quarta-feira, 10 de outubro de 2007

FMI cita Brasil como exemplo de redução da desigualdade

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cita o declínio recente da desigualdade social no Brasil, com base em uma média ponderada a partir da população. Em relatório divulgado na noite da última terça-feira, 9, parte dos capítulos analíticos do documento Perspectiva Econômica Mundial, o FMI constata que as tendências de concentração de renda são bastante distintas entre as principais economias emergentes, com avanço acentuado da desigualdade na China e declínio no Brasil, por exemplo. Entre as economias mais avançadas, a desigualdade parece ter declinado apenas na França, acrescenta o FMI. As projeções oficiais serão divulgadas no dia 17 de outubro, na semana do Encontro Anual do FMI, em Washington. No entanto, quando o parâmetro usado é o coeficiente de Gini, o Fundo constata que a desigualdade avançou nas últimas duas décadas em regiões como Ásia em desenvolvimento, Europa emergente, América Latina e economias asiáticas industrializadas recentemente, enquanto revela redução nos países de baixa renda agregada, como na região subsaariana. A redução de tarifas comerciais é algo positivo na redução da desigualdade de renda no globo, afirmou o FMI. Enquanto o Fundo reconhece que os avanços tecnológicos e a globalização financeira, em particular o investimento estrangeiro direto (IED), têm contribuído para o aumento da desigualdade social, o FMI avalia que o aumento da globalização do comércio é associado com declínio da desigualdade, "ao contrário da crença popular". Agrícola e tecnologia O Brasil, junto com Argélia, Nicarágua e Tailândia, é um exemplo entre países onde o aumento da exportação de produtos agrícolas tem sido associado com declínio da desigualdade social, segundo o FMI. "É notável a redução da desigualdade de renda como efeito positivo do comércio, particularmente com relação às exportações agrícolas, especialmente em países em desenvolvimento onde a agricultura ainda emprega uma larga escala da força de trabalho." Esta conclusão é derivada de indicações de que um avanço na produtividade relativa agrícola é associada com redução na desigualdade. Na avaliação do FMI, o progresso tecnológico é o que mais tem contribuído para o aumento da desigualdade no globo nas últimas duas décadas. No entanto, o Fundo constata que o efeito da globalização sobre a desigualdade é relativamente pequeno especialmente nos mercados emergentes e países em desenvolvimento. "A globalização do comércio reduz a desigualdade de renda tanto em países avançados quanto em desenvolvimento", estima o economista sênior do Departamento de Pesquisa do FMI responsável pela análise de "globalização e desigualdade" no documento Perspectiva Econômica Mundial, Subir Lall. No entanto, o economista do Departamento de Pesquisa do FMI, responsável pela análise de "globalização e desigualdade", Subir Lall, destaca que a globalização e também o progresso tecnológico trouxeram prosperidade para o mundo. No entanto, ele adverte que "é importante garantir que os benefícios da globalização e do progresso tecnológico sejam compartilhados amplamente pela população". Crescimento e recessão O crescimento econômico global dos últimos cinco anos é o mais rápido do que em qualquer outro momento desde a década de 1960, com forte ritmo e baixa volatilidade. No entanto, "baixa volatilidade não elimina recessões ocasionais". Para o Fundo, a tarefa de manter a continuidade das expansões exige que as autoridades identifiquem e se adaptem a novos desafios à medida que estes forem surgindo. "Esta foi a lição aprendida a duras penas durante a crise da Ásia no final da década de 1990 e, antes disto, na década de 1960 e no início da década de 1970", afirma o economista do FMI Nikola Spatafora. Para ele, o recente tremor nos mercados financeiros serviu como lembrete dos desafios que podem aparecer. "É crítico que o crescimento prolongado que temos testemunhado não incite complacência", advertiu. A grande entrada de capital privado impõe desafios significativos à estabilidade macroeconômica dos países emergentes, embora, quando bem utilizado, ofereça benefícios de longo prazo. "Resistir à apreciação nominal da moeda (derivada da entrada de capital) por meio de intervenção não deve levar à moderada apreciação real (da moeda) e pode conduzir a conseqüências macro mais sérias", alerta o Fundo. "Em termos de resposta política, manter os gastos do governo em uma trajetória constante, em vez de entrar em gasto excessivo durante o período de entrada de capital, ajuda a mitigar os efeitos adversos da entrada de capital, pois ajuda conter pressão na demanda agregada e a limitar a apreciação real da moeda", destaca o economista sênior do Departamento de Pesquisa do Fundo e responsável pela análise intitulada "gerenciamento de entrada capital" nos capítulos analíticos do documento Perspectiva Econômica Mundial, Roberto Cardarelli. Em oposição, acrescenta o Fundo, a resistência a uma apreciação nominal da taxa de câmbio, intervenção para esterilização e a tentativa de limitar a entrada de capital por meio de endurecimento de controle de capital, não é, no geral, associada a uma menor apreciação real da moeda ou melhor performance do PIB como conseqüência dos episódios de grande entrada de capital. Os desafios aos governos derivam do potencial que a entrada de capital privado representa na geração de aquecimento excessivo da economia, perda de competitividade e aumento da vulnerabilidade em relação a uma acentuada reversão da entrada de capital, enumera o FMI. "Como porcentual do PIB das economias emergentes, a entrada líquida de capital privado deve ultrapassar 3% no final de 2007, voltando ao pico visto no início da década de 1990 e que terminou rapidamente em 1997/98 com a crise asiática", prevê o economista.
Agência Estado

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