sábado, 21 de maio de 2016

Temer é encontrado pela PF 21 vezes em planilha de delator da Lava Jato


O vice-presidente Michel Temer (PMDB) pode assumir o comando do país, caso o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) seja confirmado no Senado. Aliados dizem que ele é uma opção de mudança para o país e fortalecimento do combate à corrupção. Contudo, o nome peemedebista aparece na investigação da Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção envolvendo a Petrobras.
Ele foi citado por dois delatores. O empresário Julio Camargo, que confessou ter pago propina a integrantes do PMDB, disse que soube que Temer era um dos beneficiados do suborno, o que é negado pelo vice-presidente. Policiais federais também acharam uma mensagem no celular de um dos sócios da OAS, Léo Pinheiro, que cita um pagamento de R$ 5 milhões ao peemedebista. Temer alega que o valor foi repassado por meio de doação legal.
Já o senador Delcídio do Amaral diz que Temer indicou o diretor da BR Distribuidora, João Augusto Henriques, que ocupou o cargo entre 1997 e 2000 no governo de Fernando Henrique Cardoso. Henriques é apontado como responsável por realizar negócios ilícitos com etanol. Ele está preso sob a acusação de intermediar propina em contratos da Petrobras.
O vice também teria indicado outros diretores envolvidos no esquema, como Jorge Zelada que ocupou a diretoria internacional da estatal em 2008. Ele foi condenado a 12 anos de prisão sob a acusação de desviar US$ 31 milhões da Petrobras para o PMDB e para ele.
Planilhas na Camargo Corrêa também foram apreendidas pela Lava Jato em 2014, citando dois pagamentos de US$ 40 mil a Temer. O vice é citado 21 vezes em outros documentos apreendidos em outra ação da Polícia Federal na Camargo Corrêa. De acordo com os dados, o vice de Dilma teria recebido US$ 345 mil entre 1996 e 1998, quando era deputado federal.
Contudo, essa ação foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que argumentou que a operação foi iniciada apenas com base em denúncia anônima, o que é considerado ilegal.
O vice-presidente ainda foi acusado duas vezes de desvios de recursos do Porto de Santos. Essa investigação também foi arquivada, de acordo com o jornal "Folha de S. Paulo".
Temer negou envolvimento em qualquer esquema apurado na Lava Jato e também nas outras operações. Ele alegou que as indicações de João Augusto Henriques e Jorge Zelada foram do PMDB de Minas Gerais.
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