quarta-feira, 31 de outubro de 2012

"Jornal da Tarde" circula pela última vez depois de 46 anos

Rio de Janeiro, 31 out (EFE).- O "Jornal da Tarde" está nas bancas pela última vez nesta quarta-feira, depois de 46 anos de história, com a decisão do Grupo Estado de concentrar os investimentos e os esforços em outros veículos da empresa.

O tradicional vespertino paulistano, cuja primeira edição foi publicada em 4 de janeiro de 1966, havia perdido leitores nos últimos anos, e o Grupo Estado decidiu dar prioridade ao jornal "O Estado de S. Paulo", principal veículo do conglomerado.

"A determinação leva em conta o objetivo de investir na marca Estadão com uma estratégia multiplataforma integrada (papel, digital, áudio e vídeo e mobile), para levar maior volume de conteúdo a mais leitores, sem barreira de distância e custos de distribuição", explicou o Grupo Estado em comunicado.

A empresa acrescentou que o Jornal da Tarde deixará de circular apesar dos esforços do grupo para recuperá-lo financeiramente e diante da necessidade de atender às novas demandas da sociedade e dos mercados.

Segundo os dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC), o "Jornal da Tarde" imprimiu em setembro passado uma média de 36.800 exemplares diários.

A tiragem é muito inferior à média de 57.900 exemplares diários que a publicação tinha em 2005 e quase um terço dos 106.200 exemplares diários impressos em setembro pelo "Agora São Paulo".

Na década de 1990, no auge graças a um projeto gráfico inovador que incluía várias fotos, caricaturas e grandes reportagens, a tiragem chegou a ser de 190 mil exemplares diários.

O único caderno do "Jornal da Tarde" que será mantido é o "Jornal do Carro", especializado no mercado de automóveis e que a partir de 7 de novembro passará a circular como suplemento de "O Estado de S. Paulo" às quintas-feiras, e aos sábados e domingos, com novas seções.

"Ao longo de seus 46 anos de circulação, o 'JT' foi polo de inovação e criatividade e, com seus premiados jornalismo e design gráfico e sua prestação de serviços, influenciou gerações de leitores e de profissionais da comunicação", diz o comunicado do Grupo Estado.

A empresa de comunicação ainda não anunciou se demitirá os 52 jornalistas que ainda trabalhavam na redação do JT ou se os profissionais serão transferidos para outros veículos do grupo.

Segundo Francisco Mesquita Neto, diretor presidente do Grupo Estado, o grupo fará o máximo possível para reter o máximo dos membros da redação, que há dois anos contava com 110 profissionais. EFE

cm/tr

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