segunda-feira, 24 de julho de 2017

Faturamento das empresas desaba e mostra que golpe foi péssimo negócio


Embora setores do empresariado tenham apoiado o golpe parlamentar de 2016, o resultado foi desastroso para o capital. Um levantamento feito pelo jornal Valor Econômico junto às mil maiores empresas, revela uma queda de 4% no faturamento dessas companhias, no pior resultado desde 2009.

A queda é fruto do fracasso da política econômica, apesar do discurso de setores da mídia que apontam o contrário. Até agora, a gestão de Henrique Meirelles na Fazenda tem-se mostrado incapaz de religar os motores do crescimento. Além disso, a depressão econômica derrubou as receitas orçamentárias, levando ao recente tarifaço nos combustíveis, que tiveram o maior aumento em 13 anos – o que deve pressionar ainda mais os resultados das empresas nacionais.

"O primeiro levantamento completo sobre o desempenho das grandes companhias brasileiras em 2016 mostra como a recessão, que já dura três anos, atingiu suas contas. As mil maiores empresas que divulgam balanços tiveram queda real de receita líquida de 4% no ano passado, número próximo da queda do PIB, de 3,6%. Foi o segundo pior resultado desde 2009, ano marcado pelos efeitos da crise financeira global", aponta reportagem de Felipe Datt, publicada no Valor.

"Esses dados fazem parte da pesquisa feita pelo Valor em parceria com a FGV e a Serasa para a elaboração do ranking do anuário "Valor 1000", que será divulgado em agosto. O ranking traz também as melhores empresas em 25 setores da economia e a grande campeã do ano. Ao todo, as mil empresas faturaram R$ 3,23 trilhões em 2016. "Vimos no ano a desaceleração do faturamento da maior parte dos setores analisados", diz o coordenador do Valor Data, William Volpato."

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/economia/307894/Faturamento-das-empresas-desaba-e-mostra-que-golpe-foi-p%C3%A9ssimo-neg%C3%B3cio.htm

Com Temer, investimento público do Brasil regride 15 anos

 

247 - O investimento público federal é hoje o retrato da deterioração fiscal brasileira.

Com arrecadação fraca e um Orçamento engessado, o governo foi obrigado a jogar o investimento —principal alvo dos cortes de gastos— no chão. Em todo o País, obras importantes de infraestrutura estão paradas por falta de recursos.

Diante disso, o Brasil caminha para fechar 2017 com a pior taxa de investimento dos últimos 15 anos.

Segundo levantamentos feitos por técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo pesquisador do Ibre/FGV Manoel Pires, nesse período a taxa de investimento governo federal atingiu seu nível mis baixo, de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2003.

Ou seja: co Michel temer no poder, o Brasil regrediu 15 anos.

As informações são de reportagem de Martha Beck, Manoel Ventura e Geralda Doca em O Globo.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/economia/307874/Com-Temer-investimento-p%C3%BAblico-do-Brasil-regride-15-anos.htm

Dilma bem que avisou...

 

Adrián Escandar

"Os golpistas já disseram que se conseguirem usurpar o poder, será necessário impor sacrifícios à população brasileira. Querem revogar direitos e cortar programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida", disse ela. "Querem abrir mão da soberania nacional, mudar o regime de partilha e entregar os recursos do pré-sal a multinacionais estrangeiras", acrescentou.

A presidente afirmou ainda que os "golpistas querem derrotar o projeto de desenvolvimento e inclusão social pelo qual estamos trabalhando todos os dias nos últimos 13 anos". "Para alcançar seus objetivos estão dispostos a violentar a democracia espalhando intolerância, o ódio e a violência entre nós. Estão dispostos a humilhar o Brasil perante a Comunidade Internacional", disse.

Relembre a fala em que Dilma dizia que, com o golpe, o Brasil seria entregue à tirania dos corruptos:

https://www.brasil247.com/pt/247/poder/307855/Dilma-bem-que-avisou.htm

Toledo denuncia o estelionato eleitoral de Temer


247 - Em sua coluna nesta segunda, o jornalista José Roberto de Toledo denuncia o estelionato eleitoral praticado por Michel Temer.

"Temer é um incompreendido. Aumentou imposto e disse que a população compreenderia. Não compreendeu. Talvez porque no programa que lançou sua candidatura presidencial para o establishment – a “Ponte para o futuro” -, o então vice empregou 11 vezes a palavra “impostos”, no plural e no singular, e em nenhuma delas com o intuito de aumentá-los. Ao contrário, prometeu fazer de tudo para reduzi-los. Percebe-se agora que, além de superfaturada, a tal ponte era um estelionato eleitoral.

Estelionato porque levou ao lado oposto do que prometera aos patrocinadores. E eleitoral porque foram os compromissos assumidos naquele documento – espécie de “carta ao empresariado brasileiro” – que ajudaram a garantir, direta ou indiretamente, os votos parlamentares necessários para o vice destronar sua companheira de chapa. Nisso que dá confiar na Turma do Pudim.

'Mas o governo aprovou a reforma trabalhista'. O Congresso aprovou a reforma trabalhista. O governo desfará parte da reforma ao ressuscitar o imposto sindical. Em um governo fraco, como o de Temer, os grupos de pressão mais fortes mandam e desmandam no Congresso. Foram diferentes lobbies que aprovaram as reformas que quiseram bem como privilégios que estão explodindo o déficit público e, por tabela, aumentando impostos.

Tudo isso tem um sobrepreço, ainda mais caro do que a apropriação de uma fatia progressivamente maior do orçamento federal por segmentos regressivamente menores da população. O custo intangível é o descrédito das instituições e dos governantes. A última linha desse balanço será cobrada da democracia. Por enquanto, porém, quem paga é quem manda.

Há novas pesquisas de avaliação do governo federal no forno. Nem é preciso ver os relatórios para prever os resultados. Temer vai bater todos os recordes de impopularidade de seus antecessores. Talvez seja por isso que Sarney insiste em lhe dar tantos conselhos – para se livrar da pecha de presidente mais impopular da história da opinião pública brasileira. Vai conseguir."

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/307897/Toledo-denuncia-o-estelionato-eleitoral-de-Temer.htm

Temer intensifica ações para tentar barrar denúncia na Câmara

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

247 - Michel Temer está intensificando as negociações para se manter no poder e barrar o andamento da denúncia de corrupção feita pela Procuradoria-Geral da República.

Às vésperas da votação da denúncia no plenário da Câmara dos Deputados, líderes aliados e ministros farão uma reunião nesta semana com o objetivo de contabilizar o apoio obtido para impedir que o processo seja encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A votação do parecer do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que sugere a rejeição da denúncia da Procuradoria-Geral da Pública (PGR) de corrupção passiva contra Temer, está marcada para 2 de agosto. Para dar prosseguimento ao processo, a oposição terá que reunir 342 votos. No entanto, segundo apurou o Valor, o balanço de auxiliares de Temer indica que pelo menos 266 parlamentares sinalizavam votar pelo arquivamento da denúncia. Ainda nas contas do governo, a oposição tem cerca de 170 votos garantidos.

De acordo com o deputado Beto Mansur (PRB-SP), que participará do encontro, também estarão presentes na reunião os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Antônio Imbassahy (Secretaria do Governo), além de alguns líderes de partidos da base aliada.

O aliado de Temer disse ainda que o PSDB e o PSB estão recebendo atenção especial na ofensiva.

As informações são de reportagem de Marcelo Ribeiro no Valor.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/poder/307887/Temer-intensifica-a%C3%A7%C3%B5es-para-tentar-barrar-den%C3%BAncia-na-C%C3%A2mara.htm

MPF investiga “rota da propina” de Geddel

 

Lula Marques

Bahia 247 - Procuradores do MPF (Ministério Público Federal) no Distrito Federal tentam identificar o "caminho da propina" supostamente destinada ao ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), preso em regime domiciliar em Salvador.

Geddel é investigado pela suspeita de fazer parte do esquema que operava a liberação de recursos do FI-FGTS a empresas em troca de propina.

O MPF trabalha agora na apresentação da primeira denúncia contra Geddel, concentrada no crime de obstrução de Justiça. A investigação do "caminho da propina" forneceria bases para uma eventual segunda denúncia, esta com base em crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Geddel Vieira Lima foi preso no dia 3 de julho em Salvador e transferido para Brasília. No último dia 12, a Justiça concedeu a ele o direito a cumprir prisão domiciliar.

Segundo os procuradores, Geddel e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) atuavam junto a empresários para agilizar liberações de recursos do FI-FGTS em troca de propina. O FI-FGTS é um fundo de investimentos que utiliza recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e que é operado pela CEF (Caixa Econômica Federal). Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da CEF entre 2011 e 2013.

As informações são de reportagem de Leandro Prazeres no UOL.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/bahia247/307883/MPF-investiga-%E2%80%9Crota-da-propina%E2%80%9D-de-Geddel.htm

Superficiais e medíocres: professor e pesquisador conta por que reprovaria a dupla Moro e Dallagnol


20 de julho de 2017

Docente e pesquisador da Universidade Estadual de Maringá investigou a vida acadêmica de Moro e Dallagnol e encontrou inúmeras inconsistências. “Os dois ainda vestem fraldas na ciência do Direito. São guiados por preconceitos e pela cegueira da política sobre o Jurídico”. Leia

Por Marcos César Danhoni Neves*

Sou professor titular de Física numa universidade pública (Universidade Estadual de Maringá-UEM) desde 2001 e docente e pesquisador há quase 30 anos. Sou especialista em história e epistemologia da ciência, educação científica, além de processos de ensino-aprendizagem e análise de discursos.

Orientei mais de 250 alunos de graduação, especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado, além de professores in-service. Conto tudo isso, como preâmbulo, não para me gabar, mas para salientar que li milhares de páginas de alunos brilhantes, medianos e regulares em suas argumentações de pesquisa.

Dito isso, passo a analisar duas pessoas que compõem o imaginário mítico-heróico de nossa contemporaneidade nacional: Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

Em relação ao primeiro, Moro, trabalhei ativamente para impedir, junto com um coletivo de outros colegas, para que não recebesse o título de Doutor honoris causa pela Universidade Estadual de Maringá.

Moro tem um currículo péssimo: uma página no sistema Lattes (do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico ligado ao extinto MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia). Lista somente 4 livros e 5 artigos publicados.

Mesmo sua formação acadêmica é estranha: mestrado e doutorado obtidos em três anos. Isso precisaria ser investigado, pois a formação mínima regulada pela CAPES-MEC (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Ministério da Educação) é de 24 meses para Mestrado e 48 meses para o Doutorado.

Significa que “algo” ocorreu nessa formação apressada.. Que “algo” é esse, é necessário apurar com rigor jurídico.

Além de analisar a vida acadêmica de Moro para impedir que ele recebesse um título que não merecia, analisei também um trabalho seminal que ele traduziu: “O uso de um criminoso como testemunha: um problema especial”, de Stephen S. Trott.

Mostrei que Moro não entendeu nada do que traduziu sobre delação premiada e não seguiu nada das cautelas apresentadas pelos casos daquele artigo.

Se seguirmos o texto de mais de 200 páginas da condenação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e guiando-me pela minha experiência em pesquisa qualitativa, análise de discurso e fenomenologia, notamos claramente que parte significativa do texto consiste em Moro tentar apagar suas digitais, sem sucesso, ao desdizer que agiu com imparcialidade.

Nestas páginas robustas lemos uma declaração clara de culpa: Moro considera a parte da defesa de Lula em menos de 1% do texto total! E dos mais de 900 parágrafos, somente nos cinco finais alinhava sua denúncia e sentença sem provas baseada num misto frankensteiniano de “explanacionismo” (uma “doutrina” jurídica personalíssima criada por Deltan Dallagnol) e “teoria do domínio do fato”, ou seja, sentença exarada sobre ilações, somente.

Aqui uso a minha experiência como professor e pesquisador: quando um estudante escreve um texto (TCC, monografia, dissertação, tese, capítulo de livro, livro, ensaio, artigo), considero o trabalho muito bom quando a conclusão é robusta e costura de forma clara e argumentativa as premissas, a metodologia e as limitações do modelo adotado de investigação.

Dissertações e teses que finalizam com duas ou três páginas demonstram uma análise rápida, superficial e incompetente. Estas reprovo imediatamente. Não quero investigadores apressados, superficiais!

Se Moro fosse meu aluno, eu o teria reprovado com esta sentença ridícula e persecutória. Mal disfarçou sua pressa em liquidar sua vítima.

Em relação a outro personagem, o também vendedor de palestras Deltan Dallagnol, há muito o que se dizer. Angariou um título de doutor honoris causanuma faculdade privada cujo dono está sendo processado por falcatruas que o MP deveria investigar.

O promotor Dallagnol não seguiu uma única oitiva das testemunhas de defesa e acusação de Lula, além daquela do próprio ex-presidente.

Eu trabalho em pós-graduações stricto sensu de duas universidades públicas: uma em Maringá e outra em Ponta Grossa. Graças a isso fui contactado por meio de um coletivo para averiguar a dúvida sobre a compra por parte de Dallagnol de apartamentos do Programa Minha Casa Minha Vida em condomínio próximo à UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa).

Visitei os imóveis guiado por uma corretora e me dirigi ao Cartório de Registro de Imóveis da cidade. Após algumas semanas, a resposta: os dois apartamentos modestíssimos, destinados a gente pobre, tinham sido adquiridos pelo Promotor e estavam à venda com um lucro líquido em menos de um ano de aquisição de 135 mil reais.

Reuni o material e disponibilizei para a imprensa livre (aqui a matéria do DCM). O promotor teve que admitir que comprou os apartamentos para ganhar dinheiro na especulação imobiliária, sem resquícios de culpa ou de valores morais em ter adquirido imóveis destinados a famílias com renda de até R$ 6.500,00 (Deltan chegou a ganhar mais de R$ 80.000,00 de salários – além do teto constitucional, de cerca de R$ 35.000,00; e mais de R$ 220.000,00 em suas suspeitosas palestras).

Bom, analisando os discursos de Dallagnol, notamos claramente a carga de preconceito que o fez construir uma “doutrina” de nome exótico, o “explanacionismo”, para obter a condenação de um acusado sem prova de crime.

Chega a usar de forma cosmética uma teoria de probabilidade – o bayesianismo – que ele nem sequer conhece ao defender a relativização do conceito de prova: vale seu auto-de-fé a qualquer materialidade de prova, corrompendo os princípios basilares do Direito.

Como meu aluno, ou candidato a uma banca de defesa, eu também o teria reprovado: apressado, superficial e sem argumentação lógica.

Resumindo: Dallagnol e Moro ainda vestem fraldas na ciência do Direito. São guiados por preconceitos e pela cegueira da política sobre o Jurídico.

Quando tornei-me professor titular aos 38 anos, eu o fiz baseado numa obra maturada em dezenas e dezenas de artigos, livros, capítulos, orientações de estudantes e coordenações de projetos de pesquisa.

Infelizmente, estes dois personagens de nossa República contemporânea seriam reprovados em qualquer universidade séria por apresentar teses tão esdrúxulas, pouco argumentativas e vazias de provas. Mas a “Justiça” brasileira está arquitetada sobre o princípio da incompetência, da vilania e do desprezo à Democracia.

Neste contexto, Moro e Dallagnol se consagram como “heróis” de papel que ficariam muito bem sob a custódia de um Mussolini ou de Roland Freisler, que era o presidente do Volksgerichtshof, o Tribunal Popular da Alemanha nazista. Estamos sob o domínio do medo e do neo-integralismo brasileiro.

*Marcos César Danhoni Neves é professor titular da Universidade Estadual de Maringá e autor do livro “Do Infinito, do Mínimo e da Inquisição em Giordano Bruno”, entre outras obras

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/2017/07/20/superficiais-e-mediocres-professor-e-pesquisador-conta-por-que-reprovaria-dupla-moro-e-dallagnol/

Pena e vergonha


Luiz Carlos Bresser-Pereira

22 de julho às 11:36 ·

O ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, declarou ontem à BBC Brasil que tem pena pelo Brasil. Eis sua frase inteira: “Me dá pena. Pena pelo Brasil por ver o que aconteceu com uma comissão que estava estudando as eventuais acusações, em que tiveram que mudar a composição dessa comissão. E tudo indica que houve muita influência para poder colocar gente que não decepcionasse o governo”.

Mujica tem pena; eu, com os mesmos 82 anos, tenho vergonha. Não por Temer e seus amigos, que deveriam estar na cadeia; não pelo Brasil e seu povo, que é a vítima de tudo isso – da ganância e da corrupção dos ricos e seus fâmulos. Tenho vergonha pelas elites econômicas e burocráticas que continuam a sustentar no poder um governo desmoralizado, que atende a todos os seus interesses imediatos.

Essas elites apoiam o governo porque ele realiza as “reformas” que salvarão o Brasil – na verdade, que colocam todo o peso do ajuste econômico de que necessita a economia brasileira em cima dos trabalhadores e dos pobres. E poupam a si próprias, continuando a cobrar juros de usura do Estado brasileiro. Sempre com o apoio de economistas liberais, com a justificativa que os juros extorsivos “são necessários para combater a inflação”.

Sim, o Brasil precisa de ajuste. Mas o ajuste necessário não é só fiscal, e não deve ficar apenas por conta dos trabalhadores. Deve também ser monetário e cambial. Deve reduzir a taxa de juros básica e os spreads bancários, e, através de um câmbio competitivo, deve reduzir o consumo não apenas dos trabalhadores (como hoje faz), mas também dos financistas e rentistas. Só dessa maneira, colocando os juros e o câmbio no lugar certo, mesmo que isto reduza um pouco os rendimentos de todos – trabalhadores e rentistas – e a riqueza dos rentistas, as empresas industriais brasileiras poderão voltar a ser competitivas, e o Brasil poderá voltar a crescer.

Muitos líderes dos trabalhadores sabem disto, e por isso defendem um acordo com os empresários industriais. Mas estes estão enfraquecidos e não têm confiança nas lideranças sindicais. Permanecem, assim subordinados aos rentistas e aos financistas. Que, associados aos interesses estrangeiros, não têm pena do Brasil, nem vergonha de si mesmos. Eles são donos da “verdade” – de uma “racionalidade econômica” que serve a seus interesses – e continuam a se enriquecer, e, na medida em que o ajuste que promovem nunca é completo, continua a vender os ativos brasileiros ao exterior.

Lula: “vou me dedicar a recuperar os direitos dos trabalhadores”


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar a realização de eleições diretas e afirmou que não medirá esforços para garantir a retomada dos direitos conquistados pelos trabalhadores e retirados pelo governo Temer. “O tempo que eu tiver eu vou dedicar a recuperar a democracia e os direitos dos trabalhadores”, afirmou, durante discurso a milhares de manifestantes que ocuparam a Avenida Paulista nesta quinta-feira (20).

Protestos por todo o país tomaram as ruas nesta quinta na luta contra as reformas, em defesa das eleições diretas e contra a perseguição política e jurídica contra o ex-presidente. “Muita gente num gesto carinhoso foi solidário comigo. Mas eu queria dizer que o problema desse país não é o Lula, é o golpe. O presidente que colocaram no lugar da Dilma”, avaliou Lula.

“Nós temos que nos preocupar nesse instante não é com o que está acontecendo comigo. Eu tenho experiência política, já vivi 71 anos, a gente tem que se preocupar é com o país, com o povo brasileiro. Com os milhões de trabalhadores que já perderam o emprego, jovens que estão na rua e sem perspectiva de estudar e de trabalhar”, declarou.

Reformas – Segundo o ex-presidente, a perseguição jurídica a qual está sendo submetido interfere diretamente na situação econômica do país. “Eles não podem, para tentar me prejudicar, destruir esse país. Destruir a Petrobras, a indústria naval, o BNDES, eles não podem acabar com milhões de empregos”.

Lula criticou duramente as reformas propostas pelo governo e ressaltou a importância dos movimentos social e sindical. “Eles querem que o trabalhador morra e não receba a aposentadoria. Sabemos a necessidade dos movimentos sociais avançarem cada vez mais nesse momento”, alertou.

Site lula.com.br

Foto: Ricardo Stuckert

Fonte: https://ptnacamara.org.br/portal/2017/07/21/lula-vou-me-dedicar-a-recuperar-os-direitos-dos-trabalhadores/

domingo, 23 de julho de 2017

Fazer da campanha eleitoral o caminho de restauração da democracia

Para os partidos tradicionais, as eleições são o momento de definição sobre quem vai dirigir o Estado. Quando estão comprometidos com programas profundamente antipopulares, as eleições são um incômodo, tratam de diminuir o tempo das campanhas, diminuir o número de eleições, tratam de que os governantes eleitos o sejam por mecanismos menos democráticos e tenham menos poder.

As campanhas eleitorais, para o campo popular, para os partidos de esquerda, para os movimentos sociais, ao contrário, não são apenas momentos de disputa pelo governos, mas também processos de mobilização, de difusão da consciência das pessoas, de organização da cidadania. Hoje, desatar imediatamente a pré-campanha, como faz o ex-presidente Lula com a primeira caravana do Nordeste, a partir do dia 20, é colocar em movimento, de forma sistemática e ininterrompida, esse processo democrático de discussão, com as mais amplas camadas do povo, da situação e das alternativas do Brasil para superar a mais profunda e prolongada crise que vive o país.

Não existe defesa abstrata da democracia, nem defesa da democracia separada do resgate concreto para o país recuperar o direito de eleger seu presidente. Não se trata de suspender as lutas atuais ou subordina-las à campanha eleitoral, mas de saber fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Até porque as lutas de resistência ao pacote antipopular do governo golpista só vão encontrar solução com um governo eleito pelo povo. E, ao mesmo tempo, a campanha eleitoral reforçará todas as lutas de resistência popular contra o governo.

Separar um tipo de luta do outro é separar as lutas reivindicativas das lutas politicas e separar estas das lutas pelos direitos da massa da população atingidos pelo governo golpista. E desta vez a antecipação da campanha eleitoral não é uma postura eleitoralistas, que subordina tudo às eleições mas, ao contrario, dar substancia econômica, social, política e cultural à campanha eleitoral. Porque ao mesmo tempo em que ela se desenvolve, se discutem as plataformas e as estratégias de restauração da democracia.

E quando Lula critica os que se restringem só a posturas criticas, que nunca fizeram experiências de governo e não conhecem os desafios de construir blocos sociais e políticos que permitam o sucesso de governos populares, está se referindo a isso. E Lula fala do alto da experiência de maior sucesso nas transformações democráticas do Brasil.

Vinda de alguém como Lula, representa a transmissão a toda a esquerda das lições de quem soube construir as forças que tornaram possível os governos mais importantes da historia do país. Lula diz não apenas que é preciso ter maioria social e política para poder governar, como se isso não se faz, não se governa de forma democrática, para a grande maioria e com o apoio da grande maioria.

A garantia do resgate da democracia começa agora, lançando a candidatura de Lula, incendiando o país, com debates, mobilizações, com incorporando de novos setores à luta, com construção democrática de plataformas. Para impor a política sobre as tentativas de desqualificação jurídica da do direito, é preciso circular o tempo todo, pelo país inteiro, com a mensagem da esquerda, de que Lula é a melhor voz.

Quem não entendeu o sucesso de Lula, quem não decifra o enigma Lula não entende o Brasil. Lula representa hoje não apenas um projeto de superação da crise, mas também o resgate da participação popular, da democracia. Seu direito a ser candidato é um direito político fundamental do povo brasileiro. Sua candidatura representa a retomada do mais importante projeto político da nossa história.

Os próximos meses de campanha serão os decisivos para construir a forca política nacional para reconquistar a democracia e o direito de um bloco popular voltar a dirigir o Estado brasileiro. Foi uma duríssima derrota o golpe contra a democracia, contra as forcas populares, contra a esquerda. Mas se conseguiu conquistar de novo o direito de disputar a direção do país.

Nem desligar a conjuntura do início da campanha das eleições, nem ficar na crítica crítica, sem plataforma, sem alianças, sem candidatos com liderança nacional. Ao contrário, lutar pelo direito de Lula ser candidato, participar com ele nas caravanas por todo o Brasil, intensificar e ampliar as lutas de resistência contra o pacote antipopular do governo, melhorar muito as formas de luta de ideias e de propaganda da visão do país da esquerda. Assim estaremos fazendo da campanha eleitoral o caminho da restauração da democracia no Brasil.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/blog/emirsader/307833/Fazer-da-campanha-eleitoral-o-caminho-de-restaura%C3%A7%C3%A3o-da-democracia.htm