segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A intransigência


Conheço alguém que está passando por momentos muito difíceis devido à
intransigência do próximo. A intransigência é característica de pessoas
intolerantes; que não aceitam opiniões ou posturas diferentes das suas.
Para se aceitar opiniões ou posturas diferentes das nossas é
imprescindível que exista respeito entre os indivíduos. A pessoa
intransigente simplesmente não se importa com a opinião do outro. Leva em
conta apenas a sua. Seu desejo é visto como o mais acertado, o correto; e
não existe consideração com a apreciação alheia. Pessoas intransigentes
não aceitam ser contrariadas. Exigem atenção e forçam situações
enviesando-as para seu ponto de vista. Ignoram as necessidades e anseios
daqueles que as cercam, como se a única coisa que realmente importasse
fosse a satisfação imediata de seus desejos e propósitos egoístas.
É realmente complicado conviver com pessoas intransigentes. Elas podem
maquiar seu nível de exigência por anos e anos, tiranizando alguns à sua
volta sem que outros percebam. A tirania só vem à tona quando essas
pessoas são contrariadas. Nesse caso fazem de tudo para se mostrarem
certas em suas razões e forçam os demais a lhes dar razão, ora se fazendo
de vítimas ora protagonizando o papel de algozes. Quem teve a oportunidade
de conviver com alguém intransigente sabe bem a que estou me referindo,
pois existe apenas um lado certo, o dele. Você nunca vai ter razão. Você
simplesmente está equivocado, iludido, enganado... Precisa rever sua
postura e perceber que o intransigente está certo. Enquanto concorda em
fazer isso, tudo vai bem. Contudo, no dia em que resolver manter sua
opinião, prepare-se para uma batalha cruel.
O intransigente não se importa em jogar as “cacas” no ventilador, desde
que isso lhe assegure a “vitória”. Vale tudo. Mentir, chantagear,
humilhar, ferir, forjar situações, induzir a erro, fazer-se de vítima,
usar pessoas indefesas, implantar falsas memórias... A lista é extensa e
se presta a atingir seus objetivos egoístas na melhor versão de “os fins
justificam os meios”, exercício de puro maquiavelismo. Muitas pessoas são
ludibriadas sem dúvida. Enganam-se diante das armações do intransigente e
são levadas a pensar que o mesmo tem razão. Apiedam-se dele, julgando se
tratar de alguém que muito sofre, ignorando a pesada artilharia que ele
destina ao seu alvo.
Só o tempo vai mostrar quem é quem. Por isso, tome cuidado para não
apedrejar a pessoa errada se você tem o costume de se arvorar juiz alheio.
Aconselho cautela e prudência, principalmente se só tem conhecimento da
versão de um dos lados. A maioria tem o costume de agigantar seus direitos
e qualidades enquanto mingua seus deveres e defeitos. Em última instância,
a razão pode assistir aos dois lados sim, mas é preciso respeito para não
impor a própria verdade a quem já tem a sua. Sejamos cautelosos diante da
intransigência, porque o mundo tem espaço para diferentes opiniões e
conceitos.
Maria Regina Canhos (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora.

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