sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Pólo Sul de Marte é reservatório de água limpa

A calota de gelo no Pólo sul de Marte é praticamente toda composta de água, e água excepcionalmente limpa: cruzamento de dados obtidos por diversas sondas que orbitam ou orbitaram o planeta vermelho sugere que a sujeira misturada corresponde a cerca de 15% do material presente. Cientistas só descartam a possibilidade de o gelo ser 100% puro porque um pouco de poeira aparece nas imagens feitas do espaço. Gelo de gás carbônico, ou gelo seco, forma uma camada fina sobre a água congelada. "Não creio que compreendamos totalmente por que a água se mantém tão pura", diz Mary Zuber, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), principal autora do trabalho que descreve a composição do pólo marciano, publicado na edição desta semana da revista Science. "Ainda temos de medir os ventos nessa área, o que certamente contribuirá para uma solução". No início do ano, dados de radar obtidos pela sonda Mars Express, da Agência Espacial Européia, já sugeriam que o Pólo Sul marciano seria composto, majoritariamente, de gelo de água. O novo trabalho combina dados da Mars Express com levantamentos feitos pela sonda Mars Global Surveyor - que perdeu contato com a Terra no final de 2006 - e leituras da Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) para determinar a densidade da calota polar. O resultado foi uma densidade média de 1220 kg/m3, podendo ir de 740 kg/m3 a 1780 kg/m3. Gelo puro tem uma densidade de cerca de 900 kg/m3. O artigo na Science afirma que o Pólo Sul de Marte é o maior reservatório de gelo de superfície conhecido nos planetas terrestres do Sistema Solar, excetuando-se a própria Terra. Segundo Mary, o total de gelo acumulado nos dois pólos marcianos corresponderia a cerca da metade da capa glacial da Groenlândia. A presença de água poderia fazer do Pólo Sul um bom lugar para a busca de vida em Marte, diz a pesquisadora. E também um destino atraente para missões com astronautas. "O acesso fácil ao gelo de água seria muito útil para exploradores humanos, mas a pouca luz solar seria um desafio", diz ela. "Teria de haver um estudo de engenharia para ver se a vantagem da água abundante supera o desafio da pouca energia solar". Água escondida Além do artigo da equipe liderada por Mary Zubrin, a Science desta semana traz outros três trabalhos sobre Marte, todos baseados em dados da MRO. Lançada em 2005, essa sonda tem o objetivo principal de procurar água, que é vista como chave na busca por formas de vida, atuais ou passadas, fora da Terra. Se a água no Pólo Sul é abundante, porém, sinais da substância em outras partes do planeta se mostram mais difíceis de confirmar. Um dos artigos afirma, por exemplo, que as imagens mais detalhadas da MRO tornam extremamente improvável que um grande oceano realmente tenha existido na região norte do planeta, como defendem alguns cientistas. Motivo: grandes rochas fotografadas no suposto "leito seco" do mar - rochas que um oceano de verdade teria destruído, por meio de erosão. As formações geológicas semelhantes a litorais, que levaram à especulação de que o norte de Marte seria um oceano seco, "podem ser explicadas de outras formas, como por fluxos de lava", diz Alfred McEwen, principal autor do artigo que analisa as novas fotos da MRO. O trabalho de McEwen também põe em dúvida uma das glórias finais da Mars Global Surveyor, a detecção de traços deixados por fluxos de material em duas encostas marcianas. Esses traços foram, inicialmente, interpretados como sinais de que água ainda corre, de tempos em tempos, pela superfície de Marte. As imagens da MRO até mostram outros rastros semelhantes, mas o artigo afirma que "a média das inclinações é maior de 20º, perto do limite de instabilidade de material seco e não-consolidado". "Em resumo, embora a presença de água não possa ser descartada, não há confirmação, em análises da MRO, de que água tenha chegado à superfície na última década", diz o texto. Lava e crateras Dados do MRO também mostram que um sistema marciano de canais, Athabasca Valles, está revestido por lava seca. "Apesar disso, ainda achamos que um fluxo de água é a melhor hipótese para a abertura dos canais originais", diz McEwen, que é um dos co-autores do artigo que trata dessas formações. Mas a camada de lava esconde efetivamente qualquer prova concreta da presença, no passado, de água - ou vida. O principal sinal de água fora dos pólos foi encontrado na formação de algumas crateras abertas pelo impacto de corpos vindos do espaço. A Cratera Mojave, e outras semelhantes, tem características, como canais, que levam os pesquisadores a imaginar que o solo impactado continha água. "Poderia haver uma camada de água no subsolo, com uma camada de gelo por cima, cuja distância da superfície depende do clima, latitude e porosidade da rocha e do solo", explica McEwen.

Agência Estado

Um comentário:

  1. Quem sabe num futuro próximo estaremos bebendo água de Marte, já que aqui na Terra, existem pessoas que contribuem muito para isso.

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