terça-feira, 4 de setembro de 2012

Petição com 47 mil assinaturas pede o fim de 14º e 15º salários

Por Bruno Góes (bruno.goes@infoglobo.com.br) | Agência O Globo

RIO - Uma petição organizada na internet contra os 14º e 15º salários de parlamentares será entregue nesta quarta-feira ao presidente da Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara, deputado Antônio Andrade (PMDB-MG) . O ato ocorre no mesmo dia em que a comissão analisa o Projeto de Decreto Legislativo que pode aprovar a extinção da vantagem - depois, a matéria vai a plenário. No fim da tarde desta terça-feira, a petição já reunia 47 mil assinaturas.
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- A entrega vai ser feita pela manhã, e o objetivo é demonstrar que a sociedade, através das redes sociais e da internet, está se manifestando contra esses pagamentos. Além de serem altíssimos, excedem os vencimentos de qualquer outra categoria. Esse privilégio é inadmissível. Um mau exemplo - diz o juiz Márlon Reis, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que vai entregar o documento.

O abaixo-assinado eletrônico é organizado pelo site Avaaz, que apoia causas em diversas áreas. Na descrição da petição, os organizadores mostram preocupação com a não realização da sessão. Pelo menos 17 deputados precisam comparecer em um período em que a atividade eleitoral dos parlamentares é intensa.

- Este é um benefício que não faz nenhum sentido. Ele foi instituído por conta da mudança da capital para Brasília, e servia para pagar a viagem das famílias para a antiga capital - diz o diretor de campanha da Avaaz, Pedro Abramovay.

Ele ressalta que os parlamentares já recebem inúmeros auxílios que, juntos, já ultrapassam o teto constitucional. Os parlamentares têm ajuda financeira para cobrir suas viagens entre Brasília e seus estados de origem, além de um auxílio-moradia de R$ 3 mil por mês.

Para o juiz Márlon Reis, um dos integrantes do movimento que ajudou a aprovar a Lei da Ficha Limpa, se o decreto não for aprovado, abre-se um precedente para um "efeito cascata":

- Já aconteceu de a Assembleia Legislativa do Maranhão, por exemplo, aprovar esses salários com um valor ainda maior do que o salário normal do parlamentar - diz ele, que também se preocupa com o momento de crise atual: - Em um momento de crise, temos que manter a austeridade. Agir de forma racional. Além disso, temos que impedir um efeito cascata maléfico para todos.

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