sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Governo encerra negociações com professores mas greves continuam

O governo encerrou as negociações com professores universitários em greve desde maio, enquanto estuda propostas para os demais servidores que ainda fazem paralisações em mais de 20 setores em todo o país.
Leia também:
Passeata de servidores federais para centro do Rio
Operação da PF atrasa voos no aeroporto de Cumbica
Funcionários federais protestam em várias frentes no RS
Manifestação de policiais federais provoca tumulto no DF

Segundo sindicalistas, as paralisações tiveram adesão de cerca de 350 mil servidores. O governo, que contesta este número, deverá oferecer proposta aos grevistas na próxima semana, numa tentativa de conter o movimento que ganhou força nos últimos dias, disse a assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que lidera as negociações.

O Ministério da Educação reiterou em nota aos professores que as negociações foram encerradas com a proposta de reajuste de 25 a 40 por cento até 2015, o que representa um impacto de 4,2 bilhões de reais no Orçamento da União.

A proposta foi aceita pela Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), mas foi rejeitada pelos sindicatos que representam a maioria das instituições.

A nota do ministério, publicada no site da pasta na Internet, diz que o acordo "possui cláusulas que permitem a adesão de outras entidades sindicais".

Os representantes dos servidores técnicos administrativos das universidades e dos institutos federais deverão ter reunião na sexta-feira com o governo, segundo a pasta da Educação. Na segunda-feira, foi apresentada uma proposta de reajuste de 15,8 por cento.

A paralisação também inclui servidores de universidades federais, agências reguladoras, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além dos ministérios da Agricultura, Planejamento, Integração Nacional, Saúde, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), entre outros.

Outras categorias, como funcionários do Banco Central, Tesouro Nacional e Controladoria Geral da União, fizeram paralisação de um dia nesta semana como advertência.

OPERAÇÃO-PADRÃO

A greve dos servidores públicos ganhou novas adesões nos últimos dias, como de funcionários da Polícia Federal, o que causou reflexos em rodovias e na emissão de passaportes, por exemplo.

No aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, onde havia uma operação-padrão nesta quinta-feira desde as 16h30, um grande número de passageiros esperava para entrar no saguão de embarque internacional.

No Terminal 2, o tempo médio de espera para passar pela primeira parte do controle de segurança de raio-x era de 1h20. Só depois dessa etapa é que os passageiros são encaminhados para o controle de passaportes, feito pelos agentes da polícia federal.

A operação-padrão significa que todos os procedimentos são seguidos à risca, o que, na prática, torna mais lento o trânsito de passageiros pelos postos de controle de entrada e saída do país.

Os sindicatos planejam uma greve geral a partir do dia 20 caso o governo não apresente proposta satisfatória de recomposição salarial.

(Por Hugo Bachega; com reportagem adicional de Laíz Souza, em Guarulhos)

Nenhum comentário:

Postar um comentário