domingo, 21 de maio de 2017

TEMER NÃO EXPLICA NEM ENCONTRO ÀS ESCURAS, NEM MALAS DE DINHEIRO

REUTERS/Ueslei Marcelino Por Fernando Brito, do Tijolaço - Michel Temer tem razão em reclamar da edição do áudio em que é flagrado ouvindo e até concordando com as falcatruas narradas e os pedidos de “acertos” com o Governo feitos pelo empresário Joesley Batista.
É muito grave que a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal, dispondo de tempo para isso, não tenham se certificado de que o áudio é o original ou sua cópia fiel.
O fato de Michel Temer ser um homem desprezível não justifica o uso de truques e ilegalidades contra ele, embora ele próprio tenha sempre se valido disto contra outros.
Temer, porém, é inconvincente por completo nas gordurosas explicações que até agora apresentou, especialmente no pronunciamento de hoje (assista ao final do post).
Tentar apresentar como um adversário político alguém que se recebe, altas horas, secretamente, no porão de sua casa é, com toda a franqueza, inacreditável.
É risível, também, o trecho em que ele diz que o Brasil “saiu da recessão” e estava em progresso econômico. Se não fosse cinismo, bem que poderíamos dizer que ele vive em um universo paralelo.
Como é incrível que, neste momento, ele de foros de afirmação oficial à jogadas financeiras com dólar e ações que Joesley Batista teria feito na véspera do anúncio da delação premiada.
Por mais primário que possa ser o empresário, bobo ele não é e sabe que todas estas transações de grandes volumes de dinheiro ficam registradas no Banco Central, na Bovespa e na Comissão de Valores Mobiliários. Um condenação por fraude na bolsa ou no câmbio enterra a sua empresa nos órgãos de controle da SEC – Security Exchange Comission – dos Estados Unidos, onde está o centro de seus negócios, hoje.
Igualmente, Rodrigo Janot não é tolo de deixar rolar uma montagem grosseira de algo tão importante e grave. A menos que seja um suicida, porque, até setembro há a escolha, pelo presidente, de um novo procurador geral. Ou o presidente já não será Temer ou o procurador não será, de novo, Janot ou alguém de seu grupo e, assim, ele teria de responder disciplinarmente por ter acolhido uma fraude evidente e ter a ela dado curso e provocado um escândalo mundial.
O problema de Temer é antes político e moral do que jurídico.
Suspender o processo, como ele pretende, é uma confissão do Supremo de que Luís Edson Fachin agiu de forma, perdão trocadilho involuntário, temerária.
Num terremoto que tem como epicentro a Globo, que revelou, amplificou e massacrou o presidente do golpe, é improvável que Jornal Nacional de hoje e Fantástico de amanhã lhe deem tréguas.
As malas de dinheiro, inexplicadas, pesam como chumbo a arrastá-lo para o precipício.
Temer segue arriscado a minguar de tal forma que na segunda ou terça feira já não reúna cacife político para nem mesmo existir, politicamente.
Se algo lhe resta como consolo é que Aécio Neves foi, antes dele, para o mármore do inferno.
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/296762/Tijla%C3%A7o-Temer-n%C3%A3o-explica-nem-encontro-%C3%A0s-escuras-nem-malas-de-dinheiro.htm

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