terça-feira, 25 de setembro de 2012

Brasil qualifica carta dos EUA como inaceitável ; petistas apoiam

 

 

Parlamentares da bancada do PT elogiaram nesta sexta-feira (21) a reação do governo brasileiro à carta em que o representante de Comércio dos Estados Unidos, Ron Kirk, criticou a política do País de elevação de tarifas de importação de cem produtos. Os deputados Cláudio Puty (PT-PA) e Dr. Rosinha (PT-PR) concordaram que os termos usados pelos EUA, em documento recebido quinta à tarde pelo ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, são "inaceitáveis", ainda mais em se tratando dos EUA, que ambos os parlamentares consideram um pais adepto da teoria do "faça o que digo não o que eu faço".

Puty observou que desde 2003, com o governo do PT e aliados, o Brasil não tem uma política econômica e externa subalterna aos interesses dos países desenvolvidos, como foi o período do PSDB, com Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). "Assim, o Brasil tem todo o direito de defender seu mercado, adotando o aumento de tarifas de importação, para a defesa de nossa indústria e do emprego dos brasileiros", disse.

Ele observou que os EUA são extremamente protecionistas e desenvolveram seu poderio industrial às custas do protecionismo, via políticas de Estado. "Além do mais, num momento de crise do capitalismo- -onde há uma onde protecionista generalizada -nada mais compreensível que o Brasil adote também medidas em defesa do interesse nacional".

Puty, assim como Dr. Rosinha, frisou que os EUA recomendam a outros países a adoção de práticas que, internamente, são o contrário, já que o mercado norte-americano é fechado em diversos setores para empresas estrangeiras, com diferentes medidas protecionistas.

"Historicamente , os EUA destacam-se por seu protecionismo, embora tenha um discurso formal pró livre comércio", comentou Dr. Rosinha. Ele lembrou que em recente concorrência internacional para a compra de aviões militares, a Embraer ganhou mas não levou. Era um contrato de US$ 355 milhões, para o fornecimento de 20 aviões de combate leve para a Força Aérea dos EUA. "A concorrência foi cancelada sem mais nem menos; e os EUA ainda prejudicam a Embraer ao vetar a venda de aviões militares para a Venezuela, já que a empresa utiliza componentes norte-americanos", disse o parlamentar.

Para Dr. Rosinha, um dos maiores problemas no comércio mundial é a concorrência predatória da China. "Curiosamente, não há nenhuma reação dos EUA contra os chineses, porque os maiores investidores na China são empresas norte-americanas. Isto mostra como os EUA são contraditórios e não têm moral nem para criticar o Brasil , nem para recomendar a adoção de práticas que não são seguidas por Washington".

SEM FUNDAMENTO - O porta-voz do Itamaraty, embaixador Tovar Nunes , disse que o governo brasileiro não gostou "nem do conteúdo nem da forma" da carta enviada pelos EUA. "Consideramos injustificadas as críticas, não têm fundamento", afirmou. O tom do texto do representante de Comércio dos Estados Unidos, Ron Kirk, foi qualificado como "inaceitável" pelo governo brasileiro.

No texto, Kirk não só começa dizendo que escreve para declarar "em termos fortes e claros" a preocupação dos EUA com a política brasileira, como acusa o governo brasileiro de tomar medidas protecionistas e de mirar especificamente as importações americanas. Além disso, o tom de ameaça - Kirk diz que medidas como essa podem levar a respostas à altura e podem prejudicar as relações dos dois países - foi considerado desrespeitoso.

O Brasil teve, em 2011, um déficit comercial de US$ 8,2 bilhões com os EUA. Este ano, entre janeiro e agosto, a diferença na balança comercial já alcança US$ 2,7 bilhões contra o Brasil. Além disso, as ações americanas para proteger seu comércio também não costumam levar em conta os problemas que causam nos outros países.

A recente decisão do Fed de comprar US$ 40 bilhões em títulos públicos para injetar dinheiro na economia foi classificada pela presidente Dilma Rousseff como um "tsunami monetário", que fortalece artificialmente as moedas dos demais países e prejudica o comércio. No quesito subsídios, o Congresso americano negocia uma nova lei agrícola, a "Farm Bill", que pode ser ainda mais danosa para os produtos agrícolas que a atual, apesar de o país já ter perdido contenciosos na OMC por subsídios.

Equipe Informes, com agências

www.ptnacamara.org.br

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