quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Militares empregaram Aécio durante governo Geisel

 

Além de receber salários da Câmara dos Deputados, do governo de Minas e da Caixa, Aécio trabalhou para a ditadura

18/10/2014 - 13h15 / Por Agência PT

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De pai para filho: documento registra ato de nomeação de Aécio Neves na Câmara dos Deputados feito pelo pai, o então deputado Aécio Cunha

O candidato à Presidência, Aécio Neves (PSDB), trabalhou no governo Ernesto Geisel, na ditadura militar, mas omite de sua biografia e evita tocar no assunto. À época com 17 anos, Aécio contou com a influência da família junto aos generais para obter cargo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça (MJ).

O órgão era comandado pelo então ministro Armando Ribeiro Falcão, criador da chamada Lei Falcão, que impediu acesso de políticos às emissoras de rádio e tevê durante as eleições municipais de 1976.

Ele tem razão quando disse na sexta-feira (18), em encontro que selou o apoio da candidata derrotada Marina Silva (PSB) à sua campanha, que foi um “espectador privilegiado” da construção da aliança democrática que tinha como objetivo acabar com a ditadura.

Aécio morava no Rio e era estudante, apesar de receber salário do órgão em Brasília, mais uma mamata para o jovem rico da elite carioca.

Ele permaneceu no Cade por três anos, de onde seguiu para um emprego mais seguro. Desta vez, na Câmara dos Deputados, mais precisamente, no gabinete do pai, deputado Aécio Cunha, onde foi contratado em 1 de janeiro de 1981 (veja imagem), conforme documento obtido pela Agência PT de Notícias.

Na época, Aécio já tinha 20 anos e apesar da Resolução 66, de 17 de março de 1978, e do Ato da Mesa 75, de 4 de abril de 1978, que estabeleciam as regras de trabalho para servidores do Legislativo, mantinha-se distante de Brasília, como estudante no Rio de Janeiro.

Meritocracia – O tucano deixou a Câmara Federal aos 23 anos e retornou para Minas Gerais onde, mais uma vez, pode contar com a influência da família. Na capital mineira, Aécio foi nomeado assessor pelo avô, o governador Tancredo Neves.

Lá ele permaneceu até 1985, quando fez suas primeiras aparições como figura política ao lado de Tancredo, que foi eleito presidente da República, mas morreu antes de tomar posse, dando lugar ao seu vice, José Sarney.

A partir de então, Aécio já com 25 anos, tornou-se diretor da Caixa Econômica Federal. Mais uma vez, a nomeação não aconteceu por méritos. Ela se deu graças à indicação de seu primo, Francisco Dornelles, então ministro da Fazenda da chamada Nova República.

Debate – Em debate entre presidenciáveis promovido pelo SBT e Uol, nesta semana, Aécio acusou a presidenta Dilma Rousseff de empregar o irmão Igor Rousseff na Prefeitura de Belo Horizonte (MG). Neste sábado, o jornal Folha de S. Paulo divulgou matéria na qual reconhece que o comitê de campanha do tucano não tem nenhum documento que comprovaria a ausência de Igor do trabalho, como afirmou o candidato do PSDB. O então prefeito da cidade José Pimentel afirmou que Igor trabalhava normalmente na repartição até 2008, quando Dilma não estava na Presidência.

Por sua vez, durante seu governo em Minas, Aécio editou leis delegadas para nomear nove parentes. Sua irma Andrea Neves, foi presidente do órgão que determinava a liberação de recursos de publicidade do governo para rádios, tevês, jornais e sites. Dentre os veículos beneficiados por essa distribuição estão duas rádios da família Neves e um jornal.

Aécio e as empresas se recusam a divulgar o valor recebido.

Por Mariana Zoccoli e Áureo Germano, da Agência PT de Notícias

http://www.pt.org.br/aecio-omite-ter-trabalhado-para-o-governo-militar/

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