domingo, 25 de setembro de 2016

A cólera dos falsos moralistas

"A cólera é um cavalo fogoso; se lhe largamos o freio, o seu ardor exagerado em breve a deixa esgotada." (William Shakespeare)
Nesses dias de profunda tristeza, que nos levam a temer pelo futuro do nosso povo e desse extraordinário País, e depois de ouvir de perto o choro de um homem perseguido pelo ódio, pela calúnia e pela infâmia, me veio à lembrança uma cena singela que há 14 anos acendeu em mim a esperança que agora tanto me atormenta.
Falo daquele abraço que o recém-eleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu no então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nelson Jobim, durante a solenidade de diplomação. Era dezembro de 2002. Naquele simbolismo ficou a imagem do operário buscando socorro nos braços de um Poder supremo para conter a emoção. "E eu, que durante tantas vezes fui acusado de não ter um diploma superior, ganho o meu primeiro diploma, o diploma de presidente da República do meu país", disse Lula.
Lembro-me também do primeiro pronunciamento do presidente logo depois de eleito, quando anunciou, para fascínio de milhões de brasileiros e espanto dos privilegiados de sempre, que o governo criaria um ministério para combater a fome no País. Foi, de verdade, o começo de uma nova era.
Com o programa Fome Zero e o Bolsa Família, Lula e o PT deram início a uma verdadeira revolução social que se estendeu por todos os rincões dessa nação. Mais de 35 milhões de pessoas saíram da miséria absoluta. Pais e mães viram seus filhos desfrutarem de três refeições por dia, coisa que nunca haviam experimentado antes.
Da mesma forma, milhares de jovens obtiveram acesso à universidade e a cursos técnicos abertos em localidades até então desprezadas pelo poder público. Também por 13 anos, milhões e milhões de trabalhadores puderam ser enquadrados na categoria de consumidores de verdade, graças aos aumentos reais do salário mínimo que ainda proporcionaram dignidade a outros milhões de homens e mulheres aposentados.
Mas não foi só isso. Ao contrário do que pregavam os engravatados da Wall Street tupiniquim e seus apaniguados, Lula e o PT também estabilizaram a economia, derrubaram a inflação que disparava e fortaleceram a indústria e o setor de serviços. Da mesma forma, foi Lula que soube conduzir o País durante a tempestade financeira de 2008.
Promovemos ainda uma das menores taxas de desemprego da história, geramos confiança nos agentes econômicos, acumulamos reservas internacionais de mais de US$ 300 bilhões e recebemos o grau de investimento que nos tornou um país respeitável lá fora. O Brasil decolou e passou a ser protagonista no cenário político e econômico mundial.
Tudo isso, porém, está ameaçado. A necessidade legítima e universal de qualquer mandatário de buscar uma coalizão parlamentar capaz de garantir o mínimo de governabilidade pelo bem geral corre o risco de naufragar quando o que se encontra pela frente é um misto de oportunismo, pequenez, ganância e a falta do mais simplório espírito público. Foi isso que aconteceu.
O PT cometeu erros, não negamos. Mas o maior desacerto pelo qual estamos pagando foi o de nos permitir compor uma aliança política em que as chantagens e os interesses escusos se sobrepuseram à construção de projetos que permitissem avançar nas conquistas da população.
Durante séculos, a elite retrógrada e preconceituosa sempre compactou com o que há de mais espúrio na política brasileira. Agora, na mais repugnante orquestração golpista, essa mesma elite recorre à hipocrisia para destruir aquilo que mais a ameaça: a ascensão do povo brasileiro ao papel que sempre lhe foi negado, o de protagonista de seu próprio destino. Para isso, é preciso destruir, sem piedade, aquele que moveu essa roda da História.
Lula está sendo massacrado porque o conluio das forças antipopulares não se conforma com a possibilidade de o maior líder político de esquerda da América Latina voltar a ser o "comandante máximo", o "maestro regente" e o "general", isto sim, das transformações que o Brasil ainda necessita. Essas forças, que se aliaram a setores cujos interesses eram inconfessáveis, mas que agora estão à vista de todos, não admitem ser apeadas do poder pela quinta vez, em 2018.
Vale tudo. Vale humilhar o presidente e a sua família em rede nacional, vale invadir a sua residência e vasculhar até o colchão do casal e vale montar espetáculos pirotécnicos vergonhosos, impulsionados pela fraqueza da vaidade, para formular acusações sem uma única prova. E, sobretudo, vale ajudar a destruir a economia e as empresas nacionais que já foram severamente atingidas pela crise política.
O Brasil está sem rumo. Que a cólera dos falsos heróis da moralidade não espalhe ainda mais a devastação que a todos atormenta. Essa é a minha convicção e a de muitos brasileiros de bem.
http://www.brasil247.com/pt/colunistas/gleisihoffmann/256267/A-cólera-dos-falsos-moralistas.htm

TSE busca jeitinho de condenar Dilma e poupar Temer

FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ABR    247 - Técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acredita ter provas suficientes para sustentar que o financiamento da campanha à reeleição de Dilma Rousseff e de Michel Temer incluiu verbas desviadas da Petrobras. Seriam evidências suficientes para justificar a cassação da chapa vitoriosa em 2014, informa o Blog do Josias, no portal Uol. Deposta, Dilma não é problema. O mandato que está em jogo é o de Temer, razão pela qual já começam a soar no TSE avaliações sobre a conveniência de poupar o substituto.
O blog afirma que ouviu de um ministro que a corte não pode ficar alheia à conjuntura e que os sete julgadores “talvez tenham que fazer um juízo atenuatório, levando em conta as consequências” de uma interrupção da Presidência de Temer. Outro ministro consultado declarou que “a eventual preservação do mandato do presidente substituto não seria nenhuma aberração jurídica.”
Provocada pelo PSDB, a investigação da campanha de Dilma vede levar o TSE o mais longe que já foi na análise de uma prestação de contas presidencial. O presidente Gilmar Mendes pretende dar ao processo o mesmo holofote de processos midiáticos como o Mensalão e a Operação Lava Jato.
Se a chapa Dilma-Temer fosse cassada pelo TSE até o final do ano, o brasileiro teria a oportunidade de escolher um novo presidente da República em eleição direta. Se o julgamento ficar para 2017, caberia ao Congresso Nacional, apinhado de parlamentares sob investigação no petrolão, apontar o nome do próximo presidente.
A eleição indireta é um dos fatores que levam ministros do TSE a afastar a corda do pescoço de Temer.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/257034/TSE-busca-jeitinho-de-condenar-Dilma-e-poupar-Temer.htm

Brasil surreal: anistia ao caixa 2, propina no caixa 1

247 – Uma das teses centrais da Operação Lava Jato é de que as doações empresariais de campanha ao PT foram propina. O partido teria sido usado como lavanderia para disfarçar a origem das doações, que viriam de contratos superfaturados da Petrobras. Por esse motivo, o ex-tesoureiro João Vaccari já foi condenado e está preso.
Embora a Lava Jato tenha descoberto doações a políticos de praticamente todos os partidos, os demais tesoureiros não foram atingidos.
Agora, superado o impeachment da presidente Dilma Rousseff e com o ex-presidente Lula denunciado em Curitiba, trama-se em Brasília a cereja do bolo: uma anistia ampla, geral e irrestrita a todos os políticos que possam vir a ser acusados pelo crime de caixa dois.
Estima-se que mais de uma centena de políticos estará presente nas delações da Odebrecht e da OAS que estão sendo finalizadas. A ordem do dia, agora, no projeto costurado por políticos como Carlos Sampaio (PSDB-SP), Beto Mansur (PRB-SP) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), é considerar o caixa dois um desvio menor. Ou, quem sabe, até algo rotineiro, que não possa ser criminalizado.
Afinal, como diz o ministro Geddel Vieira Lima, citado nas delações de várias empreiteiras, "caixa dois não é crime" (leia mais aqui).
Se essa iniciativa vingar, chegar-se-á, como diria Michel Temer, a um desfecho surreal: a doação oficial dá cadeia, enquanto a doação clandestina gera anistia.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/256322/Brasil-surreal-anistia-ao-caixa-2-propina-no-caixa-1.htm

Cunha confirmará golpe parlamentar em seu livro

247 – O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pretende admitir, no livro que será lançado no fim deste ano, que o impeachment da presidente Dilma Rousseff foi um "golpe parlamentar", numa conspiração liderada por ele, Michel Temer, lideranças do PMDB, do PSDB e de vários outros partidos.
A informação é do colunista Lauro Jardim, no Globo:
Ressentido e com a faca nos dentes, Eduardo Cunha bancará no livro promete lançar em dezembro que o impeachment de Dilma Rousseff foi um 'golpe parlamentar'. Antes que os petistas se animem por ter encontrado um companheiro para gritar contra o 'golpe', um alerta: o notório deputado cassado sustentará que foi exatamente o que aconteceu com Fernando Collor, em 1992.
Se Collor foi vítima de um golpe, nada a muda a realidade de que, tanto em 1992 quanto em 2016, não havia espaço constitucional para afastamento de presidentes da República sem crime de responsabilidade.
Segundo Lauro Jardim, Cunha também prepara um segundo livro, chamado "Delação não premiada", em que ele irá falar sobre o comportamento dos deputados que o traíram na votação da sua cassação.
Às editoras com quem negocia, Cunha pede um adiantamento de R$ 1 milhão.
Confira aqui a posição de Eduardo Cunha, que contesta Lauro Jardim e o chama de "pilantra".
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/256970/Cunha-confirmará-golpe-parlamentar-em-seu-livro.htm

O golpe das corporações

Beto Barata/PR
Infelizmente, parte da inteligência colonizada brasileira não é capaz de perceber que as teorias que têm como fulcro a democracia procedimental não dão conta de explicar certos fenômenos. Por isso, vemos, extasiados, expoentes das ciências sociais afirmarem que não houve golpe “porque as instituições estão funcionando”. Que beleza!
Como já tratamos em outros posts, a coalizão política do golpe é liderada pelos caciques do PMDB e do PSDB. Não sei se nessa ordem. Aliás, na mídia, em 23/09, vimos a seguinte manchete: “PSDB é mais fiel ao governo Temer que PMDB”. Por enquanto, o desmonte das políticas públicas e sociais agrada os neoliberais tucanos, ávidos pelo poder em 2018. Vamos ver até quando esses (ajuntamentos de) interesseiros comerão na mesma panela.
Temos também o núcleo empresarial, encabeçado pela turma do pato amarelo e seus conglomerados associados.
Porém, há outros grupos que têm interesse num estado voltado à manutenção de privilégios de classe e de corporações: amplos segmentos policiais e do campo jurídico. Se voltarmos no tempo, encontraremos esses mesmos segmentos presentes nos bastidores dos golpes da proclamação da república e da ditadura civil-militar.
Já tratamos também dessa coalizão. Mas, é preciso que analisemos, mesmo que sucintamente, uma complexa engenharia política que engendra enredos jurídicos e institucionais, com o objetivo de reposicionar, contra a democracia, certas corporações estratégicas ao estado de direito.
Denominemos de campo jurídico-institucional. Os líderes dessa coalizão antidemocrática, antinacional e antipopular são Rodrigo Janot (e segmentos do Ministério Público Federal), delegados da Polícia Federal (com o apoio de milhares de policiais militares e civis país afora), Sérgio Moro (e outros parceiros do Tribunal Regional Federal 4, além dos convictos procuradores ligados à 13ª Vara Federal de Curitiba) e o ministro Gilmar Mendes (o PSDB no Supremo).
Esse grupo é alavancado, apoiado e protegido seletivamente pela mídia: umbilicalmente comprometida com o capital especulativo e rentista e com os segmentos historicamente mais atrasados da nossa sociedade.
A mídia é um outro núcleo da ampla coalizão golpista. O jornalismo, transformado em tribunal inquisitorial (porque condena antes da pronúncia da justiça, ao arrepio da Constituição), produz manchetes bombásticas sobre o que é seletiva e propositadamente escolhido pelo núcleo jurídico.
Quando, eventualmente, ficam evidentes as denúncias messiânicas, como a performance de Dallagnol, por exemplo, a mídia trata da questão como um mero erro “técnico”.
Para incriminar a esquerda e os movimentos sociais, manchetes bombásticas. Afinal, as eleições serão daqui a alguns dias. Para inocentar a direita, meros erros jurídicos.
Ademais, a grande imprensa esconde propositadamente a justiça de exceção: por exemplo, o TRF4 decidiu, nesta quinta-feira (22/9) que a operação "lava jato" não precisa seguir as regras dos processos comuns. Em outras palavras, às favas o estado de direito: a República de Curitiba está acima da lei.
Não esqueçamos: a lava-jato é uma operação judicial-policial cuja estrela-guia foi treinada nos Estados Unidos e cujo objetivo único, nos últimos tempos, é destruir um símbolo popular e, com isso, pretende-se, acabar de vez com os sonhos “de uma gente que ri, quando deve chorar e não vive, apenas aguenta”.
Essa operação, disfarçada de combate à corrupção, propiciou a assunção de um governo contra o povo: em consórcio com a mídia, a lava-jato pautou, nos últimos meses, a política institucional, principalmente no Congresso, através das manchetes seletivas produzidas todos os finais de semana (pelo núcleo jurídico). Objetivo: desestabilizar o governo que já enfrentava dura crise econômica e apear Dilma do poder a qualquer custo.
Mesmo que os analistas políticos tradicionais não queiram perceber, é evidente que os interesses (ideias/crenças) desses atores políticos articulados numa ampla coalizão de direita perverteram as regras procedimentais da democracia formal e manipularam as instituições republicanas para armar esse golpe, travestido de impeachment.
Enquanto um segmento da justiça parece tão proativo a ponto de suplantar a própria legalidade, observamos o sistema de justiça mais amplo leniente, omisso e cheio de vícios quando se trata de crimes praticados pelas elites tradicionais.
É que, no fundo, a justiça opera, também, para que os seus interesses corporativos prevaleçam sobre os interesses públicos e populares. As negociações para o aumento do Judiciário nos momentos mais nevrálgicos da crise política explicitaram essa faceta do golpe.
Já o núcleo policial, aqui inclusas as forças armadas, atua nos bastidores. Nas propostas de reformas (regressivas e inconstitucionais ) do governo de plantão, nem uma linha acerca de privilégios (trabalhistas, funcionais e previdenciários) desse segmento.
Enquanto isso, as ninfas do Supremo continuam a assistir tudo em berço esplêndido. Um estagiário de direito me perguntou: para que um tribunal constitucional numa terra sem lei? Alguém se habita a responder?
Enquanto os torquemadas acima-da-lei perseguem uns, inclusive em hospitais (contingência que era respeitada até pela ditadura), nada (nem na mídia, nem nos tribunais, nem nas operações policiais) acerca das delações contra políticos do PSDB; não se sabe o endereço do banido da Câmara e sua esposa; não se fala mais de Daniel Dantas, do Banestado, dos sonegadores do CARF, dos titulares das contas secretas do HSBC na Suíça, da lista de Furnas, etc., etc., etc. E todos dormem na mais tranquila paz. Uma paz dos cemitérios.
Na sociedade civil, parte da classe média tradicional, outro núcleo do golpe, (entre os quais, os batedores de panelas), vomita ódio nas redes sociais e caminha em uníssono com seus negócios cujo único objetivo é eliminar os interesses dos pobres e dos segmentos socialmente vulneráveis. E há quem defenda, inclusive, eliminar os pobres.
E assim, os dias vão se passando em Pindorama: jogo jogado no congresso, na mídia e nos tribunais.
E viva o combate à corrupção! Sem panelas.
http://www.brasil247.com/pt/colunistas/robsonsavioreissouza/256960/O-golpe-das-corporações.htm

Temer quer o golpe para salvar o Brasil dos brasileiros

Beto Barata
Nem bem Allende tinha sido eleito democraticamente presidente do Chile, o Roberto Marinho daquele pais, Agustin Edwards, dono do jornal El Mercurio, se reunia, na Sala Oval da Casa Branca, em Washington, com o então presidente dos EUA, Richard Nixon, e o então secretario de Estado, Henri Kissinger. Depois do seu relato do que seria o governo de Allende e dos riscos que representaria do que eles consideravam um Chile democrático, Kissinger sentenciou:
– É preciso salvar os chilenos das suas loucuras.
Aí começou a ser planificado o monstruoso golpe militar que tirou a vida da democracia chilena – a mais longa da América Latina – e do próprio Salvador Allende, substituindo-o pelo mais sanguinário ditador, Augusto Pinochet.
Pinochet se propôs colocar em pratica o objetivo de Kissinger: “salvar os chilenos de suas loucuras” democráticas, com seus métodos e sem ter que apelar para eleições para se legitimar. Poderia “colocar o Chile de novo nos trilhos”, à sua maneira e nos trilhos em que ele achava que devia estar o Chile. Chamou os Chicago Boys e o pais passou de ser um modelo social para a America Latina, para ser um inferno para a grande maioria.
Temer diz que sua falta de ambições eleitorais e sua disposição de ter 5% de apoio, contanto que “coloque o Brasil de volta nos trilhos”, são um mérito, com que ele vai contar. Um problema é o que ele considera que sejam os trilhos pelos quais deve correr o Brasil. Não dispõe de nenhuma ideia. Repete o senso comum, depois se desmente e aí volta de novo atrás. Seu senso comum, pelo visto, até agora, é o que o Meirelles diga. Que, por sua vez, se comporta como se o mundo fosse o mesmo de há quatro décadas atrás, quando o neoliberalismo surgiu, vigoroso, propondo-se a virar uma pagina da história e mudar tudo, de forma radical e definitiva. Bastaria controlar a inflação e o gasto público e o mundo entraria nos trilhos.
Não teriam acontecido os fracassos do modelo neoliberal duro e puro no Brasil, na Argentina, no México, em toda a Europa. Não haveria crise internacional do capitalismo, a mais longa e prolongada em décadas, sem prazo para terminar, perpetuada pelas políticas de ajuste da austeridade. Não teriam havido os governos que demonstraram que é possível crescer e distribuir renda, que o potencial do Brasil é grande, que a intensificação dos intercambios regionais e as relações com a China e a Rússia são a melhor reinserção para o Brasil no mundo.
Não haveriam os BRICs e seu Banco de Desenvolvimento, os EUA não teriam deixado de ser um grande parceiro comercial – de que o Mexico é vitima privilegiada. Não haveria o fracasso anunciado da retomada de um modelo similar na Argentina do Macri. O Lula não continuaria sendo o único grande líder popular do Brasil, como expressão do sucesso do seu governo.
Meirelles age como se realmente a história tivesse acabado, que o Consenso de Washington tivesse mostrado que qualquer governo sério se centra na “lição de casa” do ajuste fiscal. É um ser fora do tempo, como o mercado se considera um bem permanente, atemporal, o “melhor alocador de recursos”, seja qual seja o pais, o tempo, e as circunstâncias.
Se considera a hipótese de ter 5% ou menos de apoio, é porque Temer sabe que aplica um programa monstruosamente antipopular, que afeta duramente os interesses da grande maioria dos brasileiros e atende os interesses do 1% mais rico. Deveria saber que os trilhos em que ele quer colocar o Brasil são os trilhos do capital especulativo, que não produz nem bens, nem empregos, que vive do endividamento de governos, de empresas e de pessoas. Que perpetua a recessão e o desemprego.
Temer que salvar o Brasil dos brasileiros, de que estes decidam o que querem para si mesmos e para o nosso pais. Considera loucura a democracia, a distribuição de renda, a educação, a saúde, a habitação, o bem estar para todos. Deu o golpe para que isso não acontecesse. Quer tirar os direitos de todos para estreitar o pais na bitola dos lucros dos grupos financeiros. O que só pode fazer através de um golpe.
Os brasileiros não precisam ser salvos por ninguém, menos por um golpista aventureiro. Os brasileiros sabem decidir os caminhos da sua salvação, que são os caminhos da democracia, e por isso repudiam, em uníssono, o golpista, que quer salvar os mais ricos, os interesses estrangeiros, os políticos corruptos, ele mesmo e sua gangue. Temer que se salvar e à sua gente, às custas do Brasil, dos brasileiros, da democracia, do patrimônio nacional e dos direitos de todos. Por isso não é respeitado, nunca terá mais do que os 5% de apoio e, principalmente, terminará sendo punido, de forma dura e justa, pelos brasileiros.
http://www.brasil247.com/pt/blog/emirsader/256978/Temer-quer-o-golpe-para-salvar-o-Brasil-dos-brasileiros.htm

Escanteado, Serra ameaça demitir todos assessores, menos um

Valter Campanato/Agência Brasil 247 – Já foram bem melhores as relações entre o chanceler José Serra e Michel Temer. É o que informa o jornalista André Barrocal, na Carta Capital:
O ministro das Relações Exteriores, José Serra, ameaçou demitir todos os assessores de seu gabinete, exceto um, assim que voltou a Brasília de uma viagem a Nova York, aonde fora acompanhar o presidente Michel Temer. A conferir se as demissões se confirmarão nos próximos dias, mas o rompante é compreensível. Serra regressou enfraquecido dos Estados Unidos, país ao qual sonha atrelar o Brasil.
O chanceler foi ignorado na elaboração do discurso presidencial proferido na terça-feira 20 na Assembleia Geral das Nações Unidas, motivo principal da viagem da dupla. Viu Temer assumir posições conflitantes com as suas. Ficou (por opção própria) em um hotel diferente daquele usado pelo chefe e por ministros da comitiva. Ausentou-se de uma histórica reunião global sobre refugiados.
Relegado ao papel de figurante, embora seja um conhecido aspirante à cadeira hoje ocupada por Temer, não surpreende o tucano ter deixado o peemedebista esperando por uma hora em um jantar oferecido pelo presidente no domingo 18.
No pronunciamento perante a Organização das Nações Unidas (ONU), Temer adotou um tom mais geopolítico do que comercial, ao contrário da postura vista até aqui em seu ministro da área. E expôs posições que soaram como puxões de orelha no subordinado.
“A integração latino-americana”, disse, é uma “prioridade permanente” do Brasil, não importa que haja “em nossa região governos de diferentes inclinações políticas”.
Leia a íntegra na Carta Capital.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/256995/Escanteado-Serra-ameaça-demitir-todos-assessores-menos-um.htm

Janio de Freitas: TRF-4 converteu Lava Jato em tribunal de exceção

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agênci 247 – O jornalista Janio de Freitas avalia que a Lava Jato ganhou aval do Tribunal Regional Federal da 4a. Região para ser converter em tribunal de exceção (leia aqui a posição da defesa do ex-presidente Lula a respeito).
"Esse é o auxílio que o país recebe de um tribunal do Sul, quando os fatos fora do comum se multiplicam e parecem não ter fim: a cada dia, o seu espetáculo de transgressão", diz Janio.
"Isso se deu porque o Tribunal Regional Federal da 4a Região (Sul) precisou decidir se aceitava o pedido, feito por 19 advogados, de 'processo administrativo disciplinar' contra o juiz Sergio Moro. O pedido invocou 'ilegalidades [de Moro] ao deixar de preservar o sigilo das gravações e divulgar comunicações telefônicas de autoridades com privilégio de foro [Dilma]'. Parte das gravações, insistiu o pedido, foram interceptações 'sem autorização judicial'", lembra Janio.
Como o TRF-4 deu aval a procedimentos fora do que a lei permite, fica criado, na visão de Janio, o tribunal de exceção. "Fazem-se entendidos os abusos de poder, a arrogância, os desmandos, o desprezo por provas, o uso acusatório de depoentes acanalhados, a mão única das prisões, acusações e processos: Tribunal de Exceção."
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/256972/Janio-de-Freitas-TRF-4-converteu-Lava-Jato-em-tribunal-de-exceção.htm

sábado, 24 de setembro de 2016

O cheiro dos pobres e o sinal dos tempos


Quando disse que quase vomitou com o cheiro de um pobre que tentou ajudar colocando-o em seu carro, o candidato a prefeito de Curitiba pelo PMN, Rafael Greca, apenas disse em voz alta o que muitos sentem, mas não dizem neste Brasil esquisito que está surgindo.
- Eu nunca cuidei dos pobres. Eu não sou São Francisco de Assis. Até porque a primeira vez que eu tentei carregar um pobre no meu carro eu vomitei por causa do cheiro – disse Greca num debate. Depois, alegou que a frase foi descontextualizada.
De fato, como disse em artigo sobre esta confissão insólita o jornalista José Carlos de Assis, nunca pensamos que Justo Veríssimo, o personagem politicamente incorreto de Chico Anísio, iria nos aparecer um dia na pelo de um candidato real. “Detesto pobre. Pobre tem que morrer”, dizia Justo Veríssimo lá pelos anos 80. Ele era a síntese do politicamente incorreto porque o Brasil era outro. Havia saído da ditadura e tentava ser um país melhor. Uma nova Constituição lançara as bases de um Estado de bem-estar social. Longe de fortalecer preconceitos, pelo contrário, os absurdos ditos por Justo Veríssimo fortaleciam a rejeição ao elitismo e estimulavam o sentimento construtivo da fraternidade.
Uma parte dos brasileiros começou a externar sua ojeriza aos pobres justamente quando um presidente, agora também perseguido, implantou as mais aguerridas políticas de combate à pobreza que o pais já teve. E aí começaram as lamúrias da classe média conservadora contra os pobres. Ganhavam Bolsa Família e não queriam mais trabalhar. Ascendiam socialmente e entupiam os aeroportos, entrando esmolambados e de chinelas nos aviões, sentando-se na poltrona errada. Com o Pro-Uni, deram para ingressar em faculdades privadas. Com as cotas, os pobres e negros, pois uma coisa anda junto com a outra, passaram a disputar com favorecimento vagas nos concursos e nos vestibulares. Deram para frequentar os shoppings, e com esta invasão de produtos chineses, para desfilar com falsas bolsas da Chanel e da Louis Vitton. Com a isenção do IPI, compraram seus carrinhos e contribuíram para infernizar o trânsito. Ah, estes pobres metidos a besta. E estas domésticos, exigindo jornada de oito horas e FGTS regulamentados pela Dilma...
O que Greca verbalizou foi este sentimento coletivo difuso contra os pobres, que deixou de ser politicamente incorreto.
Agora, tudo está voltando ao normal, devem dizer aliviados para seus próprios botões. O desemprego colocou muitos pobres em seu devido lugar. A recessão levou de volta para as casas das famílias muitas domésticas que haviam conseguido emprego no comércio, na indústria e na construção civil. Estes programas sociais, mais dia, menos da, vão ser restringidos na era da austeridade fiscal.
O que Greca disse – que preferiu transferir para a Igreja Católica a gestão de um abrigo social – está sendo dito com eufemismos pelos novos donos do poder político: O Estado tem que ser mínimo e deixar que estes problemas sejam resolvidos pelo mercado. No máximo, pelas Igrejas, as Ongs e outras organizações que gostam de pobres e não vomitam ao sentir o cheiro deles.
http://www.brasil247.com/pt/blog/terezacruvinel/256860/O-cheiro-dos-pobres-e-o-sinal-dos-tempos.htm

Todo incompetente prefere bajular seu chefe para subir na vida, ao invés trabalhar em equipe par crescer juntos

Serra manda tirar bandeira do Mercosul da frente do Itamaraty

Brasília 247 – Não há mais a bandeira do Mercosul diante do Palácio do Itamaraty, em Brasília.
A determinação partiu do chanceler José Serra, que jamais escondeu sua aversão pelos países vizinhos
Também deixaram de ser realizadas reuniões para tratar da região.
Uma das primeiras medidas de Serra foi a implosão do bloco, ao agir, em sintonia com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para impedir que a Venezuela assumisse a presidência temporária.
O que Serra busca é uma reaproximação com os Estados Unidos.