sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Luz na prisão


Atualmente, o Brasil possui a quarta maior população carcerária do mundo;
cerca de quinhentos mil presos. O número de mulheres encarceradas dobrou
nos últimos dez anos, a maioria por participação em assaltos e
envolvimento no tráfico de drogas. É uma parcela significativa da
população, e que aumenta a cada dia. Além disso, a prisão de alguém
mobiliza não só a pessoa em si, mas também a sua família, e, por que não
dizer, a sociedade como um todo. São números que precisam ser analisados.
Não podemos ficar indiferentes a esses dados alarmantes. Algo precisa ser
feito para que exista uma conscientização em relação à prática delituosa:
o que leva alguém a praticar um crime, os efeitos disso na pessoa, como se
libertar dessa situação... Tudo isso pode ser apresentado como reflexão
para o preso, sua família e demais interessados. Pensando nisso foi que
surgiu, numa iniciativa inédita: Luz na prisão, um livro destinado aos
encarcerados.
A obra, que conta com o prefácio do desembargador do Tribunal de Justiça
do Estado de São Paulo, Antônio Carlos Malheiros, e passou pela revisão
doutrinária de Bonifácio Hartmann, sacerdote da Ordem Premonstratense e de
Raul Suzin, frade da Ordem dos Capuchinhos, tem o intuito de mostrar à
pessoa em conflito com a lei como a tendência ao crime foi se delineando
em sua psique, e de que forma pode proceder para reverter essa situação,
buscando uma vida melhor.
Ninguém está livre da possibilidade de cometer delitos. Muitos há que os
praticam e não são surpreendidos. Outros são condenados por crimes que não
praticaram. Diversos continuam impunes por ausência de provas. O mundo
contempla inúmeras desigualdades sociais. Quem tem dinheiro pode custear
bons advogados e, com maior probabilidade, livrar-se do cárcere; mas quem
não dispõe de recursos financeiros quase sempre está sujeito à própria
sorte, amargando por vezes a sentença condenatória. Políticos vivem
envolvidos em escândalos, mas raramente são presos. Alcoolistas,
prostitutas, pobres e negros são abordados constantemente em revistas
policiais e, portanto, estão mais sujeitos às apreensões. É uma realidade
brasileira. Uma realidade que precisa mudar!
O uso e consumo de substâncias entorpecentes vem alterando a feição dos
nossos encarcerados. Hoje, até mesmo integrantes de famílias relativamente
estruturadas ingressam na criminalidade levados pelo vício e comércio das
drogas. Pessoas perdem sua saúde e dignidade, geram crianças doentes, e
participam de negociações escusas. Não conseguem sair de onde não deveriam
ter entrado. Precisam compreender o processo que leva à prática de ações
delituosas. Isso pode ser feito analisando-se exemplos dos que trilharam
esse caminho e servindo-se de orientações de quem trabalhou vários anos
com pessoas em conflito com a lei. Testemunhos dos que atravessaram a
provação e saíram vencedores também servem de motivação para quem deseja
tomar um novo rumo. Tudo isso você vai encontrar na obra, Luz na prisão.
Um livro escrito com muito amor para todo aquele que vivencia a
experiência do cárcere em sua vida. Lançamento em 22 de outubro
(segunda-feira), às 19:00 horas, no auditório do SENAC - Jaú (SP).
Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é
escritora.
Acesse e divulgue o site da autora: www.mariaregina.com.br.

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