terça-feira, 16 de abril de 2019

Bolsonaro vira presidente tóxico, aponta reportagem do Le Monde


Foto: Reuters

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Tentando justificar o injustificável, os que o apoiam evocam a impulsividade do presidente, outros, mais cruelmente, falam de sua ignorância. No sábado, 13 de abril, Jair Bolsonaro esforçou-se, em vão, para extinguir uma nova controvérsia provocada por seu verbo irrefletido e inconsequente. Após atacar homossexuais, mulheres, negros, após elogiar os torturadores e endeusar a ditadura militar (1964-1985), o ex-capitão do exército cometeu grande impropriedade sobre o Holocausto. Na quinta-feira, o chefe de Estado brasileiro não se conteve e afirmou, diante de uma audiência de pastores evangélicos, que "podemos perdoar, mas não esquecer" o Holocausto

16 de Abril de 2019 às 10:12

247, Por Claire Gatinois, no Le Monde; tradução de Sylvie Giraud - Tentando justificar o injustificável, os que o apoiam evocam a impulsividade do presidente, outros, mais cruelmente, falam de sua ignorância. No sábado, 13 de abril, Jair Bolsonaro esforçou-se, em vão, para extinguir uma nova controvérsia provocada por seu verbo irrefletido e inconsequente. Após atacar homossexuais, mulheres, negros, após elogiar os torturadores e endeusar a ditadura militar (1964-1985), o ex-capitão do exército cometeu grande impropriedade sobre o Holocausto. Na quinta-feira, o chefe de Estado brasileiro não se conteve e afirmou, diante de uma audiência de pastores evangélicos, que "podemos perdoar, mas não esquecer" o Holocausto.

Suas palavras provocaram a ira de Israel, país com o qual Jair Bolsonaro pretende se aproximar. "Nós sempre nos oporemos àqueles que negam a verdade ou desejam apagar nossa memória, que se trate de indivíduos, de grupos, de chefes de partidos ou de primeiros ministros", respondeu no sábado no Twitter, o presidente do Estado hebraico, Réouven Rivlin. Acrescentando: "O povo judeu sempre lutará contra o anti-semitismo e a xenofobia. Os líderes políticos devem traçar o futuro. Os historiadores descrevem o passado (...).Nenhum deles deveria invadir o território do outro." O centro Yad Vashem, dedicado à memória das seis milhões de vítimas do Holocausto, também expressou seu desacordo com o presidente brasileiro.

Más intenções de seus inimigos

Confuso, quase surpreso com a comoção causada pelo seu deslize, Jair Bolsonaro ousou dar um passo ainda maior: no sábado, publicou uma carta dirigida ao povo judeu. Em sua missiva, o líder da extrema-direita brasileira retoma o bilhete que havia deixado no livro do memorial do Holocausto, durante sua visita a Jerusalém no início de abril: "Quem esquece seu passado está condenado a não ter futuro." O chefe de Estado confessa também que "o perdão é algo pessoal". Mas longe de se desculpar, ele se exime de qualquer culpa, atribuindo a confusão às chamadas más intenções vindas de seus inimigos; "aqueles que querem me afastar dos meus amigos judeus", escreve ele.

O episódio vem acrescentar-se a uma controvérsia desencadeada pouco tempo após a visita de Jair Bolsonaro ao Muro das Lamentações. O presidente tinha então respaldado seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araujo, dizendo "não ter a menor dúvida" de que "o nazismo é de esquerda".

"Jair Bolsonaro é um presidente impulsivo e incontrolável. Com essa afirmação provavelmente não planejada sobre o Holocausto, ele demonstra mais uma vez não ter noção ou compreensão alguma de fatos históricos capazes de provocar crises diplomáticas. É perturbador e perigoso para as relações entre Brasil e o mundo" disse Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, temendo que o presidente brasileiro esteja sendo paulatinamente considerado um aliado "tóxico" pelas democracias ocidentais.

Publicado no Le Monde em 15/4 às 10h01, atualizado às 15h12

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/390364/Bolsonaro-vira-presidente-t%C3%B3xico-aponta-reportagem-do-Le-Monde.htm

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