Amparado por um estudo do senador tucano Tasso Jereissati (CE), aprovado no final do ano passado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, na época presidida pelo próprio Aloysio, o novo chanceler pretende fazer uma "revisão da alocação de infraestrutura diplomática ao redor do mundo, privilegiando a localização em países do sul e norte que têm a maior chance de gerar dividendos econômicos e políticos para o Brasil".
Durante os dois governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram criadas 44 embaixadas, a maioria delas em países da África. O estudo que Aloysio Nunes tem em mão recomenda que "reveja o número de embaixadas e de efetivo diplomático, de modo a maximizar o uso dos recursos do Ministério para gerar o maior retorno diplomático possível".
A medida é controversa e encontra resistência no Itamaraty desde a passagem de Serra por lá. Durante reunião da Comissão de Relações Exteriores do Senado em junho do ano passado, dois embaixadores brasileiros na África - Raul de Taunay indicado para a República do Congo, e José Carlos de Araújo Leitão para Cabo Verde - defenderam a aproximação do Brasil com o continente africano. "O Brasil não teria o comando da FAO [Organização das Nações Unidas para a Agricultura] e da OMC [Organização Mundial do Comércio] sem o apoio africano", afirmou Taunay (relembre aqui).
Chanceler brasileiro no governo Lula, Celso Amorim també já se manifestou contrário à medida reducionista dos tucanos no governo Michel Temer. "Essa história de fazer análise custo-benefício é brincadeira. Você não pode fazer política internacional pensando nessa relação mesquinha de custo-benefício. O Brasil tem mais embaixadas que a Alemanha na África. Gente, a Alemanha não tem 50% da sua população afrodescendente. É natural que tenhamos mais embaixadas na África. Nós temos que abrir, e não fechar", afirmou Amorim, durante evento em julho do ano passado (leia aqui).
Ouvido pelo jornal O Globo, o ex-ministro das Relações Exteriores no governo da presidente Dilma Rousseff, Mauro Viera, também argumentou que a ampla rede diplomática foi fundamental para que brasileiros chegassem ao comando de organizações multilaterais. "Nós não teríamos logrado a eleição do doutor José Graziano para a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura; não teríamos logrado a eleição do embaixador Roberto Azevêdo para a OMC, se não tivéssemos tanta presença", afirmou.
A aliança PSDB-PMDB que tomou o governo por meio de um golpe parlamentar, entretanto, já decidiu que o lugar do Brasil no século 21 é voltar a ser colônia. Preferencialmente dos Estados Unidos, se o presidente Donald Trump aceitar
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/283345/Com-Aloysio-Brasil-corre-para-voltar-a-ser-col%C3%B4nia.htm
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