quarta-feira, 19 de setembro de 2007

UMA DOCE E EFICIENTE REVOLUÇÃO

Por Flávio Rezende
Participei de um evento recentemente. Era no estilo indiano: mulheresde um lado, homens de outro. Do lado das mulheres, todos os lugaresocupados, precisando de mais cadeiras. Já do meu lado, espaços vazios. O tempo passou e, hoje, fui fazer uma das coisas que mais gosto:caminhar. No baile dos passos, mulheres passando, suadas, numdeslocamento de um hotel para outro. Pistas de que estão num evento.Ai observo uma bem pequena, coisa de um metro, não sei que palavrapoliticamente correta usam hoje, mas é o que antigamente chamávamos deanã. Como meus passos são mais rápidos, logo a alcancei. Percebi quefazia parte do mesmo evento, estava lá, andando, com a sacola doevento na mão. Olhei para baixo e ela sorriu, retribui feliz e saipensando. As mulheres na minha juventude estavam no início desta revoluçãosilenciosa e eficaz. Já davam sinais de que não estavam mais a fim deficar em casa, cuidando de filhos e pilotando fogão. Pensávamos queiam empatar, mas pelo que estou vendo, em todos os lugares que vou, emtodos os cantos que freqüento que elas já passaram a passos largos e,assumiram tudo. A revolução que as mulheres estão fazendo no planeta me dá mais fé nummundo melhor. Gosto do comportamento das mulheres, da sensibilidade,de como elas conduzem as coisas. Gosto de suas tomadas de posição e dafirmeza de propósitos. Claro que tem as "nó cego", lógico, mas agrande maioria, forma com decência no time das almas boas. A doce revolução feminina está clara, não estou escrevendo aquinenhuma novidade, apenas aplaudindo essa passagem, torcendo para queas mulheres avancem mais, cada vez mais, ocupem postos e, apelo paraque tomem gosto também pela política, uma área ainda muito masculina,mas contaminada pela corrupção e pela insensibilidade. Hoje, meus amigos, amam ficar na cozinha fazendo pratos e comentandosobre futebol, enquanto as mulheres ficam na sala, resolvendo ascoisas da vida. Decididamente a vida se move de um pólo para outro, quando uma coisase torna radicalmente yin, ela já traz em seu bojo a semente do yang,seu oposto, daí a salutar conduta revelada pelo senhor SidarthaGautama, o Budha, quando há mais de 2.500 anos atrás, disse que omelhor, é o caminho do meio. Que as mulheres possam realmente revolucionar nosso planeta Terra,contagiando com sua peculiar sensibilidade, todos os homens,embrutecidos por um comportamento falido e, praticamenteultrapassados, em suas posturas machistas.
Flávio Rezende é escritor e jornalista em Natal/RN - (flavioldrezende@gmail.com)

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