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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Bolsonaro assume papel de ditador e fala em 'acabar' e 'varrer' a esquerda do Brasil


Em um discurso típico de ditador, durante ato na cidade de Parnaíba, no Piauí, Jair Bolsonaro falou em "acabar" com os comunistas e "mandar essa cambada" para a Venezuela ou para Cuba; "O cocô é essa raça de corruptos e comunistas. Nas próximas eleições, vamos varrer essa turma vermelha do Brasil", atacou; para o PSOL, "Bolsonaro adere à mesma fórmula usada pelas ditaduras latino-americanas, pelo nazismo, pelo macartismo"

14 de agosto de 2019, 17:28 h


  • Bolsonaro discursa em Parnaíba, no Piauí Bolsonaro discursa em Parnaíba, no Piauí (Foto: Alan Santos/PR)

    247 - Em um evento político para celebrar o aniversário da cidade de Parnaíba, no Piauí, onde foi inaugurar uma escola com seu nome e homenagear um militar, o presidente Jair Bolsonaro fez um discurso típico de ditador nesta quarta-feira 14. Fala similar já havia sido feita por ele durante a campanha presidencial, quando falou em "metralhar a petralhada".

    Nesta quarta, Bolsonaro falou em "acabar" com os comunistas e "mandar essa cambada" para a Venezuela ou para Cuba. Em seu discurso, ele também voltou a ofender o Nordeste e a falar em "cocô", como fez na última segunda-feira 12, quando sugeriu que o brasileiro alternasse os dias para fazer cocô como medida de preservação do meio ambiente.

    "O Mão Santa me disse agora há pouco que nós vamos acabar com o cocô no Brasil. O cocô é essa raça de corruptos e comunistas. Nas próximas eleições, vamos varrer essa turma vermelha do Brasil. Já que na Venezuela está bom, vou mandar essa cambada para lá. Quem quiser um pouco mais para o norte, vai até Cuba, lá deve ser muito bom também", declarou no Piauí.

    Ele também chamou de "bandidos de esquerda" os integrantes da chapa de centro-esquerda na Argentina, Alberto Fernández e Cristina Kirchner, que venceu as primárias contra o presidente Mauricio Macri. E disse que o país está "mergulhado no caos", mas não por conta das medidas neoliberais de Macri, e sim porque a chapa da oposição estaria voltando a comandar o país.

    Fonte: https://www.brasil247.com/poder/bolsonaro-assume-papel-de-ditador-e-fala-em-acabar-e-varrer-a-esquerda-do-brasil

    Moro pediu para Bolsonaro indicar Deltan para a PGR e recebeu um "não"


    Segundo informações apuradas pelo jornalista Kennedy Alencar, o ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu para Jair Bolsonaro indicar o nome do procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, para ocupar o cargo de procurador-geral da República, e recebeu um não como resposta

    14 de agosto de 2019, 21:08 h Atualizado em 14 de agosto de 2019, 21:31

    247 - Segundo o jornalista Kennedy Alencar, comentarista da CBN,  o ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu para Jair Bolsonaro indicar o nome do procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, para ocupar o cargo de procurador-geral da República.

    "O pedido, no entanto, foi negado por Jair Bolsonaro", conta Kennedy, afirmando ainda que a atual procuradora-geral, Raquel Dodge, perdeu força após ter pedido providências em relação a Eduardo Bolsonaro. "O nome do Dallagnol está fora", reforçou o jornalista.

    O mandato de Dodge termina em setembro. Jair Bolsonaro disse que vai indicar o nome até a próxima sexta-feira (16). Não confirmou se vai seguir a lista tríplice, ou seja, os três mais bem votados pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) para assumir a Procuradoria Geral da República (PGR).

    Dallagnol e Moro são protagonistas do escândalo da Vaza Jato revelado pelo The Intercept, que mostra o conluio para incriminar Lula, a manipulação de processo e provas e a articulação para obter lucro com a exposição midiática da Lava Jato.

    Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/moro-pediu-para-bolsonaro-indicar-deltan-para-a-pgr-e-recebeu-um-nao

    Globo diz que Bolsonaro investe contra o decoro e representa risco para o Brasil


    Responsável direta pela ascensão da extrema-direita no Brasil, ao pressionar o Poder Judiciário a prender o ex-presidente Lula e retirar seus direitos políticos, o grupo Globo agora se dá conta de que Jair Bolsonaro é um risco para o Brasil. Em editorial publicado nesta quarta-feira, o jornal O Globo aponta novas quebras de decoro – ou seja, motivos para impeachment

    14 de agosto de 2019, 05:20 (Foto: PR | Mídia Ninja)

    247 – O editorial desta quarta-feira do jornal O Globo aponta mais motivos para o afastamento de Jair Bolsonaro da presidência da República, por quebra de decoro. Curisamente, o texto parte de um veículo de comunicação que foi crucial para a ascensão da extrema-direita no Brasil, ao pressionar o Poder Judiciário para prender e retirar os direitos políticos do ex-presidente Lula – que seria presidente pela terceira vez não fosse a campanha de ódio promovida pela Globo.

    "Nos últimos dias, o presidente tem sido especialmente produtivo em falar o que não deve, em usar termos chulos, em investir contra o decoro da Presidência da República. À costumeira agressividade de quando trata de temas políticos, sempre abordados de maneira radical, Bolsonaro acrescentou uma fixação escatológica. É no mínimo exemplo de má educação, de inconveniência. Por partir de um presidente da República, não passa despercebido no mundo, e isso afeta a imagem do país, com prejuízos concretos. No descontrole em que se encontra Bolsonaro, interesses diplomáticos envolvendo a economia já começam a ser afetados", aponta o texto.

    "A oposição à preservação do meio ambiente, uma característica da extrema direita mundial, tem sido exercida como se Bolsonaro ainda estivesse no baixo clero. Seu governo, com o ministro do Meio Ambiente à frente, Ricardo Salles, procura romper por completo o acordo com Alemanha e Noruega, que sustentam o Fundo Amazônia com bilhões em doações, para apoio a projetos sustentáveis na região", prossegue o editorial.

    "Com o desconcertante ataque ao Fundo Amazônia, entre outros atos, Bolsonaro dá pretexto para que França e Alemanha, cujos agricultores e certas indústrias desgostam do acordo entre a UE e o Mercosul, tirem o apoio ao tratado comercial. Um revés para o Brasil. A vitória da chapa peronista Alberto Fernández/Cristina Kirchner nas primárias argentinas contra o presidente Mauricio Macri, de centro direita, mereceu de Bolsonaro uma reação também nada protocolar. Alertou os gaúchos para o risco de a 'esquerdalha' transformar a Argentina em nova Venezuela, e o Rio Grande do Sul, outro Roraima, porta de entrada de venezuelanos no país. Bolsonaro se esquece do Mercosul, do nível de integração que já existe entre os dois países, com a Argentina sendo forte importador de produtos manufaturados do Brasil. O presidente se torna um risco para o país", finaliza o editorial.

    Fonte: https://www.brasil247.com/midia/globo-diz-que-bolsonaro-investe-contra-o-decoro-e-representa-risco-para-o-brasil

    Miriam Leitão aponta Bolsonaro como o grande inimigo da economia brasileira


    Com o Brasil em recessão, a jornalista Miriam Leitão, colunista do Globo, ironiza as prioridades de Jair Bolsonaro: cortar o cabelo e furar reunião com o chanceler francês, atacar a Alemanha e insultar os argentinos, maiores compradores de produtos industriais brasleiros. "É com erros assim que Bolsonaro vai erodindo a confiança na economia", diz ela

    14 de agosto de 2019, 05:39 h


    247 – A jornalista Miriam Leitão, colunista do Globo, já aponta Jair Bolsonaro como um dos principais empecilhos para a retomada da economia brasileira – em crise desde 2014, quando as forças golpistas começaram a preparar a derrubada da ex-presidente Dilma Rousseff sob a alegação de 'pedaladas fiscais'.

    "É preciso olhar os dados do primeiro semestre. A confiança dos consumidores havia subido para 96 pontos em janeiro e caiu para 88. O mesmo aconteceu com a confiança empresarial. Alimentam essa queda alguns fatos concretos, aumentou o endividamento das famílias, segundo o Banco Central. Outra pesquisa, feita pela Boa Vista SCPC, mostrou que o percentual de inadimplentes com mais da metade da renda comprometida com o pagamento de dívidas saltou de 56% para 73%. Os que se dizem muito endividados saltaram de 37% para 43% dos entrevistados. E as principais causas são o desemprego elevado e a diminuição da renda. Reverter esses problemas deveria consumir as energias do governo. O presidente da República prefere se dedicar às exibições diárias de pensamentos rasteiros sobre questões sérias", diz Miriam, em sua coluna.

    "Um avanço importante foi o acordo Mercosul-União Europeia. De lá para cá, o presidente preferiu cortar cabelo a receber o chanceler francês, ofendeu a Alemanha, e agora sugere o fim do Mercosul porque os eleitores argentinos podem contrariá-lo. A Argentina é a maior compradora de manufaturados brasileiros, com ela temos um comércio de R$ 26 bilhões, com superavit para o Brasil, e tradicionais laços de amizade. As relações internacionais não podem ficar prisioneiras da ideologia do presidente da República. É com erros assim que Bolsonaro vai erodindo a confiança na economia."

    Fonte: https://www.brasil247.com/economia/miriam-leitao-aponta-bolsonaro-como-o-grande-inimigo-da-economia-brasileira

    Para Margaridas, reforma é opressora e tira direito da mulher trabalhadora


    Para elas, a reforma proposta por Jair Bolsonaro (PSL), é cruel e maldosa para o povo brasileiro, em especial as mulheres que terão até as pensões por morte reduzidas a menos de um salário mínimo. E pior ainda para as camponesas

    14 de agosto de 2019, 08:53 h

    CUT - Depois de participar da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas e do Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Aposentadoria e Contra os Cortes na Educação,  nesta terça-feira (13), em Brasília, as milhares de Margaridas concentradas no Pavilhão do Parque da Cidade participaram de atividades simultâneas para debater diversos temas de interesse das mulheres do campo, da cidade, das águas e das florestas.

    O que atraiu maior interesse foi o “Tribunal Popular das Margaridas - Previdência Pública Universal e Solidaria”, que discutiu, analisou e julgou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 06/2019, que dificulta a concessão de da aposentadoria, da pensão por morte, da aposentadoria por invalidez, entre outros itens, e reduz o valor dos benefícios.

    A atividade foi marcada pela indignação das mulheres que consideraram que as mudanças significam praticamente o fim da aposentadoria. E claro, elas condenaram a reforma por unanimidade.

    Para elas, a reforma proposta por Jair Bolsonaro (PSL), já aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado, onde também precisa ser aprovada em dois turnos, é cruel e maldosa para o povo brasileiro, em especial as mulheres que terão até as pensões por morte reduzidas a menos de um salário mínimo. E pior ainda para as camponesas.

    Para a secretária de Políticas Sociais da Contag, Edjane Rodrigues, é necessário e urgente barrar essa reforma porque a “previdência social é uma estratégica de nação, ela contribui com o desenvolvimento social e econômico de mais de 70% dos municípios do nosso país”.

    “Essa reforma vai levar a indigência e contra ela vai a nossa resistência”,

    A presidenta da CUT Maranhão, Adriana Oliveira, disse em seu depoimento que não reconhece este governo porque Bolsonaro não governa para as trabalhadoras e os trabalhadores.

    Segundo ela, essa reforma não é reforma e sim uma deforma que retira políticas públicas conquistadas por anos, principalmente nos governos de Lula e Dilma.

    “A gente precisa repudiar e lutar contra essa reforma. E Essa marcha tem essa responsabilidade de denunciar essa reforma e dizer que não reconhecemos este governo”.

    A cada intervalo de debate as mulheres cantavam e batucavam.

    “Essa reforma é opressora, tira direito da mulher trabalhadora”, cantaram mais uma vez durante o debate.

    Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/para-margaridas-reforma-e-opressora-e-tira-direito-da-mulher-trabalhadora

    Manifestações estudantis levaram um milhão às ruas e houve simpatia da mídia conservadora


    As manifestações dos estudantes em defesa da educação e de repúdio a Bolsonaro voltaram a surpreender por seu vigor. As estimativas oscilam entre 900 mil e 1,5 milhão de pessoas nas ruas. Um fato novo foi a cobertura da mídia conservadora, claramente simpática à mobilização. Em 7 de setembro haverá outra rodada de protestos.

    14 de agosto de 2019, 09:14 h


    (Foto: Mídia Ninja)

    247 - As manifestações dos estudantes brasileiros em defesa da educação e de repúdio a Bolsonaro voltaram a surpreender o país por seu vigor nesta terça-feira (13). As estimativas oscilam entre 900 mil e 1,5 milhão de pessoas nas ruas. Um fato novo foi a cobertura da mídia conservadora, claramente simpática à mobilização.

    Segundo a União Nacional dos Estudantes, participaram dos protestos cerca de 1,5 milhão de pessoas em 205 cidades em todos os Estados e no Distrito Federal. Com o sucesso, nova mobilização está convocada para 7 de setembro.

    A novidade desta vez foi a mudança na postura da mídia conservadora, que passou da hostilidade ou indiferença para uma cobertura claramente simpática aos protestos.

    "Manifestações a favor da educação levam 1,5 milhão de pessoas às ruas" - foi a manchete de Veja em seu site.

    "Cidades brasileiras de todo o país têm atos em defesa da educação e contra a reforma da Previdência" - foi a manchete do site das Organizações Globo, o G1.

    A Folha de S.Paulo foi ainda mais enfática: "Atos contra Bolsonaro levam milhares às ruas pelo Brasil". E ainda registrou numa reportagem : "Em ato contra cortes na educação em SP, esquerda retoma verde e amarelo" -com referência direta aos "cara pintada" que marcaram época no movimento pelo impeachment de Fernando Collor nas manifestações de 1992.

    Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/manifestacoes-estudantis-levaram-um-milhao-as-ruas-e-houve-simpatia-da-midia-conservadora

    terça-feira, 13 de agosto de 2019

    Bolsonaro despreza os nordestinos. E ele não está sozinho.



    Qualquer pessoa que saia do Nordeste para a parte de baixo do mapa sente a força do preconceito regional. Nós também sentimos. “O povo do Nordeste é preguiçoso, só vive na rede”, “O que essa pessoa lá do Nordeste quer se metendo nas coisas daqui?” etc. Quantas vezes não ouvimos conhecidos usarem as derivações de “baiano” para expressar algo errado, ruim ou inapropriado, e ficamos constrangidos ao perceber que, indiretamente, era de nós que eles estavam falando.

    É por isso que as declarações xenófobas de Bolsonaro não nos surpreendem. Ele só reforça a realidade que conhecemos bem: existe um forte e arraigado preconceito regional no Brasil. Não há diferença alguma entre o que Bolsonaro diz e o que qualquer tio do pavê falaria em um churrasco de domingo. Preconceitos, não esqueçamos disso, que Bolsonaro também destila contra mulheres, negros, LGBTs, indígenas, pobres.

    A diferença é que Bolsonaro é o presidente da República, e seus preconceitos interferem na economia e no desenvolvimento do Brasil e, claro, do Nordeste, que já vê o crédito minguar. Um levantamento do Estadão revelou que a Caixa Econômica Federal já reduziu a concessão de novos empréstimos para o Nordeste neste ano. Até julho, os estados da região receberam apenas 2,2% do total de novos empréstimos autorizados pelo banco, um percentual muito menor do que os 21,6% em 2018 e do que os 18,6% em 2017.

    Bolsonaro também ignorou dados do Tesouro Nacional, alegando que o baixo volume de financiamentos se deve à alta inadimplência dos municípios nordestinos. Mas as informações do Tesouro provam que não há diferenças regionais nos débitos e nem impedimento legal para que os repasses ocorram.

    A explicação verdadeira pode ser outra. Em um evento recente na Bahia, Bolsonaro condicionou a liberação de recursos ao apoio dos governadores do Nordeste: “não vou negar nada para esses Estados, mas se eles quiserem realmente que isso tudo seja atendido, eles vão ter que falar que estão trabalhando com o presidente Jair Bolsonaro.”

    Bolsonaro nunca engoliu o fato de que, se dependesse do Nordeste, ele não estaria no Palácio do Planalto.

    Quando o presidente deixa evidente o preconceito que tem pelos nordestinos, a mensagem que está passando é que, no seu governo, a população de nove estados do Brasil será ignorada. Não só ignorada, como punida. Ao dizer para o seu ministro que “tem que ter nada com esse cara”, referindo-se ao governador do Maranhão, chamado pejorativamente de paraíba, o presidente está falando de uma parte dos brasileiros que será tratada com desprezo.

    Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante a 25ª Reunião do  Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE).

    Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante a 25ª Reunião do Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene.

    Foto: Marcos Corrêa/PR

    Fim de um ciclo

    O governo Bolsonaro não é adepto das pesquisas científicas e, com frequência, nega a história. Mas ambas mostram que muitos fatores atrapalharam a ascensão dos nordestinos na economia brasileira. O principal, do passado até hoje, é a falta de políticas públicas de educação, saúde e alimentação.

    Foi a partir da segunda metade do século 19 que o fosso regional começou a se abrir. E se mantém largo desde então. Em 2010, a renda média do Nordeste equivalia a 55% da renda sudestina. Mas isso não tem nada a ver com a alegada preguiça dos nordestinos de trabalhar. A questão é econômica.

    Em meados da primeira metade do século 19, açúcar e algodão, produtos tradicionais da economia nordestina, iam perdendo fôlego. Na década de 1820, eles respondiam por 50% do valor das exportações brasileiras, mas desabaram para 9% em 1890. Surgia, então, o café como principal produto de exportação do Brasil. Produzido principalmente no Rio, Minas e São Paulo, mas atingindo também o Paraná e o Espírito Santo, o café responderia de 50% a até 70% de todo o valor das exportações brasileiras de 1830 até 1960.

    A segunda metade do século 19 marca também o aumento no fluxo de mercadorias, capitais e trabalhadores por todo o mundo. É quando ocorre a segunda revolução industrial, que transformou de forma profunda os transportes, as comunicações e a produção. Com a pujança do café, a região sudeste atrairia a maior parte dos frutos dessa modernização que se dirigiam ao país.

    Mas a coisa não se deu de forma repentina. Em 1872, o Rio de Janeiro era a maior cidade do Brasil, com 275 mil habitantes. Em seguida, vinham Salvador e Recife, com 120 mil habitantes, aproximadamente. São Paulo, por outro lado, tinha apenas 31 mil habitantes, sendo menor que São Luís, Fortaleza e Cuiabá. Isso mudou após cerca de três décadas. Em 1900, as duas maiores cidades do Brasil eram Rio, com 811 mil, e São Paulo, com 240 mil pessoas. Consolidava-se, assim, o poderio econômico da região sudeste, e o fosso regional começava a se alargar com maior velocidade.

    A explicação para o aumento súbito da população de São Paulo é a imigração europeia, atraída por causa da economia em expansão. Entre 1884 e 1940, desembarcaram no Brasil milhões de italianos e portugueses e milhares de espanhóis, japoneses e alemães. Todos países mais avançados que o Brasil.

    Dotados de maior grau de educação (ou “capital humano”, no linguajar dos economistas), essa mão de obra mais qualificada foi crucial para o desenvolvimento do sul e do sudeste do Brasil. Não que houvesse algo de especial nos genes de italianos e alemães. Mas em 1900, enquanto a taxa de alfabetização no Brasil era de 35% da população maior de 15 anos, na Itália ela de mais de 50%, e na Alemanha de quase 80%.

    Com o Nordeste em decadência, e com o Sul e o Sudeste em expansão, esses imigrantes – e seus descendentes, com o próprio presidente Jair Bolsonaro, de ascendência italiana – ainda hoje se concentram nas duas regiões mais ricas.

    Segundo o censo de 2010, 78% da região sul e 55% da região sudeste se declarava branca, enquanto no Nordeste esse valor é de 29%. Já os pardos – isto é, os mestiços – são 60% dos nordestinos, 36% dos sudestinos e 16% dos sulistas.

    Racismo científico

    Desde do final do século 19 estava na moda aquilo que ficou conhecido como “racismo científico”. Isso é, um conjunto de teorias que pregavam a existência de um ranking entre as “raças”, com os brancos europeus ocupando o topo da pirâmide, enquanto as populações pretas e mestiças ocupavam a base.

    Brancos europeus são vistos pela sociedade racista da época como mais inteligentes e mais trabalhadores. Os não brancos (pretos, pardos, indígenas), por sua vez, como inferiores, preguiçosos, malandros. Havia até autores como o italiano Cesare Lombroso que davam estofo “científico” às ideias de que pretos e pardos eram inclinados ao crime.

    Esses preconceitos facilitavam a ascensão social dos europeus e de seus descendentes, enquanto criavam mais obstáculos para a superação da pobreza das populações não-brancas. Logo, o sul-sudeste passa a ser composto em sua maioria pelas “raças superiores”, enquanto os nordestinos, em sua maioria, eram formados por elementos decaídos na visão da elite brasileira.

    A decadência do Nordeste era ainda mais violenta para as populações do semi-árido, cuja economia havia se especializado na produção de carne para atender as cidades litorâneas. Já no início do século 19, essa atividade entra em declínio, incapaz de competir com o charque (carne salgada) produzido pelo Rio Grande do Sul. Além dessa queda estrutural, o sertanejo era atingido pelas secas periódicas.

    Imagem de uma criança faminta na seca de 1877.

    Imagem de uma criança faminta na seca de 1877.

    Em 1877 e 1879, ocorre a chamada “grande seca”, que atinge com violência particular o estado do Ceará, provocando a morte de 500 mil sertanejos. Muitos foram os que, ao tentarem fugir da fome, se retiravam para as cidades litorâneas, bem como para a região norte do país, que começava a experimentar o boom da borracha.

    Rodolpho Theóphilo em sua “História da seca no Ceará” relata como os retirantes comiam plantas e raízes venenosas, que lhes custavam a vida, como também faziam uso de “carnes repugnantes de cães, gatos, morcegos, répteis e urubus”.

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    Cearenses comem lagarto para não morrer de fome.

    Arquivo Jornal do Brasil

    Essa massa de gente esfomeada e doente, que esmolava, se prostituía e cometia pequenos crimes nas cidades – muitas vezes para não morrer – passa a ser vista com pavor também pelas gentes das cidades grandes do Nordeste. Na seca de 1915, no Ceará, chegou-se mesmo a criar verdadeiros campos de concentração de retirantes, buscando evitar que eles chegassem à capital Fortaleza.

    De 1950 até 1980, por conta do forte crescimento econômico do Sudeste, legiões de nordestinos saem em busca de uma vida melhor no Rio e em São Paulo. Após longas viagens em caminhões pau-de-arara, esses nordestinos pobres, mestiços, com baixa escolaridade (a maioria era mesmo analfabeta) encontravam sustento em profissões de baixa qualificação e reduzido prestígio social. As mulheres, via de regra, se tornavam empregadas domésticas, lavadeiras. Os homens, pedreiros, trabalhadores braçais.

    Manchete “Nordeste tem novas ‘espécies humanas’”, referindo-se à baixíssima estatura dos nordestinos que passaram fome.

    Sem salários que lhes garantissem dignidade, esses nordestinos iam morar nas favelas que se agigantavam pelas grandes cidades brasileiras. Com pouca educação formal, falando um português com um sotaque característico, passam a ser um alvo fácil do preconceito, do ódio e também do humor – um modo socialmente palatável de destilar xenofobia e ódio.

    O preconceito já foi até mais ostensivo e desavergonhado, como nos tempos em que não havia preocupação com o “politicamente correto”, que tanto irrita nosso presidente e nossos humoristas medíocres.

    Paulo Francis, por exemplo, vez por outra saudado como um grande jornalista brasileiro, em colunas publicadas em grandes jornais sentia-se confortável o bastante para comparar os nordestinos a uma “sub-raça”. Eugênio Gudin, dos mais respeitados economistas no Brasil, também escrevia no jornal O Globo comparando os sertanejos nordestinos a animais, intocados pela civilização.

    Hoje não cai bem escrever essas coisas n’O Globo ou na Folha de S. Paulo, mas no mundo sem leis da internet o preconceito contra nordestinos sempre ressurge. Nas eleições presidenciais, por exemplo, a polarização sul antipetista e norte petista fez ebulir o ódio aos nordestinos.

    O presidente Jair Bolsonaro, da posição privilegiada do mais alto cargo da República, está constantemente reafirmando e chancelando a xenofobia, mais ou menos evidente, que existe em parte não desprezível de seu eleitorado. Ele consolida um preconceito baseado nessa construção histórica, de origem econômica, social e racial, que são marca do “racismo científico” e que ainda hoje se mantém no inconsciente de muita gente.

    Nós, nordestinos, não somos indivíduos aos olhos do presidente – aos olhos de vários brasileiros também não.

    Fonte: https://theintercept.com/2019/08/12/bolsonaro-despreza-nordeste-nordestinos-economia/?fbclid=IwAR256KUDAyMEXTtvRHjEZioNccMjorKUdXZSoQa_Qxi35mDp5lTGXgtK_pA

    JacintoPereira.com

    segunda-feira, 12 de agosto de 2019

    Demori: Deltan diz que relação com grupos "nunca foi segredo"

    Demori: Deltan diz que relação com grupos "nunca foi segredo", mas nas mensagens era "não me citem como origem"

    Leandro Demori, editor do site The Intercept Brasil, rebateu a tese do procurador Deltan Dallagnol, que disse em sua página nas redes que não reconhece o conteúdo dos novos trechos da revelados pela Vaza Jato, mas que "nunca foi segredo" sua relação com os grupos

    12 de agosto de 2019, 19:14 h


    Leandro Demori Deltan Dallagnol Leandro Demori Deltan Dallagnol

    247 - Leandro Demori, editor do site The Intercept Brasil, rebateu o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, que disse não reconhecer o conteúdo dos novos trechos da revelados pela Vaza Jato, que mostram o procurador articulando ações de grupos da direita como Mude e Vem pra Rua para tentar pressionar o Supremo Tribunal Federal a não colocar Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli como seus substitutos.

    Dallagnol disse que "nunca foi segredo meu diálogo com entidades da sociedade civil e movimentos sociais, que têm sido essenciais para os avanços contra a corrupção nos últimos anos".

    "'Nunca foi segredo', mas só na matéria de hoje ele diz as seguintes coisas: "não me citem como origem"; "sem mencionar minha sugestão"; "Não comenta com ninguém, tenho que ficar na sombra"", rebateu Demori, citando trechos das frase usadas por Dallganol nas mensagens vazadas de grupos em seu Telegram.


    Leandro Demori

    @demori

    "Nunca foi segredo", mas só na matéria de hoje ele diz as seguintes coisas: "não me citem como origem"; "sem mencionar minha sugestão"; "Não comenta com ninguém, tenho que ficar na sombra". Então tá. https://twitter.com/deltanmd/status/1160950848475881473 …

    Deltan Dallagnol

    @deltanmd

    Não reconhecemos as mensagens do Intercept. Agora, nunca foi segredo meu diálogo com entidades da sociedade civil e movimentos sociais, que têm sido essenciais para os avanços contra a corrupção nos últimos anos. Seu mérito deve ser reconhecido.

    2.808

    18:44 - 12 de ago de 2019

    Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/demori-deltan-diz-que-relacao-com-grupos-nunca-foi-segredo-mas-nas-mensagens-era-nao-me-citem-como-origem

    Bolsonaro volta a quebrar decoro e insulta o povo argentino


    Jair Bolsonaro deu mais um motivo para sofrer impeachment, ao desrespeitar o resultado das primárias argentinas. Nesta segunda feira, durante evento em Pelotas (RS), ele disparou: "Se essa esquerdalha voltar aqui na Argentina, nós poderemos ter, sim, no Rio Grande do Sul, um novo estado de Roraima"

    12 de agosto de 2019, 13:12 h Atualizado em 12 de agosto de 2019, 13:20

  • 247 - Jair Bolsonaro deu mais um motivo para sofrer impeachment, ao desrespeitar o resultado das primárias argentinas. Nesta segunda feira, durante evento em Pelotas (RS), ele disparou: "Se essa esquerdalha voltar aqui na Argentina, nós poderemos ter, sim, no Rio Grande do Sul, um novo estado de Roraima".

    Segundo informou o site O Globo, ele disse: "Povo gaúcho, se essa esquerdalha voltar aqui na Argentina, nós poderemos ter, sim, no Rio Grande do Sul, um novo estado de Roraima. E não queremos isso: irmão argentinos fugindo pra cá, tendo em vista o que de ruim parece que deve se concretizar por lá caso essas eleições realizadas ontem se confirmem agora no mês de outubro" .

    "Não se esqueçam que aqui mais ao Sul, na Argentina, o que aconteceu nas eleições de ontem, o que aconteceu nas eleições de ontem.... A turma da Cristina Kirchner, que é a mesma da Dilma Rousseff, que é a mesma de [Nicolás] Maduro e [Hugo] Chávez, e Fidel Castro, deram sinal de vida aqui", acrescentou.

    Entenda:

    As eleições primárias na Argentina, ocorridas neste domingo (11), mostram que o jogo político na América Latina, que viu a ascensão de governos de extrema direita nos últimos tempos, começa a mudar.

    A chapa progressista encabeçada por Alberto Fernandez, com Cristina Kirchner na vice-presidência, derrotou o grupo conservador de direita liderado pelo atual mandatário, Mauricio Macri – apoiado por Jair Bolsonaro. Na primeira parcial, com 58,7% das urnas apuradas, Fernandez/Kirchner obtiverem 47,01% dos votos, contra 32,66% do presidente, que tenta a reeleição. Leia mais aqui.

    Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/sul/bolsonaro-volta-a-quebrar-decoro-e-insulta-o-povo-argentino

    “Se Vc topar, vou te pedir pra ser laranja em outra coisa que estou articulando kkkk”, disse Deltan a procuradora


    Num dos trechos mais impactantes da Vaza Jato, o procurador Deltan Dallagnol pede a sua colega Thamea Danelon que ela seja "laranja" numa articulação da força-tarefa para pressionar o Supremo Tribunal Federal a prender o ex-presidente Lula – e ela concorda

    12 de agosto de 2019, 06:56 Deltan Dallagnol Deltan Dallagnol (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

    247 – Confira, abaixo, um dos trechos mais importantes da reportagem de Rafael Neves e Rafael Mora Martins, publicada no Intercept:

    Em 22 de março de 2018, o STF concedeu ao ex-presidente Lula um salvo-conduto para que ele, já condenado em segunda instância no caso do triplex do Guarujá, não fosse preso até o julgamento de seu habeas corpus preventivo, marcado para 4 de abril. Grupos contrários e favoráveis ao petista mobilizaram-se para pressionar o Supremo.

    Oito dias depois, Dallagnol anunciou no grupo de Telegram Parceiros MPF — 10 medidas que ele e a equipe da Lava Jato no Paraná haviam aderido a um abaixo-assinado restrito a juízes e procuradores a favor da prisão em segunda instância. Horas mais tarde, o procurador discutiu com Thaméa Danelon a possibilidade de que também houvesse abaixo-assinados apresentados pela sociedade, e não apenas por autoridades.

    No dia seguinte, Dallagnol fez uma proposta à procuradora. “Se Vc topar, vou te pedir pra ser laranja em outra coisa que estou articulando kkkk”. Danelon assentiu, animada, e o chefe da Lava Jato continuou. “Um abaixo assinado da população, mas isso tb nao pode sair de nós… o Observatório vai fazer. Mas não comenta com ng, mesmo depois. Tenho que ficar na sombra e aderir lá pelo segundo dia. No primeiro, ia pedir pra Vc divulgar nos grupos. Daí o pessoal automaticamente vai postar etc”.

    O Observatório Social é uma organização de atuação nacional sediada em Curitiba que atua, segundo o site, “em favor da transparência e da qualidade na aplicação dos recursos públicos”. Mantendo sigilo sobre a articulação, a colega de Dallagnol em São Paulo divulgou o abaixo-assinado e disse a ele que o Vem Pra Rua fez o mesmo. Em seguida, o coordenador da Lava Jato compartilhou a petição em seu perfil do Facebook sem mencionar que estava por trás da iniciativa.

    Satisfeito com a repercussão, Dallagnol escreveu a Danelon: “Temos que cuidar pra não parecer pressão. Se não estivéssemos na LJ, o tom seria outro kkkkk. Ia chutar o pau da barraca rs. Depois chutava a barraca e eles todos tb kkk”. A procuradora subiu vários tons. “Eu colocava todos na barraca e metralhava kkkk”.

    ]Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/se-vc-topar-vou-te-pedir-pra-ser-laranja-em-outra-coisa-que-estou-articulando-kkkk-disse-deltan-a-procuradora