segunda-feira, 11 de julho de 2016

Altamiro Borges: Cadê a valentia da OAB golpista?

Na véspera da sessão de horrores da Câmara Federal que deu a largada ao processo de impeachment de Dilma, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudio Lamachia, aproveitou os holofotes da mídia para apoiar o “golpe dos corruptos”.
Por Altamiro Borges*


Numa cena abjeta, que entrará para a história dos traidores da democracia, ele protocolou um “parecer” favorável ao afastamento da governante eleita pela maioria dos brasileiros. Houve até confronto nos corredores do Congresso Nacional e a lambança gerou protestos de inúmeros advogados e juristas. Agora, porém, a “valente” OAB está em silêncio diante das denúncias de corrupção contra o “ministério de notáveis” do Judas Michel Temer.
Em curto espaço de tempo, três ministros já foram defecados – Romero Jucá (Planejamento), Fabiano Silveira (Transparência) e Henrique Eduardo Alves (Turismo) – e vários outros estão na linha de tiro. Neste mesmo período, o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, demonstrou em sua “delação premiada” que a cúpula do PMDB tramou o impeachment para “estancar a sangria” das investigações da Operação Lava-Jato, conforme a bombástica gravação da conversa com Romero Jucá, o “homem-forte” de Michel Temer. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chegou a pedir a prisão dos golpistas por “tentativa de obstrução” das apurações. Já a “valente” OAB permaneceu em silêncio!
Também neste período recente cresceu a pressão pela cassação e prisão do correntista suíço Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara Federal e maior artífice do “golpe dos corruptos”. Ele foi afastado do cargo e do mandato pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e teve a sua cassação referendada, após várias manobras, pela Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. A Justiça também determinou o bloqueio dos seus bens e apreendeu o seu passaporte e o da esposa, Cláudia Cruz, ex-jornalista da TV Globo. Apesar do quase consenso contra o achacador, a “valente” OAB também evitou os holofotes da mídia para criticar o ex-aliado no criminoso processo de impeachment de Dilma.
Até agora, o máximo que a entidade – que jogou sua história de luta pela democracia no lixo – fez foi divulgar uma nota de “crítica” aos ministros interinos mencionados na Lava Jato. Bastante tímida, ela afirma que a entidade “poderá” ir à Justiça caso algum citado vire réu, mas faz questão de realçar que “a OAB torce pelo sucesso do Brasil”. Não há qualquer crítica ao “ministério de notáveis” – corruptos – de Michel Temer. Contra Dilma, em que não havia qualquer acusação de crime de responsabilidade, a entidade fez o maior escarcéu, num típico oportunismo midiático. Agora, a “valentia” da Ordem dos Advogados do Brasil foi para o ralo – junto com a sua história. Uma lástima!
A lista dos “notáveis ministros” do Judas Temer
Em tempo: Para ajudar a OAB a recuperar a sua imagem manchada e aviltada, publicamos abaixo a relação dos ministros de Michel Temer já citados em investigações na Justiça. A lista foi elaborada pela insuspeita Folha golpista:
1- Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) - Secretaria de Governo - citado na Lava Jato e em outras investigações
Aparece citado em mensagens de Léo Pinheiro, dono da OAS. Geddel diz que as conversas não mostram irregularidades
2- José Serra (PSDB-SP) - Relações Exteriores - citado na Lava Jato e em outras investigações
Foi listado em planilha de pagamentos da Odebrecht e é alvo de ação que questiona ajuda financeira a bancos pela gestão FHC. Não se manifestou
Aparece em planilhas da Odebrecht de supostos financiamentos a políticos
3- Henrique Alves (PMDB-RN) - Turismo - citado na Lava Jato e em outras investigações
É alvo de dois pedidos de inquérito na Lava Jato. Segundo a Procuradoria, atuou para receber verba desviada da Petrobras em troca de favores para OAS. Ele diz que todas as doações foram legais
4- Osmar Terra (PMDB-RS) - Desenvolvimento Social e Agrário - citado na Lava Jato e em outras investigações
Aparece em planilhas da Odebrecht de supostos financiamentos a políticos
5- Raul Jungmann (PPS-PE) - Defesa - citado na Lava Jato e em outras investigações
Aparece em planilhas da Odebrecht de supostos financiamentos a políticos
6- Bruno Araújo (PSDB-PE) - Cidades - citado na Lava Jato
Foi listado em planilha de pagamentos da Odebrecht, mas nega irregularidades
7- Mendonça Filho (DEM-PE) - Educação - citado na Lava Jato
Foi listado em planilha de pagamentos da Odebrecht, mas nega irregularidades
8- Ricardo Barros (PP-PR) - Saúde - citado na Lava Jato
Aparece em planilhas da Odebrecht de supostos financiamentos a políticos
9- Blairo Maggi (PP-MT) - Agricultura, Pecuária e Abastecimento - citado em outras investigações
Foi citado em suposto esquema de lavagem de dinheiro investigado pela Polícia Federal em Mato Grosso
10- Dyogo Oliveira - Planejamento, Desenvolvimento e Gestão - citado em outras investigações (Zelotes)
Investigado por suposto esquema de venda de medidas provisórias e fraude fiscal
11- Eliseu Padilha (PMDB-RS) - Casa Civil - citado em outras investigações
Aparece em mensagens de Léo Pinheiro, dono da OAS. Ele nega irregularidades
12- Helder Barbalho (PMDB-PA) - Integração Nacional - citado em outras investigações
Foi alvo de ação de improbidade administrativa na Justiça Federal do Pará
13- Gilberto Kassab (PSD-SP) - Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - citado em outras investigações
É alvo de duas ações por improbidade e de duas ações penais por fraude em licitação e ocultação de bens. Diz que sua atuação foi regular
14- Leonardo Picciani (PMDB-RJ) - Esporte - citado em outras investigações
É alvo de uma representação por irregularidades na campanha de 2014. Diz que ação foi indeferida
15- Ronaldo Nogueira de Oliveira (PTB-RS) - Trabalho - citado em outras investigações
Eleito deputado, teve reprovadas as contas referentes à campanha de 2014. Recorreu, e perdeu.
*Altamiro Borges é jornalista, blogueiro, presidente nacional do Centro de Estudos Barão de Itararé e secretário de Mídia do PCdoB.
http://www.vermelho.org.br/noticia/282713-1

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