domingo, 21 de outubro de 2012

Sobrevivendo à separação

É inegável que a separação traz inúmeras perdas tanto aos cônjuges quanto
aos filhos do casal. Mesmo que o ambiente doméstico seja tumultuado e
recheado de discussões e desentendimentos, é o lar a que todos estão
acostumados há um bom tempo. O conhecido, embora muitas vezes
desconfortável e desagradável, ainda é aceito com mais facilidade do que o
desconhecido, fonte de incertezas e riscos. Na visão dos filhos, quase
sempre o melhor é acordar e constatar que os pais continuam juntos, apesar
dos pesares. Nós sabemos, entretanto, que nem sempre acontece assim.
Por uma série de motivos, grande parte dos casais se separa. A guarda
compartilhada, mesmo apontada como a alternativa mais saudável diante da
separação, apresenta uma série de entraves práticos, oriundos da
dificuldade do casal em se relacionar satisfatoriamente após a separação.
Assim, embora alguns pais consigam obter a guarda judicial dos filhos, na
maioria das vezes, ela é concedida às mães, que, por serem
predominantemente emotivas e românticas, arcam ainda com a ruína de um
sonho e a frustração de ter um lar desfeito.
Sobreviver à separação com dignidade, evitando a autocomiseração ou uma
depressão profunda, não é tarefa fácil. Além da perda material, afetiva e
da cobrança dos filhos, as inúmeras responsabilidades, antes divididas,
passam a ser exercidas praticamente por apenas um dos cônjuges;
normalmente, pelo que detém a guarda. O que fazer diante desse desafio,
para não sucumbir frente às pressões do dia a dia?
Primeiramente, faça um planejamento adequado das despesas e do tempo gasto
no cuidado com os filhos, as duas coisas mais importantes de início para
que você não venha a se desestruturar. Comprometa-se com essas prioridades
a ponto de conseguir manter seu equilíbrio através delas, não exagerando
os problemas, mas buscando soluções. Procure aceitar suas dificuldades sem
ressentimentos, entendendo que problemas fazem parte da vida de qualquer
pessoa. Estabeleça um diálogo franco e aberto com seus filhos,
incentivando-os a falar sobre o que sentem e dividindo com eles a
perspectiva de bons momentos futuros.
Troque ideias com profissionais ou pessoas que já passaram por essa
experiência, a fim de assimilar o que de melhor eles têm a lhe ensinar.
Reserve um tempo a sós para ponderar acerca das oportunidades de
crescimento que a vida tem lhe proporcionado, mantendo sempre uma atitude
positiva diante dos novos desafios. Fazendo assim, você enfrentará as
dificuldades de cabeça erguida, sem a necessidade de responsabilizar
alguém pela separação e evitará que seus filhos se sintam culpados. Com o
passar do tempo e alcançando maior amadurecimento poderá, até mesmo,
realizar uma nova escolha.
Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é
escritora.
Acesse e divulgue o site da autora: www.mariaregina.com.br.

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