segunda-feira, 23 de março de 2015

Moro e o prêmio da Globo

 

Miguel do Rosário

MIGUEL DO ROSÁRIO 22 de Março de 2015 às 13:50

A presença de Sergio Moro na festa da Globo, e sua aceitação do prêmio, constitui um tapa na cara dos que querem acreditar numa justiça isenta

Nos parece evidente que um juiz, assim como não pode receber presentes, segundo os próprios códigos de ética que regem a magistratura e o funcionalismo público, também não deveria receber prêmios de empresas privadas, cujos interesses econômicos e políticos se chocam com o da sociedade.

Imagine se o PT, por exemplo, instituísse um prêmio para juízes, e fizesse uma festança, todos os anos, para entregar o troféu para seus magistrados preferidos?

É o que faz a Globo, tão ou mais identificada com um espectro político do que o PT.

Um juiz com um mínimo de bom senso e desejo de se mostrar imparcial deveria saber disso.

A presença de Sergio Moro na festa da Globo, e sua aceitação do prêmio, constitui um tapa na cara dos que querem acreditar numa justiça isenta.

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Em nome do decoro, Moro deveria ter rejeitado o prêmio da Globo

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo.

Você pode imaginar um juiz britânico – Leveson, por exemplo, o que conduziu as discussões para a regulação da mídia no Reino Unido – numa festa de um magnata da mídia como Rupert Murdoch?

A resposta cabe em três palavras: não, não e não.

Mídia e Justiça devem fiscalizar uma à outra, numa sociedade séria e adulta. Não podem se dar tapinhas nas costas e confraternizar como velhos camaradas.

Que a Globo ignora esse princípio vital da democracia é óbvio. Cenas constrangedoras, no calor do Mensalão, reuniram juízes do STF e jornalísticos icônicos da Globo.

Que o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, não sabia disso é um fato novo, ainda que não surpreendente num país de Justiça partidária como o Brasil.

Num mundo menos imperfeito, Moro teria recusado um prêmio da Globo. Polidamente, assim como um jornalista rejeita um presente caro.

Mas Moro não resistiu, e as imagens dele na premiação são lastimáveis. A posteridade haverá de olhá-las como símbolo de um tempo de atraso no Brasil.

Não há almoço de graça, e nem prêmio. Uma organização como a Globo não premia ninguém sem que haja interesses por trás.

Do ponto de vista prático, o que se deve esperar de alguma causa jurídica que envolva a Globo e que acabe caindo nas mãos de Moro?

A aceitação da homenagem já foi um ruim. Mas as palavras de Moro – e o olhar deslumbrado traído pelas fotos da cerimônia – tornaram as coisas ainda piores.

Moro, segundo o site do Globo, disse ter ficado “particularmente tocado” com os protestos de domingo.

Visto que foram protestos em que Dilma foi massacrada, a declaração de Moro não poderia ser mais reveladora.

Mais que isso, só se ele dissesse que tem andado batendo panela.

Como Joaquim Barbosa antes, Moro já se tornou o herói não dos brasileiros – mas da direita nacional.

Também como Joaquim Barbosa antes, a Globo já tratou de armar a gaiola para ele.

Entre sorrisos, na premiação, Moro entrou nela – para prejuízo da sociedade.

http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/174167/Moro-e-o-prêmio-da-Globo.htm

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