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sábado, 24 de outubro de 2020

China carregou economia agrícola do Brasil em 2020


O forte crescimento do setor foi puxado pela demanda chinesa por alimentos, especialmente a soja

24 de outubro de 2020, 05:11 h Atualizado em 24 de outubro de 2020, 05:11 (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Sputnik – A projeção do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário de 2020, feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aumentou de 1,6% para 1,9%. Bons resultados da soja, principalmente, teriam alavancado o setor.

Já para o ano de 2021, a projeção de crescimento do PIB agropecuário foi reduzida, após uma elevação, de 2,4% para 2,1%.

A economista e professora da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Ana Paula Iacovino, em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que a metodologia aplicada pelo Ipea é o que justifica, em grande medida, o resultado da projeção sobre o PIB agropecuário.

De acordo com ela, o Ipea calcula e faz comparações em relação a trimestres anteriores.

"Como algumas das principais culturas produzidas têm a sua produção concentrada nos dois primeiros trimestres do ano, o Ipea contabilizou esses aumentos, então essa melhora está bastante por conta dessa concentração da produção de algumas das principais culturas brasileiras, como é o caso da soja, do milho, café. Então esse estudo do Ipea está mostrando o resultado dessas culturas", explicou.

Ao comentar as razões para o aumento da projeção, a especialista disse que alguns fatores colaboraram para o resultado positivo, tendo a soja como a principal locomotiva do setor.

"Desde questões internas como a boa produtividade dos produtores, quanto o aumento do consumo internacional, principalmente puxado pela alta demanda chinesa", argumentou a economista.

Ana Paula Iacovino destacou que "a recomposição dos estoques de alimentos chineses elevou o consumo da soja e isso fez com que a demanda internacional aumentasse e puxasse os preços pra cima". Além disso, ela ressaltou que houve uma "redução da produção de um importante rival brasileiro, que são os EUA".

De acordo com a especialista, houve uma combinação de fatores favoráveis para os resultados bons da soja, o que fez com que o produto "puxasse a cadeia como um todo". Um desses fatores foi a alta nos preços do arroz.

"Uma parte da alta nos preços do arroz deveu-se justamente ao fato de que parte dos produtores de arroz trocou a produção para soja, porque a soja estava mais interessante. Isso fez com que a oferta de arroz sofresse redução e houvesse aumento nos preços do produto", disse.

A economista também citou produtos como café, milho e trigo, que tiveram bons resultados com demanda aquecida e aumento de produtividade, e puxaram o resultado da média da cadeia, aumentando assim a projeção.

"A pecuária, por sua vez, é um segmento que a gente não está com as perspectivas tão positivas. Apesar da produção dos suínos ter se mantida elevada, mas de bovinos nem tanto", acrescentou.

De acordo com ela, esse ano de pandemia está sendo um ano atípico em todos os sentidos, mas "o segmento de produção de alimentos tem se dado bem, porque houve um aumento do consumo de alimentos, tanto no mercado interno, quanto no internacional".

"Então esse setor mais uma vez está aí mostrando a sua importância, tanto no seu papel concreto de fornecedor de alimentos pro Brasil e pro resto do mundo, quanto na questão financeira do Brasil, contribuindo para diminuir o choque da diminuição do PIB global", completou.

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Fonte: https://www.brasil247.com/economia/china-carregou-economia-agricola-do-brasil-em-2020-6x1vfwmh

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