quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O “câmbio livre”, perna do “Santo Tripé”, e as rasteiras dos bancos

 

12 de novembro de 2014 | 15:43 Autor: Fernando Brito

dolar

Para os que acreditam na santidade do mercado livre e fazem suas orações devotas à Santíssima Trindade da economia – o tal “tripé macroeconômico”, a notícia do Valor Econômico de hoje, sobre as espertezas de alguns dos maiores bancos do mundo na manipulação do câmbio para “determinar quanto pagar por moedas estrangeiras”, entre elas o nosso real.

É coisa de bilhões de dólares. US$ 3,3 bilhões só “na primeira leva”.

Fazendo a conversão para o Brasil, já dá um conteiner cheio de Paulos Roberto Costa e Albertos Youssefs.

Mas isso é lá nos EUA, na Suíça e em Londres.

Aqui, eles e os gigantes bancários brasileiros são santinhos e apenas acompanham a livre cotação das moedas.

Quem especula com câmbio, claro, são só aqueles camaradas sinistros que ficam na porta dos hotéis de Copacabana, abordando os turistas na base do “hey, mister, exchange, exchange….”

Bancos vão pagar US$ 3 bilhões em multas por manipular taxa de câmbio

LONDRES – Órgãos reguladores nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Suíça multaram cinco bancos em cerca de US$ 3,3 bilhões na primeira leva de sanções desde que as autoridades começaram uma investigação global sobre a manipulação de referenciais do mercado cambial no ano passado.

O suíço UBS é quem pagará mais, US$ 800 milhões, de acordo com comunicados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) dos EUA, da Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido (FCA), e da Autoridade de Supervisão do Mercado Financeiro da Suíça. O Citigroup pagará US$ 668 milhões, seguido pelo JPMorgan Chase, com US$ 662 milhões. O Royal Bank of Scotland foi multado em cerca de US$ 634 milhões e o HSBC, em US$ 618 milhões. O Barclays, que esteve em negociações para um acordo, informou que ainda não estava pronto para fechá-lo.

Esses seis bancos provisionaram cerca de US$ 5,3 bilhões em recursos para pagar acordos judiciais, inclusive os relativos ao caso das taxas cambiais.

Bancos e agentes ainda podem enfrentar mais sanções e litígios após a investigação de 13 meses sobre as alegações de que dealers dos maiores bancos se uniram a colegas de outras instituições para manipular taxas referenciais usadas por gestores de fundos para determinar quanto pagar por moedas estrangeiras. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e um órgão de combate a fraudes da Grã-Bretanha também estão conduzindo investigações criminais no mercado cambial, que gira US$ 5,3 trilhões por dia.

“Os operadores colocaram seus próprios interesses à frente dos seus clientes, manipularam o mercado – ou tentaram manipular o mercado – e abusaram da confiança do público”, disse o diretor da FCA, Martin Wheatley, a repórteres em uma coletiva em Londres hoje. O regulador vai pressionar as empresas a rever seus planos de bônus e confiscar de volta os pagamentos já efetuados.

http://tijolaco.com.br/blog/?p=23001

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