quarta-feira, 29 de abril de 2009

Morte e destruição na cidade de Frecheirinha

Em qualquer canto da cidade, todo mundo dá conta da destruição. Depois de 192 milímetros de chuva, de segunda-feira para ontem, Frecheirinha, a 305,3 quilômetros de Fortaleza, contabiliza a queda de 10 casas e a morte de um homem, eletrocutado após ser atingido por um fio caído do poste. Além das residências derrubadas pela força da água, outras tiveram perdas parciais, com o desmoronamento de paredes e o risco de desabamento. A construção antiga de muitas delas, feita com tijolo branco, contribuiu para a derrubada. A rua Regino Custódio, no Centro, foi a mais atingida. Em um quarteirão da via, quatro casas caíram. Foi lá onde Francivaldo Ferreira da Silva, 21, morreu. Ele, que trabalhava como servente de pedreiro, ajudava os vizinhos a retirar os móveis de casa durante a chuva na noite de segunda. Carregou televisão e ajudou a levar o botijão de gás de outros moradores, mas não viu o fio pendurado no meio da rua. Caiu por cima do fio e morreu na hora. Segundo os moradores da rua, os técnicos da Companhia Energética do Ceará (Coelce) que tentavam resolver a falta de energia elétrica na rua foram embora quando viram Francivaldo estirado no chão. “Eles saíram e nem deram explicação. Viram meu irmão morrendo, ligaram o carro e foram embora”, denuncia a irmã de Francivaldo, Eliene Ferreira Silva. A casa onde ela morava com mais dois irmãos e os pais encheu d’água. Quando soube da notícia, ela ajudava a afastar os móveis, amontoando-os. Todos iriam dormir na casa de parentes com medo de que a residência viesse abaixo. O povo alarmou e ela correu para a rua. “Estou abalada demais”, contava, durante o velório do irmão, na tarde de ontem. (O Povo).

Por Wilson Gomes

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