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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O ANDARIlHO ALENCARINO-POTYGUAR QUE RECOLHE LATINHAS DE ALUMÍNIO PELO LITOTAL

 

Cruz. O Senhor Edson Sousa Dias, divorciado, 59, diz já ter exercido várias profissões como meio de sobrevivência. Foi funcionário de uma empresa de refrigerante, vendedor ambulante, mecânico e pescador. Agora, pensando na aposentadoria, que pretender requerer no próximo ano, está percorrendo vários estados brasileiros empurrando uma carrocinha de dois pneus juntando latinhas de alumínio para conseguir dinheiro para sobreviver enquanto não for aposentado.

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Em suas andanças pelo litoral cearense, passou pela Praia do Preá, no Município de Cruz/CE, Litoral Oeste do Estado a 300 km de Fortaleza. Encantado com suas belezas naturais e a boa acolhida que recebeu dos nativos, passou três dias colhendo latinhas de cerveja, pois são as únicas feitas com alumínio que tem bom preço de mercado. Quanto aos preços, ele disse que varia muito de um lugar para outro, podendo ser comercializadas ao preço de R$ 1,00 o quilo, mas há compradores que chegam a pagar até R$ 2,20. Para um quilo precisa-se de 84 latinhas. Os 50 Kg que conseguiu juntar na Praia do Preá levou, de ônibus, para vender na cidade de Morrinhos, a 90 km de distância, que pagou a R$ 1,70 pelo quilo do alumínio. As tampinhas das latas ele vende para os artesão.

Em um momento de repouso, atendeu a nossa reportagem para gravação de uma entrevista para a Rádio e Jornal, dizendo que esta foi a primeira vez que foi procurado pela mídia. Embora, declare-se semianalfabeto e com pouca inteligência, fala fluente e tem uma boa conversa. Nascido em Fortaleza, ainda criança, foi morar com uma família adotiva em Natal, Capital do Estado do Rio Grande do Norte, conhecida como a Capital Espacial do Brasil devido a Barreira do Inferno, uma base de lançar foguetes e pelo Forte dos Reis Magos que foi construído dentro do mar, sendo um dos principais atrativos turísticos da Capital Potiguar ao lado do Maior Cajueiro do Mundo na Praia de Pirangi.

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Logo cedo, aprendeu a ser mecânico de barcos de pesca, profissão que herdou do seu pai adotivo em Natal. Durante 30 anos, trabalhou em grandes empresas de pesca passando vários meses embarcado. Conheceu todo o litoral brasileiro, do Oiapoque ao Chuí, e de vários outros países. Esteve em Mar Del Plata na Argentina. Os navios estrangeiros que pescam em águas brasileiras, por exigência da capitania, a metade da tripulação é brasileira, mas não apreendeu outro idioma, sempre usava interpretes.

Deixou a profissão de mecânico em 1999, por causa de problemas de saúde provocado pela alergia do óleo, e passou a trabalhar em barco a vela no Litoral do Nordeste, principalmente em Natal, Fortaleza e Luís Correia. Durante os anos em que esteve embarcado, reclama que foi enganado pelas empresas que não pagavam o seus direitos, impedindo a sua aposentadoria. Mesmo com advogado nada conseguiu. Passou a pagar a colônia de pescadores na tentativa de conseguir sua aposentadoria, que espera que aconteça ao completar 60 anos. Chegou a sofrer um naufrágio no Litoral do Rio de Janeiro quando foi salvo, com a tripulação, por um barco da Marinha do Brasil.

Já percorreu várias cidades do interior, iniciando no ano de 2000, quando saiu de Natal em uma bicicleta e foi até Belém do Pará fazendo coleta de latinhas, mas, agora, resolveu caminhar pelo litoral, empurrando seu carrinho de mão que nos apresentou dizendo que era a sua casa e a sua maior companhia, pois nele juntava as latinhas, dormia e guardava os seus pertences.

Disse que o melhor lugar para colher latinhas era nas praias de Fortaleza, mas lá é muito perigoso, pois já tinham roubado o seu carrinho e um dia foi abordado por um morador der rua que exigiu R$ 0,50 e como não tinha para dá, o elemento quis matá-lo. Vê que os marginais estão tomando conta do mundo.

Acredita que o trabalho de reciclagem é muito importante para o planeta, mas, as pessoas ainda dão pouca importância para este trabalho que é considerando de qualidade inferior. As latinhas que junta são encontradas nos bares, restaurantes e locais de eventos. Diz que tem muita gente boa que colabora com o seu trabalho e há até quem der ajuda como, por exemplo, hospedagem e alimentação.

Perguntado se não ele não achava uma profissão perigosa, por sair andando sozinho pelo mundo a fora, sozinho, ele disse que o mundo está cheio de marginais, mas, como usava um carrinho juntando latinhas, as pessoas logo percebiam que se tratava de um trabalhador e que procurava dormida nos locais onde tinha vigia como postos de abastecimento e praças públicas.

Já tirou segunda via de todos os seus documentos por duas vezes, e isto tem prejudicado muito o processo de aposentadoria, pois, perdeu todos os registros em carteira. Um vez foi roubado e outra vez foram molhados no barco.

Perguntado sobre os lugares mais limpos e sujos por onde já tinha passado, ele disse que a cidade mais limpa era Acari no Rio Grande do Norte, onde se alguém jogar qualquer papel nas ruas é advertido, educadamente, para que apanhe e o coloque no seu devido lugar. Certo dia comprou um balde de tinta e colocou na carroceria da caminhonete. O balde virou e derramou a tinta fazendo uma lista no asfalto até o depósito da empresa. Os garis fizeram a empresa limpar toda a tinta derramada. E a cidade mais suja que encontrou foi Tutóia no Maranhão, onde o povo é mau educado e o lixo está por toda parte, sendo Luís Correia no Maranhão, o lugar onde as pessoas não pagam a ninguém.

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Como toda história que se conta tem uma mulher no meio, pois esta também tem uma. Disse que a sua mulher amada mora em Camocim. Nesta viagem vai passar por lá para dá e receber carinhos. Daí, vai seguir até Parnaíba, no PI, para requerer a aposentadoria, mas quando se aposentar vai levar seu bem querer para morar em Chaval por considerar um lugar que ainda é muito tranquilo encerrando o trabalho de juntar latinhas.

Está sempre em contato com a família, mas ninguém sabe que ele anda juntando latinhas, pois a família não concorda com esta profissão, e diz que está trabalhando e todo o dinheiro que apura com a venda das latinhas, deposita em uma conta bancária para pagar a Colônia de Pescadores até o dia da aposentadoria.

Citando alguns causos curiosos, ele disse que certo dia encontrou uma carreta no prego e os mecânicos não conseguiam concertá-la. Ele disse que sabia onde estava o defeito. Foi repreendido, pois um catador de latinhas não sabia consertar uma carreta. Chamaram todos os mecânicos da cidade e ninguém conseguiu consertar a carreta. Resolveram procura-lo. Ele disse que não ia consertar, por que não podia pegar em óleo, mas podia ensinar como fazer o serviço. Chegando lá, mandou limpar uma mangueira, que estava entupida, e o defeito foi sanado. O dono do veículo levou todos os mecânicos para a justiça e pediu a devolução do dinheiro que tinha pago. Como não cobrou nada pelo serviço, recebeu uma gorjeta de R$ 50,00.

Falando sobre religião, disse que tem muita fé em Deus, mas não tem religião e que não sabe nada da vinda do Papa Francisco ao Brasil, pois não tem acesso a mídia. Usa um celular com rádio, mas está sempre descarregado.

Saiu de Natal no dia16 de janeiro deste ano e já passou por todas as cidades do litoral até chegar a Praia do Preá, Município de Cruz, no Ceará, dia 14 de agosto, percorrendo 820 Km empurrando a carrocinha, onde passou três dia, seguindo para Jijoca de Jericoacoara com destino à Parnaíba no Piauí passando por Camocim.

Dr. Lima

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