quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Unânime, BC confirma expectativas e mantém juro básico

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira o juro básico brasileiro em 10,75 por cento ao ano, em decisão unânime e já esperada pelo mercado financeiro.

Em curto comunicado, o BC afirmou apenas que tomou a decisão "avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação".

"É um comunicado neutro para reforçar mensagens já passadas. Reforça a tese de que provavelmente os juros vão ficar parados por um bom tempo", comentou Roberto Padovani, estrategista-chefe do WestLB do Brasil.

Economistas esperavam que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantivesse a Selic nesta reunião, após uma série de comentários do BC sobre a inflação considerados mais brandos.

Apesar de dados recentes de preços terem mostrado aceleração, principalmente por conta dos alimentos, o Copom está mais atento a horizontes mais longos e à inflação do ano que vem --já que, devido à defasagem sobre a economia real, a política monetária não tem mais impacto relevante neste ano.

O BC também já disse considerar que o cenário internacional tem efeito desinflacionário sobre o país. Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Federal Reserve adote mais estímulos à economia, que ainda não se recupera de forma consistente da crise global.

Na China, por outro lado, o banco central surpreendeu analistas nesta semana com o primeiro aumento de juros em quase três anos.

FUTURO DO JURO

Com a decisão do Copom desta quarta-feira, tomada a pouco mais de uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, os juros permanecem no maior patamar desde março do ano passado.

"Era um não-evento, já estava dado. O mercado já entendia que ia haver manutenção. Estamos numa transição de mandato e não há muito o que fazer. Tem mais uma reunião em dezembro e provavelmente vai ser a mesma coisa", disse Alfredo Barbuti, economista da BCG Liquidez Corretora.

Vários analistas apostam que no próximo ano o BC terá de voltar a adotar um aperto monetário, diante da forte atividade econômica, mas não há consenso sobre quando exatamente a Selic voltaria a subir.

O IPCA-15, que mede a inflação ao consumidor, superou estimativas de analistas em outubro. O índice foi pressionado pelos preços dos alimentos, que têm refletido o avanços de commodities. A alta do indicador foi de 0,62 por cento, o dobro da verificada no período anterior.

Dados recentes de atividade, por outro lado, têm apontado alguma desaceleração, mas a avaliação de analistas é de que a economia permanece aquecida.

Também divulgado nesta quarta-feira, o indicador de atividade do BC, IBC-Br, ficou estável em agosto frente a julho, segundo dados dessazonalizados. Na comparação com igual período do ano passado, a atividade subiu 6,43 por cento.

O Copom voltará a se reunir em 7 e 8 de dezembro.

(Por Ana Nicolaci da Costa e Peter Murphy, com reportagem de José de Castro em São Paulo)

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