domingo, 9 de janeiro de 2011

Crescer e distribuir renda ficou para até 2014

Aumentar a participação no PIB brasileiro e, ao mesmo tempo, distribuir o ganho da riqueza é desafio no CE

A corrida pela atração de novos e grandes empreendimentos, a geração recorde de empregos, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da arrecadação estadual, dentro de uma política de desonerações fiscais, foram marcas do primeiro mandato do governador Cid Gomes, na área econômica. Desencantadas por meio da parceria com o governo federal, muitas das ações iniciadas nos últimos quatro anos, contudo, só devem se concretizar no quadriênio que se inicia neste 2011 - o que já sugere uma gestão de continuidade pela frente. Entretanto, em seu discurso de posse, no último dia 1º, o chefe do Executivo estadual traçou novas metas, destacando, sobretudo, o combate à pobreza. E, para isso, a proximidade com a nova presidente será decisória.
Combate à pobreza

"Continuar crescendo implica reduzir de forma drástica o contingente de cearenses que ainda vive em condições de extrema pobreza. É principalmente na direção desses homens e mulheres que serão canalizados nossos esforços", destacou o governador, logo no início de sua fala durante a posse.
A nova prioridade de Cid surge como uma ressonância da meta estabelecida pela presidente eleita Dilma Rousseff, que tem na erradicação da miséria sua idéia fixa, sendo esta sua principal promessa de campanha. "Acredito e trabalharei para que estejamos todos unidos pelas mudanças necessárias na educação, na saúde, na segurança e, sobretudo, na luta para acabar com a pobreza, com a miséria", disse a presidente em seu discurso de posse no Congresso Nacional.
Há uma tendência de alinhamento de políticas públicas entre os governos estadual e federal, politicamente parceiros. Mas, economicamente, o Ceará, Estado ainda pobre, precisará crescer mais que o Brasil para poder descolar sua economia da ínfima participação de 2% do PIB nacional. Nos últimos quatro anos, a economia cearense saltou de um produto R$ 46 bilhões para R$ 73 bilhões, o que, segundo Cid Gomes, "seria o dado mais emblemático do que aconteceu entre 2006 e 2010 em nosso Estado" para alguns. Mas o País também cresceu bastante, e o Ceará acabou não conseguindo abocanhar uma fatia maior sobre a economia nacional.
Projetos estruturantes

Contudo, o governador se mostrou otimista: "as estatísticas ligadas ao crescimento da economia são mensuráveis e, invariavelmente, positivas". Essa expansão mais significativa das riquezas produzidas em território alencarino em sua nova gestão é esperada, especialmente, através da entrada em operação, prevista para 2014, da Companhia Siderúrgica de Pecém (CSP). Ela, sozinha, poderá alavancar o PIB estadual em 12%. Mas não é só isso: existem os outros projetos considerados estruturantes, como a Transnordestina, que se espera estar pronta até 2013. Para estes projetos, o governador prometeu intensificar o investimento em formação de mão-de-obra, com a criação de escolas de educação profissional e a inauguração do Centro de Treinamento Técnico Corporativo do Pecém (CTTC). Cid Gomes também garantiu a continuidade da política de redução de impostos para o setor produtivo, e com um novo foco: "vamos nos deter no comércio, onde, através de um Fundo de Desenvolvimento, criamos incentivo fiscal para o comércio varejista, desburocratizando essa atividade e desonerando o setor de carga tributária", disse, no discurso.
Para garantir a competitividade da indústria local, e do Estado em si, Cid enumera uma série de medidas nas áreas de infra-estrutura logística e de transporte, algumas partindo de seu próprio governo, outras em parceria com o governo federal. E o desenvolvimento desses projetos da União, pelo menos no que depender do discurso de despedida do ex-presidente Lula, no Ceará, deve ter continuidade com a nova presidente: "Posso garantir a vocês, pelo que eu conheço da minha companheira Dilma Rousseff, a nossa presidenta, que ela vai fazer com esse moço aqui (referindo-se a Cid Gomes) uma parceria extraordinária e o Ceará vai continuar tendo uma participação no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) fantástica". A contagem regressiva para essa previsão se concretizar já começou.
SÉRGIO DE SOUSA
REPÓRTER

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