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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Bloco econômico liderado por China e Rússia faz jogada para se afastar do dólar e do euro


Notas de dólar e rublo (imagem de arquivo)

© Sputnik / Aleksandr Demyanchuk

Economia

09:34 28.10.2020URL curta

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A União Econômica Eurasiática (UEE) pretende começar a usar suas moedas no comércio em oposição às atuais dominantes, o dólar e o euro.

A decisão foi tomada em um fórum virtual na segunda-feira (26), dedicado a integrar os cinco Estados-membros da UEE: Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia, na principal iniciativa de política externa da China - Um Cinturão, Uma Rota. Esses países e a China pretendem excluir a predominância do dólar e do euro no contexto vigente.

Fundada em 2010, a UEE tem trabalhado ativamente para uma relação mais estreita com a Ásia, especialmente com Pequim.

"Para evitar os riscos crescentes, devemos mudar para as moedas nacionais", afirmou o ministro de Integração e Macroeconomia da Comissão Econômica Eurasiática, Sergei Glaziev. "Este trabalho está em curso e estamos aumentando de forma consistente a parte dos pagamentos em moedas nacionais, tanto na UEE como no exterior, embora continue modesta. Por exemplo, apenas metade dos pagamentos na UEE são feitos em moedas nacionais e, com a China, a parcela dos pagamentos em rublos e yuanes é ainda menor – 15%."

Mulher passa em frente de imagens de dólares e da moeda chinesa

© AP Photo / Kin Cheung

Mulher passa em frente de imagens de dólares e da moeda chinesa

De acordo com Glaziev, o afastamento das duas moedas mais utilizadas do mundo não significa "separação política", mas, sim, proteção das economias dos países-membros da UEE de uma situação sobre a qual eles não têm controle.

No primeiro trimestre de 2020, o comércio entre a Rússia e a China em dólares caiu de 50% para 46% pela primeira vez, tendo uma queda significativa de 75% desde 2018. Contudo, apesar das tentativas de afastamento do dólar (e do euro), as moedas estrangeiras ainda dominam o comércio entre as duas potências.

O papel reduzido do dólar no comércio internacional pode ser atribuído principalmente à guerra comercial em curso entre os EUA e a China. O afastamento de Pequim de Washington também coincidiu com a política de desdolarização do Kremlin, que começou em 2014 como resultado da imposição de sanções a Moscou  pelo Ocidente, devido à reunificação da Crimeia com a Rússia.

Viktor Dostov, presidente da Associação Russa de Dinheiro Eletrônico, explicou na conferência virtual como o uso do dólar acarreta custos extras para os membros da UEE:

"Agora, se eu quiser transferir dinheiro da Rússia para o Cazaquistão, o pagamento é feito em dólar. Primeiro, o banco ou sistema de pagamento transfere meus rublos para dólares e depois os transfere de dólares para o tenge cazaque", explicou Dostov. "Há uma dupla conversão, com uma alta porcentagem tomada como comissão."

Em agosto, o analista russo Aleksei Maslov disse à revista japonesa Nikkei Asian Review que o afastamento de Moscou e Pequim do dólar americano pode resultar na criação de uma "aliança financeira" entre as duas nações.

Partilhando fronteira terrestre com a China, o imperativo do bloco econômico de se mover em direção às moedas nacionais no comércio internacional é ainda mais forte.

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