terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Dono da Friboi diz que não conhece e nunca viu o Lulinha, o filho do ex-presidente Lula

José Batista Júnior parece daqueles que colocam um boi para não entrar numa briga e um Friboi para não sair dela. Pelos menos tem sido assim, ao longo dos últimos dias, nas três entrevistas que o empresário concedeu a veículos da imprensa de Goiás sobre a disputa que trava com o ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende Machado pelo controle do PMDB.

Considerado inepto para política, dado a declarações polêmicas e intempestivas, José Júnior, ou Júnior Friboi, mostra-se mais estrategista no trato com as palavras, nas entrevistas que concedeu aos radialistas Altair Tavares e Mirele Irene: numa só tacada sinalizou bandeira branca ao PT (após desdenhar do partido nas eleições de 2014), procurou isolar o DEM do senador Ronaldo Caiado e, ao mesmo tempo, amenizou o tom das críticas a Iris Rezende. Mais: se conseguir consolidar seu nome na direção do partido, Friboi promete se empenhar pela volta do empresário Vanderlan Cardoso para o PMDB, com o compromisso de lançá-lo candidato à Prefeitura de Goiânia.

Vem aí um novo Friboi?

Lula e Lulinha

O empresário José Batista Júnior negou qualquer relação empresarial do grupo JBS com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou com seu filho, Fábio Luis, o Lulinha. Ele ironiza os boatos que insinuam uma ligação entre as famílias. Esclarece que os rumores não passam de intriga:

–“Muito tempo atrás, nós éramos laranjas do Iris. Aí o Iris perde para o Marconi, e aí vieram me perguntar: e agora é do Marconi? Agora estão dizendo que o Friboi é do Lula. Isto é intriga da oposição. Ter sucesso neste País é ofensa pessoal. Isto é a oposição querendo derrubar o Lula. A JBS é da família e dos acionistas. Eu nunca vi o Lulinha na minha vida”, desabafa.

Iris

José Júnior Friboi diz que se filiou no PMDB depois de falar com todas as lideranças locais e nacionais do partido, com o propósito de ser o candidato ao governo de Goiás. O projeto ruiu quando Iris Rezende lançou a pré-candidatura ao Palácio das Esmeraldas.

“Eu comecei a formar um grupo de simpatizantes do projeto. Eu comecei a juntar um grupo que estava separado. O primeiro grupo que eu busquei foi o do Maguito (prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela). Depois eu fui buscar o apoio do grupo do Iris. Quando todos imaginavam que eu ia concorrer ao governo e o Iris ao Senado e o PT na vice, e o Iris lançou a candidatura dele. Quando ele lançou, eu entendi que o projeto estava perdido. Naquele momento eu recuei”, diz.

Friboi disse que não enxerga Iris Rezende como inimigo político. Afirma que travou uma batalha de força com o ex-prefeito de Goiânia pela candidatura do PMDB ao governo na eleição do ano passado e que Iris não aceitou ser candidato ao Senado por temer a pecha de que teria se vendido numa negociação com ele próprio (Friboi). “Ele disse, eu tenho 55 anos de vida pública e seria muito difícil ser candidato ao Senado com você. Até porque, eu não posso deixar que o povo entenda que eu me vendi para você. Aí eu disse, então acabou o negócio, porque eu não estou comprando absolutamente nada”, relata.

Na sua opinião, Iris é uma referência e deve ocupar o papel de conselheiro do partido, ao invés de insistir em disputar eleições.“O Iris não é um inimigo político. Eu enxergo como um conselheiro do partido, um político nato e profissional. Eu me sinto muito pequeno perto do Iris no ponto de vista político. O Iris se soubesse aproveitar mais a experiência que ele tem e não fizesse tantos inimigos na política, talvez ele tivesse saído melhor”, projeta.

Caiado

Nas eleições de 2014, Friboi esnobou o PT do ex-prefeito de Anápolis Antônio Roberto Gomide. “O PMDB não tem que esperar o PT. O PT não pode impor o candidato do PMDB. Não tem que esperar nada”, disse à época sobre a possibilidade de Gomide deixar a prefeitura e ser candidato. Mas, passada a refrega nas urnas, onde Gomide perdeu e ele, Friboi, nem disputou, o empresário parece ter outra reflexão. Ao invés de isolar o PMDB do PT, Friboi parece querer afastar o senador Ronaldo Caiado das bases do partido e refazer os laços com o PT. Uma virtual disputa com Caiado pela indicação do PMDB à candidatura ao governo do Estado em 2018 parece ser o ponto focal desta nova estratégia. Pois, como o próprio Friboi admite, “sem o PMDB, Caiado não teria sido eleito”:

– “Eu não tenho nenhum problema com o Ronaldo. Nós já conversamos e tiramos as nossas diferenças. Ele foi legitimamente eleito senador naquele momento. Ele é um grande representante no Senado para Goiás e para o Brasil. O Ronaldo só teve êxito porque o PMDB o apoiou. Se ele não estivesse no PMDB, ele não ganharia. Todos podem lançar candidato, o PT, o PMDB e o DEM. Mas o correto é nós lançarmos em conjunto com o PT, em uma verticalização nacional. Isto vai depender do PT”, garante.

Lei Friboi e Marconi

Para uma parte da militância do PMDB e também do PT, o empresário Júnior Friboi sempre teve uma atitude pendular em relação ao governador Marconi Perillo: ora próximo, ora distante. A aprovação da “Lei Friboi”, que concedeu abatimento de R$ 1 bilhão numa dívida de ICMS de R$ 1,3 bilhão do grupo JBS, provocou rumores de que Friboi estaria indo de mala e cuia de volta para o PSDB. O empresário nega esta intenção e procura esclarecer o benefício recebido, ressaltando que a lei não beneficiou apenas as empresas de sua família:

– “Nós não devíamos. Nós tínhamos autos de infrações que estavam sendo discutidos na Justiça, sobre a questão da exportação. A maior parte foi do Bertin, que nós compramos, e veio um passivo. Chegou um momento que o governador fez uma lei que não beneficiou só o Friboi, mas todo o Estado de Goiás. Nós achamos interessante e entramos também”, esclarece.

Reforma Política

O Grupo JBS é tradicionalmente um dos maiores financiadores de campanhas eleitorais no País, concorrendo na mesma faixa de investimentos de bancos como o Itaú e Bradesco, ou empreiteiras como Odebrecht, Camargo Correia, OAS e Andrade Guitierrez. Neste sentido, Júnior Friboi mostra-se favorável ao financiamento do modelo atual que permite o financiamento empresarial das campanhas eleitorais no Brasil. Júnior, ele próprio doador de campanhas políticas, acredita que o financiamento das campanhas sempre existiu e sempre existirá:

–“Desde que foi criado o mundo e a política, o sistema financeiro sempre interferiu na política, até porque não se faz política sem doações, dinheiro, capital. Sobre reforma política, eu sou favorável ao financiamento público. Quem banca, bota banca. Quem financia tem direito de cobrar depois. Mas cobrar no bom sentido”, fala.

Vanderlan

O empresário diz que se sente muito confortável dentro partido, e inclusive, que pretende buscar a direção da sigla na eleição para o diretório estadual. Isto, caso não seja expulso do PMDB. Um grupo dentro da legenda pretende excluir Friboi por infidelidade partidária. Caso consiga assumir a direção estadual do PMDB, Friboi revela que pretende convidar Vanderlan Cardoso para voltar à legenda e concorrer à Prefeitura de Goiânia no próximo ano.

Do 247

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