sexta-feira, 14 de julho de 2017

“A única prova que existe no processo é a minha inocência”, diz Lula

Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou nesta quinta-feira (13), na sede do PT Nacional, sobre a sentença do juiz Sérgio Moro, que lhe condenou a nove anos e seis meses de prisão, sem provas. Lula disse não ter estranhado a sentença, lembrando que em outubro do ano passado publicou um artigo na Folha de S. Paulo já prevendo a decisão de Moro. “A única prova que existe contra mim é a minha inocência”, afirmou depois.

“No artigo, ‘Por que querem me condenar’, eu disse que meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido, nem tentei obstruir a justiça, mas eles tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram e estão condenados a me condenar. E se não me condenassem, seriam desmoralizados pela opinião pública”, afirmou. “Não é o Lula que pretendem condenar, mas um projeto político de inclusão social e os fundamentos da democracia no País”, completou.

Entretanto, Lula avisou que, se alguém pensa que c essa sentença vai tirá-lo do jogo, pode ter a certeza de que ele permanece, mais que nunca, no jogo. “A partir de agora vou reivindicar do PT o direito de me candidatar à Presidência da República, porque eu gostaria de estar aqui hoje discutindo a situação deste País, econômica, política e social e o descrédito das instituições. Discutindo o golpe dentro do golpe, porque a Globo quer dar o golpe dentro do golpe”, desabafou.

“Se eles estão tentando destruir as conquistas dos trabalhadores, o componente nacional, a Petrobras, as empresas de engenharia, eu queria dizer, senhores, permitam que alguém da senzala faça o que vocês não têm competência para fazer. O povo não está precisando ser governado pela elite, mas por alguém que tenha a alma do povo” vaticinou.

Lula reforçou que sempre acreditou que o processo culminaria na condenação, porque era visível que o que menos importava era o que se falava, já que estavam com a concepção da condenação pronta. Argumentou que se a intenção de Moro fosse não proferir a sentença de condenação ele teria recusado a mentira do Ministério Público, baseada no PowerPoint.

“Quando o processo foi aceito naquele momento, falei: há um jogo armado. O PowerPoint permeou o comportamento de Moro no sentido de que o PT era uma organização criminosa e de que Lula era o chefe. Era a teoria do domínio do fato. Mas Moro não tem que prestar contas para mim, mas para a história”.

O ex-presidente lembrou ainda que, desde o início do processo, Moro entendeu que era preciso forte cobertura e apoio da imprensa para ele prender as pessoas e fazer com que elas delatassem. “Leo Pinheiro (ex-presidente da OAS) ficou dois anos preso, está condenado a 20 anos e assiste no Fantástico que vale a pena delatar, que é um prêmio para você usufruir do que roubou. Aí o cara pensa… por que vou pegar tanto tempo de cadeia, por causa do Lula?”, ilustrou, ao citar a delação do dirigente que reiteradas vezes disse que ele nada a tinha a ver com o tríplex e depois mudou o seu depoimento em desfavor de Lula.

Citou ainda o golpe orquestrado e que retirou do governo a presidenta eleita legitimamente, Dilma Rousseff.  “Não era possível que aqueles que prepararam a mentira do golpe iriam ficar parados. Não fechava. A sentença de ontem (quarta) tem um componente político muito forte. O juiz Moro escreveu 60 páginas para se justificar da condenação e utilizou cinco para a defesa”, disse indignado.

“No meu depoimento a Sergio Moro eu disse a ele: você não pode me absolver, não tem como. O que vocês já falaram de mim, a imprensa… Foram 20 horas de Jornal Nacional, não sei quantas capas de Veja (…) Está muita clara a tentativa de me tirar do jogo político”, desabafou.

Para Lula, não existe Estado de Direito sem Justiça forte. “Por essa crença, Justiça não pode mentir, tem que trabalhar nos autos. E a única prova que temos é da minha inocência. E se alguém tiver prova contra mim que diga, mande para a Justiça, eu ficaria mais feliz se fosse condenado por causa de uma prova. O que me deixa indignado, mas sem perder a ternura é que estou sendo vítima de uma mentira. E minha cabeça não consegue compreender todo esse emaranhado. Não sei como alguém consegue escrever quase 300 páginas sem apontar uma prova. Mas minha indignação como cidadão brasileiro não me faz perder a crença na Justiça”.

Pouco antes de Lula se sentar à mesa, a presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que o partido está “sereno” por acreditar na inocência do ex-presidente. “Mas também estamos indignados. E prontos para fazer esse enfrentamento. Foi pelas injustiças que o PT chegou ao poder, e vamos enfrentar mais essa injustiça”, afirmou.

“A condenação de Lula foi absolutamente política. Infelizmente, foi uma ação contra o maior líder popular que tivemos na história desse País, justamente um dia após a CLT ser rasgadas no Senado da República. Um dia triste”, complementou a presidente do PT.

O partido convocou a militância política para ir às ruas no próximo dia 20, em vários estados, em defesa do ex-presidente Lula. “Não aceitaremos uma eleição sem o presidente Lula. Uma eleição sem Lula é uma fraude à democracia”, disse Gleisi.

PT na Câmara

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