quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

EUA surpreendem FMI com reforma que favorece emergentes

Kim Kyung-Hoon/Reuters
Logo do Fundo Monetário Internacional (FMI)
FMI: "Ela melhorará a governança do FMI ao oferecer um reflexo melhor do crescente papel dos dinâmicos países emergentes"
Alfonso Fernández, da EFE
Washington - O Congresso dos Estados Unidos aprovou no fim do ano, inesperadamente, uma das principais reivindicações do Fundo Monetário Internacional (FMI): a reforma do sistema de cotas para conceder mais peso político às economias emergentes na instituição financeira internacional.
Desde 2012, a diretoria-gerente do FMI, Christine Lagarde, não tinha perdido nenhuma oportunidade de primeiro pedir, e depois criticar, os EUA pela demora em avaliar a proposta de reforma interna do órgão, projetada para refletir a ascensão de potências emergentes como Brasil, China, Índia na economia global.
Ao mesmo tempo, esses países, reunidos no grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), elevaram o tom das queixas aos EUA por sua incapacidade de aprovar uma reforma que o próprio governo americano tinha inicialmente defendido.
Diante da paralisia dos últimos dois anos, os emergentes decidiram criar instituições alternativas ao FMI e ao Banco Mundial, como o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAAI), impulsionado pela China; o Novo Banco de Desenvolvimento e o Fundo de Reservas dos Brics.
Na reunião do G20 na Turquia em novembro, os líderes dos Brics expressaram mais uma vez sua "profunda decepção" pela falta de progressos na reforma dos órgãos financeiros internacionais, dominados pelas potências ocidentais.
Por isso foi uma surpresa quando, no mesmo dia do início do recesso parlamentar, os congressistas americanos aprovaram um pacote de US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 6 trilhões) para o ano fiscal de 2016. Entre as medidas que ganharam o sinal verde estava a reforma do FMI.
Lagarde, que fez várias visitas ao Congresso para tentar desbloquear a reestruturação da instituição criada junto com o Banco Mundial nos acordos de Bretton Woods, em 1944, comemorou a aprovação. A diretora-gerente afirmou que a mudança deixará o FMI "mais moderno e representativo".
"Ela melhorará a governança do FMI ao oferecer um reflexo melhor do crescente papel dos dinâmicos países emergentes e em desenvolvimento na economia global", afirmou Lagarde, que deve continuar no cargo para um segundo mandato após o fim de seu primeiro, de cinco anos, em 2016.
Há apenas alguns meses, as perspectivas sobre a reforma eram muito mais sombrias.
Na última Assembleia Anual do FMI, realizada em Lima em outubro, poucos dos presentes se mostraram otimistas de que a mudança do sistema de cotas, estrutura base do órgão e que decide o poder de voto de cada um dos 188 países-membros, seria aprovada.
E então eles se propuseram a buscar alternativas.
Muitos lamentaram o tempo perdido em consequência de um Congresso americano de maioria republicana, excessivamente contrário a qualquer medida proposta pelo presidente Barack Obama, que tentou incluir a reforma do FMI em uma dezena de projetos.
"O mundo estava esperando a aprovação dos EUA desde 2012. Esse atraso custo muito em credibilidade e liderança global aos americanos", explicou Edwin Truman, pesquisador do Peterson Instituto e subsecretário de Assuntos Internacionais do Tesouro na administração do ex-presidente Bill Clinton.
"Washington já não é visto como um negociador confiável nas questões do FMI", disse Truman sobre as consequências do atraso.
A reforma, além disso, ajudará a dobrar os recursos da instituição de empréstimo para países em crise. Agora estão disponíveis US$ 755 bilhões (cerca de R$ 3 trilhões).
No entanto, a concessão republicana no Congresso não foi completa, e estabeleceu algumas condições. O Legislativo deverá aprovar qualquer participação dos EUA em empréstimos extraordinários do FMI depois de 2022. Além disso, o representante americano no órgão deverá informar os congressistas quando for votar a favor de crédito de grande volume.
Os principais beneficiados por essa reforma interna são China, que passará a ser o terceiro país em representação - atualmente é o sexto, ultrapassando França, Alemanha e Reino Unido; o Brasil, que ganhará quatro "posições", passando a ser o décimo; e a Índia, atual 11º representante, que se tornará o oitavo.
Por outro lado, a cota dos Estados Unidos no FMI continuará a ser majoritária, apesar de uma leve redução: 17,69% para 17,4%. E os americanos mantêm o direito a veto.
Os menos favorecidos nessa reforma foram as economias europeias avançadas, que terão o peso de sua participação no órgão reduzida.
Tópicos: Estados Unidos, Países ricos, FMI, Países emergentes
http://exame.abril.com.br/economia/noticias/eua-surpreendem-fmi-com-reforma-que-favorece-emergentes

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