sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Polícia fere 3 pessoas por engano

Cerca de 25 marcas de balas de pistolas e metralhadora. Manchas de sangue espalhadas pelo interior de uma Hilux preta. As imagens retratam o terror que dois casais viveram na noite de ontem, na avenida Raul Barbosa, no bairro Dionísio Torres, quando o veículo em que eles trafegavam foi confundido pela Polícia com a camionete de um grupo de assaltantes. Três dos quatro ocupantes do carro saíram feridos. O espanhol Marcelino Ruiz Pompeu, 38 anos, foi baleado e pode ficar paraplégico. O italiano Inocenzo Brancatio, 39, que conduzia a Hilux, teve o antebraço fraturado por um dos disparos. Inocenzo e a mulher, identificada como Denise Campos, residem no Ceará e haviam se dirigido ao Aeroporto Internacional Pinto Martins para receber um casal de amigos que vinha da Espanha: Ruiz e a mulher, conhecida apenas como Mar. Na volta do aeroporto, os casais foram abordados pela PM. De acordo com a Polícia, sete policiais ordenaram que a Hilux, com vidros 100% fumê, parasse para uma abordagem. A suspeita era a de que o veículo seria conduzido por um grupo de assaltantes que, momentos antes, havia roubado o caixa-eletrônico do Banco do Brasil localizado no interior da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), no bairro do Passaré. O cerco policial teve início a partir da denúncia de moradores do bairro Castelão. Segundo o relato de testemunhas, uma Hilux preta teria deixado cair um caixa-eletrônico ao passar em velocidade por uma lombada na avenida Alberto Craveiro, no Castelão. A descrição do veículo feita à PM conferia com o veículo metralhado na Raul Barbosa. Somente depois da abordagem desastrosa, no Dionísio Torres, é que a Polícia recebeu a informação de que o veículo dos assaltantes seria uma camionete S-10, que foi encontrada abandonada no Passaré. De acordo com o supervisor de Policiamento da Capital, major PM Ricardo Moura, a Hilux abordada era a errada, mas o procedimento adotado pelos policiais foi o correto. "Os policiais mandaram que a Hilux parasse por duas oportunidades. A primeira foi no semáforo da (avenida) Murilo Borges e a outra foi aqui (Raul Barbosa, nas proximidades da avenida Pontes Vieira)", ressaltou o supervisor. Os policiais da torre de observação da avenida Rui Barbosa avistaram um veículo com as mesmas características e deram ordem para que os ocupantes descessem. Eles não teriam atendido à ordem a acelerado o carro. Os policiais passaram a atirar e, 300 metros à frente, o veículo parou. Quando a Polícia percebeu o erro, socorreu os ocupantes. O POVO apurou no local da abordagem que os policiais envolvidos no tiroteio poderão responder por lesão corporal grave, caso as investigações apontem a ocorrência de uma falha no procedimento. Um policial chamou a atenção para o fato de que as marcas de balas na Hilux foram feitas de trás para a frente do veículo. Outro fato que poderia contribuir para uma precipitação dos policiais foi o local da própria abordagem, a avenida Raul Barbosa, conhecida como a "avenida da morte". (Colaboraram Rafael Luis, Marcos Cavalcante e Janayde Gonçalves) COMO ACONTECEU Assaltantes levam um caixa-eletrônico do Banco do Brasil do interior da Emlurb. Eles fogem em uma Hilux preta, que testemunhas confundiram com uma Hilux. O caixa-eletrônico cai da caçamba do veículo, ao passar em velocidade por uma lombada na avenida Alberto Craveiro, na Bela Vista. Moradores avisam à Polícia. Policiais abordam uma Hilux preta que vinha do aeroporto com dois casais em seu interior. Na avenida Raul Barbosa, no bairro Dionísio Torres, o veículo é metralhado. Três ocupantes ficam feridos.

O POVO

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