sexta-feira, 15 de março de 2013

Os grandes golpes da vida


Maria Regina Canhos

Se você acabou de levar um grande golpe da vida saiba que isso não
acontece só com você. Na verdade, esses tropeços nos ensinam muito mais do
que podemos imaginar acerca das pessoas e das coisas. São situações que
nos proporcionam amadurecimento quando encaradas positivamente, mas bem
sei que essa é a parte mais difícil. Quando nos sentimos pisoteados,
afrontados, humilhados... a última coisa que pensamos é tirar proveitosa
lição do incidente dramático. Normalmente, ficamos coléricos à espera de
uma oportunidade de revide, quando a vida novamente vier a nos favorecer.
Sentir assim é natural, embora não seja nada produtivo. De que adianta
ficar rememorando palavras ofensivas, atitudes desrespeitosas, carrancas
ameaçadoras? Serve somente para minar nossa paz interior e tornar
desconfortável o nosso dia a dia.
As pessoas naturalmente se dividem em dois grandes grupos: os “de bem com
a vida” e os “de mal com a vida”. Para os “de bem com a vida” as coisas
ruins também acontecem, é claro, mas são encaradas de forma positiva,
servindo de aprendizado, embora doam tanto quanto para os “de mal com a
vida”. A diferença básica é que os “de mal com a vida” pensam nisso o
tempo todo, e procuram avidamente uma vítima para o seu mau humor, o seu
descontrole emocional, o seu desequilíbrio interno. Qualquer um pode vir a
ser alvo dos “de mal com a vida”, simplesmente porque essas pessoas,
quando infelizes, querem arrumar companhia para não ficarem tão sós em seu
afastamento orgulhoso. A frustração não é vista por eles como forma de se
aprimorar, pelo contrário, é sinal de que o mundo está contra; e se o
mundo está contra: “pau” nele.
Lógico que isso gera um desgaste enorme. A mágoa, ao invés de diminuir,
aumenta. Afinal, não é fazendo os outros infelizes que vamos ficar
satisfeitos, pois existe uma ligação entre as pessoas e, acima disso, uma
lei de ação e reação: se você faz, você recebe. Seria muito melhor
tratarmos todas as pessoas com consideração e respeito, cordialidade e
afeição. Assim, teríamos um retorno satisfatório de nossas ações. O fato
de endurecermos com a vida só faz com que ela endureça conosco. Se nos
relacionamos com alguém de forma indelicada, estamos dando margem a sermos
tratados com a mesma indiferença e descortesia. Isso sem levar em conta
que, às vezes, podemos perder verdadeiras amizades e magoar quem realmente
nos admira e preza o nosso convívio. A situação, nesse caso, fica mais
complexa, pois existem relacionamentos que jamais se recompõem, tamanha a
decepção.
Precisamos aprender a considerar as pessoas como semelhantes e, assim,
merecedoras do nosso apreço. À medida que desprezamos, humilhamos e nos
prevalecemos sobre os outros, crentes que lhe somos superiores, criamos
uma distância enorme entre nós. Consideremos que a vida é realmente uma
escola. Se você foi nocauteado – levante; pois ela concede inúmeras
possibilidades de vitória a quem luta. Não desista!  Sua felicidade vale
todo o esforço. Não há o melhor que o outro. Você é tão importante que
Deus lhe fez único. Creia nisso e jamais alguém irá conseguir humilhá-lo
novamente.
Maria Regina Canhos (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora.

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