segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

BRASILEIROS REAFIRMAM O ‘FORA, TEMER’ NA HOLANDA

Por Emir Sader, na Rede Brasil Atual - No começo da atual crise política brasileira, a imprensa internacional reproduzia literalmente as versões da chamada grande mídia do país. Tratava-se de um governo corrupto, submetido a uma ofensiva da oposição para derrubá-lo. Quando a crise se aprofundou, a mídia internacional mandou seus correspondentes. E eles puderam constatar, pela própria oposição Dilma-Eduardo Cunha, que a história era inversa.
Começou a ser revertida a visão que tinha sido difundida pelo mundo afora, com manchetes impressionantes de jornais como The New York Times, The Wall Street Journal, The Guardian, desqualificando totalmente a oposição, divulgando para o mundo que se tratava de um golpe desferido pelos políticos mais corruptos do Brasil. O Le Monde chegou a publicar um editorial fazendo autocrítica por ter acreditado na imprensa brasileira.
Tal consenso internacional foi sendo construído paralelamente a manifestações em muitos países, entre eles nos Estados Unidos e Argentina, mas especialmente na Europa. Foram sendo formados, espontaneamente, dezenas de comitês em muitas cidades – de Portugal à Alemanha, da França à Itália, entre muitos outros – que contribuíram decisivamente para que o governo surgido do golpe fosse internacionalmente tachado como ilegítimo e golpista.
Esses grupos não perdoaram as viagens que ministros do governo golpista e outros próceres ligados ao golpe faziam pela Europa. Serra, Moro, Gilmar, entre outros, foram escrachados e assim apareceram ao mundo, via imprensa internacional.
Agora, mais de dois anos depois do surgimento dos primeiros grupos de brasileiros lutando contra o golpe e pela democracia na Europa, eles promoveram seu primeiro encontro. Tanta gente que havia se comunicado por internet regulamente com tantas outas pessoas, puderam, pela primeira vez, se conhecer pessoalmente, se reencontrar no Encontro realizado em Amsterdam.
Compareceram mais de 20 coletivos de muitos países – Portugal, Espanha, França, Alemanha, Holanda, Itália, Inglaterra, Dinamarca, Suécia, Noruega –, para um balanço sobre a situação política no Brasil, sobre o trabalho realizado por eles nestes anos e para organizar as atividades futuras do conjunto dos coletivos formados nos países europeus.
O encontro se desenvolveu em três dias No primeiro, houve uma abertura com a inauguração de uma exposição de fotos das tantas manifestações realizadas na Europa contra o golpe e pela democracia, com a participação do deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) e com a leitura, feita por mim, de uma carta de saudação enviada pela presidenta Dilma Rousseff, impossibilitada de estar presente, por compromissos assumidos previamente em outros países do continente. Leia a mensagem:
Saudação à reunião dos grupos brasileiros na Holanda.
Queridos brasileiros participantes do 1º Encontro Internacional pela Democracia e Contra o Golpe
Devido a compromissos assumidos anteriormente, estou impossibilitada de estar com vocês. Agradeço o generoso convite que me fizeram e queria assumir o compromisso de estar presente em um próximo evento que vocês organizem.
Quero agradecer-lhes, em nome de todos os brasileiros que lutamos no país contra o golpe que nos privou da democracia, pela importante atuação que vocês vêm desenvolvendo. Sem dúvida, esse tem sido um extraordinário canal de denúncia do golpe e um elemento essencial para o consenso internacional sobre o fato de que o Brasil possui um governo ilegítimo. Em síntese, vocês têm denunciado o golpe contra a democracia, contra os direitos de nosso povo e contra a nossa soberania.
Estou certa de que esse Encontro enriquecerá ainda mais a luta de vocês. Estejam cetos de que essa é a nossa luta, estamos juntos.
Muito obrigada a todos vocês, A DEMOCRACIA É O LADO CERTO DA HISTÓRIA.
Dilma Rousseff
O segundo dia foi marcado por mesas de debates de caráter político, combinando exposições de juristas com os advogados que defendem o ex-presidente Lula, Geofrey Robertson e Cristiano Zanini. Houve ainda análises como as feitas por Breno Altman – sobre o marco internacional atual – e por mim – sobre a situação e as perspectivas no Brasil.
No terceiro dia se reuniram grupos de trabalho sobre aspectos jurídicos, culturais, de comunicação e políticos institucionais da luta pelo restabelecimento da democracia no Brasil. No encerramento foi aprovado um documento que reafirma a orientação do "Fora, Temer!" como eixo central das mobilizações, além da defesa da Petrobras e da campanha "Justiça para todos e em defesa de Lula".
http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/277639/Brasileiros-reafirmam-o-%E2%80%98Fora-Temer%E2%80%99-na-Holanda.htm

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