Páginas

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O Povo pensa

Erika Kokay

Ao ver as declarações de Marina Silva, negando o seu próprio programa apresentado largamente para toda a sociedade, me lembrei da frase do barão de Itararé que diz "de onde menos se espera é que não sai nada mesmo". Não poderíamos esperar o combate a homofobia de quem tem a sua construção e a sua linha política pautada no fundamentalismo.

A declaração de Marina Silva representa a consolidação de uma lógica homofóbica. Significa a ausência do Estado no desenvolvimento de uma função em que todo o ser humano possa viver a sua humanidade. São brasileiras e brasileiros que têm no seu recuo, no retrocesso ao seu próprio programa, a constatação de que não terão uma construção que permita que todas as pessoas tenham o direito de ser o que são, tenham o direito de amar, e tenham o direito de viver a sua humanidade.

É lamentável, extremamente perigoso e ameaçador para este País que nós tenhamos uma candidatura que lança propostas e que, em função da fala de um líder religioso, de um pastor que ameaça contestá-la, recua. Esta é uma candidatura que não representa uma postura de um governo de Estado, e que está absolutamente dominada, envergada por lógicas fundamentalistas religiosas, pautada pelas falas de líderes religiosos, na desconstrução da laicidade do Estado. Acredito que muitos outros temas também estão ameaçados, como o direito de amar, de ser, a democracia, e ao mesmo tempo a liberdade e a autonomia de Estado, adquirida a partir da sua própria laicidade.

O recuo no discurso se deu, e todos sabem disso, a partir das ameaças de um líder fundamentalista. Ao ameaçar Marina Silva de fazer oposição, houve um retrocesso imediato. O Brasil não pode sofrer a ameaça de ter uma presidenta da República que mude toda a construção do seu programa e as suas ações a partir da fala de um líder religioso.

Por isto não tenham dúvida: para avançar na construção da luta em defesa do direito de ser, da comunidade LGBT, do combate a homofobia, a candidatura que se apresenta e tem a real possibilidade de fazer esses enfrentamentos é a de Dilma Rousseff. Temos que avançar na construção da democracia e de direitos, para que possamos entender que este País é um País de todas cores e que um beijo tem que ser encarado apenas como um beijo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário