quinta-feira, 28 de março de 2013

Livros, não jogue fora

João Baptista Herkenhoff

Não jogue livros fora. Dôe a bibliotecas.

A propósito, eu me lembro das aulas de alemão que tive com a Professora Gisele Servare, quando aprendi que há uma expressão no idioma de Goethe para significar a queima de livros: Bücherverbrennung. Palavra enorme e com aparência horripilante, própria mesmo para significar o brutal ato de destruir livros.

Jogar livros fora é, ainda que sem muita malícia e consciência, fazer algo semelhante a Bücherverbrennung.

O livro que, por algum motivo, não me serve, pode servir a outra pessoa. Daí que o melhor destino para os livros em disponibilidade é uma biblioteca pública.

Se o livro já não está em bom estado, o doador deve providenciar a restauração antes de colocá-lo na biblioteca contemplada.

A biblioteca, desde tempos imemoriais, preserva livros. A mais famosa biblioteca da Antiguidade foi a de Alexandria, destruída por um incêndio, segundo se supõe. Com sua desaparição, grande parte da História Antiga foi sepultada.

No Brasil as maiores bibliotecas são a Nacional (Rio de Janeiro), a da Câmara dos Deputados (Pedro Aleixo) e a Biblioteca Pública de São Paulo.

No Espírito Santo, Estado onde resido, as maiores bibliotecas são a Estadual, a da Academia Espírito-Santense de Letras, a do Instituto dos Advogados, a do Instituto Histórico, a da UFES.

Celebremos na poesia o livro e o semeador de livros.

“Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.” (Clarice Lispector).

"Bendito, bendito é aquele que semeia livros,

livros à mão cheia e manda o povo pensar;

o livro caindo na alma,

é germe que faz a palma,

é chuva que faz o mar." (Castro Alves).

Devo a uma bibliotecária grande parte do amor que adquiri pelos livros. Eu a chamava de Dona Telma. Era a responsável pela Biblioteca Pública Municipal de Cachoeiro de Itapemirim. Indicava-me e aos meus colegas os bons livros. Transmitia aos frequentadores de nossa Biblioteca Pública o gosto que ela própria tinha pela leitura. Ensinava-nos a conservar os livros com capricho, cuidado e carinho.

Onde estará Dona Telma? Imagino que ela esteja lá em cima, em outras paragens, cercada de livros azuis.

Se não posso encontrá-la, se ela já se distanciou do mundo dos mortais, saúdo todas as bibliotecárias e bibliotecários do Brasil, reverenciando a bibliotecária de minha infância - essa Dona Telma que, com os livros, eu tanto amei.

João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado, professor itinerante, escritor. Acaba de publicar Encontro do Direito com a Poesia – crônicas e escritos leves (GZ Editora, Rio de Janeiro).

E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br

Homepage: www.jbherkenhoff.com.br

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