terça-feira, 15 de abril de 2014

MEU AVÔ E A PÁSCOA

 

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

A Páscoa esta chegando e ela me traz a lembrança, mais uma vez do meu avô Lúcio.

Digo que a Páscoa faz com que ele se faça mais presente na lembrança, porque ele morava em Corupá, a Cidade das Cachoeiras, ao pé da Serra do Mar, quando eu era criança, mas quando eu tinha uns 6 ou 7 anos ele mudou-se para Joinville. Ele era ferroviário e a imagem dele chegando a nossa casa com uma cesta de vime pendurada no braço direito não me sai da memoria. Nossa casa ficava distante da estação ferroviária, em Corupá, mais ou menos uns dois quilômetros. Mas lá vinha ele, a pé, com a cesta cheia de guloseimas para nós, os netos. Para nós, era sempre Páscoa quando ele vinha. Ele trazia aquelas balas grandes e coloridas, do tamanho de um ovo de galinha, que hoje já não existem mais, trazia coco indaial, um coco do tamanho de um ovo de galinha, também, com uma ou duas amêndoas dentro, coisa que já não vejo há décadas, infelizmente. Trazia tucum maduro – uma fruta parecida com butiá, mas preta - a gente come a casca e o coquinho que tem dentro. Trazia goiabas, trazia maria-mole, trazia aquelas balas coloridas que eram cortadas em fatias grossas, nem sei se elas ainda existem.

Era uma festa a chegada do meu avô a nossa casa em Corupá. Acho que ele ficava colecionando todas essas frutas e doces para encher a cesta e, num seu dia de folga, tocar para Corupá para entregar tudo aquilo pra gente. Coisas simples, mas que eram oferecidas com carinho e tinham um valor incomensurável.

Hoje os avôs não dão, absolutamente, esse tipo de presente. Hoje os avôs dão brinquedos eletrônicos, como jogos, telefones, tablets, consoles, etc. Mas aqueles tempos do meu avô eram felizes e dá uma saudade danada.

Não lembro mais do rosto do meu avô, só lembro que ele era careca, tinha apenas uma coroa ao redor da cabeça. Acho que lembro disto porque também estou ficando careca e talvez fique igual a ele. E, engraçado, apesar de não lembrar do rosto dele, eu ainda o vejo chegando com a cesta no braço, cheia de oferendas. Como um certo Menino, que nos traz fé, esperança e renovação. Saudade.

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