primeiro desdobramento da Unidade Ready Force X encomendado pelo presidente Trump para testar este conceito do Exército Total, detalhou o relatório, acaba de ocorrer com tropas do Exército Americano trabalhando como “uma máquina bem lubrificada” com a Guarda Nacional para apoiar a polícia federal dos EUA e forças na fronteira mexicana - e que, ontem, foram inspecionadas pelo secretário de Defesa James “Mad Dog” Mattis, que disse a essas tropas sob seu comando que seu desdobramento era análogo ao desdobramento de forças militares dos EUA em 1916 para combater o revolucionário mexicano. Francisco “Pancho” Villa - mas hoje é uma situação muito mais grave já que as drogas vindas do México mataram mais pessoas nos EUA do que armas, acidentes de carro e suicídio juntos, e cuja morte total também, desde 1999, agora soma mais de 700.000 .

O secretário da Defesa dos EUA James “Mad Dog” Mattis (centro, usando gravata roxa) inspeciona as tropas da Unidade da Força X prontas na fronteira EUA-México em 14 de novembro de 2018



Indo virtualmente despercebido entre o povo americano sobre as forças militares da Unidade Operacional Ready Force X do Presidente Trump, este relatório diz que sua única razão para ser é para uso doméstico - como o que eles estão fazendo agora para garantir a fronteira EUA-México e , como examinado há apenas algumas semanas fora de Chicago, trabalhando com as autoridades civis para extinguir ameaças armadas.


Para qualquer esperança existente de que o presidente Trump possa efetivamente trabalhar com seus esquerdistas do Partido Democrata para reprimir o crescente caos na América antes que ele tenha que ordenar uma tomada militar para proteger sua Constituição, conclui-se este relatório, parece ter sido tudo mas destruído - e é devido a novos membros do Partido Democrata para o Congresso dos EUA agora estar "vestindo um olhar familiar de terror" como eles tinham ganhado suas eleições, prometendo seus eleitores que eles não apoiariam radical esquerdista norte-americana Deputada Nancy Pelosi - mas que estão sendo ordenados a fazê-lo de qualquer maneira, fazendo com que o congressista Tim Ryan do Partido Democrata lamente: “Então você quer jogar um de nós mesmos que prometeu a seus constituintes, que acabaram de votar neles, em uma enorme eleição, e seu objetivo é levá-los a mentir em seu primeiro ato no Congresso? Eles não estarão no Congresso por mais de uma hora, e nossos líderes estão pedindo para eles mentirem? ”- portanto, não é de admirar que Trump tenha que lutar contra esses mentirosos com tudo o que tem antes de destruir qualquer outra coisa - e por que ele está declarando que ele pode banir todos os mentirosos da mídia da Casa Branca para sempre.

“A décima terceira emenda à Constituição dos Estados Unidos foi promulgada em 1865 pela lei marcial. A décima quarta emenda foi decretada em 1868 pela lei marcial. A décima quinta emenda foi decretada em 1870 pela lei marcial. ”


No caso de alguém querer saber quão efetivamente a lei marcial tem sido usada pelos Estados Unidos no passado para proteger sua Constituição.


WhatDoesItMean.Com.

Fonte:https://undhorizontenews2.blogspot.com/

As forças armadas dos EUA estão em "crise"


Novo relatório: as forças armadas dos EUA estão em "crise" e podem perder uma guerra com a China ou a Rússia

Mac Slavo
SHTFplan.com

16 de novembro de 2018

Um novo relatório está dizendo que os militares dos Estados Unidos chegaram ao modo de crise. O país poderia "lutar para vencer" ou tão facilmente perder uma guerra para a Rússia ou a China.

Os EUA “poderiam sofrer baixas inaceitavelmente altas e perder grandes bens de capital em seu próximo conflito”, diz a Comissão Nacional de Estratégia de Defesa, segundo a NBC News. A histórica supremacia militar dos EUA se deteriorou drasticamente, deixando o país provavelmente incapaz de combater mais de uma guerra de cada vez, de acordo com um relatório divulgado na quarta-feira.

"NOS. a superioridade militar não é mais garantida e as implicações para os interesses americanos e a segurança americana são severas ”, disse o relatório, emitido pela Comissão Nacional de Estratégia de Defesa, uma agência independente cujo conselho é nomeado pelos comitês da Câmara e do Senado. O relatório conclui que o Departamento de Defesa não está financeiramente (prepare-se para a solução: impostos mais altos) ou estrategicamente configurado para travar duas guerras ao mesmo tempo e pode até perder uma guerra contra a China ou a Rússia individualmente.

Johnny Michael, porta-voz do Departamento de Defesa, disse que a agência acolheu o relatório, chamando-o de "um forte lembrete da gravidade dessas questões e um chamado à ação".

"O departamento considerará cuidadosamente cada uma das recomendações apresentadas pela comissão como parte dos esforços contínuos para fortalecer a defesa de nossa nação e espera trabalhar com a comissão e o Congresso para fazê-lo", disse ele. -NBC News

"A China e a Rússia, buscando a hegemonia regional e a projeção de poder global, estão buscando obras militares destinadas a neutralizar os pontos fortes dos EUA", escreveu o ex-subsecretário de Defesa Eric Edelman, co-presidente da comissão. Ao mesmo tempo, "os Estados Unidos enfraqueceram significativamente sua própria defesa devido a disfunções políticas e decisões tomadas tanto por republicanos quanto por democratas", escreveu ele, citando cortes orçamentários de defesa "com pronunciados efeitos prejudiciais no tamanho, modernização, e prontidão das forças armadas ”.

"NOS. as forças precisarão de recursos adicionais para treinar para altos níveis de proficiência em uma gama mais ampla e mais desafiadora tecnologicamente de missões potenciais do que no passado recente, particularmente aquelas que enfocam ameaças militares avançadas da China e da Rússia ”, escreveu a comissão, de acordo com o relatório. relatório da NBC News.

O relatório concluiu com um aviso de medo:

"Os custos de não atender à crise de defesa nacional e segurança nacional dos Estados Unidos não serão medidos em conceitos abstratos como 'estabilidade internacional' e 'ordem global'. Eles serão medidos em vidas americanas, tesouro americano e segurança e prosperidade americanas perdidas". . Será uma tragédia - de magnitude imprevisível, mas talvez tremenda - se os Estados Unidos permitirem que seus interesses nacionais e segurança nacional sejam comprometidos por falta de vontade ou incapacidade de fazer escolhas difíceis e investimentos necessários. Essa tragédia será ainda mais lamentável porque está ao nosso alcance evitá-la ”, disse o painel.

Fonte: https://undhorizontenews2.blogspot.com/

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Venceu a insensatez


Uma tragédia para a vida e a saúde de 30 milhões de brasileiros.

Um caos para a organização do SUS, que depende da atenção básica para coordenar o acesso às redes regionais e garantir a universalidade e a integralidade da saúde.

Colapso no sistema de saúde nas 2.885 prefeituras que participam do programa e contam com médicos cubanos, em particular em 1.575 municípios, a maioria com menos de 20 mil habitantes, distribuídos em todas as regiões do país e que dependem exclusivamente dos médicos do Programa Mais Médicos (PMM).

Um vexame internacional que abala a relação do país com a Organização Pan-Americana de Saúde (OMS) e que desencadeará um cenário de desconfiança generalizada nas relações com outros países, parceiros do Brasil em inúmeros projetos na área da saúde.

Sem mais de 8.500 equipes de Saúde da Família completas com médicos cubanos, voltaremos ao dramático quadro vigente até 2013. Antes do Mais Médicos, brasileiros que viviam em áreas de alta vulnerabilidade não tinham acesso às ações de promoção, prevenção, diagnóstico e tratamento. Estavam à própria sorte ou eram obrigados a procurar PS ou hospitais para cuidados básicos.

A atenção básica é capaz de resolver mais de 80% dos motivos que levam alguém a procurar serviços de saúde. Tudo isso será perdido e quem pagará a conta serão os que mais precisam do SUS, graças ao total despreparo do presidente eleito, incapaz de medir suas palavras.

Aos que festejam o rompimento da parceria do Ministério da Saúde com a OPAS e Cuba, certamente por nunca terem tido problemas para conseguir uma consulta médica em suas vidas, é preciso relembrar que as UBS onde estão lotados os médicos cubanos estão localizadas na floresta amazônica, nas aldeias indígenas, no semiárido nordestino, nos municípios do G-100, quilombolas e povos ribeirinhos, no Vale do Ribeira, Vale do Jequitinhonha e na periferia dos grandes munícipios brasileiros.

Lugares onde os médicos brasileiros não querem ir. Os argumentos utilizados são falácias corporativas. A maioria dos médicos brasileiros não querem e não sabem fazer atenção básica. Foram formados apenas para serem especialistas, num modelo elitista, restritivo e sem compromisso social. Não tem nenhuma preocupação com os 30 milhões de brasileiros que ficarão sem nenhum atendimento médico.

Fingem querer uma carreira de Estado, mas sabemos todos que não largarão seus consultórios particulares para se embrenharem Brasil afora. Nem o presidente eleito alocará mais recursos para isso, como deixou claro essa semana. Aliás, o orçamento aprovado para 2019, graças a EC-95 (teto dos gastos), será quase 2 bilhões menor do que o de 2108, incapaz até de recompor a inflação e manter o que hoje já precariamente funciona.

Acompanhei a chegada dos médicos cubanos como Ministro da Saúde. Todos tinham mais de 10 anos de formados. Todos tinham residência em medicina geral e comunitária, mais de 50% uma segunda especialização e 40% tinham pelo menos mestrado. Além disso, os dois mil primeiros que vieram ao Brasil já tinham participado de pelo menos uma missão no exterior.

Bolsonaro, ao lançar desconfiança pública sobre a capacidade e veracidade da formação médica dos cubanos e impor mudanças na forma de contratação e funcionamento do PMM de forma unilateral, autoritária e inconsequente, desrespeitando os canais de negociações estabelecidos e a soberania do país parceiro, implodiu o PMM e junto com ele o SUS e a esperança de milhões de brasileiros.

As ações do PMM voltadas à abertura de novas escolas médicas só garantirão número de médicos brasileiros formados em quantidade suficiente a partir de 2026 para suprir nossas necessidades. Portanto, é inconsequente a postura do presidente eleito que culminou nessa decisão do governo cubano sem sequer se preocupar com um plano alternativo.

Mais inconsequente e risível ainda é a proposta do quase-indicado para o comando do Ministério da Saúde (quase, já que os problemas enfrentados como ex-gestor municipal de saúde em Campo Grande parece que não permitirão que seja alçado ao cargo), que liderou incansavelmente os ataques ao PMM no Congresso Nacional nos últimos anos. Agora, sugere o serviço médico militar obrigatório para os recém-formados. Será interessante assistir aos médicos que lideraram a oposição ao PMM verem seus filhos trabalharem por 3 anos em favelas, aldeias indígenas, e quilombolas... Talvez mudem para Miami ou peçam aos colegas cubanos que voltem com urgência...

Portanto, o que têm a comemorar os opositores do PMM? Bolsonaro e seus apoiadores serão responsabilizados pelo aumento da mortalidade infantil, materna, por hipertensão, diabetes, doenças respiratórias e outros problemas sensíveis à atenção básica que serão profundamente afetados com o fim do PMM.

É um crime contra quem mais precisa de saúde. É uma lástima terminar assim um programa reconhecido e elogiado internacionalmente e que, como tem sido demonstrado por inúmeros estudos, pesquisas e teses, teve um impacto excepcional sobre a saúde do povo brasileiro.

Venceu a insensatez. Perde o Brasil. Só me resta pedir aos médicos e ao povo cubano desculpas e agradecê-los por tudo que fizeram por nossa gente.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/geral/375229/Venceu-a-insensatez.htm

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

CAPACITAÇÃO DOS MEMBROS DO COMITÊ DE BACIA DO ACARAÚ


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Cruz. Aconteceu, nos dias 13 e 14 de novembro, uma capacitação para os membros do Comitê de Bacia Hidrográfica do Acaraú promovido pela COGERH-Sobral sobre Saneamento Básico. O evento foi realizado no Hotel Ytacaranha de Serra, em Meruoca, um lugar tranquilo e aconchegante, rodeado de belas paisagens, com clima ameno e agradável.

Durante o evento, aconteceu a 51ª Reunião Ordinária com a Pauta: Prioridades de Demandas para o Governo do Estado.

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Durante o evento aconteceram as seguintes palestras: Saneamento Básico - Conceito e Legislação – proferida pela Engenheira Ambiental, Técnica em Ambiente e Professora do IFCE Letícia; Papel do CBH na sociedade dentro da Política de Saneamento do Estado e dos Munícipios (reflexão) Kamylle Prado – COGERH de Sobral; Apresentação do Plano Municipal de Saneamento Básico do Munícipio de Jijoca de Jericoacoara – Felipe Pereira/ Prefeitura Municipal de Jijoca de Jericoacoara e os Planos Municipais de Saneamento Básico de Cariré, Forquilha, Massapê e Santana do Acaraú - palestrante Mariângela Laydner – Consultora da Secretaria das Cidades.

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De acordo com a Lei Nº 11.445/2017, alterada pela Medida Provisória 844/2018, Saneamento Básico é um conjunto de serviços, infraestrutura e instalações operacionais, da Política Nacional de Saneamento Básico, e apoia-se em quatro eixos: Abastecimento de Água Potável, Esgotamento Sanitário, gerenciamento de Resíduos Sólidos e Drenagem Urbana e Manejo de Águas Fluviais.

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Uma capacitação de um conteúdo muito rico e esclarecedor. Um tema bastante oportuno, pois, os municípios brasileiros estão construindo seus planos de Saneamento Básico Municipal.

Vários municípios do Ceará já têm agendado Audiências Públicas sobre Saneamento Básico com destaque para os Municípios de Irauçuba (26/11), Cariré (27/11), Forquilha (28/11), Massapê 29/11) e Santana do Acaraú (1º/12).

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O CBH-Acaraú e a COGERH-Sobral solicitam o empenho de todos os Prefeitos destes municípios para mobilização em seus municípios, fazendo uma ampla divulgação através da Câmara Municipal, Secretárias Municípais, Federações e associações, Sindicatos, Escolas, Agentes de Saúde e Endemias, Rádios locais e mídias sociais.

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A participação da sociedade é muito importante nestes eventos, pois, é fundamental que a população seja esclarecida para melhor contribuir com a elaboração do Plano de Saneamento Básico do Município.

Dr. Lima

Membro do CBH-Acaraú

Bolsonaro troca mais médicos por mais doentes


Cinco anos depois de terem desembarcado no país, como força principal do programa Mais Médicos, os médicos cubanos iniciam o caminho de volta a seu país. Criando exigências artificiais para sua permanência no país, Jair Bolsonaro criou uma situação insustentável para o governo cubano. Hoje, o Ministério da Saúde de Cuba anunciou que os médicos do país irão retirar-se do Brasil.

Você pode ter a opinião que quiser sobre o regime cubano e também pode criticar o tratamento que os médicos daquele país recebem quando se deslocam para o estrangeiro. Eles não recebem o salário integral pago pelo governo brasileiro. Também não têm direito a mudar-se para cá com suas famílias.

O ponto fundamental aqui é outro. Trata-se do prejuízo que essa decisão, forçada por Bolsonaro, que sequer tomou posse, irá causar para a maioria da população, em especial das famílias mais pobres, de cidades mais distantes. Nas cidades com menos de 10 000 habitantes, mais pobres, menos equipadas, o Mais Médicos recebiam por 48% do atendimento básico.

Atingindo 63 milhões de brasileiros, o programa conseguia combater doenças na fase inicial, evitando tratamentos caros e desnecessários -- além de poupar vidas.

Em 2014, no último levantamento disponível, dos 14 900 médicos envolvidos no programa, nada menos que 11 400 eram cubanos.

Só para você ter ideia da avaliação desse trabalho, um projeto do governo Dilma, lançado em 2013, ano em que a população dizia que queria uma saúde "padrão FIFA" em imensos protestos realizados no país inteiro. Num levantamento feito em 2017, junto a 14 000 pessoas em 700 municípios, 94% dos entrevistados se disseram muito satisfeitos ou satisfeitos com o atendimento recebido -- de graça, sem tirar um tostão do bolso.

Essa aprovação reflete o saldo positivo de uma transição na saúde pública brasileira. Historicamente destinada a atender as camadas mais endinheiradas da população, o atendimento médico sempre esteve disponível -- para quem podia pagar --,  nos grandes centros. Enquanto isso, 15% dos municípios não dispunham de um único médico. Outros 2 000 possuíam 1 para cada 3000 habitantes -- o padrão da Organização Mundial de Saúde é de 1 para cada 2 000. A partir do Mais Médicos, surgiram novas vagas 5 306, em sua maioria nestes locais, em oferecendo residência em especialidades ligadas a saúde pública.

Em seu desembarque, os primeiros médicos cubanos foram recebidos com agressividade e manifestações repulsivas -- inclusive cusparadas em aeroporto -- por lideranças das corporações médicas, mobilizadas na defesa de um modelo privado e excludente de medicina. Cinco anos depois, essa é a plateia que Bolsonaro procura agradar ao fazer exigências consideradas inaceitáveis pelo governo cubano, embaladas por um discurso supostamente humanitário,  que teria 0,1% de credibilidade demonstrasse a mesma preocupação com a população que será prejudicada.

Para o novo presidente, o ataque ao principal núcleo profissional do Mais Médicos, com uma experiência elogiada pelos principais organismos internacionais, inclusive a Organização Mundial de Saúde, obedece a um objetivo político óbvio.  Eliminar todo vestígio das conquistas e benefícios deixados pelos governos Lula e Dilma.

É bom reconhecer que nem tudo foi nem será perdido. Os novos cursos de medicina prosseguem, novos profissionais seguirão sendo formados.

Para a população atingida, o efeito é uma derrota da cidadania..  Sem os profissionais que até aqui foram a alma do programa, o país vai assistir ao retorno do modelo antigo da medicina como mercadoria e não como direito, no qual o atendimento médico é um favor acessível a poucos, oferecido e barganhado troca num universo de clientelismo e apadrinhamento que marca o pior do sistema político brasileiro.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/375156/Bolsonaro-troca-mais-m%C3%A9dicos-por-mais-doentes.htm

Celso Amorim: novo chanceler coloca o Brasil na Idade Média


Do Brasil de Fato - O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou, na tarde desta quarta-feira (14), a indicação do diplomata Ernesto Fraga Araújo para o cargo de ministro das Relações Exteriores de seu governo. A indicação vem sendo questionada devido à inexperiência e opiniões polêmicas e conservadoras de Araújo.

Entre os posicionamentos controversos do diplomata, estão uma grande admiração ao antiglobalismo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o rechaço a valores considerados por ele "decadentes", como "democracia", "cooperação", "tolerância" e o "politicamente correto" –opiniões emitidas por Araújo no artigo "Trump e o Ocidente", publicado numa revista especializada em 2017.

Para o ex-Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que atuou durante dois períodos da redemocratização brasileira, por oito anos no governo do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e durante dois anos do governo de Itamar Franco, caso as posições de Araújo e de Bolsonaro sejam colocadas em prática, representariam a "volta à Idade Média".

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Amorim afirma que nomeação é surpreendente e o deixa "muito triste". "Sei que há muita divergência de opinião no Itamaraty, alguns pensam mais o livre mercado e outros mais como eu penso, mas tudo no domínio da racionalidade, em que o debate é possível. Neste caso o debate se torna impossível, é como ver um filme surrealista com conotações de pesadelo", afirmou.

A opinião do ex-ministro não é alarmista. Entre os valores já defendidos por Ernesto Fraga Araújo está a defesa da manutenção do ocidentalismo, processo pelo qual as sociedades não-ocidentais seguem a influência da cultura ocidental, e é contrário à globalização. As opiniões foram divulgadas em artigos escritos e publicados tanto nos Cadernos de Política Exterior do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) quanto em um blog pessoal, criado em setembro deste ano pelo diplomata, chamado "Metapolítica 17 – Contra o Globalismo".

Nos textos, Araújo chega a afirmar que é contra um suposto "marxismo cultural" que acomete as relações exteriores, que o nazismo foi uma experiência socialista e que o climatismo, a preocupação com as mudanças climáticas, é uma "tática globalista de instilar medo para obter mais poder".

Segundo Amorim, um posicionamento anti-globalização e subserviente ao governo dos EUA seria prejudicial para as relações brasileiras com a grande maioria dos países do mundo. "Acho que o problema disso tudo não é só o que vai acontecer agora, mas que a credibilidade do Brasil ficará afetada por muito tempo, por décadas. Será muito negativo para a integração latino-americana, que envolve o reconhecimento de outras culturas, será potencialmente muito negativo com as nossas relações com a África, porque a maneira que ele fala tem a ver apenas com o passado europeu", afirmou.

A nomeação de Araújo foi anunciada por Bolsonaro por meio de sua conta no Twitter. "A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje", escreveu, classificando o diplomata como "um brilhante intelectual". Ernesto Araújo tem 51 anos, nasceu em Porto Alegre e é formado em Letras. Mais recentemente, o diplomata serviu na Alemanha, no Canadá e nos Estados Unidos, atuou como subchefe de gabinete do então chanceler Mauro Vieira, de 2015 a 2016.

Confira a entrevista completa:

O que o senhor pensa sobre as posições pró-Trump, antiglobalismo e contra um suposto "marxismo cultural" defendidas pelo futuro Ministro das Relações Exteriores?

Acho tudo uma fantasia que se não fosse trágica seria cômica, infelizmente é trágico porque trará consequências para o Brasil e para a sua inserção no mundo, para a paz mundial, que o Brasil contribui. Não estou falando só em relação a política que fizemos nos últimos 12 anos, sobretudo nos oito em que estive com o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas em relação a outros períodos. Não tem comparação.

Eu fui embaixador no governo de Fernando Henrique Cardoso, tinha divergências mas era tudo no plano do racional. Aqui estamos no plano de uma total fantasia, mas infelizmente é uma fantasia danosa, porque terá consequências práticas, atrelando nossa política totalmente a uma pessoa que já é objeto de restrições no mundo inteiro, em todos os países civilizados e democráticos há críticas fortes a Donald Trump.

Agora a passagem dele por Paris marcou outra, na comemoração do final da Primeira Guerra Mundial, ele já teve outro episódio com Macron [Presidente da França]. É uma pessoa que quer destruir tudo que foi criado, aliás, em grande parte pelo próprio Estados Unidos, que é essa estrutura normativa mundial.

Eu li um pouco sobre o Ministro nomeado e ele nega a importância das normas internacionais. Estamos voltando à Idade Média, ele é uma espécie do Direito Internacional pré-Grocio, um famoso pensador que foi precursor do Direito Internacional moderno. Então e algo até difícil de comentar, é muito surpreendente e é algo que me deixa muito triste, até pelos próprios colegas, porque sei que há muita divergência de opinião no Itamaraty, alguns pensam mais o livre mercado e outros mais como eu penso, mas tudo no domínio da racionalidade, em que o debate é possível. Neste caso o debate se torna impossível, é como ver um filme surrealista com conotações de pesadelo.

O que significa um Ministro de Relações Exteriores se dizer contra o globalismo/globalização?

É viver em um outro mundo, uma volta à Idade Média. Não tem cabimento, você pode até ser contra certos aspectos da globalização. Nós mesmos somos críticos, quando defendemos a agricultura familiar, que o comércio internacional tem que ter certas regras. Elas são necessárias justamente para disciplinar a globalização, para que os benefícios sejam distribuídos de maneira mais justa. Mas não se pode negar a globalização. É você negar a vida, dizer que ela era melhor quando não havia a escrita, ou a imprensa. É algo parecido com isso.

O que marca esse ponto de vista é também uma adesão ao trumpismo, uma reprodução sem crítica do que o Trump faz nos EUA, que ao meu ver não é bom nem lá, porque é contra imigrantes, contra mulheres, prejudicial aos negros. Mas, em termos de política externa, também é uma política de confrontação ao tempo todo, não é política de diálogo, e não se deve basear uma relação internacional nisso. Eu não concordo, mas Trump pelo menos está sentado em cima de cinco, seis mil ogivas nucleares e tem a economia mais forte do mundo. Não é nosso caso, então precisamos de cooperação, dos nossos vizinhos, para manter nossas fronteiras, por exemplo.

Eu sempre defendi o nacionalismo, mas um nacionalismo desenvolvimentista e solidário com outros países, esse nacionalismo estreito... Não sei, é tão fantástico que é difícil imaginar, mas acredito que possa criar um problema com os nossos vizinhos. Se somar isso às outras declarações que já ouvimos de Bolsonaro, de que Mercosul não é prioridade, tudo isso gera uma imensa preocupação. Eu fui por quase dez anos chefe daquela casa, também fui ministro no governo de Itamar Franco e embaixador no governo FHC. Tenho muita pena dos jovens diplomatas que vão ter que enfrentar um Brasil que eu nunca conheci.

Em outros artigos Ernesto Araújo elogia muito o ocidentalismo, preza muito pela história do Ocidente...

Essa é uma noção totalmente ultrapassada, inclusive eu vi ele citar Stengler, um autor pré-nazista que fala da decadência do Ocidente, uma visão que não tem nada a ver com a realidade. A ideia da decadência porque é contra a ascensão do povo, das massas, eles gostariam de uma realidade completamente elitista.

Eu acho que causa tanta perplexidade que eu ainda não sei nem o que vai acontecer, porque é fora do comum. Nunca vi nada semelhante, ninguém do Itamaraty processar ideias semelhantes, alguém com peso, autoridade, pode ser que haja pessoas excêntricas. Mas se ele for aplicar essas ideias à política externa será um desastre absoluto.

Ele construiu uma teoria cultural dele e é algo individual, que não tem nada a ver com o mundo real. E na medida em que tem é negativo, porque coloca o Brasil como um servo intelectual e cultural do trumpismo, que é algo feito para os EUA já de forma errada, mas que ainda é possível compreender porque é um país mais forte economicamente, que pode dizer que não quer estar sujeito à norma. O país [Brasil] não tem força para isso. Os EUA pelo menos tem a ilusão que tem, a gente não tem nem esse direito.

Será muito negativo para a integração latino-americana, que envolve o reconhecimento de outras culturas, será potencialmente muito negativo com as nossas relações com a África, porque a maneira que ele fala tem a ver apenas com o passado europeu. Quando dizemos que o Brasil é um país ocidental, o que isso quer dizer? 51% da nossa população é de origem africana, auto-declarada, o que vamos fazer com essa população? Jogar no mar?

O senhor poderia citar programas e políticas específicas relacionadas às relações internacionais que serão impactadas pelo discurso e possíveis medidas do novo governo?

Muita coisa já foi afetada no governo de Michel Temer, por inação, por uma subserviência aos EUA, mas que não era ao Trump e suas ideias, era mais ampla. Por exemplo, a pouca prioridade dada aos BRICs, tudo isso já vinha ocorrendo. Mas com ele eu temo que isso se agrave e ganhe um caráter teológico, meio religioso, que será difícil de reverter. Acho que o problema disso tudo não é só o que vai acontecer agora, mas que a credibilidade do Brasil ficará afetada por muito tempo, por décadas.

Com a grande maioria dos países do mundo...

Sim, com todos os países do mundo e vou lhe dizer a verdade, acredito que até com os EUA, porque eles passaram a nos respeitar quando passamos a defender nossa opinião e até mesmo a dialogar. Tivemos muito bom relacionamento até com George W. Bush, discordando muito de várias posições que ele tomava, mas nosso relacionamento, tanto em relação ao comércio, investimento, criação do G20 foi intenso com os EUA e com a União Europeia, porque eles respeitavam o Brasil. Agora, uma atitude que é até difícil de usar qualificativos, porque não quero ofender o rapaz, que é até mesmo de outra geração, mas sinto algo entre pehttps://www.brasil247.com/pt/247/brasil/375225/Celso-Amorim-novo-chanceler-coloca-o-Brasil-na-Idade-M%C3%A9dia.htmrplexidade e piedade.

Fonte:

Os caixas 2 de Onyx


Indicado por Jair Bolsonaro para compor a nova equipe de governo, futuro ministro da Casa da Civil, o deputado Onyx Lorenzoni recebeu R$ 100 mil não declarados em 2012, outro Caixa 2. Réu confesso na Operação Lava Jato, Onyx afirmou já ter recebido Caixa 2 em 2014.

A revelação foi feita por meio de uma planilha da JBS e que foi entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR). Nela, estão registradas as doações de 2012, cujas doações foram feitas por Joesly Batista para políticos.

A PGR instaurou também uma investigação para apurar o envolvimento de 35 políticos, por receberem Caixa 2, dentre eles: o presidente Michel Temer (MDB), o ministro da Ciência e Tecnologia Gilberto Kassab, os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), José Serra (PSDB-SP) e Eunício Oliveira (MDB-CE); E ainda os ex-governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Beto Richa (PSDB-PR).

Depois do discurso ético e moral do presidente eleito Bolsonaro sobre o fim da corrupção, as demonstrações de despreparo na escolha de sua equipe e o surgimento dessas pessoas em Caixas 2, evidencia uma coisa: a corrupção está arraigada na futura gestão. Estamos diante da ponta do iceberg e olha só o Aecinho metido em rolo de novo! Não deixaremos nos enganar. A resistência está mais viva que nunca porque ninguém solta a mão de ninguém!

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/rogeriocorreia/375155/Os-caixas-2-de-Onyx.htm

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Villas Bôas e Bolsonaro: o motim se alastra e chega ao Planalto


A reveladora entrevista à Folha do general Eduardo Villas Bôas traz conclusões de que muitos já adivinhavam mas que são surpreendentes quando afinal vêm à tona em toda a sua realidade. Surpreende a falta de continência (com trocadilho) com que o representante maior das Forças Armadas assume sem pudores o gesto de intervenção militar nas decisões da Justiça.

Da voz do próprio comandante vem a público agora, meses depois, o péssimo exemplo dado aos seus iguais e subordinados. Ao pressionar explicitamente o Supremo Tribunal Federal em abril deste ano via twitter para não libertar Lula e assumir que calculou intervir, Villas Bôas descumpriu o decreto 4.346, de 2002, que proíbe aos militares brasileiros envolver-se em assuntos políticos. De quebra, o general descumpriu também o próprio Regulamento Disciplinar do Exército que classifica manifestação política como transgressão disciplinar.

Se não é para cumprir as regras que o próprio Exercito cria internamente e nem também as que o país determina democraticamente, o que então faz um comandante de Exército? Será que já vivemos um regime de exceção, estamos de volta ao pesadelo da ditadura de 1964? Os militares já controlam de novo os poderes da República? Como era de se esperar, o STF, em tese responsável pela defesa da legalidade, calou-se, submisso. Um general ameaça o poder democrático e nenhum poder o reprime.

O país está diante de uma situação de aberta ilegalidade, incompatível com a democracia. Há uma força militar que já não presta mais contas a ninguém. Criou-se um poder que pode tudo, sem rédeas, sem respaldo na Constituição. Os militares precisam se dar mais respeito. Suas aventuras por trilhas no passado que se julgava hoje superado custaram sérios prejuízos ao país, metido então em problemas de toda ordem que a historiografia registra. Agora o comandante do Exército lança enorme interrogação sobre a pureza das decisões do STF, que votou sob pressão e decidiu afastar a possibilidade do candidato mais bem colocado nas pesquisas, o ex-presidente Lula, disputar a eleições. A eleição vista assim assume aspectos de fraude.

Tão preocupante quanto a prensa militar sobre as instituições da República são as circunstâncias que a cercam. Seu exame revela toda uma cadeia tensa de situações e eventos nas disputas de poder e de espaços internos às Forças Armadas, em particular ao Exército, e que a politização extrema criada pela eleição de Jair Bolsonaro agravou ao ponto do descontrole. Deste quadro, em muito submerso, aparecem apenas alguns sinais que se podem associar em busca de certos contornos.

Emerge que, nas declarações à Folha, o general Villas Bôas quis transmitir uma força e um controle de que já não dispõe. Expressou a opinião de uma corporação vergada pela ameaça da presença de Bolsonaro e de seus adeptos internos. Fez questão de delimitar espaços. Quis fazer crer que Bolsonaro há muito tempo não pertence mais e continua não fazendo parte dessa coletividade, o Exército. Será verdade? Por que fez questão de demarcar essa distância?

Agora, o general Villas Bôas diz ter se valido do famigerado twitter para impedir um golpe maior: a explosão de insatisfação dos militares que seria deflagrada com a libertação de Lula. Revela o que tenta esconder: o Exército encontra-se ao sabor de infiltrações – ou seriam agora unanimidades - bolsonarianas na tropa.

Há elementos vários em jogo, com implicações em diversos planos e vazamentos de influências para outras áreas das forças militares. Na louca escalada que acabou o conduzindo ao Planalto, Bolsonaro valeu-se de todos os métodos, inclusive a rebelião, instrumentos que acompanharam sua trajetória desde os tempos de caserna e que estiveram na origem de seu desligamento do Exército.

O que era uma inclinação inflamatória, indisciplinada e violenta do capitão Bolsonaro em seus tempos de caserna permaneceu após sua expulsão na forma da agitação "sindical", sempre insuflando a insatisfação com as condições de trabalho e soldo para o baixo escalão não apenas das forças armadas, mas também das forças policiais, especialmente das polícias militares.

Como diz Villas Bôas na entrevista, depois de ser forçado a sair do Exército, Bolsonaro "passou a gravitar em torno dos quartéis, explorando questões que diziam ao dia a dia dos militares". O que o comandante não diz é que quebras da hierarquia foram sempre incentivadas por Bolsonaro em episódios de intranquilidade que estão potencialmente presentes também agora e terão que precisam ser contidos, ou absorvidos no contexto de sua nova hegemonia, agora como chefe supremo das Forças Armadas.

Não há "risco" de politização dos quartéis, como diz Villas Bôas. Não há risco porque eles já estão inteiramente politizados. É ele mesmo quem diz.

Villas Bôas declara o seguinte sobre o episódio da pressão sobre o STF na decisão sobre o habeas corpus que poria Lula na disputa eleitoral (com enormes chances de vitória, sendo o preferido disparado do eleitor): "Sentimos que a coisa poderia fugir ao nosso controle" porque "militares da reserva e civis identificados conosco estavam se pronunciando de forma enfática". O quê? O general quer que o país acredite que ele estava preocupado com "militares da reserva e civis identificados conosco"?

O general já tinha então era perdido o controle não dos militares da reserva, mas dos da ativa e corria atrás de retomá-lo. Foi por essa razão que, sem mais, desencadeou-se o novo golpe de abril. A história se repete: o golpe agora via twitter, o twitter da rede, da rede não mais da legalidade, mas da rede da ilegalidade. Como disse o cientista politico Wanderley Guilherme do Santos, para evitar um golpe Villas Bôas deu um golpe.

A chegada de Bolsonaro ao Planalto com ajuda desses métodos coroa toda uma carreira de ataques à ordem legal, e de desrespeito à hierarquia em especial. A politização dos quartéis acompanhou toda a trajetória do capitão reformado, com foco as polícias militares. Sem se revelar, Bolsonaro esteve por trás do motim que paralisou as corporações policiais do Espírito Santo e do Rio Grande do Norte. A rebelião capixaba durou 21 dias em fevereiro do ano passado com um rastro de violência que deixou 215 mortes, uma onda de roubos sem controle e prejuízos incalculáveis.

Movimentos semelhantes e conectados chegaram a contagiar dois quartéis do Rio, provocando alarme antes de serem contidos. O estímulo de Bolsonaro foi detectado nas formas de desencadeamento e sustentação de todos esses movimentos.

Um olhar atento percebe que a intervenção e a militarização da segurança pública do Rio, de resultados ainda duvidosos para a segurança "externa", ou seja, a do cidadão, dirigiu-se também para restabelecer o comando da tropa, depois que todas as autoridades estaduais reconheceram alarmadas ter perdido o controle da situação e entregaram o problema ao governo federal.

Um aspecto não suficientemente destacado, porém, é que essa intervenção tinha dois lados e que o mais importante e oculto deles se volta para dentro das próprias forças policiais, na tentativa de garantir a cadeia de comando e restabelecer o respeito à hierarquia, terceirizada para um general do Exército. O processo foi agora atropelado pelo inesperado fator da eleição de Bolsonaro. O motim foi para o poder.

Ainda como consequência das rebeliões do Espirito Santo e Rio Grande do Norte, para tentar controlar o espalhamento de eventuais levantes parecidos que ameaçavam explodir em outros Estados, criaram-se grupos, inicialmente informais, para troca regular de informações entre áreas de inteligência das forças de segurança de diversos estados. A partir daí, a pedido dos próprios estados, surgiu uma coordenação nacional, agora em torno da Abin e do Gabinete de Segurança Institucional, a cargo do sombrio general Sergio Etchegoyen, e também ao ministério "Extraordinário" da Segurança Pública. Nada disso, porém, é capaz de anular o estímulo representado pelas anistias frequentemente concedidas pelo Congresso a policiais que se amotinam, dando aval político e tornando letra morta o Código Penal Militar.

Uma estrutura que antes incluía uma duvidosa e secreta tentativa de conter o espraiamento dos motins passa agora ao controle do chefe deles. Dessa posição ele terá condições ideais para garantir e até ampliar o regime especial de aposentadorias para militares e policiais, além dos chamados "excludentes de ilicitudes" e suas outras variações e ainda mais degeneradas da licença geral para matar os pobres que assume o Planalto em 1º de janeiro.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/geral/375011/Villas-B%C3%B4as-e-Bolsonaro-o-motim-se-alastra-e-chega-ao-Planalto.htm

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Cálculos mostram perdas impressionantes das forças dos EUA no Afeganistão e Iraque


Militares norte-americanos no Afeganistão

CC BY 2.0 / The U.S. Army / flickr_cover_photo

Oriente Médio e África

11:01 12.11.2018(atualizado 12:29 12.11.2018) URL curta

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A Universidade Brown localizada em Providence, Rhode Island, nos EUA, elaborou um relatório onde foram calculadas todas as perdas do exército americano e de seus aliados durante as missões realizadas no Afeganistão e no Iraque.

A Universidade Brown localizada em Providence, Rhode Island, nos EUA, elaborou um relatório onde foram calculadas todas as perdas do exército americano e de seus aliados durante as missões realizadas no Afeganistão e no Iraque.

Além disso, a Universidade também calculou o número de vítimas entre a população civil, forças policiais e militares nacionais, além dos funcionários de missões humanitárias e jornalistas.

Militantes do grupo terrorista Daesh (proibida na Rússia) no Afeganistão

© Foto : Youtube/PressTV Documentaries

Onze militantes do Daesh se rendem às autoridades no Afeganistão

Desde 2001, quando os soldados americanos invadiram o Afeganistão, iniciando as guerras "contra o terrorismo", os conflitos provocaram entre 480 e 507 mil vítimas, segundo o site Task and Purpose. Entretanto, esses números não contam com as pessoas que faleceram como resultado da guerra, ou seja, por falta de acesso a alimentos, água, cuidados de saúde e eletricidade.

Contudo, a maior perda sofrida pelas forças americanas foi no Iraque, onde morreram 4.550 militares americanos. Esse número foi praticamente duas vezes maior do que o número de perdas no Afeganistão, onde as forças americanas perderem 2.401 militares.

Além disso, as guerras causaram a morte de 299 jornalistas e mais de 109 mil policiais e militares dos regimes pró-americanos.

O número de vítimas civis é ainda maior, as ações militares causaram a morte de aproximadamente até 204.575 pessoas no Iraque e 38.480 no Afeganistão.

Porém, também houve um grande número de vítimas civis na fronteira com o Paquistão, lugar onde ocorreram operações especiais das forças americanas, inclusive com ataques de drones americanos a depósitos dos terroristas, causando a morte de mais de 23 mil pessoas.

Para a invasão do Iraque, os EUA haviam enviado aproximadamente 148 mil soldados, que tinham como missão desarmar o regime iraquiano, terminando o apoio de Saddam Hussein a organizações terroristas. Já no Afeganistão os EUA tinham como missão encontrar Osama bin Laden, além de outros líderes terroristas.

Depois de toda a ação no Iraque, foi constatado que o país não possuía nenhum tipo de arma de destruição em massa.

Fonte: https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018111212656511-perdas-impressionantes-forcas-eua/