quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Violência sexual


Numa iniciativa da Coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal de
Justiça do Estado de São Paulo, em parceria com a Escola Paulista de
Magistratura, com o Núcleo de Estudos em Bioética–USP, e com o Centro de
Estudos e Atendimento Relativos ao Abuso Sexual, aconteceu em 30 de agosto
último, o seminário “Abuso Sexual: Bioética, Saúde e Justiça”, que teve
como público alvo os operadores do direito e, em especial, profissionais
das equipes interprofissionais que atuam nas Varas de Família e da
Infância e Juventude, bem como profissionais que atuam nas equipes
psicossociais hospitalares do Estado de São Paulo.
O seminário todo foi bastante interessante e contou com a participação do
Desembargador Antônio Carlos Malheiros, do Juiz de Direito José Henrique
Torres, do Ginecologista e Obstetra Prof. Dr. Jefferson Drezett, e da
Psicóloga Prof.ª Dr.ª Gisele J. Gobbetti. De tudo o que foi falado, no
entanto, alguns números me chamaram a atenção. Dr. José Henrique mostrou
dados de pesquisas que apontam a ocorrência de 04 estupros por hora em São
Paulo, enquanto que nos EUA esse número sobe para 78. Dr. Jefferson
apresentou dados semelhantes, mencionando 42 mil estupros anuais em São
Paulo e 683 mil nos EUA. Além disso, confirmou a prevalência do sexo
feminino como vítima nos casos de violência sexual, num percentual de 85%
a 90%.
Ora, talvez esse percentual não seja novidade para a maioria dos leitores,
no entanto, o que me chamou a atenção foi a diferença entre o número de
estupros em São Paulo e nos EUA, onde a liberdade sexual é muito maior que
aqui. Esses dados me fizeram refletir acerca do comportamento humano.
Suposições nos fazem crer que onde há maior liberdade sexual não haveria
necessidade do emprego de violência para se obter tal satisfação; no
entanto, o que percebemos com os resultados apresentados é exatamente o
contrário. Pergunto: por que essa violência contra a mulher? Dr. Jefferson
apresentou dados referentes a alguns países em que a violência sexual
contra a mulher pelo próprio parceiro íntimo, no caso esposo ou
companheiro, chega ao índice de 60%. Que horror! Verificamos, então, que
não é a liberação sexual que previne a violência, antes serve como
estímulo para tais práticas.
Interessante pensar sobre esses números num momento em que a sociedade
brasileira passa por um relaxamento moral e acentuado aumento da
promiscuidade entre as pessoas, com grande incentivo da mídia televisiva,
principalmente através de suas novelas que incitam ao homossexualismo,
troca constante de parceiros e adultério, entre outros. Diante desses
dados não devemos nos surpreender se os crimes sexuais começarem a
aumentar em nosso país. Convém refletir sobre o tema!
Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é
escritora.

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