terça-feira, 27 de maio de 2014

Tolerar; até quando?

Tolerância é uma palavra que possui diversos significados, entre eles, o
direito que se reconhece aos outros de terem opiniões diferentes ou até
diametralmente opostas às nossas. Atualmente, a tolerância parece ser
atitude obrigatória diante de quase tudo que acontece no Brasil e no
mundo. Devemos ser tolerantes com a violência, a maldade, a imoralidade, a
falta de ética, a mentira, a inércia, a falta de fé. Precisamos tolerar
condutas absurdas para não sermos considerados preconceituosos. Mesmo
dentro das Igrejas essa tolerância tem acontecido e se mostra extremamente
danosa, senão vejamos:
É certo que Deus é amor (isso todo o mundo sabe); mas não quer dizer que
Ele aceita e aprova tudo o que está acontecendo nos dias atuais. A Igreja
e os cristãos estão correndo o risco de se tornarem “mundo”, pois já não
estão mais em oposição ao pecado; antes, claramente o aceitam para não
serem discriminados ou rotulados como intolerantes.
Deus chama a Igreja e os cristãos a viverem em oposição ao pecado, não lhe
sendo tolerantes e nem pretendendo que o pecado seja bom, mas declarando
que o pecado é pecado e procurando orientar aqueles que vivem de forma
pecaminosa para que se arrependam e procedam bem.
O fato de Deus ser um pai amoroso conforta e nos dá a entender que Ele ama
o pecador; mas, mesmo assim, odeia o pecado e pune os pecadores por causa
de seus erros. O perdão acontece diante do arrependimento e, sem este, não
há que se falar em perdão. Não podemos divorciar o amor de Deus de sua
santidade. Ele é amoroso sim, mas também é santo e, sendo santo, odeia o
pecado. Simplesmente não aprova as práticas do mundo, nem é tolerante com
elas.
No capítulo 12 de Romanos, em seu versículo 2, podemos ler: “E não sede
conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso
entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus.” Ora, a vontade de Deus é que percebamos que, apesar de
aparentemente piedosa, essa tão propagada tolerância atual é de fato
ímpia, pois não leva em conta os preceitos de Deus e sim o desejo dos
homens, que têm se arvorado juízes daquilo que consideram certo ou errado,
descartando a lei divina.
Assim, Deus diz: Não matarás (Êxodo, capítulo 20, versículo 13), mas o
homem faz campanhas a favor do aborto. Deus diz: Não adulterarás (Êxodo,
capítulo 20, versículo 14), mas o homem faz novelas e programas que
promovem a imoralidade, enaltecendo a conduta promíscua, e
consequentemente esfacelando nossas famílias. Deus diz: Não furtarás
(Êxodo, capítulo 20, versículo 15), mas o homem desvia o dinheiro público
que poderia ser aplicado em educação e saúde para finalidades outras,
desamparando a população carente e o pobre necessitado.
Esses exemplos mostram que o homem já não considera a lei de Deus como
padrão, modelo ou guia de certo e errado, mas deseja ser seu próprio juiz
no tocante ao que considera bom ou mal, instituindo a tolerância como
chave micha capaz de abrir inúmeras portas que nem sempre são adequadas ou
convêm àqueles que servem a Deus. As práticas do mundo podem ser atrativas
para muitos, mas quando os cristãos as toleram minam sua própria
santidade, correndo o risco de serem julgados, se já não tiverem caminhado
para sua própria destruição.
A tolerância com as práticas erradas assemelha-se à omissão e certamente
de nós será cobrada. O amor ao próximo não pode nos cegar quanto ao pecado
e ao erro, pois busca exatamente a salvação das almas. Em conformidade com
o capítulo 5 de Tiago, em seu versículo 20: “Saiba que aquele que fizer
converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e
cobrirá uma multidão de pecados.” Dessa forma, todo cristão tem o dever
moral de se manifestar contrário ao que não coaduna com a lei de Deus,
ainda que possa parecer intolerante aos olhos desta nossa sociedade. Em
Ezequiel, capítulo 44, versículo 23, pode-se ler: “E a meu povo ensinarão
a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro
e o puro.” A tolerância, da forma como nos tem sido apresentada
ultimamente, é perigosa, ímpia, hipócrita e antibíblica.
Maria Regina Canhos (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora.

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