terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O presidente George W. Bush é esperado quarta-feira no Egito, um aliado mais distante e com influência em declínio, para uma última etapa obrigatória

O presidente George W. Bush é esperado quarta-feira no Egito, um aliado mais distante e com influência em declínio, para uma última etapa obrigatória no caminho de volta aos Estados Unidos.

Será em Sharm-el-Sheikh, longe do Cairo, que o presidente Hosni Mubarak receberá por algumas horas seus colega americano, desde que visitou Washington desde 2004.

A imprensa egípcia denuncia a política americana na região, mas os protestos contra Bush organizados pela oposição não reúnem mais que 50 pessoas nas ruas do Cairo.

"Trata-se do assassino dos palestinos e dos iraquianos, não podemos nunca recebê-lo no Egito", clamou Mohamed Abdel Qudus, figura do islamismo radical, diante de alguns seguidores na frente do sindicato da imprensa.

A curta visita de Bush não foi muito noticiada pela imprensa governamental nesta terça-feira, que a considera meramente protocolar.

Para Mustapha Kamal al-Sayyed, professor na Universidade do Cairo, "o presidente Mubarak compartilha a insatisfação geral com a política de Bush" no Iraque ou em favor de Israel.

"Ele vai recebê-lo calorosamente, mas não compartilha suas idéias", afirmou, notando que Bush não citou durante seu discurso em Dubai o Egito entre os países que avançam no caminho da democracia.

Mubarak, oposto à guerra no Iraque e criticado por Washington por obstaculizar o processo democrático, mantém com o presidente americano relações frias.

Muito reservado sobre a recente conferência de Annapolis, ele expressou publicamente suas dúvidas de que a iniciativa tardia de Bush ajude a resolver o conflito israelense-palestino.

"O problema palestino é a fonte da infelicidade na região", declarou Mubarak no fim de semana passado, acrescentando como uma espécie de concessão a frase "talvez ainda haja esperança, como disse o presidente Bush".

Apesar de criticar duramente o Irã xiita, o presidente Mubarak é contrário a qualquer outra via senão a diplomática para solucionar a crise do programa nuclear iraniano.

Ele denunciou publicamente a política de "dois pesos e duas medidas" aplicada neste caso por Washington, que concentra seus ataques sobre o Irã e ignora o arsenal nuclear de Israel.

As relações entre Estados Unidos e Egito continuam estratégicas, mas se deterioraram, sobretudo após o congelamento, em dezembro, de 100 milhões de dólares do total de 3 bilhões de ajuda americana anual.

O Congresso americano tomou esta decisão para protestar contra a falta de provas de que o Egito combate de forma eficaz o contrabando de armas, através de túneis, para a Faixa de Gaza, um território palestino controlado pelo movimento radical islâmico Hamas.

Desde sua reeleição, em 2005, o presidente Mubarak também foi criticado pelos americanos por sua repressão à oposição e pela ausência de reformas democráticas.

Rejeitando as lições de democracia de Washington, Mubarak respondeu que uma aceleração das reformas provocaria o "caos" na região, ou seja, a vitória dos radicais islâmicos.

Além disso, o Egito perdeu influência nas negociações israelense-palestinas, deixando a Arábia Saudita ocupar seu lugar.

LANCEPRESS!

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