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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Três livros capixabas

 

João Baptista Herkenhoff

Gosto de comparecer a lançamento de livros. Prestigio o autor, manifesto apreço pelas coisas do espírito, enriqueço meu acervo de obras autografadas e me encontro com pessoas que também amam a Literatura.

Este mês de setembro está sendo pródigo em noites de autógrafos na capital capixaba.

Ana Laura Nahas lançou “Quase um segundo”, crônicas leves, de um delicioso sabor. No texto “De palavras e de coisas”, a autora relaciona coisas que aprecia e coisas que não lhe agradam. Gosta de: café, folga, tempo, canção, compreensão, notícia, pureza. De gangorra não gosta mas não explicita o motivo da rejeição ao vocábulo que, entretanto, eu deduzi porque a cronista relembra que, desde menina, o momento de seu especial contentamento ocorria quando ambos os participantes do folguedo estavam no meio, um se equilibrando no equilíbrio do outro. Ela não sabia que para manter a estabilidade era preciso preservar igual distribuição de massa ao redor do ponto de apoio. Presumo que a então menina, desconhecendo esses princípios da Mecânica, tenha levado um bruto tombo, razão de sua antipatia pela palavra gangorra. Outra possibilidade de briga com o termo seria a desatenção à correta acentuação tônica – o paroxítono ser pronunciado como proparoxítono (gângorra), ou oxítono (gangorrá). A palavra ficaria com raiva e a queda seria certa. O erro da pré-adolescente, como tudo indica, não foi contudo gramatical, mas físico.

Do texto leve de Ana Laura passo ao texto dramático de José Caldas da Costa, que está lançando o livro Caparaó: a primeira guerilha contra a ditadura. Trata-se de uma alentada pesquisa histórica a respeito da primeira guerrilha contra a ditadura de 1964. Vinte homens, quase todos ex-militares, pretenderam recriar na Serra do Caparaó, entre Minas Gerais e Espírito Santo, um foco de resistência semelhante à Sierra Maestra que, em Cuba, derrubou Fulgêncio Batista e instaurou na ilha um regime socialista. Caparó revisita a História, o que é muito importante, principalmente para as novas gerações aprenderem a cultuar o passado.

Depois será a noite de Jeaane Bilich que autografa seu livro Viajantes da Nave Tempo. Generosamente a autora dedica a este pobre marquês uma das crônicas do livro – Consciência de aço & coração de mel. Jeanne vê neste professor uma aparente contradição: firmeza nas atitudes e sensibilidade no trato humano. Que grande responsabilidade manter esta coerência até a morte.

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