domingo, 27 de novembro de 2016

COMO A FARRA NAS ISENÇÕES, IRRESPONSABILIDADE E CORRUPÇÃO QUEBRARAM O RIO


Rebeca Letieri, do Jornal do Brasil- A dramática situação econômica do Rio de Janeiro revela um histórico catastróficos na administração do estado. A farra com dinheiro público foi feita, entre isenções, gastos da máquina pública, benefícios e privilégios políticos e, é claro, a cereja do bolo: a corrupção. Apesar de a Justiça e a Polícia Federal estarem agindo com investigações e prisões, economistas afirmam que a crise no estado está ainda longe de chegar ao fim. "Há muitos fatores que explicam a situação do Estado. É a crise do petróleo, vendido a um valor um terço menor do que valia anteriormente, uma queda de arrecadação brutal, com a desaceleração da economia, e a contratação maciça de pessoal no governo do estado, o que aumenta o déficit e faz disparar a folha de pagamento", disse o professor de economia da FGV Istvan Karoly Kasznar. "A culpa é do [ex-governador Sérgio] Cabral. Ele era o grande responsável pelas contas do estado, e permitiu o crescimento das despesas de forma irresponsável, comprometendo uma receita volátil, que é o caso dos royalties, porque dependem da cotação do barril de petróleo, com gastos correntes, que são fixos", acrescentou Mauro Rocha, que também é professor de economia na FGV. O governador Luiz Fernando Pezão mal retornou para o seu cargo após licença para tratamento de um câncer, e anunciou o pacote de medidas para frear a crise econômica. Se aprovada, a proposta põe fim a programas sociais como Vida Melhor, Aluguel Social e Restaurante Popular, além de promover cortes nos salários dos servidores. "Acho que Pezão está com uma bomba na mão. E ele opta pelos gastos sociais, porque a dificuldade política dele emplacar algo assim é menor. Os poderosos sofrerão menos, como sempre", destacou Antonio Porto Gonçalves, também da FGV. Já Mauro Rocha destaca que para o pacote dar certo, é imprescindível que todos os segmentos sociais deem sua parcela de contribuição, e não apenas os mais pobres. "Vai ser inevitável que todos contribuam", afirma. Mauro acrescenta ainda que as medidas propostas por Pezão foram "muito iguais, afetando desiguais". "Ou seja, ele não penalizou mais aqueles que têm maior capacidade contributiva. Ele não propôs um corte drástico em benefícios e privilégios", completou Mauro Rocha. Antonio Porto Gonçalves complementa: "A população entende que esses políticos meteram a mão no dinheiro do estado de modo selvagem. A corrupção acaba aumentando os gastos, mas o problema mesmo foi a má administração. Pezão pode arrumar um dinheiro do governo federal para tapar um buraco, mas não vai resolver o problema da arrecadação. O estado não pode viver gastando mais que arrecada." Diante do quadro de grave crise financeira e de dificuldade de implementar medidas que possam mostrar no horizonte um cenário mais alentador, economistas acreditam que os sinais de recuperação vão demorar a aparecer. "A recuperação do estado vai ser muito lenta, porque a recuperação do país vai ser lenta, e um não vai conseguir sem o outro. Agora, o Rio poderia promover um ajuste que, aliás, é necessário, nas contas do estado, independentemente da economia do país. Poderia começar a se rever as isenções fiscais, do lado da receita, e do lado das despesas, selecionar aquelas que não são essenciais, cortar benefícios e privilégios, que deve ser de primeira hora", destacou Mauro. Para o professor da FGV Istvan Karoly, o governo do Rio segue uma linha de representação política pouco, ou nada transparente, que aproveita os anos de mandato para se beneficiar. "O que mais chama a atenção é a incapacidade de escolhermos lideranças éticas, sérias e credíveis em longos períodos. O que caracterizou o Cabral foi o isolamento do poder, a ausência de interlocução com as representações de massa da sociedade, uma vez eleito. O que precisa ser visualizada é essa escolha entre opções limitadas e que levam a infelizes governadorias, que de uma forma ou de outra quebram o estado – porque não é a primeira vez", completou. http://www.brasil247.com/pt/247/rio247/267523/Como-a-farra-nas-isen%C3%A7%C3%B5es-irresponsabilidade-e-corrup%C3%A7%C3%A3o-quebraram-o-Rio.htm

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