segunda-feira, 14 de maio de 2012

HEINRICH RUDOLF HERTZ: RÁPIDO COMO A LUZ!

CRÔNICA RADIOAMADORÍSTICA 20.05.2012

 

Ele tinha uma profunda aversão aos fatos banais do cotidiano, ele odiava os “aquecedores fumegantes”, tanto quanto “chaves fora do lugar” e “ficar escrevendo o tempo todo” foi durante quase toda a sua vida algo que ele considerava insuportável. Tudo tinha que ser conciso, preciso e, naturalmente, abalizado em teorias.

HERTZ, que vinha de uma família pouco abastada, no fundo não pretendia tornar-se físico, mas sim engenheiro civil. Após ter realizado um estágio num escritório de construções em Frankfurt, matriculou-se em física e Matemática na Escola Superior Técnica de Munique. Apesar de ele estar ciente de que a profissão de engenheiro garantia o pão, como ele próprio dizia, logo entediou-se desse objetivo profissional. Assim, o jovem Hertz ( 1857-1894) escreveu ao se pai: “Ocupar-se a vida inteira com coisas práticas e oi conhecimento de dados e fórmulas, não me interessa, pois são fatos casuais” - e era completamente contra as suas intenções.

Após deixar Munique , mudou-se para Berlim, onde se matriculou no Instituto de Física. Naquela época, este era dirigido por 2 capacidades em sua área: Hermann von Helmholtz e Gustav Kirchoff. Já nas aulas práticas, ambos reconheceram o talento extraordinário desse aluno, que vencia os obstáculos acadêmicos sem o menor esforço. Com 23 anos, Hertz recebeu o título de doutor, com uma tese sobre a indução magnética numa esfera rotatória.

Em 1883, recebendo um salário de 500 táleres, foi para Kiel, onde realizou também a sua tese de livre-docência. Lá, porém, esse jovem cientista com um acentuadoi gosto pela pesquisa, encontrou severas limitações. Os estudantes quase não conseguiam acompanhar as suas aulas, e na opinião lapidar de Hertz seria melhor ler para eles as “Mil e uma noites”.

Por isso, de bom grado aceitou uma nomeação da Universidade de Karlsruhe, que logo o promoveu a professor –titular de Física Experimental. Aqui sentiu o ambiente fecundo de uma escola superior famosa e iniciou as pesquisas sobre um tema que já o havia fascinado em Kiel: o segredo das oscilações elétricas.

Já no início daquele século, o cientista inglês Faraday havia estabelecido as leis dos fenômenos eletromagnéticos – porém , de que maneira a força eletromagnética era transmitida? Faraday e seu conterrâneo James Clerk Maxwell, que em 1864 criou uma nova classificação dos fenômenos eletrodinâmicos – e que até hoje compõe a base da teoria eletrodinâmica - acreditavam numa influência recíproca: quanto mais rápido um campo magnético mudasse a sua polarização, mais forte seria a corrente elétrica induzida. Por outro lado, a força do campo magnético deveria ser proporcional à da intensidade da corrente.

Apesar da lógica de Maxwell ser tão clara, faltava, porém, uma prova experimental. Para se comprovar a existência de um campo magnético era necessário construir um que alterasse a sua polarização mais de 1 milhão de vezes por segundo. Até então ninguém havia conseguido produzir oscilações elétricas tão rápidas.

Hertz foi o primeiro que conseguiu isso, com a ajuda de uma faísca elétrica minúscula que, oscilando numa espécie de dipolo, produzia mais de 100 milhões de alterações elétricas. Os efeitos eram registrados por Hertz num fio de arame enrolado , que ele denominou de “RESSONADOR”. Em outras palavras: ele havia construído um emissor radioelétrico e o respectivo receptor.

Com isso haviam sido descobertas as ondas de rádio. Hertz ainda foi mais longe. Em 1888 ele comunicou perante a Academia Prussiana de Ciências o seu método para medir o fluxo das ondas eletromagnéticas ao longo de cabos. Logo em seguida Hertz descobriu também a velocidade de propagação das ondas eletromagnéticas . De acordo com o que havia postulado por Maxwell, ela é exatamente igual à da luz, ou seja, 300.000 Km/s. Pesquisas adicionais revelaram que as ondas descobertas por Hertz possuíam outras propriedades que também se igualam às da luz. Em dezembro de 1888 ele terminou seu trabalho mais importante, intitulado “Sobre os raios da força elétrica”, que ainda hoje é uma das bases da técnica de comunicações.

Apesar disso, Hertz não se tornou diretamente o pai dessa técnica. Os seus sucessores Braun, Landell de Moura e Marconi seguiram um outro caminho, utilizando as ondas longas e as suas propriedades. Hertz não presenciou mais a aplicação técnica das suas ondas eletromagnéticas: as primeiras experiências com a radiotelegrafia. Ele, em cuja homenagem se denominou de “um Hertz” a unidade de uma oscilação eletromagnética por segundo, faleceu no dia de Ano Novo de 1894, aos 37 anos.

O “Instituto Heinrich Hertz para Técnicas de Comunicações” em Berlim, que leva seu nome, foi fundado já em 1929 e é financiado pelo governo federal da Alemanha e por Berlim. Lá são pesquisadas as futuras técnicas de comunicação e os efeitos sociais desses meios..

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