domingo, 28 de dezembro de 2014

Dilma e Graça atuam para barrar o “quebrar tudo”

 

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Contas feitas pelo governo apontam risco de descontinuidade em contratos de R$ 130 bilhões entre Petrobras e empreiteiras investigadas na operação Lava Jato; receio é de colapso no setor de óleo e gás, com extensões para toda a infraestrutura; inidoneidade afetaria, de saída, área responsável por 12% do PIB; bancos seriam obrigados a suspender empréstimos e fazer provisionamentos; milhares de postos de trabalho teriam de ser fechados; presidente Dilma Rousseff e Graça Foster, da Petrobras, trabalham para impedir situação; "Temos de parar com essa história de quebrar tudo", disse Dilma em sua última entrevista antes de sair de férias

28 de Dezembro de 2014 às 16:38

247 – A senha foi dada pela presidente Dilma Rousseff:

- Temos de parar com essa história de quebrar tudo, disse ela em sua última entrevista deste ano até aqui, na terça-feira 23. Ato contínuo, executivos e técnicos do governo passaram a acelerar estudos e articulações com o objetivo de assegurar que contratos estimados em R$ 130 bilhões em curso entre a Petrobras e as principais empreiteiras do País 'continuem rodando'. Há o forte receio de que uma possível quebra de compromissos básicos como pagamento de parcelas aos bancos e a liberação, pelo sistema financeiro, de recursos às empresas provoquem nada menos que um colapso num setor da economia que representa 12% do PIB. Exatamente o de óleo e gás.

Ao somar todos os contratos em andamento entre a estatal e as nove empreiteiras investigadas pela Lava Jato, como a Camargo Corrêa, OAS e Queiroz Galvão, os técnicos do governo chegaram à conclusão de que eles têm peso e ramificações suficientes para provocar uma efeito bastante nefasto na economia. Bancos públicos e privados ficariam sem receber e, nessa medida, teriam de passar a fazer grandes provisionamentos, afetando seus resultados e jogando pressão sobre outros clientes. Esse é um mecanismo que só contribui para mais pressão sobre as taxas de juros.

Novos empréstimos terão de ser necessariamente barrados caso as empresas investigadas sejam declaradas inidôneas. Fortemente dependentes de financiamentos para tocar suas grandes obras, elas seriam riscadas do mercado, comprometendo boa parte do setor de infraestrutura. Uma debacle causaria, assim, efeitos negativos muito além do setor de óleo e gás. Nas primeiras projeções feitas internamente pelo governo, o estrago atingiria diretamente o cenário do emprego. Não apenas cessariam as contratações para os canteiros de obras como milhares de trabalhadores empregados seriam dispensados em razão da paralisação de obras em curso.

A presidente Dilma Rousseff está atenta a esse quadro – e ele também pesou para a manutenção de Graça Foster na presidência da Petrobras. Ela conhece os contratos em andamento e tem a confiança de Dilma para evitar suspensões abruptas, que causem impacto excessivo nas empreiteiras. A clara intenção é evitar uma quebradeira no setor. Como disse a presidente Dilma em seu café da manhã com os jornalistas, "os corruptos devem ser punidas, mas as empresas precisam ser preservadas".

O procurador geral da República, Rodrigo Janot, foi uma das primeiras autoridades a ter a dimensão do quadro a ser criado com a eventual declaração de inidoneidade das empreiteiras e, no limite, da própria Petrobras. Mas ele suspendeu um início de conversas que tinham por objetivo encontrar alternativas legais a essa, que vem sendo a mais comentada. Janot não gostou da repercussão na mídia de seus primeiros encontros para tratar do assunto. Prestigiada no comando da estatal, Graça Foster terá um papel fundamental, no início de 2015, em manter vivas as companhias que atuam na órbita da estatal e sustentam milhares de empregos país afora.

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