sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Programa do PSB apresenta Ciro como a novidade para a continuidade

O programa nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), transmitido em cadeia de rádio e televisão, foi marcado pela intensa exposição da imagem do deputado federal Ciro Gomes, pretenso candidato da sigla à Presidência da República nas eleições de outubro. O recado foi implícito, mas foi dado. Ciro falou e posou como candidato, sempre com o cuidado de mostrar sintonia com o presidente Lula, de forma a evitar a impressão de que seu projeto possa parecer, aos olhos do eleitor, uma espécie de racha ou traição.

Logo no início do programa, Ciro repetiu uma fala que recentemente dirigida ao desafeto José Dirceu: “Eu e o meu partido sempre estivemos firmes ao lado desse projeto liderado pelo presidente Lula, principalmente nos momentos mais difíceis, quando muitos do que hoje se dizem amigos de Lula, ou atrapalhavam, se escondiam ou faziam de tudo para derrubá-lo.”

Em seguida, o deputado procurou desfazer a polarização da campanha entre PT e PSDB, mostrando-se como uma terceira via: “O desafio agora é olhar para frente (…) O PSB quer apresentar ideias e propostas que preservem o legado de Lula, mas que também ampliem a discussão. Esse clima de Corinthians e Palmeiras, de Fla-Flu partidário, que leva o cidadão-eleitor a votar no partido A com medo do partido B, e não pelas suas propostas, e vice-versa, é ruim para o Brasil.”

De resto, o programa procurou mostrar os feitos do PSB nos Estados em que governa, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, com ênfase em ações e promessas de investimento em infra-estrutura, geração de empregos, saúde e educação. Como os demais partidos da base aliada, a sigla procurou tirar proveito de obras prometidas e ainda não entregues, como a Transposição do São Francisco e Rodovia Transnordestina.

Na parte em que o Ceará é destaque, o programa cita o Eixão das Águas, a “1ª siderúrgica do Nordeste” e “uma refinaria da Petrobras e termoelétricas“, como obras de Cid Gomes.

Na parte final, Ciro convida as pessoas a escolher entre olhar para o passado ou “definitivamente encarar o futuro”, apresentando-se como aquele que pode consolidar e ampliar as mudanças iniciadas por Lula. E no momento mais crítico, dispara: “A política não pode se reduzir a acordos em troca de cargos. O PSB sabe, humildemente, que só se governa com alianças, mas acreditamos que as alianças podem e devem ser mais íntegras, para fazer valer projetos de qualidade”.

Convenhamos, é difícil dizer ao eleitor que Lula fez tudo certo, mas que na hora de escolher um candidato para dar continuidade ao seu governo, o melhor é votar num candidato de outro partido, ainda que da base aliada. (Texto Jangadeiro).

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