“Os asmáticos vão usar mais bombinhas, as crianças vão ter mais risco de pneumonia e os idosos, principalmente em ondas de calor e extremos de frio, têm maior risco de infarto do miocárdio e de derrames, AVC. Isso, lamentavelmente, a gente nota nos nossos hospitais e nos atestados de óbito da cidade de São Paulo”, diz o coordenador do laboratório de poluição da USP Paulo Saldiva.
Com o cruzamento de dados climáticos, de poluição e hospitalares, o Instituto Nacional de Meteorologia poderá prever com até uma semana de antecedência, quantas internações médicas serão provocadas por influência do tempo.
“Eu posso dar um aviso três dias antes e as pessoas que sofrem de asma por exemplo pode se proteger da melhor forma possível para se prevenir desse risco”, comenta a idealizadora do projeto Micheline Coelho. O projeto surgiu a partir de uma pesquisa feita em São Paulo que avaliou os níveis de poluição registrados, principalmente por causa do trânsito pesado, fatores meteorológicos e as internações de pessoas com asma, bronquite e pneumonias nos hospitais. Os resultados são alarmantes.
Quando o clima está mais seco, sem chuva - o que é comum durante o outono - e a concentração de monóxido de carbono atinge 12 partes por milhão, por exemplo, 14% a mais de pacientes são internados com problemas respiratórios. Se tivermos um crescimento de 120 microgramas de material particulado - que sai na fumaça preta dos veículos - teremos 13% a mais de internações. Quando a concentração de dióxido de enxofre chega a 60 microgramas, as internações aumentam 27%. Uma situação que pode ser prevenida. “A população também pode ficar alerta com massa fria, tirar seus cobertores, tem toda uma vantagem de saber isso antes”, diz a idealizadora do projeto Micheline Coelho. “Por exemplo um idoso tem que começar a se resguardar em tais horas do dia porque a variação pode te surpreender. Não vão saber só se vão sair com guarda-chuva ou um agasalho. Vão saber como proteger sua saúde”, explica Paulo Saldiva.
Fonte: G1.
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