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sábado, 16 de julho de 2022

Advogados criminalistas criticam conclusão da Polícia Civil sobre assassinato de Marcelo Arruda


O dirigente do PT em Foz do Iguaçu foi assassinado por clara motivação política, opinam especialistas

16 de julho de 2022, 05:10 h Atualizado em 16 de julho de 2022, 05:10

www.brasil247.com - Marcelo comemorava 50 anos quando o bolsonarista Jorge invadiu a festa Marcelo comemorava 50 anos quando o bolsonarista Jorge invadiu a festa (Foto: Reprodução)

247 - Advogados criminalistas consideram equivocada a decisão da Polícia Civil do Paraná de ter descartado a motivação política no assassinato do membro da direção do Partido dos Trabalhadores (PT) em Foz do Iguaçu. Três especialistas em direito ouvidos pelo jornal O Globo consideram que a conclusão da delegada Camila Cecconello minimiza um episódio grave e abre margem para que outras ocorrências ocorram sob o mesmo pretexto.

"A discussão se deu a partir de uma questão política. O policial penal federal (Jorge Guaranho) saiu do local onde estava para invadir uma festa com decoração do PT. Não haveria crime se a festa fosse de qualquer outro tema, pois ele (Guaranho) não teria sequer saído de onde estava", diz o  advogado criminalista e professor de direito Wellington Arruda.

Para a advogada criminal Priscila Pamela dos Santos, ao descartar a motivação política, a delegada da Polícia Civil diminui o caráter de repugnância do crime.

Conrado Gontijo, advogado criminalista e doutor em direito pela Universidade de São Paulo (USP), classifica o relatório da delegada como uma "distorção absoluta da realidade". 

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/advogados-criminalistas-criticam-conclusao-da-policia-civil-sobre-assassinato-de-marcelo-arruda

quinta-feira, 14 de julho de 2022

'Tiram nossas pernas e nos dão uma muleta': auxílio garante adesão de caminhoneiros a Bolsonaro?

11:29 14.07.2022

O presidente Jair Bolsonaro participa de manifestação fazendo armas com a mão (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 14.07.2022

© Danilo Verpa

Especiais

Governo aprova PEC Kamikaze para aumentar auxílios sociais em pleno ano eleitoral. A Sputnik Brasil conversou com liderança dos caminhoneiros para saber se os repasses vão garantir o apoio da categoria a Bolsonaro nas eleições de 2022.

Nesta quarta-feira (13), a Câmara dos Deputados aprovou em segundo turno a chamada PEC Kamikaze, que garante aumento de benefícios sociais a determinadas categorias em pleno ano eleitoral.

O texto ainda permite que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) fure o teto de gastos, ao considerar o período de julho a dezembro de 2022 como de "estado de emergência".

Aprovado por 393 votos dos parlamentares contra 14, a nova lei prevê aportes de R$ 41,25 bilhões para ampliar o Auxílio Brasil, expandir o Auxílio Gás, suplementar o programa Alimenta Brasil, dentre outras medidas.

De caráter abertamente eleitoreiro, a PEC tem como objetivo não só angariar votos de grupos reticentes à reeleição de Jair Bolsonaro, mas também manter a adesão de grupos associados ao bolsonarismo, como os taxistas e os caminhoneiros.

Manifestação de caminhoneiros no Rio de Janeiro como parte de mobilização nacional da categoria contra os preços altos dos combustíveis no Brasil. - Sputnik Brasil, 1920, 14.07.2022

Manifestação de caminhoneiros no Rio de Janeiro como parte de mobilização nacional da categoria contra os preços altos dos combustíveis no Brasil.

© Sputnik / Solon Neto

A nova lei prevê auxílio de R$ 2 bilhões a taxistas e de R$ 5,4 bilhões a caminhoneiros autônomos cadastrados na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que devem receber R$ 1.000 mensais entre julho e dezembro.

Apesar do aporte mensal, líderes dos caminhoneiros criticaram a aprovação da medida, classificando-a de "uma esmola que não resolve o problema".

"Mil reais não resolve o problema dos caminhoneiros, é uma tentativa clara de comprar o direito mais digno de um cidadão, que é o seu voto", declarou o presidente licenciado da Associação Brasileira de Veículos Automotores (ABRAVA), Wallace Landim, também conhecido como Chorão Caminhoneiro, em uma nota à qual a Sputnik Brasil teve acesso.

Para Chorão, a somente três meses do primeiro turno das eleições, Bolsonaro terá dificuldades de corrigir equívocos cometidos nos últimos três anos e meio de governo.

"O governo quebrou as nossas duas pernas durante esses três anos e meio. Agora nos dão uma muleta, e querem que tenhamos gratidão", disse Chorão à Sputnik Brasil.

Segundo ele, o Congresso deveria apreciar o projeto de lei 1.205/22, apresentado pelo senador Lucas Barreto (PSD), que retira o custo do diesel da composição do frete.

"O correto seria desatrelar o custo do combustível, repassando-o para o dono da carga, da mesma forma que o custo do pedágio, que também fica a cargo do embarcador", explicou Chorão.

O líder também aponta a política de Preço de Paridade de Importação (PPI) da Petrobrás como vilã da alta dos combustíveis no Brasil. Implementada durante a gestão Michel Temer, em 2016, a política impõe que o preço interno dos combustíveis acompanhe as flutuações internacionais do bem.

Aeroporto internacional de Cabo Frio cresce impulsionado pelas operacoes do setor de petroleo e gás, principalmente, Petrobras - Sputnik Brasil, 1920, 14.07.2022

Aeroporto internacional de Cabo Frio cresce impulsionado pelas operacoes do setor de petroleo e gás, principalmente, Petrobras

© Folhapress / Daniel Marenco

Apesar de garantir rentabilidade à Petrobras e seus acionistas, a política impede que o brasileiro comum se beneficie do aumento da produção nacional de petróleo e derivados.

"É necessário retirar a política de PPI, afinal nós não ganhamos em dólares, mas sim em reais", disse Chorão à Sputnik Brasil. "O governo precisa ter coragem de enfrentar o mercado, ao invés de ficar sangrando o trabalhador."

Caminhoneiros fieis a Bolsonaro?

As críticas de alguns líderes da categoria ao auxílio-caminhoneiro contrastam com a ampla adesão desse grupo à candidatura de Jair Bolsonaro em 2018.

"Houve uma ativação política dos caminhoneiros pelo bolsonarismo", disse a professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (LAPPCOM), Mayra Goulart, à Sputnik Brasil.

Segundo ela, o bolsonarismo usa como estratégia a mobilização de nichos específicos da sociedade, promovendo ações consistentes para favorecer determinadas categorias.

Protesto por voto impresso auditável, convocado por movimentos e parlamentares bolsonaristas , na avenida Paulista,  São Paulo, 1º de agosto de 2021 (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 14.07.2022

Protesto por voto impresso auditável, convocado por movimentos e parlamentares bolsonaristas , na avenida Paulista, São Paulo, 1º de agosto de 2021 (foto de arquivo)

© Folhapress / Bruno Santos

"O bolsonarismo não mira o cidadão comum, mas adota uma estratégia de nichos, garantindo benesses a categorias específicas da sociedade", notou a cientista política.

No caso dos caminhoneiros, Goulart cita o apoio de Bolsonaro à desregulamentação de leis de trânsito e à retirada de radares como estratégia para se aproximar da categoria.

No entanto, a cientista política aponta que a adesão dos caminhoneiros a Bolsonaro em função de vantagens corporativistas "não gera uma aliança duradoura, uma vez que ela passa por um processo que chamamos de escalonamento das demandas".

"Quando você atende a uma demanda de uma categoria, ao menos que seja uma demanda muito inusual, você cria novas demandas", disse Goulart. "Em um cenário pré-eleitoral, os caminhoneiros estão passando o seu chapéu e vendo quem está oferecendo melhores benefícios."

De fato, lideranças dos caminhoneiros se reuniram com outras forças políticas de oposição ao governo Bolsonaro, conforme reportou a Agência Estado.

No dia 7 de julho, o presidenciável Ciro Gomes se comprometeu a incluir a lista de demandas da categoria em seu plano de governo, inclusive a pauta de preço mínimo do frete.

Ciro Gomes (PDT) participa do segundo debate televisivo das eleições de 2018 (foto de arquivo)  - Sputnik Brasil, 1920, 14.07.2022

Ciro Gomes (PDT) participa do segundo debate televisivo das eleições de 2018 (foto de arquivo)

© Folhapress / Diego Padgurschi

O discurso do líder das pesquisas de intenção de votos, o ex-presidente Lula (PT), também está cada vez mais alinhado com o da categoria. O coordenador do programa de governo do Partido dos Trabalhadores, Aloísio Mercadante, disse que o país deve realizar uma "transição progressiva para sair do PPI e abrasileirar o preço dos combustíveis".

"Ele [Bolsonaro] faz muita bravata e mantém o preço alto porque ele não quer brigar com os acionistas, que ficam com o lucro que a Petrobras está tendo, que é exorbitante", disse Lula em evento de lançamento das diretrizes de seu programa de governo, em 21 de junho.

Para Goulart, a esquerda brasileira tenta se aproximar dos caminhoneiros apelando para a lembrança de tempos passados, no qual podiam adquirir combustíveis a preços mais vantajosos nos postos de gasolina.

O ex-presidente Lula (PT) em Juiz de Fora, 11 de maio de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 14.07.2022

O ex-presidente Lula (PT) em Juiz de Fora, 11 de maio de 2022

© Folhapress / Eduardo Anizelli

"Mesmo com esse pacote que todo mundo percebe que é eleitoral porque tem data para acabar, uma pessoa com a mínima noção de passado percebe que a sua margem de lucro, quando você trabalha com transportes, era muito maior", disse Goulart.

Ela lembra, no entanto, que não é só de cálculo econômico que se compõe o voto popular.

"Não acho que tudo se resume àquele ditado do 'é a economia, estúpido'. Não é só o bolso, não é só economia, é também identidade", disse Goulart. "Muita gente atrela seu voto a questões relacionadas à família, ao aborto, independente da sua situação econômica."

Segundo ela, não é possível excluir o apoio de parcelas importantes dos caminhoneiros a Bolsonaro em função da "dimensão da identidade".

"Bolsonaro atrai pessoas que se identificam como não vulneráveis: homens como os caminhoneiros, que não se veem como pertencentes a nenhuma minoria demográfica ou não demográfica, a nenhum grupo subalternizado", disse Goulart. "São essas categorias que têm uma afinidade identitária com Jair Bolsonaro".

Em Brasília, bolsonaristas oram durante Marcha da Família Cristã pela Liberdade, repetindo famoso protesto da Ditadura Militar, em 11 de abril de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 14.07.2022

Em Brasília, bolsonaristas oram durante Marcha da Família Cristã pela Liberdade, repetindo famoso protesto da Ditadura Militar, em 11 de abril de 2021

© Folhapress / Fotoarena / Leo Bahia

De acordo com Chorão, este momento de crise nos preços dos combustíveis deve levar os caminhoneiros a superar a "polarização política muito forte existente dentro da categoria".

Nesta quarta-feira (13), a Câmara dos Deputados aprovou a chamada PEC Kamikaze, que garante aumento de auxílios a determinadas categorias sociais em pleno ano eleitoral, ao decretar estado de emergência. Aprovado em segundo turno pela casa, o texto segue para promulgação.

Fonte: https://br.sputniknews.com/20220714/esmola-lider-dos-caminhoneiros-critica-pec-kamikaze-e-nao-garante-apoio-a-bolsonaro--23606981.html

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Bolsonaro é o responsável pelo aumento da fome no Brasil; 61 milhões não têm o que comer


Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Deputado Vicentinho. Foto: Elaine Menke/Câmara dos Deputados

Sessenta e um milhões de pessoas neste Brasil não sabem o que ou se vão comer amanhã. A frase foi pronunciada com indignação pelo deputado Vicentinho (PT-SP), nesta quarta-feira (6), na tribuna da Câmara. Ele citou dados do relatório do Mapa da Fome, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado hoje. “O Brasil voltou ao Mapa da Fome. Olha que coisa grave num País que é celeiro do mundo, que produz alimento para o mundo, o País do agronegócio, que exporta commodities, exporta alimento com seu povo passando fome. Esse é o nosso Brasil”, lamentou.

A pesquisa da ONU mostra que o número de brasileiros que lidou com algum tipo de insegurança alimentar foi de 61,3 milhões – praticamente três em cada dez habitantes do País, que tem uma população estimada em 213,3 milhões. Desse total, 15,4 milhões enfrentaram uma insegurança alimentar grave. O relatório revela ainda que o número de pessoas afetadas pela fome em todo o mundo subiu para 828 milhões em 2021, uma alta de cerca de 46 milhões desde 2020 e 150 milhões desde o início da pandemia de Covid-19.

Vicentinho disse que foi à capital paulista, recentemente, e contatou em conversas com entidades sociais que há 35 mil pessoas morando nas ruas de São Paulo. “O Brasil é o País em que os trabalhadores constroem casas mas moram em favela, produzem alimentos mas passam fome, geram riquezas, mas estão na miséria. Não é culpa de Deus. O criminoso governo Bolsonaro é de um homem, de um presidente sem nenhum tipo de compaixão, vide o episódio que vai ficar para a história, lamentavelmente, do combate à pandemia da Covid-19”, frisou.

Como exemplo da crueldade do governo Bolsonaro, Vicentinho ainda citou os projetos aprovados pela base do governo para retirar direitos da classe trabalhadora, “empobrecendo o nosso povo, descartando o trabalhador, homem e mulher”.

Então, afirmou Vicentinho, “não é culpa de Deus o que está acontecendo neste País. O responsável é Bolsonaro e o seu grupo”, afirmou. Ele acrescentou que a Câmara tem responsabilidade, e precisa agir para melhorar a situação dessas pessoas que estão passando fome. “São 61 milhões de pessoas e nós não vamos nos comportar, nem ficar quietos diante desse projeto eleitoreiro apresentado pelo governo Bolsonaro, através da PEC 1, do Estado de emergência, que permite ao governo ampliar benefícios sociais que não seriam autorizados em ano eleitoral. Temos que ter políticas sociais profundas”, defendeu.

Brasil no Mapa da Fome

Deputado Padre João. Foto: Elaine Menke/Câmara dos Deputados

O deputado Padre João (PT-MG) também usou a tribuna para falar do relatório do Mapa da Fome, divulgado pela FAO. “É muito triste ver que o Brasil volta para o Mapa da Fome. E não é culpa de pandemia, não é culpa de guerra, porque, em 2020, o Brasil já estava ladeira abaixo no desmonte das políticas e dos programas sociais. Na verdade, desde o golpe de 2016 que os trabalhadores, as trabalhadoras, os quilombolas, os indígenas, os vazanteiros, os ribeirinhos, os geraizeiros, os pescadores vêm sofrendo”.

O Brasil, afirmou Padre João, volta para o Mapa da Fome graças ao governo Bolsonaro, “que tira dinheiro das políticas e dos programas para passar para o Centrão e para a sua base de sustentação. Ele despeja dinheiro nos municípios, através da emenda do relator do orçamento, e tira dinheiro das políticas e dos programas construídos pelo povo, construídos pelas conferências municipais, estaduais, e no âmbito federal, seja de saúde, seja da assistência, seja da segurança alimentar”, denunciou.

Então, reiterou Padre João, a culpa da fome no Brasil é do Bolsonaro. “Do presidente covarde, que depois de assinar a sua posse, no dia 1º de janeiro de 2019, assinou ato para destituir o Consea (Conselho de Segurança Alimentar Nutricional Sustentável)”. O deputado citou que ao acabar com o Consea, Bolsonaro desmontou o Sistema de Segurança Alimentar Nutricional (Sisan).

“A culpa é do Bolsonaro, covarde, cruel, que voltou com o Brasil para o Mapa da Fome, porque acabou com o Consea, que era um conselho que tinha mais a cara do povo brasileiro. Agora vem com esses R$ 200 a mais no Auxílio Brasil, de forma desesperada, para tentar levar a eleição para o segundo turno, porque já sabe que vai perder no primeiro turno. Essa é uma tática do golpe que está em curso, ou tentativa de golpe”, denunciou.

O povo não é bobo

Na avaliação do deputado Padre João, o povo não é bobo. Não vai se deixar iludir por mais R$ 200, que tem um prazo de validade até o final das eleições. “Não há nenhuma garantia na Lei de Diretrizes Orçamentárias, nenhuma perspectiva de nós colocarmos esse valor no orçamento para o ano de 2023. Essa é uma proposta válida somente até o final das eleições. Isso é golpe. Mas o povo não é bobo. Quem vai dar um basta nesse desmonte do Estado é o próprio povo”, afirmou.

Dados da ONU

O relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, que engloba o período de 2019 a 2021, divulgado nesta quarta-feira (6) pela Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), revela que somente em 2021, cerca de 828 milhões de pessoas sofreram com a falta de alimentos. De acordo com a organização, os impactos econômicos da pandemia foram fatores que contribuíram fortemente com o cenário.

A publicação da ONU mostra que o número de pessoas que lidou com algum tipo de insegurança alimentar no Brasil foi de 61,3 milhões. Desse total, 15,4 milhões enfrentaram uma insegurança alimentar grave.

Os últimos números da instituição revelam uma piora alarmante da fome no Brasil. Entre 2014 e 2016, a insegurança alimentar atingiu 37,5 milhões de pessoas – 3,9 milhões estavam na condição grave.

Segundo a FAO, as definições para a insegurança alimentar são as seguintes:

Insegurança moderada: as pessoas não tinham certeza sobre a capacidade de conseguir comida e, em algum momento, tiveram de reduzir a qualidade e quantidade de alimentos.

Insegurança grave: as pessoas que ficaram sem comida e passaram fome e chegaram a ficar sem comida por um dia ou mais.

Vânia Rodrigues, com agências

Fonte: http://ptnacamara.org.br/site/bolsonaro-e-o-responsavel-pelo-aumento-da-fome-no-brasil-61-milhoes-nao-tem-o-que-comer/

sábado, 25 de junho de 2022

Vale tudo em defesa da mamata?

Bolsonaro sugere golpe em caso de derrota para Lula e afirma que tomará as 'decisões que devem ser tomadas'

Bolsonaro participou de evento religioso em Santa Catarina e afirmou aos fiéis: "a democracia é vocês"

25 de junho de 2022, 15:09 h Atualizado em 25 de junho de 2022, 15:09

www.brasil247.com - Lula e Bolsonaro Lula e Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Ricardo Stuckert | Reuters)

Por Alexandre Caverni e Gabriel Araujo (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro repetiu a recorrente citação às quatro linhas da Constituição e afirmou neste sábado que parece que será preciso tomar "decisões que devam ser tomadas", sem explicar exatamente a que medidas se referia, mas acrescentando que tem um exército de 200 milhões de pessoas.

"Sempre tenho falado das quatro linhas da Constituição. Tenham certeza: se preciso for, e cada vez mais parece que será preciso, nós tomaremos as decisões que devam ser tomadas. Porque, cada vez mais, eu tenho um exército que se aproxima dos 200 milhões de pessoas nos quatro cantos desse Brasil", disse Bolsonaro em discurso na Marcha para Jesus, em Balneário Camboriú (SC).

"Não podemos esperar chegar 23, ou 24, e olhar para trás e nos perguntarmos a nós mesmos o que nós não fizemos para que chegássemos a essa situação difícil de hoje em dia. Nós somos a maioria, a democracia é vocês, vocês têm que dar o norte para todos nós", acrescentou o presidente para uma multidão que participava do evento de cunho religioso.

Embora Bolsonaro diga ter o apoio de quase 200 milhões de pessoas no país, pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostrou que o governo do presidente é reprovado por 47% da população, enquanto apenas 26% aprovam.

A pesquisa indica também que Bolsonaro não tem o apoio da maioria dos eleitores, com a sondagem mostrando que se a eleição fosse hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria eleito já no primeiro turno em outubro.

Repetindo o bordão de que a disputa deste ano se refere a uma luta entre o bem e o mal, o presidente voltou a criticar países sul-americanos governados pela esquerda. Neste sábado, Bolsonaro fez questão de acrescentar à lista a Colômbia, onde no domingo passado Gustavo Petro se tornou o primeiro político de esquerda a ser eleito presidente.

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/sul/bolsonaro-sugere-golpe-em-caso-de-derrota-para-lula-e-afirma-que-tomara-as-decisoes-que-devem-ser-tomadas

sexta-feira, 17 de junho de 2022

‘A Abin foi na Funai atrás de mim’, conta indigenista que deixou o país para não morrer


Após denunciar crimes cometidos contra povos indígenas no Maranhão, Ricardo Henrique Rao pediu asilo diplomático na Noruega, em 2019

Por

Marco Weissheimer

marcow@sul21.com.br

Ricardo Rao (segundo da esquerda para a direita), durante ação em território indígena no Maranhão. À esquerda dele, o guardião da floresta Paulo Paulino, assassinado durante missão dentro da Terra Indígena Arariboia. (Arquivo pessoal)

Ricardo Rao (segundo da esquerda para a direita), durante ação em território indígena no Maranhão. À esquerda dele, o guardião da floresta Paulo Paulino, assassinado durante missão dentro da Terra Indígena Arariboia. (Arquivo pessoal)

No dia 25 de novembro de 2019, Ricardo Henrique Rao, indigenista especializado da Fundação Nacional do Índio (Funai), entregou à Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da Câmara dos Deputados, um documento intitulado “Atuação miliciana conectada ao crime organizado madeireiro, ao narcotráfico e a homicídios cometidos contra os povos indígenas do Maranhão – Um breve dossiê”. O dossiê denunciou o envolvimento de policiais militares e civis em crimes praticados contra a população indígena da Amazônia Oriental, no estado do Maranhão. Após entregar o dossiê, avaliando estar marcado para morrer, Ricardo Rao solicitou asilo diplomático a Noruega, a partir de contatos que havia estabelecido com povos originários daquele país.

Começava para Ricardo um exílio involuntário que ainda não terminou. Após dois anos com asilo temporário, o indigenista foi para Roma, onde está ajudando a articular uma campanha para responsabilizar o presidente Jair Bolsonaro pela morte de cidadãos brasileiros que também têm cidadania italiana, durante a pandemia de covid-19, inspirado em uma jurisprudência construída em processos contra militares acusados de crimes cometidos nos marcos da Operação Condor, durante a ditadura. Em entrevista ao Sul21, Ricardo Rao fala sobre seu trabalho como indigenista na Funai, sobre os crimes que denunciou e sobre o ambiente instaurado no trabalho da Fundação a partir do governo Bolsonaro. “Para quem tem perfil combativo e idealista, é uma situação de acosso permanente”, resume.

Ele também lembra do trabalho do indigenista Bruno Pereira, com quem chegou a trabalhar: “Era um modelo para todos nós indigenistas idealistas. O Bruno é um exemplo disso que estou te falando. Era 24 horas dedicado ao indigenismo. O Bruno pediu essa licença para se preservar do assédio laboral que iam arrumar pra cima dele. Ele ia acabar sendo demitido e por isso pediu a licença. Eu também tentei pedir essa licença, mas ela me foi negada porque queriam que eu ficasse lá perto dos milicianos que eu tinha denunciado para me ver morto”.

Sul21: Como começaram os problemas em seu trabalho como indigenista no Maranhão que acabaram culminando com um pedido de asilo diplomático para o governo da Noruega e sua saída forçada do Brasil?

Ricardo Rao: As coisas começaram a piorar desde o início do governo Temer. Com o governo Bolsonaro, tudo só foi se agravando. No meu caso, a situação começou a se agravar com a apreensão de uma moto. Na logística dos acampamentos de madeireiras sempre tem que ter uma moto que faz deslocamentos de pequena distância para pegar munição, água e alimentos para os madeireiros que estão lá cometendo crime ambiental. E eu apreendi uma moto dessas. Essa moto pertencia a um sujeito chamado Lauro Mineiro, envolvido com crimes ambientais. Dois ou três dias depois, o subcomandante do batalhão da PM de Imperatriz, a segunda maior cidade do Maranhão, com cerca de 300 mil habitantes, invadiu a minha sala querendo a moto de volta. A partir daí eu vi que a situação tinha mudado. Antes não acontecia isso. Na verdade, a PM sempre nos prestou um apoio relutante, mas apoiava. A gente não confiava muito. Era só pela presença deles.

Capa do dossiê entregue por Ricardo à Câmara dos Deputados (Reprodução)

Essa tentativa de extorsão não deu resultado. Assim que ele saiu da minha sala, eu fui para a aldeia e destruí a moto, dentro da lei. A gente pode fazer a apreensão ou a destruição. A lei permite ambos. O protocolo do Ibama e de outros companheiros da Funai mesmo é sempre a destruição imediata porque aí a gente já se livra do risco de os criminosos nos atacarem para recuperar o bem. Neste caso, eu tive o entendimento que o estado de direito e o império da lei já não vigoravam no Brasil.

Esse mesmo oficial da Polícia Militar tinha um contato muito estreito com um Procurador da República que fiscalizava a nossa atuação lá. A Funai, como um órgão federal, está sujeita a um grau de controle externo por parte do Ministério Público Federal. Esse procurador, por ingenuidade ou por opção ideológica, também passou a praticar assédio contra nossa atuação.

Outro evento da maior gravidade que me convenceu de que a situação estava especialmente perigosa foi o envio de um destacamento da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Funai, em 2019. Quando a gente viu isso? A Abin foi na Funai atrás de mim. Na hora pensei, isso aí virou a Gestapo agora? Um dia depois da Abin ter ido na Fundação Nacional do Índio, na rua Simplício Moreira, no centro de Imperatriz, a Funai abriu um processo administrativo-disciplinar contra mim, com uma acusação absurda. Eu percebi que a situação estava ficando muito complicada.

Sul21: Qual foi a acusação?

Ricardo Rao: Salvo engano, foi por conta de uma discussão que eu tive com um servidor, que sabotou uma missão na qual eu estava envolvido. Eu tive uma altercação com ele, mas foi tudo documentado e não foi cometido nenhum delito. Eles aproveitaram essa altercação para abrir esse procedimento. Teriam aproveitado qualquer outra coisa para abrir um procedimento punitivo contra mim. É somar dois e dois. Num dia veio a Abin, no dia seguinte tem um processo deste tipo. Para mim há um nexo muito claro.

Sul21: E aí você foi punido…

Ricardo Rao: Não, não fui punido porque depois da morte do Paulino eu preparei um dossiê e decidi sair do país. Eu sabia, depois de cinco anos lá,  que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal do Maranhão estavam completamente contaminados. Eu sempre preparei denúncias muito substanciosas. Nunca vi nenhuma prosperar.

Sul21: Como foi esse episódio da morte do Paulino?

Ricardo Rao: O Paulo Paulino Guajajara, apelidado de Lobo Mau, foi morto em missão de vigilância dentro da Terra Indígena Arariboia. Era um guardião da floresta muito efetivo e eficaz e um bom amigo meu. Ele era vítima de um lawfare muito grande. Como advogado, eu acompanhei vários processos falsos contra ele. Fui advogado dele e acompanhei um desses procedimentos. O Paulino foi morto num confronto lá no interior da terra indígena. Segundo a Polícia Federal, o caso já está esclarecido. Eu não acredito. Dias antes, o Paulino tinha me falado sobre uma plantação de maconha muito grande que estava sendo financiada com a participação de um “polícia lá do Rio de Janeiro”, como ele me disse. Na hora, já pensei que tinha milícia no meio. Poucos dias depois, eu fui levar uns indígenas para serem ouvidos numa delegacia de polícia da região, quando conheci um investigador chamado de Carioca. Eu associei as coisas. Pouco depois disso, o Paulino foi morto e o Laércio, primo dele, foi baleado. O Laércio sobreviveu.

Depois da morte do Paulino eu sabia que seria o próximo. Esse Carioca já tinha me dito (usou um termo obsceno que não vou repetir) que “aqui namoradinho de índio morre cedo”. Então eu preparei um dossiê relatando todos esses atos criminosos e encaminhei para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, na época presidida por um deputado do PT que era padre (não lembro o nome agora). Até onde eu sei, não fizeram nada. Tentei protocolar no gabinete do Tulio Gadelha, mas não tive sucesso. Eu sabia que ia vazar porque sempre vaza e que, a partir daquele momento, a minha vida ia valer muito pouco. Por conta disso, eu me desloquei até a Noruega onde eu tinha contatos com os povos tribais de lá. Eu havia feito contato com alguns líderes deles durante a Olimpíada Universal dos Povos Indígenas, que ocorreu em Palmas, durante o governo Dilma. Quando a gente olha para o passado vê que dias legais já tivemos. Eu fiz contato e eles me disseram que iriam me ajudar a conseguir asilo na Noruega, o que acabou acontecendo.

Sul21: Houve um pedido formal, então, de asilo diplomático na Noruega?

Ricardo Rao: Sim, houve. E aqui quero agradecer ao deputado Orlando Silva, que intercedeu por mim junto às autoridades norueguesas, a Sonia Guajajara, que também intercedeu por mim, e à doutora Diana Franco, uma promotora de Justiça. Se não tivesse havido um pedido formal eu não teria contado com tanta proteção por parte do governo norueguês.

O indigenista denunciou, entre outras coisas, a exploração ilegal de madeira em terras indígenas (Arquivo pessoal).

Sul21: Então, você saiu do Brasil em 2019 e não conseguiu voltar mais…

Ricardo Rao: Sim. agora eu estou em Roma. Em 2019, eu consegui asilo provisório na Noruega, onde fiquei até março deste ano. O meu advogado me advertiu que, como eu tenho cidadania italiana, era certo que o governo norueguês não iria me conceder o asilo definitivo. Ele me disse que, se eu quisesse, podia ir empurrando essa situação e ficando na Noruega. Eu venho de uma faculdade de Direito que é uma espécie de “Khmer Vermelho” dos cursos jurídicos do país, a Unesp Franca. Estou sempre em contato com meus companheiros de lá, colegas, professores, juízes e promotores. Nós quebramos a cabeça para arrumar uma maneira de tentar buscar justiça e dar uma resposta jurídica aos crimes reiterados de Jair Bolsonaro. Uma das ideias que nos ocorreu é o que eu vim fazer aqui em Roma.

No genocídio da covid, patrocinado e executado pelo Bolsonaro, pelo Pazuello, pelas Forças Armadas que ficaram fabricando cloroquina, entre as vítimas fatais há um número, que estimamos na casa das centenas, de brasileiros e brasileiras que também tinham cidadania italiana. Esses mortos estão sujeitos à proteção das leis italianas. Já existe jurisprudência neste sentido, como é o caso do coronel Áttila Rohrsetzer, que matou um cidadão italiano na Operação Condor. Nós vamos utilizar essa jurisprudência, que serviu para condenar esse coronel, para condenar Jair Bolsonaro, Pazuello, coronel Elcio, Eduardo Ramos e outros. Assim, considerando que eu não poderia adquirir o status de asilado definitivo na Noruega, vim para Roma para tocar essa iniciativa. E faço aqui um apelo aos gaúchos que lerem essa entrevista. Sei que tem muitos italianos aí. Estamos precisando de pessoas que perderam familiares ou amigos, com cidadania italiana, que se disponham a participar dessa ação identificando essas pessoas para nós. Quem perdeu um nonno ou uma nonna e não se conforma com essa morte evitável, nos ajude a identificar vítimas para que a gente possa tomar as medidas necessárias aqui na Itália.

Estamos aqui lutando com a maior dificuldade. Estou morando numa ocupação aqui em Roma graças a uma articulação feita por companheiros sem teto. Na Noruega, eu tinha um apoio estatal muito forte, tinha casa, comida, internet e um salário. Eles não me permitiam trabalhar. Aqui eu não tenho nada disso. A Nadir Paulino, enfermeira da Funai, minha mãe, que tem uma pensãozinha desse tamanho, está convertendo metade dela em euro e mandando pra mim. Não estou reclamando, não. Mesmo com toda essa dificuldade, nós já conseguimos identificar uma vítima. Mas só uma vítima não vai comover o procurador da Vara Penal daqui. Eu tenho informação de que toda a família Bolsonaro está tirando passaporte. Eles acham que depois disso tudo eles vão pegar um sacão de dinheiro e vir pra cá viver “la dolce vita”. Não vão. E, no que depender da nossa ação, “la dolce vita” com a qual estão delirando vai ser “molto amara”.

Sul21: Pelo que você vem conseguindo acompanhar, qual a situação vivida hoje pelos servidores da Funai, sob o governo Bolsonaro?

Ricardo Rao: Para quem tem perfil combativo e idealista, é uma situação de acosso permanente. A Funai sempre foi dividida. Quem escreveu sobre isso com muita propriedade foi o Marcio Meira, responsável pela reestruturação da Funai e presidente da Fundação durante cinco anos, o que é uma raridade. Ele conseguiu dar uma continuidade administrativa e disse que não conseguiu fazer mais porque a Funai é um órgão faccionado. Há grupos internos que se digladiam constantemente. Sempre tivemos, desde os tempos do Rondon. Temos, por exemplo, aqueles que entram no serviço público não para servir ao público, mas para servir a si mesmo. Eles representam um perfil tremendamente maléfico. Esse pessoal está soltando rojão no atual governo. Eu vi com os meus olhos servidor da Funai falando que “índio não presta” e coisas do tipo. Esse tipo de servidor e aqueles ainda do tempo da ditadura estão muito bem. Estão recebendo sem precisar trabalhar.

Essa banda podre está aproveitando para abrir um monte de procedimentos administrativos disciplinares contra nós, que somos da banda rondoniana. Olha o trabalho do Bruno, que coisa linda. Morrer, se preciso for. Nada mais Rondon que isso.

Sul21: Você conheceu o Bruno Pereira?

Ricardo Rao: Sim, eu conheci o Bruno. Entramos juntos no mesmo concurso, fiz o treinamento com ele e estivemos juntos em uma ou duas missões. Tinha o perfil rondoniano clássico. Era um modelo para todos nós indigenistas idealistas. O Bruno é um exemplo disso que estou te falando. Ele não saiu da Funai porque foi exonerado a mando desse Sergio Moro, que deu a ordem para destituí-lo da sua função de coordenador geral de índios isolados. Ele foi destituído da função, mas seguiu com o cargo do concurso dele que era agente em indigenismo. Eu ficava pensando como é que um cara tão capacitado como o Bruno não era indigenista especializado, como um cara burro como eu acabei me tornando. Depois me dei conta que isso foi pela dedicação dele. Ele não tinha tempo nenhum. Era 24 horas dedicado ao indigenismo. O Bruno pediu essa licença para se preservar do assédio laboral que iam arrumar pra cima dele. Ele ia acabar sendo demitido e por isso pediu a licença. Eu também tentei pedir essa licença, mas ela me foi negada porque queriam que eu ficasse lá perto dos milicianos que eu tinha denunciado para me ver morto.

Indigenistas idealistas passaram a viver sob acosso permanente no governo Bolsonaro, diz Ricardo. (Arquivo pessoal)

Sul21: O desaparecimento dele e de Dom Phillips está repercutindo muito aí na Itália também?

Ricardo Rao: Sim, muito. Daqui a pouco, inclusive, vou dar uma entrevista para uma televisão italiana sobre isso. Não sejamos ingênuos, né, aqui o nome do Bruno sempre vem em segundo lugar. Em primeiro vem o do Dom. Mas esse é um mal que vem para o bem. Isso serviu para mostrar ao mundo quem é Jair Bolsonaro e quem é o Exército brasileiro. Achei uma grande indignidade uma declaração do Mourão que ouvi ontem. O homem é general do Exército, a origem dele é o Batalhão de Infantaria da Selva e ele vem dizer que “lá é perigoso mesmo”. Mas pra que esse senhor recebe seu salário? Se é perigoso, faça o seu trabalho e torne aquela região segura. Esse governo serviu para que enxergássemos o grau de decomposição das Forças Armadas. É o império da mamata e da inépcia.

Sul21: Como está a tua situação legal hoje dentro da Funai?

Ricardo Rao: Eu fui criminosamente exonerado. Cabe destacar aqui um detalhe do direito administrativo. Você só pode exonerar um servidor público da função dele, não pode exonerar do cargo. Eu sou indigenista especializado. Para a Funai se livrar de mim, só tem um jeito: me demitindo. E eles só podem me demitir se eu fizer alguma coisa muito grave e depois de um processo disciplinar. Assim que me concederam o asilo diplomático, a Funai cortou meus vencimentos. Era para eu ter continuado não recebendo tudo, mas o básico sim. Foi até bom que tenham cortado. Acho antiético isso. Como ia ser muito trabalhoso pra eles encontrar uma razão para me demitir, eles retornaram ao meu estágio probatório. Como disse, eles podem exonerar um servidor de sua função ou durante o estágio probatório, que são os três primeiros anos em que você trabalha. Quando eu saí do Brasil, eu já tinha dez anos de Funai. Eles arrumaram um erro formal no meu estágio probatório, lá em 2015, e a partir daí eu fui exonerado e condenado a devolver todos os meus salários e diárias que recebi depois do meu estágio probatório, no qual fui aprovado com nota máxima. Eu tenho elogios de todas as coordenadorias regionais por onde passei. Fui nomeado para três cargos de chefia.

Então, do ponto de vista formal, eu me encontro na condição de exonerado por não ter superado meu estágio probatório, uma decisão tão esdrúxula que eu nem me preocupo com ela. Advogados e juízes já me garantiram que é uma decisão tão absurda que conseguiremos uma liminar contra ela facilmente quando eu retornar ao Brasil.

Sul21: Você pretende voltar ao Brasil e voltar a trabalhar na Funai?

Ricardo Rao: Claro, pretendo sim. Não sou emigrante, não. Só não sei quando. O futuro é um grande ponto de interrogação. Esses criminosos estão empoderados. Toda a estrutura do Estado está infiltrada. Com a vitória do Lula, ele vai ganhar o governo, mas a gente precisa saber como será para ele ganhar o Estado. O Supremo Tribunal Federal deu ordem para não se invadir favela. Eles invadem todo dia, matam e ainda falam: “E aí, Supremo?” Nós não estamos vivendo no império da lei. Eu afrontei diretamente esse grupo político criminoso. Não sei quanto tempo vai levar para ser seguro o meu retorno. Na verdade, eu não sei se vai ser seguro o meu retorno. Eu estava conversando com a deputada Maria Dantas e ela me disse que vai demorar muito tempo.

É com um pesar muito grande que eu vejo o que está acontecendo no nosso país. Para mim, o Brasil está parecendo a Espanha no período pré-guerra civil.

Fonte: https://sul21.com.br/noticias/entrevistas/2022/06/a-abin-foi-na-funai-atras-de-mim-conta-indigenista-que-deixou-o-pais-para-nao-morrer/

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Antes de ser afastado da Funai por Moro, Bruno Pereira enfureceu o garimpo com megaoperação no Amazonas


O indigenista comandou operação que causou grande prejuízo a garimpeiros ilegais. Ele foi demitido 15 dias depois, em decisão assinada por um homem de confiança de Moro

15 de junho de 2022, 07:08 h Atualizado em 15 de junho de 2022, 07:23

www.brasil247.com - Bruno Pereira Bruno Pereira (Foto: Funai | Agência Brasil | Reuters)

247 - Antes de ser forçado a pedir licença da Funai (Fundação Nacional do Índio), o indigenista Bruno Pereira, atualmente desaparecido na Amazônia com o jornalista britânico Dom Phillips, enfureceu o garimpo com uma megaoperação no sudoeste do Amazonas, conta Carlos Madeiro, do UOL.

"A operação Korubo reuniu cerca de 60 agentes da Funai, Polícia Federal e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), e enfraqueceu o garimpo na área com a destruição de 60 balsas que atuavam ilegalmente no rio Jandiatuba. A área fica dentro da Terra Indígena Vale do Javari, onde vivem 19 povos indígenas isolados —o nome Korubo faz referência a um destes povos. Depois da operação, os garimpeiros aumentaram a pressão sobre a Funai, articulando um lobby pela demissão de servidores que estavam comandando ações desse porte na Amazônia — o que incluía Bruno e servidores de outro órgãos, como Ibama e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade)", diz o colunista.

Bruno foi demitido do cargo de coordenador geral em setembro de 2019, 15 dias após a ação. Quem assinou sua demissão foi Luiz Pontel de Souza, homem de confiança do ex-juiz parcial Sergio Moro (União Brasil), à época ministro da Justiça e Segurança Pública.

Em evento nesta terça-feira (14), Moro negou ter responsabilidade sobre a demissão de Bruno. Na prática, ele assumiu que não tinha controle do próprio ministério. "Essa decisão não passou por mim", declarou.

Desde a megaoperação comandada por Bruno, a Funai não realizou mais nenhuma grande ação na região.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/antes-de-ser-afastado-da-funai-por-moro-bruno-pereira-enfureceu-o-garimpo-com-megaoperacao-no-amazonas

segunda-feira, 13 de junho de 2022

'Militares atuam como milícia do grande capital', diz Joaquim de Carvalho


Ainda segundo o jornalista, "o Brasil é uma terra de exploração" para "operadores e organizadores do grande capital que estão nos Estados Unidos"

13 de junho de 2022, 11:27 h Atualizado em 13 de junho de 2022, 12:23

www.brasil247.com - Joaquim de Carvalho Joaquim de Carvalho (Foto: Brasil 247 | Tomaz Silva/Agência Brasil)

247 - O jornalista Joaquim de Carvalho disse, durante participação no programa Bom Dia 247 desta segunda-feira (13), que os militares se associaram à oligarquia brasileira e atuam como uma “milícia” na defesa de interesses do grande capital. A afirmação faz eco à declaração do ex-governador e pré-candidato ao governo do Paraná Roberto Requião, que disse que os ”militares não defendem o Brasil, mas o entreguismo de [Jair] Bolsonaro”.

“A posição do Requião é correta. Este é o papel dos militares há muito tempo. Já houve divisão, já houve militar comprometido com a luta do povo brasileiro. Apoiaram em alguns momentos, mas se você retroceder, retroagir, vai ver que em alguns momentos da história do Brasil os militares, na verdade, defendem a oligarquia no Brasil", disse Joaquim.

"Esta oligarquia existe desde a época da colônia. Machado de Assis, na véspera da abolição da escravidão, dizia que a escravidão iria acabar, que a monarquia ia acabar e que a República viria. Aí ele diz, de maneira irônica: mas quem disse que no Brasil houve monarquia constitucional? No Brasil, o que sempre houve foi oligarquia absoluta”, destacou. 

"Na hora do vamos ver, eles [militares] funcionam como uma milícia do grande capital. Esse é o problema e sempre foi assim, com alguns setores, em alguns momentos, defendendo um interesse nacional, mas ligado aos interesses da oligarquia”, afirmou o jornalista.

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“Esta oligarquia, e a Globo é a face mais visível disso, se tornou muito entreguista. Ela se associou aos operadores e organizadores do grande capital que estão nos Estados Unidos e defendem um interesse que não é nosso, mas muito mais dos organizadores deste grande capital de que o Brasil é uma terra de exploração. O Bolsonaro é mais um dos que fizeram este jogo. Foi assim e é preciso enfrentá-los. É sempre a luta desta elite pequenininha contra o país, contra a nação, tendo como maior vítima os pobres”, completou.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/militares-atuam-como-milicia-do-grande-capital-diz-joaquim-de-carvalho

quinta-feira, 31 de março de 2022

Exclusivo: Braga Netto assinou contrato para comprar armas da Glock America mesmo depois de informado sobre fraude

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Perfil do Colunista 247

Joaquim de Carvalho

Colunista do 247, foi subeditor de Veja e repórter do Jornal Nacional, entre outros veículos. Ganhou os prêmios Esso (equipe, 1992), Vladimir Herzog e Jornalismo Social (revista Imprensa). E-mail: joaquim@brasil247.com.br


Compra foi feita nos últimos dias dele como interventor no RJ e beneficiou empresa dirida por amigo de Eduardo Bolsonaro e irmã do ministro do Meio Ambiente

31 de março de 2022, 13:49 h Atualizado em 31 de março de 2022, 14:03

www.brasil247.com - Ministro da Defesa, Walter Braga Netto Ministro da Defesa, Walter Braga Netto (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Em seus últimos dias na função de interventor federal na área de segurança pública no Rio de Janeiro, o general Walter Braga Netto, atual ministro da Defesa, assinou contrato de aquisição de armas no valor de R$ 46 milhões que apresenta indício veemente de fraude.

A empresa que vendeu pistolas semiautomáticas para o Gabinete de Intervenção Federal no Rio de Janeiro se chama Glock America, representada no Brasil por Franco Giafonne, amigo de Eduardo Bolsonaro, e Fernanda Pereira Leite, irmã do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite.

A Glock America não fabrica armas. Ela é intermediária da austríaca Glock e informou ter escritório em Montevidéu, no Uruguai.

A fábrica de armas alemã Sig Sauer esteve no endereço fornecido pela concorrente e contatou que era falso.

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Em ofício dirigido ao general de divisão Laélio Soares de Andrade, secretário de administração do Gabinete de Intervenção Federal e braço direito de Braga Netto, a Sig Sauder apresentou o resultado da diligência que fez, por meio do serviço do serviço notarial do Uruguai. O documento, de 12 de novembro de 2018, é assinado por Marcelo Silveira da Costa, procurador da Sig Sauer:

A licitante Glock apresentou neste edital documentos em que declara que sua sede sócia localiza-se em Plaza Independência, 831, of. 802, Montevidéu, Uruguai.

Há fortíssimos indícios de que informação é falsa.

Alertados pelo próprio website da licitante, que destaca que a representação da Glock na América Latina localiza-se no Paraná, e também por notícias da imprensa uruguaia dando publicidade ao fato de que a representação da Glock deixou o Uruguai (acessível em https://www.uypress.net/Politica/La-representacion-de-las-armas-Glock-se-fue-de-Uruguay-uc86057), nós solicitamos a um notário público do Uruguai que fizesse uma visita ao endereço declarado pela licitante.

O notário público uruguaio lavrou uma ata notarial em que descreve claramente que, segundo informações colhidas junto ao administrador do edifício:

I - A representação da Glock funcionou no local, mas já não funciona lá há cerca de um ano e meio;

II - O mobiliário da empresa foi retirado em fevereiro deste ano.

Existem, portanto, indícios muito convincentes no sentido de que a conduta da referida licitante pode ser enquadrada no crime de falsidade ideológica (artigo 299 do Código Penal) e fraude à licitação (artigo 93 da lei 8.666).

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A Sig Sauer, que tinha interesse legítimo de vencer a licitação, sugere ao Gabinete de Intervenção Federal que envie o adido militar no Uruguai para conferir os fatos relatados.

Ao mesmo tempo, o representante da empresa alemã junta ao ofício a ata notarial e uma tradução juramentada (abaixo).

Em vez de verificar a denúncia, o Gabinete chefiado por Braga Netto avança no processo de compra e, nos últimos dias de seu funcionamento, o próprio interventor assina o contrato, com “dispensa de licitação”.

Entrei em contato com o representante da Sig Sauer no Brasil quando ele participava de uma feira em Las Vegas.

Expus o caso e pedi uma entrevista.

“Bom dia”, respondeu ele. “Vi seu e-mail. Posso lhe ajudar muito mais do que imagina, mas estou em Las Vegas em uma feira de negócios e tratar isso por telefone vai ser complicado”, acrescentou.

Sugeri videochamadas, e ele comentou:

“Vou ver com a segurança e te falo, espero que você tenha peito para ir até o fim”.

Como ele não entrou mais em contato, mandei nova mensagem quando os repórteres Igor Mello e Eduardo Militão publicaram reportagem no UOL sobre suposto favorecimento à própria Sig Sauer na compra de fuzis para a Polícia Civil do Rio de Janeiro, com verba de R$ 3 milhões do Ministério da Justiça.

O dinheiro foi liberado após gestão do senador Flávio Bolsonaro, conforme ele mesmo havia contado em sua rede social. O processo, segundo a reportagem, foi marcado “por uma série de indícios de direcionamento e conflito de interesses”.

Na época, ao ser procurado, Flávio comentou que não tinha atuado em defesa da Sig Sauer, mas esse negócio é coerente com a versão da fonte que me passou os documentos sobre a venda de armas à Glock America pelo Gabinete de Intervenção Federal no Rio de Janeiro.

“A Sig Sauer denunciou a maracutaia, mas depois recuou, quando os militares lhe ofereceram compensação, em contratos futuros”, afirmou. Um dos contratos teria sido destinado ao fornecimento de armas para o Estado do Ceará. O outro pode ser este viabilizado com verba liberada por Flávio.

O caso reforça a suspeita de que Bolsonaro, desde sua campanha a presidente em 2018, é financiado pela indústria de armas, que tem seu núcleo de poder instalado nos Estados Unidos.

A propósito, esta semana o site “Seeing Red”, de Nebraska, Estados Unidos, publicou reportagem com título “Royce Gracie, o homem que apresentou os Bolsonaros para a NRA e Donald Trump Jr.”.

Sob a causa da liberação de armas, a NRA defende os interesses dessa indústria, que, como se vê no caso do Rio de Janeiro, faz um jogo pesado.

A se confirmar o patrocínio político, fica mais claro por que Braga Netto foi escolhido por Bolsonaro para ser candidato a vice em sua chapa.

O que poderia unir os dois não é a defesa do golpe de 1964, nem ao papel da Forças Armadas na república. Mas algo bem mais concreto: o dinheiro da indústria de armas.

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Procurei a assessoria de comunicação do Ministério da Defesa, e pedi posição de Braga Netto. Até agora, não houve resposta.

Seguem documentos citados na reportagem:

Sig sauer requerimento – apuração de possível ilícito criminal em sede de licitação - 12-11-2018-signed de Joaquim de Carvalho

Ata sobre a Glock America de Joaquim de Carvalho

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

Fonte: https://www.brasil247.com/blog/exclusivo-braga-netto-assinou-contrato-para-comprar-armas-da-glock-america-mesmo-depois-de-informado-sobre-fraude

sábado, 12 de março de 2022

A face corporativa do Grande Irmão


Perfil do Colunista 247

Afonso de Albuquerque

Professor do Lamide UFF, Conselheiro Acadêmico da Rede Conecta

A face corporativa do Grande Irmão

Em nome do combate à desinformação, um gigantesco esquema de censura está sendo construído, no Brasil e no mundo

12 de março de 2022, 18:25 h Atualizado em 12 de março de 2022, 18:46

www.brasil247.com - Youtube Youtube (Foto: Divulgação)

Quando falamos em censura, imagens familiares vêm à mente. Agentes ligados ao governo se instalam nas salas de redação dos meios de comunicação e decidem o que pode ou não ser publicado. Por vezes, o clima de intimidação promovido por esses agentes é tão grande que os próprios jornalistas exercem a autocensura, a fim de evitar punições e constrangimentos. Associamos esse tipo de censura aos regimes autoritários. Por vezes, a atividade da censura se espraia pela sociedade, de tal forma que a expressão individual dos cidadãos comuns também é atingida. No Brasil, o Estado Novo e a Ditadura Militar fornecem ilustrações concretas dessa dinâmica.

Nos últimos anos, contudo, assistimos à emergência de um modelo inteiramente novo de censura. Ele não é mais exercido primordialmente por agentes do Estado, mas por um intrincado sistema multissetorial que inclui plataformas de mídias sociais, a mídia comercial, think tanks, fundações ditas filantrópicas e agências de fact-checking. Instâncias governamentais também integram esse sistema, mas seu modo de atuação é inteiramente distinto da censura clássica. De fato, há dois tipos de governo envolvidos. Um deles é o governo nacional. Nesse caso, o agente envolvido é o Judiciário. Existe um outro tipo de governo envolvido no processo, contudo. Concretamente, o novo modelo de censura tem no governo dos Estados Unidos sua pedra angular.

Esse modelo de censura se justifica com base na necessidade de combater a distribuição de desinformação ou, numa versão mais popular, fake news. A premissa que sustenta o modelo é a seguinte: as mídias sociais criaram condições que permitiram a agentes mal-intencionados distribuírem informações falsas para desestabilizar as instituições políticas e promover o ódio. Isso é correto. A desinformação apresenta efetivamente uma séria ameaça à qualidade da nossa democracia. Isso tem sido demonstrado em diversos países. A desinformação intencional e sistemática efetivamente contribuiu para a ascensão de líderes políticos extremistas e inescrupulosos como Donald Trump nos Estados Unidos, Rodrigo Duterte nas Filipinas e, não menos importante, Jair Bolsonaro no Brasil.

O diagnóstico do problema é correto, mas o tratamento que se oferece para lidar com ele não. O modo como o governo lidou com a pandemia de Covid-19 no Brasil oferece um paralelo a esse respeito. O vírus da Covid-19 se revelou bastante letal e ceifou centenas de milhares de vidas no país. A abordagem do governo para lidar com o problema foi oferecer remédios sem eficácia comprovada para a população: hidroxicloroquina e ivermectina. Tais remédios não eliminavam os riscos do vírus e acrescentavam a eles um risco de morte adicional. A emenda saiu pior do que o soneto. Não é muito diferente com o aparato corporativo de censura que se constrói hoje, diante dos nossos olhos.

Todo sistema autoritário de censura se apresentou como um esforço para combater a desinformação. Podem ser “mentiras”. Podem ser “heresias”. Em todos os casos, os agentes da censura se apresentam como campeões da verdade. Não é diferente, nesse caso. O que distingue o sistema neoliberal de combate à desinformação é que ele atua de fora para dentro, do exterior para o Brasil. Ele não apenas inibe o livre debate, mas solapa a soberania nacional.

As raízes desse sistema são antigas. Elas remetem ao governo de Ronald Reagan que, em 1983, criou o National Endowment for Democracy (NED). Seu propósito era exportar o modelo de democracia para o resto do mundo. A iniciativa tem por base um sistema complexo de agências do governo – Departamento de Estado, Defesa, Setores de Inteligência – do mundo privado (incluindo a mídia comercial) do chamado terceiro setor e mesmo das universidades. Tomados em conjunto, esses agentes carimbam como “verdade” interpretações de interesse do governo dos Estados Unidos e agentes transnacionais à frente da globalização neoliberal.

O sistema ganhou um novo alcance com o desenvolvimento da internet e, em especial, das plataformas de mídias sociais. A internet surgiu nos Estados Unidos, em grande parte como um projeto militar. Os Estados Unidos estabeleceram a linguagem e controlam boa parte da infraestrutura tecnológica que serve de base ao debate global: Facebook, Twitter, WhatsApp, Youtube e outras mídias. Durante algum tempo, muitos acreditaram que essas tecnologias eram inerentemente benignas, aliadas dos cidadãos comuns na busca por mais liberdade. Os eventos que começaram em 2013 e levaram ao golpe de 2016 e à eleição de Bolsonaro em 2018 abriram nossos olhos para os perigos que se escondem por detrás das mídias sociais.

O que se apresenta agora, contudo, é um salto imenso na escala do perigo. As plataformas de mídias sociais estão se convertendo em agentes de censura do debate público, do modo mais descarado. A censura dos canais russos – Sputnik e RT – demonstram o quanto essas plataformas estão subordinadas à agenda do governo estadunidense. E não se trata de defender a mídia russa em si mesma. Criado o precedente, toda mídia, de qualquer país, pode ser censurada. De fato, isso já aconteceu com a mídia alternativa. Ainda mais grave, a nova lógica da censura atinge também os indivíduos comuns. Muitos têm sido assediados por emitirem opiniões que divergem dos interesses do Grande Irmão Corporativo.

As agências de fact-checking exercem um papel fundamental aí, designando certos discursos como “fake” e estigmatizando aqueles que os publicam como difusores de desinformação. É importante observar que essas agências não são independentes de modo algum. Elas mantêm relações próximas com a mídia corporativa e nunca checam o seu conteúdo. Ainda mais importante, elas se inserem em redes comandadas a partir dos Estados Unidos e que atendem ao interesse nacional desse país. Não se trata apenas de censura, mas de ataque à soberania do pensamento. No Brasil, o debate sobre a desinformação tem sido fortemente pautado por esses interesses. Um exemplo é a atuação do Atlantic Council, o think tank da OTAN no debate sobre o combate à desinformação. Em aliança com instituições acadêmicas e think tanks nacionais, o Atlantic Council tem formulado propostas que influenciam políticas públicas nacionais. Muitas decisões do Judiciário brasileiro relativas ao combate às fake news são informadas por essas propostas.

A Operação Lava Jato e o golpe de 2016 demonstraram, de maneira exemplar, o poder de atores estrangeiros em desestabilizar a democracia brasileira. Precisamos tirar lições do passado e nos prepararmos para combater ameaças futuras. Para tal é necessário que contemos com iniciativas que disputem o monopólio do Grande Irmão Corporativo na definição do que é fato e do que é fake. A luta é dura, mas temos os meios para travá-la. Contamos com pesquisa universitária de ponta no tema, capaz de instruir uma nova abordagem para o problema da desinformação, de viés não autoritário. Precisamos montar redes capazes de levar esse debate ao maior número de pessoas possível e prover os atores injustamente acusados de desinformados com meios para se defenderem.

Fonte: https://www.brasil247.com/blog/a-face-corporativa-do-grande-irmao

quarta-feira, 2 de março de 2022

Mortes violentas de LGBT no Brasil aumentaram 8% em 2021, diz pesquisa


Segundo o levantamento do Grupo Gay da Bahia, o país registrou uma morte LGBT a cada 29 horas em 2021. Pesquisadores afirmam que há subnotificação

2 de março de 2022, 08:10 h Atualizado em 2 de março de 2022, 08:30

www.brasil247.com - (Foto: Reprodução)

Revista Fórum - De acordo com levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), 300 pessoas LGBT sofreram morte violenta no Brasil em 2021, um aumento de 8% quando comparado com o relatório referente ao ano de 2020 (237 mortes LGBT).

Em 2021 foram registrados 276 homicídios (92%) e 24 suicídios. Dessa maneira, o Brasil registrou uma morte LGBT a cada 29 horas em 2021.

O Nordeste foi a região com a maior porcentagem de mortes violentas com 35% dos casos, seguida do Sudeste que registrou 33% dos casos.

Leia a íntegra na Fórum.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/mortes-violentas-de-lgbt-no-brasil-aumentaram-8-em-2021-diz-pesquisa

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Justiça proíbe governo de usar redes oficiais para promover Bolsonaro


Secom faz propaganda exaltando a figura do presidente - reprodução

Secom faz propaganda exaltando a figura do presidente Imagem: reprodução

Carla Araújo

Do UOL, em Brasília

10/02/2022 17h16

A Justiça Federal em Brasília acatou um pedido do MPF (Ministério Público Federal) para que o governo federal não possa usar em perfis oficiais a promoção de autoridades e agentes públicos.

A ação, proposta em março do ano passado, teve como base diversas publicações em contas oficiais do governo em redes sociais, que traziam, como conteúdo principal, informações e fotos que fomentavam a imagem pessoal do presidente Jair Bolsonaro.

O Ministério Público Federal alertou que as postagens têm risco de os cidadãos não receberem informações de forma transparente e isenta do próprio governo federal.

A juíza titular da 3ª Vara Federal do DF, Kátia Balbino de Carvalho Ferreira, concordou em parte com os pleitos do MPF e proibiu que contas de titularidade da Secretaria de Comunicação (Secom), do Palácio do Planalto ou de outro ente da Administração Pública promovam pessoalmente o presidente ou qualquer outra autoridade.

No despacho, a magistrada diz que é preciso "inibir que se adote o caráter de promoção do agente público, com personalização do ato na utilização do nome próprio do Presidente da República em detrimento da menção às instituições envolvidas, o que, sem dúvidas, promove o agente público pelos atos realizados, e não o ato da administração deve ser praticado visando à satisfação do interesse público".

Na ação civil pública, o MPF argumentou que a utilização da máquina pública em benefício de quem está ocupando o cargo político mais alto do Poder Executivo, com intuito enaltecedor próprio, "apresenta efeitos de irreversibilidade manifesta, eis que a ideia da autopromoção transmitida pelas referidas postagens não pode ser facilmente desfeita".

Para o MPF, o uso de propaganda oficial para exaltar a figura do presidente e não as ações de governo acabam interferindo no processo eleitoral. "Não se pode deixar de ressaltar, também, que a continuidade das divulgações das publicidades com as edições ora vergastadas macula a justa competição na arena política, ferindo a estrutura democrática de disputas eleitorais", escreveram os procuradores.

A juíza concordou que é preciso resguardar os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa e, por isso, determinou que o governo se abstenha de utilizar perfis oficiais. "Seja nas contas de titularidade da Secom, do Palácio do Planalto ou de qualquer outra conta oficial da Administração Pública, para divulgar publicidade que contenha nomes, símbolos e imagens de autoridades, ou qualquer identificação de caráter promocional de autoridades ou servidores públicos", diz a decisão.

Fonte: https://economia.uol.com.br/colunas/carla-araujo/2022/02/10/justica-proibe-governo-de-usar-redes-oficiais-para-promover-bolsonaro.htm

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Para quem ainda acredita que o Lula quebrou o Brasil

Foto: Antônio Gaudério/Folhapress

O mercado nunca foi tão feliz como na Era Lula

Não é compreensível ou lógico o “medo” que o mercado tem do PT.

Alexandre Andrada

Alexandre Andrada

28 de Setembro de 2018, 0h02

Em dezembro 2002, às vésperas de descer a rampa do Palácio do Planalto, o governo Fernando Henrique Cardoso era visto como ótimo/bom por 26% do eleitorado. Já os que os julgavam ruim/péssimo eram 36%.

Foi nesse cenário de descontentamento com o governo do PSDB que as eleições presidenciais se desenrolaram. Logo ficou claro que Lula tinha grandes chances de sair vitorioso. Em julho, o Datafolha mostrava o candidato do PT com mais de 40% das intenções de voto.

Ainda que o PT estivesse “domesticado”, tendo já sido governo de grandes capitais (como São Paulo) e estados (como o Rio Grande do Sul), sem ter iniciado uma revolução bolchevique em qualquer uma dessas gestões, o “mercado” ainda tinha medo.

No documento da campanha de 2002, em tópico intitulado “A ruptura necessária”, dizia o partido:

“A implementação de nosso programa de governo para o Brasil, de caráter democrático e popular, representará uma ruptura com o atual modelo econômico, fundado na abertura e na desregulação radicais da economia nacional e na consequente subordinação de sua dinâmica aos interesses e humores do capital financeiro globalizado”.

O medo se generalizou. O risco Brasil, que em março de 2002 estava na casa dos 760 pontos, chegou a quase 2.500 em março de 2003. Dispararam também a cotação do dólar, a inflação corrente e as expectativas de inflação.

Num contexto de descrença, Fernando Collor rapidamente se consolidou em primeiro lugar das pesquisas.

Pudera: as relações tumultuadas entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o mercado financeiro datam de 1989, quando das primeiras eleições diretas para presidente do Brasil, desde 1960. Naquelas eleições, o cansaço com os políticos tradicionais fez com que as candidaturas de Mário Covas (PSDB) e Ulysses Guimarães (PMDB) não decolassem. No contexto de descrença, Fernando Collor (PRN) rapidamente se consolidou em primeiro lugar das pesquisas, tornando-se o candidato viável da direita.

Na disputa pelo segundo lugar, acotovelavam-se os dois principais nomes da esquerda nacional: Leonel Brizola (PDT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para o mercado, àquela altura, Brizola era preferível a Lula. Ainda que tenha sido um dos grandes nomes da esquerda radical dos anos 1960, Brizola já acumulava experiência nos governos do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.

Lula, por outro lado, era o outsider completo, uma incógnita. Cunhou-se, então, a expressão “efeito-estrela”, para referir-se aos movimentos súbitos registrados no mercado, notadamente o aumento da cotação do dólar e do ouro, quando havia um fato ou boato de alguma notícia favorável ao candidato petista.

O programa do PT nas eleições de 1989, no que diz respeito à economia, era bastante radical aos olhos do mercado.

Ficou famosa a afirmação de Mário Amato, então presidente Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, de que se caso Lula fosse eleito, ao menos 800 mil empresários deixariam o país. Esse era o “efeito Xuxa”, pois significaria que o capital nacional e estrangeiro diria “beijinho, beijinho, tchau, tchau” para o Brasil. Havia razões para os temores.

O programa do PT nas eleições de 1989, no que diz respeito à economia, era bastante radical aos olhos do mercado. Em relação à dívida externa, propunha o calote: “… o Brasil tem plenas condições de suspender seus pagamentos aos banqueiros internacionais”. Em relação à dívida pública interna, o documento falava em “renegociação” para pôr fim ao que se chamava de “ciranda financeira”:

“É essencial redefinir as condições de pagamento da dívida interna, conseguindo-se que os prazos de resgate dos papéis sejam alargados e que os recursos empatados na ciranda financeira sejam redirecionados”.

Essa “renegociação” foi exatamente o que ocorreu com o Plano Collor, quando se sequestrou quase 80% dos ativos financeiros do país, desde aplicações na dívida pública, passando pela poupança, chegando até mesmo ao dinheiro da conta corrente. Plano esse, aliás, que despertava a simpatia em setores do Partido dos Trabalhadores.

O segundo mandato de FHC não deixou saudade.

Em 1994 e 1998, com as vitórias em primeiro turno de FHC, o PT não botou tanto medo no “mercado”. O segundo mandato de FHC, porém, não deixou saudade. Sua queda começa já em janeiro de 1999, quando o governo acaba com o câmbio quase-fixo que vigorava desde o início do Real. À época isso foi visto como um “estelionato eleitoral”. Viriam ainda a crise energética (o famoso “apagão”) e o baixo desempenho econômico do país. A taxa de desemprego, por exemplo, ficou sempre acima dos 10%.

O afundamento da plataforma da Petrobras P-36, ocorrida em março de 2001, ficou como um grande símbolo da fase ruim que o país atravessava. A má situação do país e o fato de ser José Serra – político de pouco apelo carismático – o candidato governista foram fatores que jogaram a favor de Lula. E logo ficou claro que seria ele o vencedor do pleito.

A má situação do país e o fato de ser José Serra e seu pouco apelo carismático ser o candidato governista foram fatores que jogaram a favor de Lula.

Com o mercado temeroso, em junho de 2002, o PT lançou a “Carta ao povo brasileiro” , comprometendo-se a respeitar “as regras do jogo”. Em dezembro de 2002, Lula anunciou Henrique Meirelles – que acabava de ser eleito deputado por Goiás pelo PSDB, e antigo funcionário do alto escalão do Bank Boston – como presidente do Banco Central.

Nesse mesmo mês, Antonio Palocci anunciava Marcos Lisboa – economista reconhecidamente ortodoxo, distante do pensamento petista tradicional – como secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Era, para uns, o PT se rendendo ao realismo. Para outras, era o partido “beijando a cruz da ortodoxia’. Para o economista Fabio Giambiagi, em uma análise da história econômica do período, era o PT “rompendo com a ruptura”.

O ano de 2003 ainda foi contaminado pelas incertezas de 2002. Mas a partir daí, por uma soma de diferentes fatores, o fato é que a economia nacional teve um ótimo desempenho durante a gestão Lula. A taxa de crescimento da economia, por exemplo, se acelerou de maneira significativa. Se durante o segundo governo FHC (1999-2002), o PIB cresceu a uma taxa média de 2,3% ao ano; durante os dois mandatos de Lula esse valor passou para 3,51% e 4,64%, respectivamente.

Crescimento do PIB

Fonte: IBGE

A inflação também foi mantida sob controle, entrando em uma trajetória de forte queda entre 2003 e 2006.

Evolução IPCA

Fonte: IBGE

A taxa Selic, passou de 25% em janeiro de 2003 para 8,75% no final de 2009. As contas públicas foram mantidas em ordem. Em 2005, por exemplo, o Brasil obteve um superávit primário recorde, de 3,79% do PIB.

A dívida externa, que era de 15,7% do PIB em 2002 parou para quase – 10% – isso mesmo, -10% – em 2010. Ou seja, o Brasil tornou-se credor em moeda estrangeira, graças ao grande acúmulo de reservas internacionais, que passaram da casa dos US$ 30 bilhões em 2002 para US$ 280 bilhões em 2010.

E como o mercado foi feliz naqueles anos. O índice Ibovespa – medida da variação do valor de mercado das principais empresas cujas ações são negociadas na bolsa de valores – passou de 10 mil pontos em janeiro de 2003 para mais de 73 mil pontos em maio de 2008.

Índice Ibovespa

Fonte: BM&FBovespa

Ainda que a grande crise dos Estados Unidos, iniciada no segundo semestre de 2008 tenha causado um importante revés, Lula entregou a faixa presidencial para Dilma com o Ibovespa acima dos 67 mil pontos. O desempenho dos bancos também foi excelente nesse período. Em valores nominais (não corrigidos para a inflação do período), o lucro do Itaú passou de R$ 2,3 bilhões em 2002 para R$ 13,3 em 2010.

Lucro de Itaú e Bradesco (2000-2010) – Valor nominal em R$ (bilhões)

E muitos dos que ocupavam cargos de confiança ou de carreira na alta burocracia petista, logo foram comandar grandes grupos financeiros. Marcos Lisboa se tornou diretor-executivo do Itaú-Unibanco em 2009. Ilan Goldfajn, atual presidente do Banco Central, fez parte da diretoria da área de política econômica do Banco Central entre 2000 e 2003, se tornou, em 2003, sócio da Gávea Investimentos (empresa de propriedade do ex-presidente do BC, durante o segundo mandato de FHC, Armínio Fraga) e economista-chefe do Itaú entre 2009 e 2016. Alexandre Schwartsman, diretor da área de assuntos internacionais do Banco Central, entre 2003 e 2006, durante a gestão de Henrique Meirelles, assumiu como economista-chefe do ABN Amro Bank para a América Latina, e economista-chefe do banco Santander, entre 2008 e 2011.

Ainda que durante o governo Dilma políticas ruins tenham deteriorado a confiança e a credibilidade do Banco Central e dos números da política fiscal do país, é temerário que o “mercado” prefira colocar um candidato que coloca em risco nossa democracia, nossa economia, pelo simples temor de um retorno do PT ao poder.

O “mercado” nacional normalizar a candidatura de Bolsonaro é sinal de falta de escrúpulos.

O “mercado” nacional normalizar a candidatura de Bolsonaro é sinal de falta de escrúpulos. Estão apenas reforçando o clichê de que sua única preocupação é comprar barato hoje, para vender caro amanhã, ainda que nesse processo arrastem o país para o caos e para o autoritarismo.

Porta-vozes do “mercado” estrangeiro, como as publicações The Economist, Financial Times e Bloomberg, por outro lado, alertam para os perigos que uma vitória de Bolsonaro-Mourão representaria para a jovem e frágil democracia brasileira.

A história do século 20 já demonstrou que quem aceita trocar “um pouco de liberdade” por “um pouco mais crescimento” ou “um pouco mais de ordem” acaba ficando sem nenhuma dessas coisas.

Imagem em destaque: Operadores trabalham durante pregão na Bolsa de Valores, em São Paulo, em 2003.

Fonte: https://theintercept.com/2018/09/27/mercado-lula-sistema-financeiro-pt/

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Interpol segura inclusão de bolsonaristas na lista de procurados

Publicado por

Caique Lima

25 de novembro de 2021

Allan dos Santos é um dos bolsonaristas cujo pedido já foi enviado à InterpolAllan dos Santos – Foto: Reprodução

A Interpol tem segurado a inclusão de bolsonaristas na lista de procurados internacionalmente. A entidade não atendeu até agora pedidos das autoridades brasileiras para incluir nome de investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os deixados de fora estão Zé Trovão, que não foi listado, e Allan dos Santos, cujo nome ainda aguarda. Os dois são alvos de investigações cujo relator é Alexandre de Moraes.

A inclusão costuma ocorrer de maneira célere, mas não ocorreu dessa vez, de forma inédita. A Interpol deveria incluir os nomes automaticamente, como é o padrão. A Polícia Federal representa o Brasil na Interpol. Mas até agora não houve uma resposta definitiva. Segundo a Folha, os documentos ainda estão sendo verificados.

Os pedidos de inclusão de bolsonaristas na Interpol

O nome de Zé Trovão foi solicitado para figurar entre os nomes da lista. Ele teve sua prisão determinada pelo Supremo e ficou foragido no México. O caminhoneiro não foi incluído pela Interpol até voltar ao Brasil e se entregar à Polícia Federal.

Allan dos Santos teve a prisão e a extradição decretada em 5 de outubro. Ele é apontado como membro de milícia digital para atacar instituições. Desde então o Brasil acionou os Estados Unidos, onde o blogueiro bolsonarista mora, e enviou o pedido à Interpol para inclusão.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/interpol-bolsonaristas-lista/

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Juristas e familiares de vítimas da Covid-19 vão pedir impeachment de Bolsonaro com base em relatório da CPI


Pedido de abertura do processo de impeachment de Jair Bolsonaro será protocolado na Câmara dos Deputados no dia 8 de dezembro

18 de novembro de 2021, 14:56 h Atualizado em 18 de novembro de 2021, 15:49

(Foto: Reprodução)

247 - Um grupo de juristas e advogados e também de familiares de vítimas da pandemia da Covid-19 deverá apresentar à Câmara dos Deputados  um novo pedido de impeachment de Jair Bolsonaro. De acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o pedido é baseado nos crimes apontados pela CPI da Covid e deverá ser protocolado no dia 8 de dezembro, em Brasília. O assunto foi discutido pelo grupo e pelos  senadores que integraram o colegiado nesta quinta-feira (18).

Entre os crimes listados pela CPI e que constam do pedido de afastamento do chefe do Executivo estão “prevaricação, charlatanismo, epidemia com resultado de morte, infração a medidas sanitárias preventivas, emprego irregular de verba pública, incitação ao crime, falsificação de documentos particulares, crime de responsabilidade e crimes contra a humanidade”.

Entre os juristas que assinam o documento junto com os familiares das vítimas da Covid-19 estão  Miguel Reale Júnior, Sylvia Steiner, Helena Lobo da Costa, Alexandre Wunderlich, José Rogério Cruz e Tucci, Floriano de Azevedo Marques, Miguel Jorge, Aloyso Lacerda Medeiros, Clito Fornaciari Júnior, Alberto Silva Franco, Belisário dos Santos Júnior, Antônio Funari, Walter Maierovitch, Salo de Carvalho e Davi Tangerino.

Fonte: https://www.brasil247.com/cpicovid/juristas-e-familiares-de-vitimas-da-covid-19-vao-pedir-impeachment-de-impeachment-de-bolsonaro-com-base-em-relatorio-da-cpi

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

MPF irá investigar suposta ação de Michelle Bolsonaro para favorecer amigos em empréstimos da Caixa


O MPF explicou que a investigação será realizada no inquérito que apura as irregularidades na Caixa Econômica Federal

1 de outubro de 2021, 17:18 h Atualizado em 1 de outubro de 2021, 17:20

Michelle Bolsonaro Michelle Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

247 - O Ministério Público Federal (MPF) irá investigar a denúncia, feita pela revista Crusoé, de que Michelle Bolsonaro, mulher de Jair Bolsonaro, teria agido para que a Caixa Econômica Federal favorecesse a concessão de empréstimos a empresas alinhadas ao bolsonarismo.

De acordo com a reportagem desta sexta-feira (1), a primeira-dama atuou para que apoiadores do governo Bolsonaro fossem beneficiados por meio de financiamentos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). Os empréstimos foram liberados pela Caixa após ela contatar o presidente da instituição financeira, Pedro Guimarães, e enviar e-mails com a lista dos indicados.

O MPF explicou que a investigação será realizada no inquérito que apura as irregularidades na Caixa. Nesta sexta, o líder da minoria na Câmara dos Deputados, Marcelo Freixo (PSB-RJ), acionou o MPF para que Michelle fosse investigada por tráfico de influência. (Com informações do UOL).

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/brasilia/mpf-ira-investigar-suposta-acao-de-michelle-bolsonaro-para-favorecer-amigos-em-emprestimos-da-caixa

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Para 76% dos jornalistas, Bolsonaro faz um governo péssimo e 48% acham que CPI não dará em nada

Perfil do Colunista 247

Joaquim de Carvalho


Levantamento do Ipespe revelou ainda que 64% dos profissionais de comunicação apoiam o impeachment. Joaquim de Carvalho noticia também que um dos seguranças voluntários de Bolsonaro já sofreu dois atentados.

29 de setembro de 2021, 13:53 h Atualizado em 29 de setembro de 2021, 13:53

Jair Bolsonaro Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nobrega - PR)

Levantamento realizado pelo Ipesp revela que 64 por cento dos jornalistas brasileiros são a favor do impeachment de Jair Bolsonaro, 29% são contra e 7 por cento não têm opinião formada.

O Ipesp ouviu 117 jornalistas, entre os dias 31 de agosto e 15 de setembro, em parceria do Grupo Comunique-se e Kamplie Comunicação.

Para 76% dos jornalistas, o governo Bolsonaro faz um governo ruim ou péssimo, 6% o consideram regular e 16% o veem como ótimo ou bom.

Entre os que responderam a pesquisa, 57% são editores; 27%, coordenadores de conteúdo; 21% colunistas; 15%, repórteres; 15%, editores-chefes; 12%, chefes de reportagem; 5%, repórteres especiais; e 3% não informaram.

O levantamento também apontou que 83% consideram negativo o tratamento dado por Bolsonaro a jornalistas e veículos de comunicação. Para 10%, é positiva.Para 3%, neutra. Quatro por cento disseram não ter opinião formada.

Os pesquisadores também ouviram dos jornalistas a avaliação sobre a cobertura que a imprensa faz do governo Bolsonaro.

Metade dos jornalistas entrevistados (exatamente 50%) considera que a cobertura é boa; 30%, regular; 19%, ruim ou péssima; e 1 por cento não respondeu.

O trabalho da CPI também foi avaliado pelos jornalistas. Para 48%, a comissão terminará sem conclusão; 44% entendem que a CPI apontará responsáveis e haverá desdobramento no Judiciário; 9% não têm opinião formada.

A maioria dos jornalistas (55%) que participaram do levantamento considera que Jair Bolsonaro não será responsabilizado pela CPI. Apenas 34% acreditam que a comissão responsabilizará Bolsonaro pelas ações negativas e omissões frente à pandemia.

Sessenta e dois por cento dos jornalistas também acreditam que a relação de Bolsonaro com o Centrão é instável e terminará antes da eleição do ano que vem; 23% acreditam será duradoura; e 15% não responderam.

Sobre a proposta de semi-presidencialismo a partir de 2026 (o parlamentarismo envergonhado, já rejeitado pelos brasileiros em dois plebiscitos), 45% acham que têm pouca chance de ser aprovado; 34%, nenhuma chance. Só 1% acredita que tem muita chance de passar pelo Congresso Nacional; 9%, alguma chance; e 11% não têm opinião formada.

Entre os jornalistas que participaram da pesquisa, 3% moram nos EUA e 97% no Brasil; 18% se consideram da classe social A; 50%, B; e 32%, C.

Fonte: https://www.brasil247.com/blog/para-76-dos-jornalistas-bolsonaro-faz-um-governo-pessimo-e-48-acham-que-cpi-nao-dara-em-nada

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Bolsonaro mentiu 5 vezes e distorceu outras 7 em discurso da ONU



UOL Confere

Juliana Arreguy

Do UOL, em São Paulo

21/09/2021 17h38Atualizada em 21/09/2021 21h00

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apresentou cinco mentiras e sete afirmações distorcidas no discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU, na sede do órgão, em Nova York, na manhã de hoje (21). Bolsonaro desferiu críticas às medidas de restrição contra a covid-19 e fez alegações falsas sobre tratamento precoce, agricultura, benefícios sociais, preservação ambiental e corrupção.

Conforme publicado pelo UOL Confere, muitas das falas do presidente já foram repetidas em outras ocasiões. Algumas, como as referentes às políticas de preservação da Amazônia, estiveram presentes nos discursos de abertura da ONU em 2019 e 2020.

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Outras afirmações de Bolsonaro foram apresentadas sem contexto ou de forma insustentável —ou seja, sem dados públicos passíveis de comprovação. Na lista abaixo constam apenas as declarações falsas e distorcidas:

Mentiras

  • Inflação

Crítico das medidas de isolamento adotadas para tentar frear a covid, Bolsonaro já mentiu outras vezes sobre elas terem provocado inflação nos preços. Na ONU não foi diferente: ele atribuiu o aumento no preço de alimentos ao lockdown.

Segundo especialistas ouvidos pelo UOL Economia, há diversos fatores por trás da alta nos preços, o que inclui a crise hídrica, ondas de frio, alta do dólar, mudanças em logísticas comerciais em todo o mundo e também a nova política de preços da Petrobras, atrelada ao mercado internacional de petróleo.

  • Tratamento precoce

Não há medicações com eficácia cientificamente comprovada para estágios iniciais da covid-19, uma das mentiras defendidas por Bolsonaro desde o início da pandemia e repetida novamente, hoje, diante de líderes mundiais.

O CFM (Conselho Federal de Medicina) aprovou um parecer no ano passado dando autonomia aos médicos que queiram receitar as medicações, desde que os pacientes tenham ciência de possíveis efeitos colaterais. No entanto, o conselho não recomenda o suposto "tratamento precoce".

A hidroxicloroquina, uma das medicações mais citadas pelo presidente, é contraindicada em casos de covid pela OMS (Organização Mundial da Saúde), pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pela maioria dos fabricantes brasileiros.

  • Benefício para preservação do emprego

O presidente errou o valor gasto pelo governo com o programa de manutenção de emprego e renda. Na ONU, Bolsonaro alegou ter gastado US$ 40 bilhões (cerca de R$ 211 bilhões, pelo câmbio atual), quando o custo dos benefícios está mais próximo de R$ 40 bilhões.

Somando os valores de 2020 e 2021, as despesas do Ministério da Economia relacionadas à covid chegaram a R$ 190,7 bilhões, número ainda inferior ao apresentado pelo chefe do Executivo brasileiro.

  • Fortalecimento de órgãos ambientais

Outra afirmação falsa foi a de que os recursos destinados ao fortalecimento dos órgãos ambientais "foram dobrados". Isso nem sequer aconteceu, já que o aumento do orçamento para o Ibama e o ICMBio está previsto apenas para 2022.

A fala também omitiu que o valor dobrado parte de números já reduzidos: foram cortados mais de R$ 240 milhões do Ministério do Meio Ambiente. O ICMBio apontava restrições financeiras severas em abril, enquanto o Ibama teve reduzido o poder de multas e precisou interromper autuações por crimes ambientais.

  • 7 de Setembro

Ao mencionar os atos em 7 de setembro favoráveis ao seu governo, Bolsonaro disse que "milhões" foram às ruas. Não há dados que corroborem a afirmação, pelo contrário: a estimativa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo aponta que 125 mil pessoas compareceram ao ato da avenida Paulista.

O maior ato político no local, de acordo com o Datafolha, reuniu 500 mil pessoas em 2016 para pedir o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).

Distorções

  • Governadores e prefeitos

Ainda na cruzada contra o lockdown e as medidas restritivas, Bolsonaro criticou mais uma vez prefeitos e governadores por políticas de isolamento e afirmou que os cidadãos foram "obrigados a ficar em casa". Na verdade, as medidas mais drásticas tiveram lugar durante poucas semanas ao longo de 2020 e 2021 para tentar aliviar a pressão sobre hospitais superlotados durante picos de notificações da covid.

  • Energia renovável

Bolsonaro declarou que 83% da geração de energia do Brasil vem de fontes renováveis. No entanto, o percentual corresponde ao uso de fontes renováveis para produzir energia elétrica —e não energia total. Segundo documento da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), ligada ao Ministério de Minas e Energia, as fontes renováveis correspondem a 48,4% do total da matriz energética do país.

  • Vegetação nativa

O presidente também afirmou que 66% do território nacional é composto de vegetação nativa, que permaneceria "a mesma desde o seu descobrimento". No entanto, especialistas apontam que isso não significa que as áreas sejam preservadas. O projeto MapBiomas aponta parte do crescimento agropecuário em áreas onde a vegetação nativa foi derrubada.

  • Amazônia intacta

Na mesma linha da distorção sobre a vegetação nativa, Bolsonaro declarou que "84% da floresta [amazônica] está intacta". De acordo com especialistas, o predomínio de florestas na região não significa que as áreas estejam intactas.

Reportagem de Ecoa mostra dados do WWF-Brasil, a partir de informações do Inpe, estimando a perda de 19% da área original da Amazônia —que seria de 81%, e não 84%. A diferença de três pontos percentuais, em números absolutos, representa uma área quase igual à do estado do Amapá (quase 800 mil km²).

  • Uso do território pela agricultura

Bolsonaro afirmou de forma equivocada que 8% do território nacional é utilizado pela agricultura, embora o percentual seja correspondente apenas ao plantio agrícola. A agricultura e a pecuária, juntas, utilizam cerca de 27% do território nacional —números apresentados pelo próprio Bolsonaro em seu discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU no ano passado.

  • População alimentada pela agricultura brasileira

Outro dado distorcido foi o da população mundial alimentada pela agricultura brasileira. Embora a Embrapa calcule que o Brasil seja responsável por 10% da produção mundial de trigo, soja, milho, arroz e cevada, isso não significa que o valor seja capaz de alimentar 10% da população mundial (cerca 800 milhões), incluindo brasileiros. O cálculo não leva em conta aspectos como desperdício na cadeia produtiva, e nem o fato de que boa parte da produção de soja e milho não é voltada para consumo humano.

  • Corrupção

O presidente também afirmou que o Brasil está há dois anos e oito meses "sem qualquer caso concreto de corrupção". No entanto, a afirmação está sem contexto, pois há contratos do Ministério da Saúde sendo investigados devido a suspeitas de corrupção, entre outras irregularidades.

A compra de doses da vacina Covaxin é investigada pela CPI da Covid, pelo MPF (Ministério Público Federal) e pela Polícia Federal. Há indícios de que houve pressão de integrantes do governo Bolsonaro para que a importação do imunizante fosse acelerada apesar de problemas no contrato.

Outro caso ainda não esclarecido é o do suposto pedido de propina feito por Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, para a compra de doses da AstraZeneca.

Em outubro passado, a ONG Transparência Internacional apontou retrocessos no combate à corrupção no Brasil, principalmente diante do esvaziamento da Operação Lava Jato por Bolsonaro.

No mesmo mês, a PF encontrou dinheiro escondido na cueca do então vice-líder do governo no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR), durante investigação de desvios de emendas parlamentares destinadas ao combate à covid-19.

Fonte: https://noticias.uol.com.br/confere/ultimas-noticias/2021/09/21/mentiras-bolsonaro-discurso-na-onu.htm