sexta-feira, 13 de maio de 2011

LAGOA DA JIJOCA – Um paraíso encantador

PICT0310 Cruz – A Lagoa da Jijoca, situada na divisa entre os municípios de Cruz e Jijoca de Jericoacoara, é o maior lago natural do Estado do Ceará, com cerca de 20 Km de espelho d’água. Citada no livro Iracema de José de Alencar, como sendo um dos lugares visitados por Iracema, “a virgem dos lábios de mel”, onde se banhava em suas águas cristalinas. Cheia de encantos e belezas mil é área de preservação ambiental, sendo que nos últimos cem anos sangrou apenas quatro vezes, sendo em 1924, 1964, 1974 e 1985. O sangradouro deságua no Riacho Doce, que é cheio de encantos e mistérios, pois, no verão, ora está seco, ora está cheiro sem que haja registro de chuvas no local. Para que ela sangre é necessário uma boa quadra invernosa, pois seus afluentes são de pequeno porte, e também depende de seu sangradouro está ou não tomado pelas dunas. Quando a lagoa enche e seus sangradouro está fechado pelas dunas, ela transborda e inunda os campos e as comunidade vizinhas como a cidade de Jijoca de Jericoacoara, a Vila de Caiçara e as comunidades de seu entorno, como por exemplo, Córrego dos Ana, Caiçara de Baixo, Sambaíba, Paraguai, Córrego das Panelas, Córrego do Urubu e Jijoca dos Lula. Quando a lagoa sangra, geralmente, com a ajuda de trabalhadores que fazem um canal inicial para o escoamento das águas, resulta em abertura de um canal com dez metros de largura, três metros de profundidade e cinco quilômetros de extensão até chegar ao mar fazendo um espetáculo de rara beleza. Cada vez que sangra é por um local diferente. Este processo de encher, transbordar e secar é um fenômeno cíclico natural que acontece com freqüência na Lagoa da Jijoca. As dunas móveis e as matas ciliares formam um contraste que torna a paisagem ainda mais exuberante. Em anos sucessivos de escassez de chuvas, a lagoa reduz-se a um pequeno poço em sua parte mais profunda, a exemplo do que aconteceu em 1958, quando o Ceará foi castigado por uma das maiores secas já registrada no Nordeste Brasileiro. Os moradores nativos, que vivem ao entorno da lagoa, são fortes defensores da preservação da lagoa em sua forma natural, embora, hoje, dezenas de casas de estrangeiros, construídas ao redor da lagoa, tem desfigurado a sua paisagem natural e modificado os costumes e a vida pacata de seus habitantes primitivos. Outro fator que tem contribuído para modificação da lagoa e de seu entorno tem sido a presença de barracas comerciais e denominações pontuais como Lagoa do Coração, Lagoa da Caiçara, Lagoa Azul e Lagoa do Paraiso e Pontal que fazem esquecer o nome de Lagoa da Jijoca, um dos mais belos Cartão Postal da “Terra da Luz”. Não há quem não se encante ao visitar a Lagoa da Jijoca, comer uma peixada à beira mar, tomar um gostoso banho de mar, beber água de coco, vislumbrar as dunas de areias brancas como açúcar cristal, deitar em uma rede de malha e embalar-se ao som das ondas do mar e das palhas do coqueiro e como dizia o Rei do Baião: “ver tanta rabichola nas cadeiras das muié”. Este ano a lagoa ainda não sangrou apesar de ter tomado bastante água, mas ainda terá que subir mais de metro para chegar até a saída do sangradouro, onde foi feito um trabalho com madeira para evitar que a água abra um canal e deixe muito baixo o nível da água da lagoa, trazendo consequências desfavoráveis para o turismo lacustre. Os vizinhos também reclamam muito da presença de barcos a motor que soltam óleo e sujam a água da lagoa, além do barulho que fazem prejudicando as espécies de animais aquáticos, principalmente a sua reprodução.

Dr. Lima

Nenhum comentário:

Postar um comentário